Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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Metodologias ativas: experiências e possibilidades na Geografia do ensino básico
Este trabalho visa discutir a importância das metodologias ativas para o processo de ensino e aprendizagem na Geografia do Ensino Fundamental II, especialmente no que diz respeito às linguagens espaciais e representações cartográficas. Tem-se por objetivo mostrar que tais linguagens possuem potencial não somente enquanto conteúdos a serem aprendidos, mas também como forma de comunicação que possa ser apropriada pelos estudantes no cotidiano. Almeida (2022) destaca que, além de relevância para os estudantes, é preciso lembrar da devida contextualização da formação continuada dos professores da educação básica para aplicar tais metodologias. Nascimento (2019) utiliza o Cone do Aprendizado de Edgar Dale para ilustrar que os meios ativos de aprendizagem são mais eficazes do que os meios passivos, defendendo um equilíbrio entre treinos cognitivos, motores e de habilidades sociais. Em minhas experiências em sala de aula durante o Programa de Residência Pedagógica (RP) e o Estágio Supervisionado I, trabalhando com turmas do 7º ao 9º ano, percebi dificuldades dos alunos em se manterem focados e absorverem os conteúdos ministrados através de aulas expositivas, assim como relatado por Almeida (2022). Mas também há desafios a serem superados no uso de metodologias ativas envolvendo representações espaciais, principalmente no que diz respeito à diferenciação entre as formas e os conteúdos das representações e à sua caracterização como comunicação sistemática. Assim, sugiro que uma boa forma de aproximar essas formas de comunicação como metodologias ativas seja inseri-las de forma mais ativa nas próprias exposições e materiais do docente, para que os alunos se familiarizem, interessem e se envolvam no uso delas. A adaptação das metodologias de acordo com a realidade e demandas de cada turma, a interdisciplinaridade nas escolas e a corporificação das palavras pelo exemplo (FREIRE, 2021) podem favorecer a luta contra dificuldades e defasagens do ensino básico, com didáticas mais eficientes e críticas
A aprendizagem no ensino remoto emergencial por meio de métodos avaliativos online
As recentes discussões sobre o processo de ensino e aprendizagem no Ensino Remoto Emergencial têm se ampliado a cada dia entre os pesquisadores da área da educação, após a pandemia. Os professores da modalidade antes presencial tiveram no ano de 2020 que se adaptar prontamente a esse regime de aulas online, muitos sem um preparo prévio ou conhecimento a respeito desta modalidade de ensino. O seguinte artigo buscou analisar se os alunos do programa ProFIS, estavam compreendendo os conteúdos ministrados na disciplina Planeta Terra, ofertada, por meio do Instituto de Geociências da UNICAMP. A proposta foi compreender o processo de ensino e aprendizagem dos alunos por meio de avaliações diagnósticas com base em métodos avaliativos online, o Creat Kahoot e atividades em forma de questionário online. O Kahoot foi tratado no planejamento de aula da disciplina como sendo uma ferramenta para nos dar um feedback, para assim obtermos um diagnóstico de como estava a aprendizagem dos alunos em relação a disciplina, a atividade tinha o intuito também de recapitular os conteúdos ministrados na aula anterior. Em relação ao método avaliativo online por questionário, este consistiu em ser executado posteriormente a cada aula, como uma espécie de atividade de casa. Como resultados dos métodos avaliativos online, como avaliações diagnósticas dentro da disciplina, observamos desvios significativos em ambas as atividades, sendo realizadas intervenções para melhorar o ensino e aprendizagem dos alunos dentro do ambiente virtual de sala de aula
Desafios e potencialidades do ensino de Geografia no ensino médio por meio da análise descritiva da literatura
O objetivo deste artigo é realizar uma análise descritiva, com base nos estudos acadêmicos recentes, publicados na área da Educação sobre o Ensino de Geografia no Ensino Médio, onde se buscou identificar quais as potencialidades e desafios do ensino de Geografia na etapa do ensino médio, visando contribuir com a discussão dessa temática. Para a revisão descritiva da literatura foi realizado o levantamento de artigos científicos da plataforma de periódico Capes e de teses e dissertações publicados no período entre 2016 e 2023 e buscados na Base de Dados de Teses e Dissertações -BDTD. Definiu-se os procedimentos metodológicos em quatro etapas: 1- definição da questão-problema; 2- utilização de estratégias de busca para a pesquisa e seleção de um corpus; 3- exploração e análise dos dados; e 4- discussão dos resultados. Através das obras selecionadas classificou-se os principais temas que estão sendo abordados no ensino da Geografia na etapa do ensino médio. Após exploração e análise dos resultados foi possível caracterizar o Ensino Médio, apontando seus principais problemas e desafios. Notou-se que os estudos recentes se preocupam em debater a reforma curricular - Lei nº 13.415/2017 e como as mudanças colocadas por essa lei impactam a qualidade do ensino da Geografia. Observou-se que a nova estrutura curricular proposta para o “Novo Ensino Médio” pode acentuar as desigualdades educacionais já existentes no ensino médio e reduzir o ensino de conceitos e temas importantes da Geografia, o que leva a uma formação humana e cidadã menos abrangente.
Movimento escola nova e Geografia Escolar moderna: a questão nacional em Raja Gabaglia
Este artigo decorre de uma pesquisa de iniciação científica realizada no âmbito da Universidade Federal Fluminense e se insere na historiografia da da Geografia Escolar através da análise do manual escolar para o Curso Secundário “Praticas de Geographia” (1930), de Fernando Antonio Raja Gabaglia, buscando identificar nele a discursiva de construção do nacional durante o Estado Varguista. O manual foi contextualizado historicamente através de um sobrevoo sobre o histórico das transformações territoriais do Rio de Janeiro, sobre o conceito de modernidade e as suas influências no Movimento Escola Nova e na Geografia Escolar Moderna. Para a análise, foi utilizada a perspectiva qualitativa da análise documental, acreditando que os dados não delimitam, nesse sentido, verdades absolutas. Cotejamos possibilidades através do através da reunião de conjuntos de indícios na obra. Por fim, apontamos para uma escolha curricular tomada por Raja Gabaglia que pôs em pauta a valorização da agenda nacional no contexto educacional brasileiro
Os itinerários formativos e a redução das aulas de Geografia no contexto da BNCC-EM: reflexões a partir do estágio supervisionado
A inserção na escola por meio da disciplina de Estágio Supervisionado e Práticas Pedagógicas I, orientado pela Profª Drª Sandra de Castro Azevedo, possibilitou observar, analisar e refletir sobre o processo de implementação da BNCC-EM em uma escola da rede estadual no Sul de Minas Gerais e a sua íntima relação no CRMG-EM. Utilizamos o método materialista histórico-dialético a fim de promover uma leitura anti-hegemônica do que vem se realizando nas escolas estaduais com a implementação do Novo Ensino Médio. Observamos que os dois documentos afetam diretamente a disposição de aulas de Geografia nesta etapa de ensino e que o comprometimento das mesmas impacta negativamente na formação cidadã, bem como na compreensão e na apreensão do conhecimento próprio da disciplina
Explorando a Geografia Escolar nas trilhas de uma aprendizagem compreensiva
Historicamente o ensino de geografia no Brasil, em seu sentido prático, tem sido permeado por um tipo de raciocínio dissociado da realidade local, revelando um aspecto contraproducente à compreensão crítica dos estudantes sobre os fenômenos que ocorrem diariamente no espaço geográfico. A metodologia de pesquisa qualitativa que embasa este trabalho estrutura-se numa pesquisa bibliográfica sobre os temas da aprendizagem compreensiva, uso de diferentes linguagens na educação, raciocínio geográfico e inteligência espacial. Propõe-se um debate teórico fundamentado em (Kimura, 2008), (Gardner, 2009), (Callai, 2010) e (Castelar, 2010) que, além de serem pesquisas que reconhecem a relação dos sujeitos com o mundo e o contexto local no ensino de geografia, abordam o raciocínio geográfico como fundamento para a compreensão das dinâmicas espaciais vivenciadas pelos estudantes. Para além disso, discute-se o papel da inteligência espacial no processo de aprendizagem, destacando algumas habilidades e competências a serem desenvolvidas em sala de aula, tendo como referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Como resultado da pesquisa bibliográfica e estudo realizado, afirma-se a necessidade de um ensino de geografia que reconheça a relação dos estudantes com o mundo em que vivem e que, ao assumir a aprendizagem compreensiva como prática pedagógica, vise o conhecimento prévio dos estudantes sobre os conteúdos trabalhados em sala de aula e considere o cotidiano de suas vidas para aprofundar a compreensão dos conteúdos escolares estudados
O apagamento da diáspora negra no bairro da liberdade em São Paulo: o trabalho de campo no ensino de Geografia
No contexto da geografia negra e da educação antirracista no Brasil, compreender as relações étnico-raciais na produção do espaço urbano contribui à problematização do apagamento da população negra. Com o objetivo de reconhecer a ancestralidade africana no bairro da Liberdade em São Paulo, delineou-se a investigação sobre a potencialidade do trabalho de campo nas aulas de geografia nos anos finais do ensino fundamental. Desenvolveram-se revisão bibliográfica sobre a historiografia do bairro da Liberdade e o estudo sobre a pedagogia histórico-crítica; e elaborou-se um roteiro de campo. Como resultado, obtivemos o uso e a avaliação desse material por professores, que puderam conhecer a abordagem do espaço urbano pela educação antirracista. Concluiu-se a necessidade do estudo do apagamento negro por meio do conteúdo geográfico, com ênfase na relação entre política, economia e sociedade
Cartocartas: o jogo como instrumento lúdico-pedagógico no ensino de Geografia
Esse trabalho tem por objetivo apresentar a importância de atividades lúdicas para o ensino e aprendizagem da Geografia Escolar. Nesse caso, a cartografia trabalhada foi com alunos do 7º ano do Ensino Fundamental II de uma escola municipal em Itaboraí, por meio de um jogo de cartas idealizado pelas estudantes da [omitido para avaliação] a partir do Programa de Iniciação Científica (IC) da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). O uso de jogos e outras ferramentas mostraram-se muito úteis para as práticas educativas, dinamizando as aulas, estimulando a criatividade do professor, ampliando as possibilidades dos alunos em ler e pensar criticamente o mundo à sua volta, com isso, contribuindo na construção de conhecimentos. Dado o contexto dos alunos em questão e a dificuldade com a aprendizagem da cartografia, considerando o distanciamento dos espaços físicos escolares durante dois anos devido à pandemia da Covid-19, o CartoCartas surge para propiciar a interação, valorizar o lúdico e a aprendizagem da Cartografia Escolar de uma maneira inovadora.
Geografia, arte e literatura: um encontro possível
Este relato irá abordar a experiência de planejamento e aplicação de uma atividade do estágio obrigatório da Faculdade de Educação do curso de Geografia no ano de 2021, que ocorreu de forma remota nas aulas de Língua Portuguesa com a turma de ingressantes de 2020 do curso de eletroeletrônica de um colégio técnico de Campinas. A atividade buscou unir geografia e literatura através do uso de fotografias e vídeos produzidos pelos próprios alunos sobre espaços que faziam parte do seu cotidiano. Assim, os lugares de vivência dos estudantes, perpassados por suas experiências e memórias, foram levados para a sala de aula, validando o conhecimento empírico dos alunos. Posteriormente, as fotografias produzidas foram distribuídas aos grupos de alunos para que eles criassem um texto curto que deveria personificar o espaço, tal como faziam os autores das escolas realista e naturalista, que eles estavam estudando nas aulas de Língua Portuguesa. Para isso, precisaram refletir sobre o espaço que viam representado nas fotografias e vídeos, além de recorrer às suas próprias memórias sobre espaços semelhantes. A experiência permitiu o planejamento de uma atividade completa, incluindo o processo avaliativo, e gerou reflexões acerca da importância da produção e difusão de materiais escritos e fotográficos pelos e entre os próprios aluno
Sobre o aprender com o silêncio: As mestras e mestres da “pintura de toá” e da “construção de enchimento” das terras indígena Xakriabá
A proximidade, a escuta silenciosa e o fazer comum como modos de ensinar e aprender com a Mestra D. Libertina e com as outras mestras e mestres Xakriabá. Para elas e eles o conhecimento é um saber compartilhado e coletivo. Aprende-se fazendo juntos e juntas. Cada um ensina e aprende com a prática e o fazer do outro. Não se tem um princípio de autoria, ou assinatura, individualizada do feito. A referência a quem fez é compartilhada por todos aqueles que participam e que colocam a sua própria mão no processo de construção: o fazer/aprender está aberto a todos e todas que quiserem praticar e aprender fazendo junto. Tal processo de produzir através de um fazer compartilhado não separa aquele que sabe daquele que veio ajudar e aprender fazendo. Todos e cada um têm o seu papel incorporado ao processo de produção: não existe uma hierarquia pré-definida e não há alguém que é o mestre e ensina a um outro que se submete por aprender. Também não há uma obrigação de permanência durante o processo construtivo, nem uma ordem cronológica sequenciada para a troca de um conhecimento. Cada um pode chegar e sair quando lhe aprouver. Cada um pode atuar no processo como se sentir melhor, se dispondo a fazer junto ou apenas observando aquele que faz. Experimentamos tal prática de aprendizado na construção da Casa Xakriabá, na Faculdade de Educação da UFMG, e em outras tantas práticas no Território Xakriabá no Município de São João das Missões, – envolvendo estudantes da graduação e pós graduação, de diversos cursos da UFMG, estudantes indígenas de Escolas em terras Xakriabá do Ensino Médio e estudantes Indígenas do FIEI (Formação Intercultural de Educadores Indígenas – FAE/UFMG). Mais recentemente, em 2022/23, praticamos tal modo de fazer na construção da arquitetura de acolhimento e do forno comunitário de queima de cerâmica na Aldeia Barreiro Preto, – em parceria com a D. Etelvina, Mestra da “pintura toá” e da “construção de enchimento”, e com o Mestre Nei, da cerâmica tradicional Xakriabá