Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Cartocartas: o jogo como instrumento lúdico-pedagógico no ensino de Geografia

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    Esse trabalho tem por objetivo apresentar a importância de atividades lúdicas para o ensino e aprendizagem da Geografia Escolar. Nesse caso, a cartografia trabalhada foi com alunos do 7º ano do Ensino Fundamental II de uma escola municipal em Itaboraí, por meio de um jogo de cartas idealizado pelas estudantes da [omitido para avaliação] a partir do Programa de Iniciação Científica (IC) da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). O uso de jogos e outras ferramentas mostraram-se muito úteis para as práticas educativas, dinamizando as aulas, estimulando a criatividade do professor, ampliando as possibilidades dos alunos em ler e pensar criticamente o mundo à sua volta, com isso, contribuindo na construção de conhecimentos. Dado o contexto dos alunos em questão e a dificuldade com a aprendizagem da cartografia, considerando o distanciamento dos espaços físicos escolares durante dois anos devido à pandemia da Covid-19, o CartoCartas surge para propiciar a interação, valorizar o lúdico e a aprendizagem da Cartografia Escolar de uma maneira inovadora.

    Geografia, arte e literatura: um encontro possível

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    Este relato irá abordar a experiência de planejamento e aplicação de uma atividade do estágio obrigatório da Faculdade de Educação do curso de Geografia no ano de 2021, que ocorreu de forma remota nas aulas de Língua Portuguesa com a turma de ingressantes de 2020 do curso de eletroeletrônica de um colégio técnico de Campinas. A atividade buscou unir geografia e literatura através do uso de fotografias e vídeos produzidos pelos próprios alunos sobre espaços que faziam parte do seu cotidiano. Assim, os lugares de vivência dos estudantes, perpassados por suas experiências e memórias, foram levados para a sala de aula, validando o conhecimento empírico dos alunos. Posteriormente, as fotografias produzidas foram distribuídas aos grupos de alunos para que eles criassem um texto curto que deveria personificar o espaço, tal como faziam os autores das escolas realista e naturalista, que eles estavam estudando nas aulas de Língua Portuguesa. Para isso, precisaram refletir sobre o espaço que viam representado nas fotografias e vídeos, além de recorrer às suas próprias memórias sobre espaços semelhantes. A experiência permitiu o planejamento de uma atividade completa, incluindo o processo avaliativo, e gerou reflexões acerca da importância da produção e difusão de materiais escritos e fotográficos pelos e entre os próprios aluno

    Uma ecologia das práticas na Ginecologia Natural: Notas sobre os encontros e as rupturas de uma médica ao investir em uma medicina para as mulheres

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    O ensaio retoma trechos de uma entrevista realizada em 2023 com a Dra. Debora Rosa, médica brasileira especialista com reconhecida atuação em ginecologia natural, para discutir os motivos que atualmente delimitam quando um conhecimento é nomeado como ciência válida e quando é nomeado como curanderia ou crendice sem valor, nos atendimentos relacionados à saúde da mulher. Em sua atuação profissional clínica e acadêmica, Dra. Debora Rosa menciona antibióticos, banhos de ervas, cirurgias e vaporizações do útero como procedimentos que têm o mesmo nível de importância. Ela retoma a ciência dos homens brancos, o conhecimento das mulheres de cor, a sabedoria das plantas e ervas. Equipara protocolos da medicina formal às receitas oriundas dos saberes localizados de mulheres afro indígenas. Tudo isso gera uma conduta, uma ecologia de práticas, ainda pouco frequente na ginecologia brasileira. Um trabalho que atrai cada vez mais adesão de mulheres e críticas dos conselhos dos profissionais de saúde que ainda não reconhecem a ginecologia natural como uma especialidade médica

    Saravá Seu Tranca-rua que é dono da gira no meio da rua: A gira do Estado

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    Neste trabalho invoco Exu Tranca-rua para problematizar a presença do Estado no diálogo com as giras de Exu que acontecem no Rio de Janeiro. Desse modo, o trecho do ponto: “Saravá Seu Tranca-rua dono da gira no meu da rua” vem problematizar a ocupação dos espaços públicos pelas giras de Exu e para demarcar território. Tranca-rua é o povo: povo de rua – os exus, mas também é povo da rua – as pessoas em situação de rua que zelam e a habitam os Arcos da Lapa, onde ocorrem as giras, criam formas de habitar, existir e resistir na rua. Logo, o objetivo dessa pesquisa é compreender como o Estado é visto pelos agentes, como aparece nas cantigas. Essa etnografia delimita-se a observação de duas giras, sendo: uma no Santuário de Zé Pilintra, no bairro da Lapa, no centro da cidade do Rio de janeiro e outra no Parque de Madureira, bairro de Madureira subúrbio do Rio de Janeiro. Essa pesquisa também contou com entrevista realizada com o diretor do Santuário de Zé Pilintra, sobre a administração do santuário e a relação com o Estado. O trabalho tem inclinações de três tendencias teóricas, a antropologia urbana e antropologia da religião por abordar giras de exu nos espaços urbanos onde a “coexistência de diferentes estilos de vida e visões de mundo” (Velho,1999:21) e por buscar compreender os lugares de sociabilidade entre indivíduos e divindades e com a antropologia da performance por vislumbrar a possibilidade de análise dos rituais, sua estrutura e interesse na análise das danças, músicas, comportamentos e gestos presentes nas giras. Percebe-se que o Estado visto como um espectro que distante do povo e que aparece para oprimir, disciplinar, vigiar, punir e controlar a vida e a morte, atuando sobre o território e usando de diferentes técnicas de controle e dominação.

    O usuário como objeto de controle na sociedade atual: Uma análise sob a ótica da vigilância dos aplicativos governamentais brasileiros

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    O artigo aborda a figura do "usuário" de aplicativos digitais como alvo de vigilância e controle na sociedade contemporânea, destacando a transformação do indivíduo em "dividual" nas Sociedades de Controle em contraste com as Sociedades Disciplinares. Além disso, é evidenciada O presente artigo busca relacionar o usuário como o novo objeto de vigilância e controle estatal. Para isso é feito uma relação do usuário com o dividual, conceituado por Deleuze, ao caracterizar a produção de subjetividades na Sociedade de Controle. O texto realiza um panorama geral da Sociedade Disciplinar de Foucault, passando por suas principais características, para poder conceituar e comparar com a Sociedade de Controle de Deleuze e seu aspecto sobre dividuação. Na sequência é realizado um paralelo do dividual com o usuário, acrescentando uma camada de complexidade ao analisar sobre a relação de opressão que o usuário, nessa interação com as ferramentas tecnológicas, sofre. Este processo resulta na desumanização dos indivíduos, considerados apenas objetos para a construção e aprimoramento das tecnologias. A falta de participação dos usuários no planejamento e criação da tecnologia contribui para a exploração, monitoramento e controle de seus comportamentos e interesses. Em seguida é feita uma análise da relação da privacidade e proteção de informações do usuário na camada para além do individual, ou seja, considerando-o como dividual, e é questionado se a regulamentação jurídica que existe atualmente consegue sustentar a complexidade dessas relações. Por fim, para tornar a discussão mais concreta, são examinadas duas aplicações governamentais: Bolsa Família e CNH Digital, e a concessão de informações dos usuários que são requeridas por essas ferramentas tecnológicas. É destacada a necessidade de uma reflexão crítica sobre privacidade, usuários e vigilância estata

    Rodoanel ou Rodominério? Notas sobre a recente disputa em torno do projeto de produção-exploração do espaço metropolitano de Belo Horizonte

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    O papel do Estado tem sido questionado na produção e enfrentamento das crises socioecológicas, principalmente em sua operação de acordo com a racionalidade neoliberal (Dardot; Laval, 2016). A ideologia do desenvolvimento enquanto pilar de atuação do Estado tem desenhado a relação entre neoliberalismo e o antropoceno na produção de injustiças socioambientais (Svampa, 2018). No final de 2022 o governo de Minas Gerais anunciou a homologação da licitação do projeto do Rodoanel, por meio de uma (PPP) com a empresa italiana INC S.P.A., sendo parte dos recursos oriundos do crime cometido pela mineradora Vale S.A em Brumadinho. Com a proposta de fornecer “segurança e fluidez ao tráfego comercial” (Minas Gerais, 2018), o projeto de estrada tem aliado o projeto neoliberal de Romeu Zema ao capital da mineração. Neste trabalho discuto como tem se processado disputas sobre a produção do espaço metropolitano relacionados ao projeto do Rodoanel. Apresento a partir do caso da comunidade quilombola de Pinhões, localizada em Santa Luzia – MG, a articulação de redes de resistência às obras do que tem sido chamado de “Rodominério”, e a defesa de um “território sagrado” tombado como patrimônio imóvel: o cemitério dos escravizados. Argumento em direção a como a centralidade da luta territorial tem evidenciado o protagonismo de comunidades tradicionais enquanto sujeitos políticos potentes na crítica de fundamentos da sociedade, como o racismo e o extrativismo, sem a qual não se pode pensar transições socioecológicas

    “O Jara só vai embora quando você morre”: Notas sobre alteridade e a produção de uma cosmopolítica do corpo Kaiowá e Guarani

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    Refletir os modos de fazer política entre os povos Kaiowá e Guarani envolve algumas prerrogativas, entre elas as relações que estes estabelecem com outros mundos, em uma comunicação realizada pelos Ñanderu e Ñandesy, respectivamente o xamã homem e a xamã mulher, com os guardiões dos “modos de ser”, os Teko Jara”, os quais estão distribuídos pelos reinos animal, vegetal, mineral e fluvial. Desse modo, o que se convenciona por “natureza” não se trata como o espaço amorfo e inabitado, conforme preconizado pelo pensamento moderno e euro-americano, no caso dos povos falantes de língua guarani, este é o lugar habitado por uma série de seres intencionais, sejam estes humanos ou não humanos, onde a palavra - ñe’e, circula por entre estes lugares talvez seja o estatuto que mais toque estruturalmente a existência destes povos, assim, são as palavras que fazem as pessoas e as pessoas são feitas de palavras, a rigor a natureza é mais um espaço da multiplicidade de relações políticas dos Kaiowá e dos Guarani. Portanto, ao se tratar da noção de pessoa e a categoria de humano – ava, significa tomar as qualidades relacionais que o corpo desempenha nas cosmologias dos Kaiowá e Guarani. A inspiração deste trabalho surgiu durante uma conversa entre mim e três jovens Kaiowá na aldeia Tei’y Kue, no município de Caarapó, no estado de Mato Grosso do Sul, durante uma reunião do conselho de juventude Kaiowá e Guarani. Na ocasião conversávamos sobre os problemas que os Kaiowá e Guarani lidam rotineiramente em suas aldeias, como as violências, suicídio, arrendamento de suas terras e a mudança pela qual a paisagem passou após sucessivos processos de devastações, na ocasião perguntei a um dos três, que é professor na escola indígena Pa’i Chiquito, da Aldeia Panambizinho, em Dourados- MS, se os jara iam embora depois que a floresta estivesse totalmente devastada, ao que ele me respondeu que, depois que desmatada a floresta, os jara ficavam em um patamar celeste superior, esperando que a reza de um rezador os fizesse descer, e que eles estavam ao nosso redor sempre, e que só iriam embora com a morte do corpo do ava. Contudo, este trabalho visa refletir as categorias relacionais e políticas que envolvem a noção de pessoa e produção do corpo, bem como suas implicações nos contextos de luta e reivindicação dos povos Kaiowá e Guarani por seus direitos territoriais e modos de ocupação espacial

    A contribuição da Geografia e das imagens sobre o racismo estrutural fora e dentro do ambiente escolar

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    O texto pretende apresentar o desenvolvimento e construção da pesquisa teórico-metodológica realizada em duas escolas públicas do estado do Rio de Janeiro com alunos do ensino fundamental e médio. Assim, o trabalho é um relato de experiências da prática profissional nas aulas de Geografia. No entanto, o que será apresentado é somente recortes e observações realizados até o presente instante, já que seu desenvolvimento ainda está em curso no cotidiano das aulas de Geografia. As observações se iniciam a partir da percepção do interesse dos alunos no pedido para assistirem filmes e aulas diferenciadas e ao mesmo tempo se mostrarem desanimados e desmotivados (mesmo com aulas diferenciadas). No entanto, o processo de construção do trabalho, vai além da sala de aula, mas também no entorno em que estão inseridos, onde há a falta de ações do poder público em promover políticas públicas culturais, econômicas e sociais aos jovens em sua maioria negros de periferia. Dessa forma, o trabalho se propõe investigar se o racismo estrutural e institucional arraigados na sociedade é uma das causas da desmotivação escolar vivida por grande parte desses jovens e o quanto as linguagens geográficas podem contribuir no despertar de formação crítica desses jovens

    Abordagem espacial e social na Geografia Escolar: a geograficidade do setor de Uberlândia-MG

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    O artigo discorre sobre os pressupostos e encaminhamentos metodológicos para o estudo do espaço geográfico e, que devem alicerçar o ensino de Geografia, a partir da apreensão e reflexão sobre a realidade dos lugares onde se vive. Logo, o presente artigo tem como objetivo central considerar a dinâmica e a complexidade do espaço urbano tendo como ponto de partida as paisagens dos lugares da vida cotidiana citadina para estimular a construção do pensar geográfico, o pensamento crítico e a consciência espacial. Para alcançar o objetivo exposto é necessário recorrer às categorias/conceitos geográficos, as quais serão explicitadas na primeira parte do texto; a seguir, discorre-se sobre as possibilidades metodológicas para ensino de Geografia e, por fim, considera-se na realidade urbana do Setor Sul da cidade de Uberlândia, e a materialização de tais conceitos

    A base de saberes profissionais e os contextos de realização da prática de docentes de Geografia

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    Este texto propõe refletir acerca dos conceitos de conhecimento pedagógico do conteúdo de Lee Shulman e dos saberes experienciais de Maurice Tardif. Também irá explorar as categorias de um repertório de conhecimentos para a prática profissional docente de forma geral, a partir das teorizações de ambos autores. Esta reflexão visa fornecer uma base teórico-metodológica para a investigação acerca da maneira pela qual múltiplos e complexos saberes são mobilizados e produzidos na prática cotidiana dos professores de Geografia. Com destaque para os conceitos de conhecimento pedagógico do conteúdo de Shulman e dos saberes experienciais desenvolvido por Tardif, compreendendo estes enquanto a matéria-prima do trabalho do professor, sua criação mais original e potente que emerge de sua ação cotidiana na escola, em confronto com as condições de sua atuação. Depreende-se desta revisão de literatura que, para a construção do conhecimento escolar é fundamental, o conhecimento profundo da ciência de referência, dentre outros. Dessa maneira reafirma-se a importância da Geografia no currículo escolar, em sua intensa relação com a ciência de referência e sua inserção mais ou menos autônoma em uma escola situada e contextualizada. Além disso, destaca-se como fundamental considerar nas análises sobre os saberes docentes os contextos dos quais emergem: as políticas curriculares, as características da formação inicial e continuada, as condições de trabalho, remuneração e progressão na carreira, distribuição dos tempos pedagógicos, estrutura das escolas e o grau de autonomia na implementação do currículo. As condições socioespaciais estão diretamente relacionadas com o saber que os professores produzem e mobilizam,  com as racionalidades que sustentam esses saberes e com as ações pedagógicas desempenhadas por estes sujeitos.

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