Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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A ABORDAGEM DA ÁFRICA NO LIVRO DIDÁTICO DE GEOGRAFIA
Este artigo objetiva identificar as diferentes abordagens de questões etnicorracias, principalmente, sobre assuntos referentes ao continente africano, nos livros didáticos de geografia do nível fundamental, sendo estes um importante instrumento no processo de ensino e aprendizagem, responsável pela difusão de ideias e pensamentos. Os livros utilizados foram do 8° e 9° ano de coleções distintas e a análise se encaminhou a partir dos eixos: A representação da África no que se refere sua importância para o mundo; a abordagem da África inserida nas relações etnicorraciais de acordo com a Lei 10.639/2003. Entende-se a geografia escolar com um grande potencial para tratar de forma mais positiva aspectos da história da África, contrariando uma propagação da construção historiográfica do continente baseada em uma visão de inferiorização do mesmo. Além disso, o artigo demonstra por meio do referencial teórico as discussões feitas por diferentes autores sobre a temática, confirmando os grandes equívocos que são propagados até hoje sobre as culturas afrodescendentes, mesmo com 15 anos da implementação da lei 10.639/03 que torna obrigatório o ensino da história da África e cultura afro-brasileira no currículo nacional. A partir da implementação da lei, a abordagem da história e cultura afro-brasileira é mais frequente nos conteúdos geográficos representados no livro didático, entretanto, observa-se que ainda há um longo caminho a percorrer para que a lei se efetive de fato no ambiente escolar, pois as representações da África ainda estão muito atreladas a uma visão negativa. Sendo um dos requisitos da lei representações positivas no que se refere à história dos afrodescendentes. Além disso, nota-se que assuntos como preconceito e discriminação racial ainda são pouco citados nos livros. A maior visibilidade desses temas possibilitaria a contribuição de uma sociedade mais justa e igualitária que é um dos objetivos da lei 10.639/03
A ÁFRICA NOS CURSOS DE GEOGRAFIA: UMA EXPERIÊNCIA DE PESQUISA PARTICIPANTE EM SALA DE AULA
O presente trabalho em andamento consiste numa primeira etapa da pesquisa sobre África e sociedades Africanas no âmbito do ensino de Geografia. Trata-se de uma pesquisa participante de caráter exploratório e qualitativo, resultante de observações referentes ao estágio docência na disciplina “Tópicos em Geografia Humana: Geografia da África” do Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás – Campus Samambaia. A construção deste trabalho se dá por meio de referenciais bibliográficos no âmbito dos estudos sobre currículo, relações raciais e Geografia da África, bem como a análise de ementas, planos de ensino e observações em sala de aula. Tomando como base as metodologias e inferências no decorrer da pesquisa até o presente momento, compreendemos que é necessário um maior acolhimento das pautas relacionadas à África e relações raciais na Geografia, rompendo dessa maneira com a percepção eurocêntrica/colonial que por vezes invisibiliza a temática das africanidades na ciência geográfica, ciência esta que apresenta inúmeras potencialidades de abordagens sobre a temática em questão
DIVERSIDADE DE GÊNERO: O PODER DO DISCURSO NA EXCLUSÃO SOCIAL
Desde o Iluminismo as mulheres foram relegadas ao acesso à ciência. Os pilares da ciência moderna foram calcados na supressão de como diria as geógrafas Janice Monk e Susan Hanson exclusão da “metade da humanidade”. A ciência como produto humano é socialmente produzido e, sendo assim, não há neutralidade na produção do conhecimento. A ciência moderna tal como conhecemos apresenta privilégios de sexo, raça, classe e sexualidade. Pouco se discute sobre temas relacionados ao gênero. Na nossa sociedade ainda existem muitos tabus, quando surge o tema gênero ou sexualidade a discussão toma um sentido maniqueísta. No ambiente escolar isso tem acarretado inúmeras discussões, reflexo de um embate político, apoiado em convicções religiosas. O espaço escolar é constituído por praticas que também são convertidas em aprendizado. Ele se institui segundo o que Santos (1978) propõe como uma estrutura subordinada e subordinante. Acreditamos ser imprescindível a discussão sobre gênero na escola e temos nos professores um potencial colaborador com essa discussão, entretanto, esses profissionais necessitam urgentemente de formação que contemple essa área de estudo. As universidades ainda não estão totalmente abertas para essa temática, pois pesquisas relacionadas ao gênero e sexualidades ainda sofrem opressão no meio acadêmico. Este trabalho tem por objetivo discutir sobre a temática de gênero e relatar uma experiência de docência com 18 alunos no 7o período do curso de Licenciatura em Geografia. É importante lembrar que em breve esses discentes estarão exercendo a profissão, eis que surge a questão: estão eles sendo preparados para o debate dessa temática? Os resultados dessa pesquisa trata-se de contato realizados com os discentes, para sabermos previamente o quê os sujeitos em evidência conheciam sobre o tema, e seus respectivos posicionamentos. Para posteriormente se delinear uma análise mais aprofundada sobre a temática em questão com a turma, nos encontros seguintes houve um maior aprofundamento em que houve discussões sobre a desigualdade de gênero em sala de aula, sobre identidade de gênero, e sobre espaços da Universidade Federal do Tocantins acerca desse debate. É salutar compreendermos que o discurso é um dispositivo de poder e que por meio dele excluímos uma parcela da sociedade. Não somos todos iguais, as nossas diferenças é o que nos singulariza e mantém a diversidade na sociedade. A sociedade produz e se reproduz no espaço geográfico onde ocorrem as manifestações de diversidades culturais, o espaço escolar não foge a essa regra, sendo portando ainda hoje um espaço segregador e excludente das minorias. Cabe aos discentes repesarem as suas atitudes frente a tais preconceitos, nas elaborações das aulas, nas dinâmicas utilizada em classe, nos debates no âmbito escolar dentre outras funções desenvolvida pelo mesmo, pois não conseguiremos mudar essa realidade de uma única vez, mas, aos poucos conseguiremos caminhar para uma sociedade mais justa e igualitária
A TRAJETÓRIA DO ENSINO DE GEOGRAFIA NOS COLÉGIOS DA CIDADE DE SÃO PAULO NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
Nos últimos anos, tem aumentado o número de pesquisas sobre a história do ensino de geografia nas diferentes províncias brasileiras do século XIX com o intuito de se desvendar conteúdos, objetivos, professores, livros didáticos de cada localidade, cidade ou província (SANTOS 2004); (OLIVEIRA 2011); (MAIA, 2014). Dessa forma, a concepção, já clássica, de que o Colégio Pedro II padronizou o ensino secundário, e consequentemente, o ensino de geografia ao longo do Império por meio dos seus programas e livros didáticos, vem recebendo novas contribuições que tendem a mostrar as especificidades do ensino dessa disciplina. Essa comunicação, resultante de minha pesquisa de doutorado, vem contribuir para tal debate apresentando a proliferação de colégios particulares com aulas de geografia na Cidade de São Paulo após a primeira metade do século XIX. Quem forma esses professores? Qual ensino de geografia fora proposto nesses colégios? Quais foram os livros utilizados? Qual era a geografia predominante na capital paulista? Para a composição da pesquisa utilizei os Relatórios de Instrução Pública emitidos pelo Inspetor Geral de Instrução Pública, Diogo de Mendonça Filho, localizados no Arquivo Público do Estado, e dos anúncios de colégios particulares publicados no periódico Correio Paulistano entre os anos de 1854 a 1866. Nesse trabalho, análises aprofundadas da aula de Geografia do Curso Anexo à Faculdade de Direito de São Paulo, com funcionamento na cidade desde 1834 e do Seminário Episcopal, fundado em 1854 ficaram de fora. Uma análise minuciosa dessas duas instituições extrapolaria as dimensões dessa comunicação. Assim, optamos por esse recorte para apresentar algumas instituições de ensino que começaram a funcionar na cidade de São Paulo após a Reforma Couto Ferraz em 1854
GEOGRAFIA ESCOLAR CEARENSE: ENTRE O SABER, O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E A DOCÊNCIA
A Geografia escolar cearense apresenta longa trajetória, com origens no saber e conhecimento científico, produzido pelos intelectuais do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará e posteriormente, pelo desenvolvimento dos currículos escolares e a institucionalização da instrução pública. Essa pesquisa foi desenvolvida no Doutorado em Educação (UFC). Teve por período histórico inicial o ano de 1887, momento da instalação do Instituto do Ceará, onde se buscou a origem do saber científico, delimitando-se com o surgimento do primeiro curso superior de formação de professores, datado de 1947, resultando na produção do saber docente. Das evidências periféricas da historiografia cearense foram sendo reconstruídas a estrutura e dinâmica da formação do saber geográfico local. O trabalho de investigação baseou-se, em registros de arquivos públicos e privados, documentos oficiais, bibliotecas, obras raras, leituras de dissertações e teses e, sobretudo, das Revistas do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, permitindo acesso aos escritos que compunham o passado da Geografia. Tecer a trajetória do saber geográfico no Ceará foi uma oportunidade de desvelamento dessa ciência, bem como enfatizar sua importância científica na História da educação brasileir
O CONCEITO DE ESCALA APLICADO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DA ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA
A alfabetização cartográfica tem como objetivo auxiliar os discentes do ensino básico no desenvolvimento das noções espaciais. Nesse sentido, a cartografia tem o papel de representar, através de sua linguagem, os fenômenos que ocorrem no espaço, permitindo sua leitura, análise e compreensão das relações que ele possui. Nessa pesquisa será trabalhado o conceito de escala e proporção, pois, são os conceitos que os alunos mais possuem dificuldade, devido ao seu grau de abstração. Dessa forma, tem-se como objetivo analisar como os estudantes do 6º ano do ensino fundamental compreendem os conceitos de escala e proporção. Como metodologia de pesquisa foi desenvolvido uma atividade com dois exercícios sobre esses conceitos. Os resultados mostram que os alunos possuem dificuldade em compreender e identificar esses conceitos. Desta forma, reafirma a importância do trabalho da alfabetização cartográfica nos anos iniciai
ATRAVÉS DOS MUROS: PERCEPÇÕES DA GEOGRAFIA DA INFÂNCIA
Ao longo de meu primeiro trabalhando como professor de geografia para o quarto ano do ensino fundamental, vários assuntos que até então eu não havia conhecido no âmbito da Universidade estavam ali postos no meu cotidiano escolar. O que elas entendiam e como elas enxergavam o espaço geográfico?A partir das experiências em sala de aula, das percepções do entorno escolar e das relações que os alunos me traziam nas aulas, decidi buscar entender quais eram suas visões relacionadas à segurança na cidade através de alguns trabalhos realizados ao longo do ano, que puderam esmiuçar inúmeras visões de mundo e espacializações a partir de experiências das crianças. Ao entender que o medo estava presente no imaginário e na representação de cidades feita pelos alunos, encerro o artigo demonstrando como ele é fator fundamental para compreender como os estudantes enxergam a cidade
A ABORDAGEM DA CARTOGRAFIA E O DESENVOLVIMENTO DAS PERCEPÇÕES ESPACIAIS NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
À Geografia Escolar cabe o papel não somente de formar sujeitos críticos e de postura reflexiva diante a realidade em que vivem, mas também de dar a dimensão e a possibilidade de um raciocínio espacial para compreender o mundo em sua multiplicidade de sentidos. Faz-se importante, portanto, que a prática docente proporcione a construção de habilidades junto ao aluno a fim de que se haja um alcance do que propõe a educação geográfica. Neste sentido, a Cartografia revela sua essencialidade no processo de ensino/aprendizagem como linguagem, possibilitando por meio de diversos tipos de representação a expressão visual da espacialidade. A pesquisa, que se constitui como resultado preliminar do Programa de Iniciação Científica da Universidade de Brasília, objetiva fazer uma análise sobre a abordagem da Cartografia nos anos finais do Ensino Fundamental e o desenvolvimento das percepções espaciais, por meio da análise de desenhos elaborados por alunos, destacando o papel da linguagem cartográfica nesse processo
O XADREZ COMO INSTRUMENTO NO ENSINO DE GEOGRAFIA
O ensino de Geografia na educação básica ainda é focado em práticas atreladas ao livro didático e às aulas expositivas, que apesar de serem necessárias no processo de ensino aprendizagem não são suficientes para despertar o interesse pela disciplina de geografia como ciência que possibilita entender a realidade. Visando ampliar os horizontes no ensino de geografia, foi planejada e desenvolvida uma atividade relacionando o Xadrez e a Geografia com objetivo de aproximar os alunos do jogo, e de levá-los a correlacionar as relações socioespaciais com as movimentações das peças realizadas no xadrez. A atividade foi realizada com alunos do Ensino Médio de uma escola estadual da cidade de Alfenas-MG com apoio da professora supervisora de estágio e sob a coordenação da professora orientadora de estágio, envolvendo 16 estagiários, com a participação de 169 alunos do ensino médio. Para realizar a atividade houve um planejamento coletivo, no qual se discutiu sobre a relação da geografia com o xadrez, que resultou na elaboração da prática educativa. A realização da atividade no espaço da universidade foi acompanhada por vários professores da escola e houve um importante envolvimento dos alunos. Por meio da atividade foi possível perceber que o jogo de xadrez possibilitou uma ampliação do entendimento de alguns conceitos e temas relacionados aos conteúdos geográficos
GEOMAT – OFICINAS INTERDISCIPLINARES ENTRE GEOGRAFIA E MATEMÁTICA
O GEOMAT – Oficinas Interdisciplinares entre Geografia e Matemática é uma proposta didático-pedagógica desenvolvida por licenciandos da Universidade Federal de Santa Catarina, a qual estava pautada na vontade de propor um ensino interdisciplinar por meio de 14 oficinas semanais, que ocorreram no segundo semestre de 2017. As oficinas foram destinadas aos alunos do 8º e 9º ano numa escola municipal de Florianópolis. Através de um entendimento conceitual breve sobre interdisciplinaridade, os autores experimentam desenvolver atividades em sala de aula como um espaço de ensino e de aprendizagem para professores e estudantes. O desenvolvimento do GEOMAT exigiu uma produção de materiais e atividades próprios para os participantes, além de uma readequação constante das atividades previstas. Verificou-se por meio de feedbacks e da observação dos oficineiros diversas potencialidades no decorrer do projeto, apesar de problemas com o tempo e frequência dos participantes, percebe-se a relevância desta ação inovadora no fazer interdisciplinar