Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS COMO CAMINHO PARA A ERRD: Percepções dos futuros docentes
Este artigo analisa as percepções de estudantes de Pedagogia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) sobre a Aprendizagem Baseada na Resolução de Problemas (ABRP) como estratégia para o ensino de questões socioambientais e para a Educação para a Redução do Risco de Desastres (ERRD). A pesquisa qualitativa envolveu a aplicação de uma sequência didática fundamentada na ABRP, seguida de questionário misto, respondido por 26 participantes. Os resultados indicam que os futuros docentes reconhecem a ABRP como abordagem capaz de promover aprendizagens críticas, situadas e alinhadas às realidades locais. Contudo, apontam desafios como falta de formação específica, restrições de tempo no currículo e escassez de recursos pedagógicos. O estudo conclui que integrar a ERRD à formação inicial docente exige políticas curriculares consistentes, oportunidades de formação continuada e práticas pedagógicas que considerem as experiências e os contextos dos estudantes, contribuindo para uma educação que favoreça a análise e a intervenção sobre problemas socioambientais contemporâneos
RELATO DE EXPERIÊNCIA NO PROFGEO: Trabalho de Campo em Jaguariaíva-PR como Espaço Formativo no Ensino de Geografia
Organizada pelos docentes do Mestrado Profissional em Ensino de Geografia (PROFGEO), a atividade de campo realizada em Jaguariaíva-PR teve como objetivos centrais a formação continuada de professores, a abordagem interdisciplinar da realidade e o fortalecimento da autonomia docente. A proposta buscou articular teoria e prática no ensino de Geografia, promovendo a construção de conhecimentos significativos e a reflexão cidadã. A metodologia adotada seguiu os princípios do estudo do meio, estruturando-se em três etapas: planejamento, execução e avaliação. Foram visitados seis pontos estratégicos da cidade, como o Laboratório de Paleontologia do IFPR, o Frigorífico e o Palacete Matarazzo, o Parque Municipal Lagoa Azul, o Afloramento de Fósseis Devonianos e o Parque Linear do Rio Capivari. As atividades envolveram observações in loco, registros fotográficos e análises interdisciplinares, articulando conteúdos físicos, históricos, sociais e ambientais. A experiência evidenciou o potencial do campo como espaço de aprendizagem significativa, permitindo aos participantes desenvolver uma leitura crítica da dinâmica socioespacial local. Ao romper com a linearidade curricular e valorizar práticas pedagógicas contextualizadas, a atividade reafirmou o papel do professor como mediador do conhecimento e agente de transformação no ensino de Geografia
BRASIL MÁGICO: a criação de um jogo de cartas sobre Geografia, inspirado no Yu-Gi-Oh!
O presente trabalho analisa a potencialidade de um jogo de cartas, o "Brasil Mágico", como ferramenta para o ensino de Geografia no Ensino Fundamental. O estudo parte da problemática do ensino tradicional, que muitas vezes se pauta na memorização e no distanciamento entre o conteúdo e a realidade dos estudantes. Diante desse cenário, o objetivo da pesquisa foi discutir como o uso de metodologias ativas, como a gamificação, pode atuar na superação dessas lacunas. A metodologia utilizada consistiu em uma pesquisa aplicada, baseada em uma revisão bibliográfica sobre ludicidade, metodologias ativas e as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Os resultados demonstram que o jogo, ao transformar conceitos geográficos em uma experiência interativa, promove o protagonismo do aluno e o desenvolvimento da visão sistêmica das paisagens. Conclui-se que o material didático se alinha às exigências da BNCC e reforça a tese de que a inovação pedagógica, com foco no engajamento e na autonomia do estudante, é um caminho promissor para a educação contemporânea
“A UEM vai ficar preta!”, e as etnografias também: Notas sobre etnografias decoloniais e uma reflexão
A proposta deste trabalho é pensar sobre os modos do fazer etnográfico diante as epistemologias decoloniais na Antropologia que articulam questões sociopolíticas contemporâneas do sul global. Para isso, apresento uma leitura comentada da dissertação de Daniara Martins (2022), “A UEM vai ficar preta!: análise do processo de implementação de cotas para pessoas negras na Universidade Estadual de Maringá”, aproximando com textos clássicos da disciplina como Leach (1954), Marcus (1991), Sahlins (1997), Peirano (2007, 2014) e outra etnografia pioneira sobre racismo no Brasil (Nogueira 1954). Ao final, partindo do encontro de etnografias decoloniais (Benites 2018; Martins 2022), teço uma reflexão sobre escrevivências antropológicas, feminismo decolonial e a escrita de mulheres negras e racializadas. Esse esforço de aproximação entre textos se vale à reflexão sobre os modos do fazer etnográfico enquanto atualizadores e não tributário das teorias antropológicas, considerando também a teoria-crítica da dissertação sob leitura a respeito dos objetos de pesquisa racializados que viabilizaram o desenvolvimento do conhecimento antropológico numa base etnocêntrica, colonialista, racista e misógina. Com etnografias decoloniais podemos pensar juntas em feminismos, políticas públicas, direitos humanos, alinhadas à agenda do movimento negro e indígena feminista por uma antropologia engajada, uma escrita científica posicionada, pelo exercício de participação observante capaz de trazer à luz diferentes objetos decoloniais
A canoa Yudjá e o antídoto contra a tempestade: Uma etnografia multiespécies nas bordas do Plantationceno
Pretendo aprofundar a discussão de temas como: a produção de conhecimento ecológico de povos ameríndios; a centralidade das plantas na produção da socialidade mais que humana; a ecologia não antropocêntrica e contracolonial; e as estratégias indígenas de adaptação à emergência climática como consequência das relações de dominação empreendidas na modernidade pelo processo contínuo de colonização. Considerando os impactos do desmatamento no entorno do Território Indígena do Xingu-Mato Grosso nas vidas de indígenas do povo Yudjá, das plantas e de outros viventes, pretendo dialogar com a possibilidade de "descrições crítica” das dinâmica de manejo e a ocupação do território indígenas para a articulação entre os diversos fatores e camadas que constituem a emergência de socialidades multiespécies. Trata-se de uma complexa situação etnográfica que envolve os indígenas do Povo Yudjá e as florestas do Território Indígena do Xingu de um lado dos limites dessa Terra Indígena, o seu entorno onde monoculturas de capim, soja, milho e algodão conformam fazendas, cidades e empreendimentos de escala global, e a interação entre essas paisagens. Irei debater como as concepções nativas, as práticas de manejo empreendidas na atualização das relações cosmopolíticas em um contexto de impactos da emergência climática nas ruínas do desmatamento podem ajudar a evidenciar e descrever a centralidade dessas relações humanos-plantas na produção de uma socialidade multiespécie
Fazer-visível: A contribuição da Arquitetura Forense para uma visão compartilhada e poli-perspectiva sobre os conflitos contemporâneo e a experiência latino-americana
Esta pesquisa analisa a área de conhecimento e prática da Arquitetura Forense (AF), da qual decorre a agência Forensic Architecture (FA), para compreender como o encontro entre a Ciência Forense e a Arquitetura pode gerar ferramentas pertinentes para leitura e contraposição a formas de violência e opressão, e como este tipo de prática se insere no território latinoamericano. FA é uma agência de pesquisa baseada na Universidade de Goldsmiths em Londres, fundada em 2010 pelo arquiteto e professor Eyal Weizman. Através do uso combinado de instrumentos da arquitetura, ciência forense e da estética, o grupo investiga casos de crimes estatais e violação de direitos humanos, no contexto urbano e ambiental, a favor e conjuntamente com as comunidades afetadas. O foco está em tornar visível elementos dificilmente detectáveis pelo olho humano, investigar o ambiente e seus elementos como sensores, que podem capturar eventos e registrá-los em sua superfície. Através de análise teórica e de um estudo de caso no contexto brasileiro, a pesquisa busca definir a Arquitetura Forense como um conjunto de métodos capazes de visibilizar formas de violência e ter uma ação efetiva na luta por direitos, através da criação de uma nova epistemologia colaborativa que interconecta diversas áreas de conhecimento para combater a violência de Estado, e analisar as novas linguagens da Arquitetura Forense na América Latina, com iniciativas que situam a prática a partir de outras necessidades e perspectiva
Diálogos de saberes: Encontro de mestres e estudantes não-indígenas em territórios compartilhados
O programa Encontro de Saberes, implementado de formas diversas em 14 universidades brasileiras, convida mestres/as dos conhecimentos tradicionais para o ambiente acadêmico universitário, gerando diversas implicações desde o confronto de epistemologias, visões de mundo até de metodologias e das próprias formas de construção do conhecimento dentro do espaço. Este movimento representa uma ação política, pois coloca mestres em posições/espaços de poder legitimando os conhecimentos ensinados. A Universidade Federal de Minas Gerais também adota esse programa e, além de trazer mestres para o espaço da universidade, leva estudantes universitários para os territórios dos mestres. Esse movimento tem sido objeto de reflexão através de um trabalho etnográfico que acompanhou uma disciplina concentrada na Aldeia Barreiro Preto, no território Xakriabá. A duração dessa disciplina foi de uma semana tendo como tema os "Saberes Tradicionais: Artes e Ofícios - Arquitetura, cerâmica e culinária Xacriabá". A análise abordou os desafios do movimento dialógico entre conhecimento tradicional e o conhecimento tido como legítimo no espaço acadêmico. Ainda, observou-se a existência de ritmos próprios desses modos de conhecer, que implicam na coordenação dos fluxos de atividades no espaço e no tempo de modos distintos, que por vezes sutilmente entram em conflito na relação entre os mestres, a comunidade Xakriabá e os estudantes e professores não-indígenas
Dispositivos do cinema na Geografia Escolar: paisagem é apenas o que é belo?
Na UERJ o projeto "Dispositivos do Cinema na Geografia Escolar”, tem como objetivo contribuir para a formação inicial de professores ao desenvolver reflexões teóricas e ações voltadas à análise e utilização de dispositivos de cinema como criadores de geografias. Possui parceria com o Colégio Estadual Amazonas (SEEDUC - RJ), que neste ano teve implantado o Novo Ensino Médio - NEM. Através do atual cotidiano do projeto, o presente trabalho apresenta a atividade em que foi utilizado o conceito geográfico de Paisagem para compreender as transformações no entorno e dentro do espaço escolar, e como isto gera estereótipos de certos lugares a partir da compreensão da imagem como re(a)presentação. Neste trabalho será apresentada uma das atividades realizadas, em que são produzidas imagens, a fim de entender a idealização do que é paisagem, a partir de ações e impressões dos próprios alunos. Justifica-se porque as imagens “fabricam” visões de mundo, através também das paisagens exibidas no cinema. Para isto, foi realizado um detalhado planejamento de aula pelos licenciandos que envolveu a utilização de imagens como possibilidade de dispositivos que se relacionam com o cinema. Para o desenvolvimento deste trabalho, as ideias de Santos (1988) e Oliveira Jr. (2009), auxiliaram no planejamento da atividade e reflexões posteriores. A atividade envolveu a análise do espaço geográfico junto à vivência dos alunos com o ensino, pois se baseou naquele contexto geográfico, e eles foram convidados a se expressar e a produzir materiais como imagens, o que propiciou reflexões e questionamentos sobre sua própria realidade. Consideramos que as redes sociais fazem parte da vida dos alunos e são capazes de influenciar a forma como veem o mundo, a partir delas é possível gerar problematizações com o auxílio de conceitos da Geografia. Assim, na educação básica esta postura é um facilitador do aprendizado que é essencial na descoberta de outras geografias para o currículo a partir da Geografia Escolar
A experiência da residência pedagógica e a formação da identidade docente em estudantes de Geografia
O presente artigo visa articular o conceito de experiência com o Programa de Residência Pedagógica — Subprojeto Geografia e Educação Física/UNICAMP — vivenciado por estudantes de licenciatura em Geografia, permitindo com que estes adentrassem mais profundamente no processo de formação de suas identidades docentes. Desta forma, é explorado a experiência do primeiro contato dos residentes com estudantes do sétimo ano do ensino fundamental de uma escola de Campinas - SP, bem como a primeira experiência de tais licenciandos ministrando uma aula. Conclui-se que o contexto histórico e socioespacial ao qual os graduandos estão inseridos assume notoriedade para a formação de sua identidade docente, bem como todo o processo formativo, seja dentro ou fora do ambiente escolar e acadêmico, e a concretização ou não do planejamento estabelecido para a realização das atividades propostas para a classe
Oficina solo não é sujeira: educação em solos no ensino de Geografia
O Unicamp de Portas Abertas é um evento anual realizado na Universidade Estadual de Campinas que reúne estudantes e professores de todas as áreas, incluindo o curso de Geografia. Dentro dos diferentes trabalhos realizados pelos alunos e professores, no ano de 2022 o laboratório de pedologia realizou uma oficina temática sobre solos. As atividades tiveram por objetivo destacar a importância desse recurso natural muitas vezes negligenciado no cotidiano dos alunos, pois geralmente está oculto sob vegetação ou áreas impermeabilizadas, além de ser frequentemente sub-representado nos livros didáticos de Geografia. Tendo em vista a grande importância dos solos e o seu caráter multidisciplinar, e com isso, a importância da contribuição da Geografia no seu estudo, o projeto “Solo não é Sujeira” vem na tentativa de despertar interesse sobre o tema, proporcionando um contato direto com as cores, texturas e estruturas do solo. Além de evidenciar a sua função na produção de alimentos, o projeto contextualiza o conteúdo, demonstrando como o uso do solo impacta o cotidiano tanto de alunos quanto de professores, não apenas em áreas rurais, mas também nos centros urbanos. Dessa forma, busca-se mostrar as diversas interações com o ambiente, promovendo uma compreensão mais ampla e consciente desse recurso essencial