Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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GEOZINES NO ENSINO DE GEOGRAFIA: O protagonismo dos docentes na construção e uso de recursos didáticos
O diálogo com os professores e professoras de Geografia é fundamental para entendermos e efetivarmos a Geografia que acreditamos no dia a dia da sala de aula, uma Geografia que, de fato, colabore para um projeto democrático de Brasil. O artigo tem como objetivo relatar a relevância do uso dos fanzines e geozines no ensino de Geografia na escola básica, a partir de oficinas voltadas para professores de Geografia. Os geozines no ensino de Geografia se destacam como recurso didático para discutir diferentes temáticas relacionadas à disciplina. Dessa forma, os/as oficineiros/as não só tiveram a oportunidade de serem apresentados/as ao tema, como também de aprofundar e discutir o uso do fanzine na escola, além de construírem fanzines voltados para o ensino de Geografia
CINEMA, MEMÓRIA E ESPAÇO: o audiovisual como prática pedagógica na Educação de Jovens e Adultos
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) demanda práticas pedagógicas eficazes que assegurem o direito à educação formal integrada e contextualizada. No ensino de Geografia, a arte se relaciona diretamente com a experiência do sujeito no mundo, e o uso da linguagem cinematográfica, especificamente, cresceu nos últimos anos, conforme observado por Oliveira Jr. e Girardi (2020). Nesse contexto, o presente relato de prática educativa descreve a atividade Memórias, desenvolvida no âmbito do Estágio Supervisionado I, a partir da proposta de utilização de imagens como recurso pedagógico para o ensino de Geografia. A proposta, inicialmente inspirada no dispositivo “História de objetos”, descrito na obra Cadernos do Inventar (Migliorin et. al., 2016), resultou na produção de em um minidocumentário que dá voz às experiências escolares dos estudantes da EJA do ensino fundamental. Este trabalho tem como principal objetivo refletir sobre a articulação entre cinema, espaço e memória, compreendo a linguagem audiovisual não apenas como um recurso didático, mas como uma prática pedagógica capaz de promover a emancipação e resistência desses estudantes historicamente marginalizados. A atividade, articulando Geografia e História, possibilitou que os alunos relacionassem suas memórias ao espaço e ao tempo de suas trajetórias, tornando visíveis narrativas frequentemente proibidas (Arroyo, 2017). Os resultados evidenciam que o processo de rememoração contribuiu para o fortalecimento de identidade e do sentimento de pertencimento dos participantes, ao mesmo tempo em que garantiu o reconhecimento de um direito historicamente negado.
A GEOGRAFIA DA TERCEIRIZAÇÃO NA GESTÃO COMPARTILHADA EM ESCOLAS ESTADUAIS DE MINAS GERAIS
No contexto educacional brasileiro políticas tensionam a escola pública, universal, gratuita e de qualidade como a Emenda Constitucional 95/2016 (PEC dos Gastos), que congelou investimentos por 20 anos; a reforma do Ensino Médio (iniciada pela Lei 13.415/2017 e estabelecida pela lei 14.945/2024); e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Paralelamente, programas como escolas cívico-militares, sistemas apostilados e o "Escola Sem Partido" restringem a autonomia docente, especialmente em Ciências Humanas, e ampliam a influência de grupos empresariais na educação pública. Essas medidas, justificadas por metas como melhoria do IDEB, redução da evasão e de reprovação frequentemente atendem a interesses privados e metas estabelecidas por organismos internacionais, aprofundando a mercantilização do ensino. Consoante a isso, a pandemia de COVID-19 acelerou a adoção de modelos empresariais, principalmente com a expansão de plataformas digitais de ensino. Nesse sentido, o presente trabalho analisa o Projeto Somar em Minas Gerais, que transfere a gestão de escolas estaduais para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), sob a defesa de modelos inovadores. Para tanto, investigam-se as semelhanças desse modelo com a Nova Gestão Pública e experiências internacionais de charter schools, além de seus impactos na gestão pedagógica e na autonomia docente. A metodologia combina análise documental (editais, audiências públicas no MPMG e ALMG) e revisão teórica sobre terceirização e privatização educacional. A partir da análise aqui realizada, considera-se que o Projeto Somar em Minas Gerais atende aos interesses privados na educação pública e terceiriza a função estatal, além disso, pode precarizar o trabalho docente, fragiliza a gestão democrática, esvazia o sentido pedagógico do ensino, subordinado a avaliações externas. Defende-se que inovação na gestão escolas exigiria financiamento adequado, valorização dos professores e participação comunitária, não apenas a transferência de gestão e terceirização de deveres estatais
ESTUDO DO MEIO E TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA: Reflexões a partir do Rancho Escola em Caraguatatuba-SP
O Rancho Escola, desenvolvido na comunidade caiçara da Praia da Cocanha em Caraguatatuba-SP, é uma experiência de Turismo de Base Comunitária (TBC) que se articula ao Estudo do Meio como prática pedagógica. Este estudo relata uma prática educativa, analisando o Rancho Escola como espaço formativo capaz de valorizar a identidade local e potencializar aprendizagens significativas. A metodologia envolveu análise documental, observações de campo e relatos de professores da rede municipal. Os resultados indicam que as estações de aprendizagem — como maricultura, observação da restinga e do mangue, educação ambiental e rodas de conversa — promovem engajamento discente, consciência ambiental e reconhecimento da cultura caiçara, potencializando um o projeto que ultrapassa o caráter de passeio escolar e se consolida como prática transformadora.
APROXIMAÇÕES ENTRE A AFROCENTRICIDADE E O ENSINO DE GEOGRAFIA: Localização e agência como pontos de partida
Visando abrir conexões entre o campo científico da geografia e a produção de conhecimento que centralize a racialidade nas análises teórico-metodológicas, o artigo reflete nas possibilidades de integração da afrocentricidade no ensino de Geografia no Brasil. Buscando descolonizar o currículo e romper com as amarras coloniais e eurocêntricas, a afrocentricidade é apresentada como uma abordagem teórica e pedagógica que recentra o sujeito negro como produtor de conhecimento e história, em oposição à hierarquia racial e ao apagamento da contribuição africana e afro-brasileira. O artigo propõe o uso dos conceitos de localização e agência para valorizar as territorialidades negras e promover o protagonismo de estudantes negros, alinhando-se à Lei 10.639/03. Objetivando construir de fato um ensino de Geografia que promova uma educação mais justa, plural e emancipatória, a proposta metodológica articula abordagens qualitativas, com ênfase na epistemologia afrocentrada e na leitura crítica do espaço a partir do pensamento miltoniano
A INTERFACE DA DISCIPLINA DE FUNDAMENTOS DE GEOGRAFIA ESCOLAR COM A LITERATURA: Migração, Identidade e Solidão Urbana na obra A Hora da Estrela de Clarice Lispector
Este trabalho reflete sobre a interseção entre a literatura e a Geografia, com foco em como obras literárias podem ser utilizadas no ensino de Geografia. A pesquisa se baseia em uma experiência didática realizada na disciplina de Fundamentos de Geografia Escolar, no curso de licenciatura em Geografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O objetivo principal é analisar como a leitura de obras literárias, como a de Clarice Lispector, pode enriquecer a prática pedagógica, ampliando as formas de leitura e representação do espaço geográfico. A pesquisa foi baseada em uma proposta didática em que os estudantes foram convidados a selecionar uma obra literária de sua preferência para realizar uma análise geográfica, relacionando-a com os textos discutidos em sala. Entre mais de 22 obras apresentadas, a análise se aprofundou em “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector. A atividade culminou em apresentações orais que permitiram a construção coletiva de conhecimento. A análise da obra “A Hora da Estrela”, que narra a trajetória de Macabéa e sua experiência de exclusão e solidão urbana no Rio de Janeiro, demonstrou que a literatura é uma ferramenta poderosa para o ensino de Geografia. O uso da obra permitiu o exercício da crítica a fenômenos socioespaciais e a discussão de temas como invisibilidade social, marginalização e pertencimento. Dessa forma, a integração da literatura na Geografia escolar contribui para uma formação mais sensível, ética e crítica dos futuros professores, valorizando as múltiplas identidades presentes no espaço urbano
A LINGUAGEM NA APRENDIZAGEM EM GEOGRAFIA: construtos teóricos sobre o potencial linguístico de cordel em Roraima
Este trabalho tem como objetivo analisar os construtos teóricos da linguagem e sua relação com a aprendizagem significativa no ensino de Geografia, destacando o potencial pedagógico da literatura de cordel como recurso didático no estado de Roraima. A problemática central pauta-se na compreensão da linguagem não apenas como meio de comunicação, mas como elemento constitutivo do pensamento e da cultura, capaz de mediar a construção de conhecimentos e favorecer a leitura crítica do espaço geográfico. Metodologicamente, a pesquisa se insere no campo qualitativo e bibliográfico, sendo estruturada a partir do levantamento e análise de teses e dissertações defendidas em Programas de Pós-Graduação em Geografia do Brasil, no período de 2014 a 2023, disponíveis na Plataforma Sucupira (CAPES) e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações. O recorte temporal de dez anos justifica-se pela emergência de pesquisas que problematizam o conceito de lugar, a aprendizagem significativa e o uso de linguagens diversas no ensino da Geografia. O levantamento realizado possibilitou a identificação, sistematização e análise de dez produções acadêmicas (sete dissertações e três teses), que utilizaram diferentes linguagens – cartográfica, literária, fotográfica, sensorial, entre outras – em suas abordagens pedagógicas. Os resultados revelam que a linguagem, compreendida como mediadora dos processos cognitivos e sociais, desempenha papel fundamental na aprendizagem significativa, em consonância com os aportes teóricos de Vygotsky, Ausubel e Bakhtin. O estudo evidenciou que a inserção de diferentes linguagens no ensino de Geografia favorece a construção de conceitos complexos, promove maior aproximação entre o conhecimento escolar e as vivências cotidianas dos alunos e contribui para a formação de um pensamento geográfico crítico. Nesse cenário, a literatura de cordel destaca-se como recurso pedagógico pela sua acessibilidade, expressividade e vínculo com a cultura popular. Em Roraima, a presença do cordel resulta de processos migratórios que introduziram elementos da tradição nordestina na região, possibilitando um diálogo entre culturas locais, indígenas e nordestinas
A GEOGRAFIA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA NO BRASIL: polos EAD – unidades acadêmicas ou pontos de venda?
Este trabalho teve como objetivo analisar o fenômeno da educação superior a distância no território brasileiro, com destaque para sua manifestação mais evidente: os polos EAD vinculados a Instituições de Ensino Superior (IES) privadas. Argumenta-se que tais polos possuem uma ambivalência funcional: legalmente reconhecidos como unidades acadêmicas, também operam como pontos de venda de empresas educacionais. Dessa situação, revelam-se usos corporativos e seletivos do território, orientados pela busca de lucratividade de Instituições e de seus parceiros comerciais por meio de localizações estrategicamente definidas. Por fim, discute-se que, embora a Nova Política de Educação a Distância represente um avanço regulatório, ela não rompe com a ambivalência funcional de polos EAD, atuando como uma “manutenção de vitrines” dos pontos de venda de empresas educacionais
A Base Nacional Comum Curricular no Brasil e a emergência do conteúdo: um olhar a partir do ensino de Geografia
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), implementada no Brasil em 2018, é um documento que reflete algumas concepções de currículo que nascem e se desenvolvem na academia. Diversos pesquisadores ainda estão fortemente voltados à natureza reprodutora do currículo; nessa concepção, a escola é lida como um dos locais de reprodução das desigualdades porque, entre outras coisas, desenvolve conhecimentos socialmente valorizados, tornando outros conhecimentos subalternizados. Pouco tem sido discutido sobre o que deve ser ensinado nas escolas. Diante dessa lacuna, este artigo tem como objetivo analisar o conteúdo de ensino da Geografia na BNCC à luz das obras de Michael Young, Joseph Schwab e Zongyi Deng. Para isso, a pesquisa adotou como metodologia a análise documental e bibliográfica, entendida como um procedimento de investigação que se apoia no exame sistemático de documentos oficiais e de referenciais teóricos. A partir dessa análise, percebe-se que os textos da BNCC do Ensino Fundamental e do Ensino Médio representam diferentes possibilidades de abordagem do conteúdo. A BNCC do Ensino Fundamental apresenta uma leitura de conteúdo que se conecta às estruturas sintáticas e substantivas do campo da ciência que fundamenta a disciplina escolar. Diferentemente, no texto do Ensino Médio, no Ensino Fundamental tem-se elementos para se trabalhar aquilo que Michael Young chama de conhecimento poderoso: o conhecimento que, por ser socialmente valorizado, pode oportunizar melhores condições de acesso a contextos e espaços também socialmente valorizados. Por fim, defendemos que o currículo deve se ancorar no conhecimento das disciplinas científicas, não como instrumento tecnicista, mas como meio de promover a emancipação intelectual e a justiça social. Um projeto educacional nacional, comprometido com a equidade, deve partir do reconhecimento do valor formativo do conhecimento poderoso
Ensino de Geografia e a formação cidadã à luz do Novo Ensino Médio
Este artigo objetiva compreender as (im)possibilidades para o ensino de Geografia visando a formação para a cidadania, em meio ao contexto do Novo Ensino Médio. A pesquisa, de cunho qualitativo, é baseada em levantamento bibliográfico, análise de documentos de legislação da rede estadual de ensino e na análise de um questionário aplicado a professores de Geografia que contribuem para interpretar condições para o ensino de Geografia em distintas realidades no Ensino Médio, evidenciando, nesse processo, um conjunto de desafios com a aprovação do NEM