Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
Not a member yet
    2307 research outputs found

    Transversalidade e linguagens: experimentações na licenciatura indígena

    Get PDF
    Esta apresentação consiste em uma reflexão sobre a experiência de “encontro de saberes” baseada em nossa atuação como professores e pesquisadores em licenciaturas indígenas situadas na região norte do país (Amazonas e Acre). Desde a perspectiva das áreas e habilitações Linguagens e Artes (Licenciatura Indígena – Ufac - Campus Floresta) ou Letras e Artes (Curso de Formação de Professores Indígenas – FACED/Ufam) essa reflexão busca considerar o movimento e a articulação entre as atividades de sala de aula e as práticas de pesquisa desenvolvidas pelos acadêmicos junto às suas comunidades, incluindo as pesquisas monográficas que são requisito para a conclusão do percurso nessas licenciaturas. Visando refletir sobre os riscos do “verticalismo hierarquizante” e do “horizontalismo democratizante” e, assim, pensar a transversalidade compreendida como  relação entre saberes heterogêneos enquanto heterogêneos, pretendemos apresentar reflexões sobre experiências nessa zona de vizinhança em que emergem e se relacionam diferentes concepções de linguagem e aprendizagem.  Desde esse campo de forças, a reflexão incide sobre as relações de captura e contracaptura que se evidenciam ora da parte dos procedimentos e dispositivos de “formação” da universidade, ora a partir (da apropriação) das práticas de pesquisa e escrita desses acadêmicos e suas comunidades

    Em busca das nascentes: narrativas sentipensantes com a água como potência para imaginar mundos

    Get PDF
    O texto é um convite para o desafio de sentipensar a água e encontrar seus sentidos e significados a partir de fluxos narrativos em diálogo com dimensões políticas, poéticas e pedagógicas que apontem caminhos inspiradores para ampliação das imaginações. Busca percorrer o rio, da nascente à foz, por meio do processo imaginativo do encontro de saberes. Dialoga com a política do pensar a água nos diferentes contextos e os conflitos conceituais e práticos que emergem dos territórios com o rio Macaé. Conversa com a poesia do sentir a água presente nas diferentes manifestações e expressões de corpos hídricos. Conflui sentipensares que aproximam a diversidade da vida e suas diferentes formas de coabitar nos espaços. Propõe expandir percepções para a diversidade de fluxos e olhares que brotam como nascentes coletivas e mais que humanas, capazes de reconectar relações e fazer brotar do território hídrico alianças, sensibilidades e pedagogias potentes para descolonizar o imaginário coletivo. Conclui com a urgência de compreender a Educação Ambiental para além da visão antropocêntrica do sistema mundo colonial e manifesta a necessidade do aprender a partir da natureza, da escuta atenta dos rios e seus fluxos

    Përɨsɨ: considerações sobre possíveis alianças entre mundos divergentes

    Get PDF
    Em 2019, foi publicado um livro no qual as mulheres yanomami apresentam à ciência uma nova espécie de fungo, usado para enfeitar seus cestos. Intitulado Përɨsɨ: o fungo que as mulheres yanomami usam na cestaria, o livro é fruto de uma pesquisa intercultural com dois biólogos do Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (INPA) e faz parte da série Saberes da Floresta Yanomami, feita em parceria com o Instituto Socioambiental. No livro, o përɨsɨ é apresentado desde a perspectiva das mulheres da região de Maturacá, no Amazonas, mas em diálogo constante com os cientistas do INPA, dando origem a uma explicação que remete à racionalidade científica, sem se confundir com ela. Ao final, os micólogos descrevem e fazem o registro formal da nova espécie, nomeada Marasmius yanomami em reconhecimento à origem desse saber. Assim, tomando a proposta do livro como ponto de partida, apresento uma reflexão sobre as possibilidades ensejadas pelo diálogo entre os conhecimentos científicos e os conhecimentos ditos tradicionais: o que tal diálogo pode nos dizer sobre a construção de um mundo comum que não apague as diferenças? Em que medida a publicação em questão opera uma diplomacia entre mundos? Minha proposta é refletir sobre tais questões por meio de uma pesquisa bibliográfica, considerando a impossibilidade de estar em campo devido à pandemia de Covid-19

    Plantar sem água e em solo pedregoso: a diversidade biossocial contaminada de um coletivo de permacultores

    Get PDF
    A história de ocupação do terreno onde encontra-se o Sítio Entoá foi contada por Gustavo e Christiane (moradores do sítio) em conversas travadas na cozinha, em caminhadas por agroflorestas e em trilhas pelas serras de Minas Gerais. O sítio Entoá é onde uma pequena família neo-rural vive e realiza atividades que giram em torno de conhecimentos pautados em ética ecológica, tal como permacultura, bioconstrução, manejo de plantas medicinais e produção artesanal de produtos fitoterápicos. O trabalho que realizam é em grande medida experimental e seus domínios sobre o trato da terra e manipulação das plantas foram aprendidos ao longo de mais de dez anos de convivência com o cerrado. Ao iniciarem o projeto de transição para o rural, Christiane e Gustavo ocuparam um terreno que havia sido, há décadas atrás, devastado pela ação de pedreiras clandestinas e aberturas de estradas. A paisagem difícil que encontraram em 2004 os impulsionaram ao trabalho de recuperação da biocenose do lugar. A permacultura aparece, então, como um conhecimento que lhes mostraria caminhos para uma regeneração baseada em ética de cuidado e no aprendizado com o ambiente. Os novos tempos se revelaram promissores. No contexto da pesquisa realizada entre os anos de 2015 e 2020, me deparar com essa história ecológica-parcial – que é uma história sobre restauração ambiental e habitabilidade – me levou diretamente a refletir sobre manejo sustentável, ecológico, agroflorestal, noções caras às práticas dos moradores e que se referem a um modo de ser/estar/cuidar da terra. Em minha etnografia conto uma história de sonho de uma terra habitável não só para os humanos ou comandada por humanos, mas sobretudo uma terra em que os não-humanos são participantes ativos daquele modo idealizado de regeneração. Sigo refletindo como alianças potenciais entre humanos e não humanos em projetos de regeneração ecológica podem ser pensadas como forças insurgentes em tempos de Antropoceno; e ainda, pergunto: estariam práticas de cuidado da terra e compostagem tencionando perspectivas conservacionistas e ambientalistas de paisagem e de biodiversidade

    Vida vivida nos extremos: contribuições da Astrobiologia para pensar o Antropoceno e suas perturbações

    Get PDF
    A Astrobiologia é um campo de investigação multidisciplinar que trabalha com o conceito de vida como fenômeno cósmico, em vez de algo exclusivamente terrestre. Tal abordagem se concretiza a partir do estudo de ambientes considerados extremos na Terra e de seus habitantes, os organismos extremófilos. Neste artigo, emprego o “extremo” e suas conexões semânticas como eixos de análise para pensar as paisagens perturbadas pela ação antropogênica/capitalogênica e as condições de existência que elas ensejam. Parto do pressuposto de que o Antropoceno, mais que uma época geológica, pode ser pensado como um arranjo gerador de extremos. Da habitabilidade contaminada nos terrenos pantanosos do norte ucraniano às remodelações provocadas pela pandemia de Covid-19, o Antropoceno parece produzir e/ou acelerar configurações extremas que se sobrepõem com cada vez maior frequência e intensidade, forçando-nos a reconhecer a presença inquietante do “improvável”, do “incomum”, do “limítrofe” no cotidiano, e seu impacto na forma como a vida é conduzida

    Quando a menstruação vira sinônimo de doença: narrativas de menstruações dolorosas

    Get PDF
    Este trabalho é fruto de um estudo mais amplo, no qual analisei os usos e desusos da pílula anticoncepcional por jovens mulheres das classes médias urbanas da cidade de Florianópolis, SC, entre os anos de 2018 e 2019. No presente artigo, entretanto, concentro minhas análises sobre as narrativas de menstruações dolorosas de mulheres que sofrem de dismenorreia, endometriose e/ou displasia mamária e, portanto, consideram a pílula anticoncepcional um medicamento crucial para o tratamento de seus corpos e seus ciclos menstruais. Tais narrativas se contrapõem às narrativas de outras mulheres que, recentemente, têm optado por recusar o uso de contraceptivos hormonais como forma de poder acessar suas menstruações e melhor conhecer seus corpos e libidos. Em contraponto ao que considero uma “recusa” ao anticoncepcional, surge, o que algumas de minhas interlocutoras denominam a “ditadura anti-pílula”. O sofrimento das mulheres que fazem uso do medicamento contraceptivo como uma forma de controlar seus ciclos aparece de forma dobrada neste trabalho, pois, além de necessitar da pílula, se veem impossibilitadas de recusá-la e moralmente acuadas por aquelas outras mulheres que valorizam o sangramento menstrual. Assim sendo, aqui exploro os modos como a gestão e o cuidado do ciclo menstrual é atravessado por diferentes corporalidades, dispositivos medicamentosos e moralidades

    Menstruapps: da datificação de sujeitos menstruantes à biopolítica de si

    Get PDF
    Menstruapps são aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual e estão presentes nas lojas virtuais para smartphones e vem sido problematizados pela bibliografia antropológica pelo eixo da gestão dos corpos com sistema reprodutor feminino na era da farmacopornografia, descrita por Paul Preciado. Este trabalho analisa textos produzidos por um dos aplicativos mais baixados nas lojas virtuais do Brasil e que também produz artigos para uma enciclopédia própria. Seguindo uma lógica iniciada no século XX pela indústria do femcare com absorventes higiênicos, os aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual se enquadram no eixo do consumo, ocupando um papel ambíguo para os corpos que menstruam: por vezes podem vir significar facilidade e conforto, como também podem se tornar ferramentas de limitação, normatização e redução de sentidos da experiência de menstruar. O menstruapp Clue se coloca nesse cenário com uma campanha massiva em mídias sociais (Instagram, Twitter e TikTok) e com uma proposta de produção de um retorno para as pessoas que menstruam e utilizam o app, através de artigos, de acesso pago pela plataforma para smartphones. Nesse sentido, investigo que tipo de sentidos são atribuídos à menstruação e aos ciclos menstruais por essa empresa. A partir da leitura sistematizada de 150 artigos que compõem a enciclopédia do aplicativo de monitoramento do ciclo menstrual, Clue, discuto construções contemporâneas de sexo, gênero e sexualidade associados às recentes produções bibliográficas sobre capitalismo de vigilância; quantificação/datificação dos sujeitos; e a biopolítica de si. Então, demonstro a associação da gestão de si com ideias neoliberais de empreendimento, atualização de si, responsabilidade sobre si nos discursos hegemônicos presentes nas democracias liberais e na atual conjuntura brasileira. Nesse sentido, o autoconhecimento aparece de maneira ambígua no campo: se para muitas vertentes do feminismo conhecer a si própria, a própria menstruação, o próprio ciclo menstrual seria uma chave de empoderamento; para as políticas neoliberais é mais uma face da biopolítica e que toma contornos de individualização extrema das experiências corporais. Assim, este menstruapp parece ser uma tecnologia que se coloca numa importante lacuna: o que existe entre o sujeito e o corpo. Compreender o aplicativo como uma forma de mediação significa assumir sua não neutralidade e sua atuação na vida das pessoas que o utilizam

    Vida nas ruínas: afetos no encontro entre pesquisadores e a população de rua

    Get PDF
    Este artigo analisa e fabula em torno dos encontros iniciais de uma pesquisa com populações em situação de rua no centro de Brasília. A pesquisa de campo conta com a mediação de uma associação que realiza ações de redução de danos junto àquela população.  A pesquisa pretende investigar a relação das pessoas em situação de rua com as instituições públicas a partir de suas narrativas e práticas cotidianas. A intenção é de experimentar com as estratégias de negociação das categorias, protocolos, narrativas, relações e práticas que tecem o encontro entre população em situação de rua e as instituições públicas. Interessam, sobretudo, as traduções e os acontecimentos que propiciam, ao contrário da ideia de exclusão, algum vínculo, alguma troca, alguma política. Mas por que esse problema interessaria a pesquisadoras “como eu”? Quais técnicas podem revelar a parcialidade e os efeitos de poder da minha fala e texto a fim de que eu possa alcançar uma “objetividade” que não negue história e luta ao outro pesquisado? Este texto trabalha no sentido de desatar esses “nós” a partir da literatura de análise de implicação e do pensamento posicionado feminista. Ao fazê-lo, coloca em presença posições inconciliáveis de diferentes perspectivas cosmopolíticas numa fabulação em que ratos, população de rua e pesquisadores travam um embate nas mídias digitais. Desejo, com isso, abrir caminho para afetos e pensamentos que desloquem as superfícies prévias entre sujeito-objeto de pesquisa, ao seguir a pista de minha interlocutora, ao longo dos primeiros dias, em que me contou sobre a superfície bastante tênue entre ratos e humanos

    Como amar uma planta: experiência, diversidade e relações multiespecíficas no semiárido paraibano

    Get PDF
    Neste artigo, por meio de algumas histórias que envolvem conexões e vínculos entre humanos e plantas no semiárido paraibano, local onde realizo pesquisa desde 2015, pretendo oferecer um relato desta rede de conhecimentos tradicionais que ainda se mantém nesta região a despeito de todas as investidas de colonizar os corpos humanos e mais que humanos que ali habitam. O caso etnográfico que apresento pode ser descrito como uma guerra de mundos que não se resume apenas a conflitos propriamente bélicos. Travada também no plano ontológico, a violência se apresenta de maneira difusa, não diretamente através do sangue jorrado no chão, mas incidindo na morte de diferentes maneiras de existir. Trata-se como afirmou Marisol de La Cadena (2018), de uma “guerra silenciosa” em nome do progresso, sobre o que pode ou não existir segundo distintas ópticas de mundo. Ou ainda nos termos de Vandana Shiva (2003), uma luta entre sistemas de saber, cujo campo de batalha se constitui em essencial nas diferentes maneiras de estabelecer relações com a terra

    Expediente

    No full text
    Expediente dos Anais do 4º Encontro Regional de Ensino de Geografia contendo capa, folha de rosto, expediente e ficha catalogr´áfic

    2,150

    full texts

    2,307

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇