Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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Transformações técnicas na roça do Alto Vale do Itajaí (SC): hipóteses a propósito do declínio do mutirão agrícola
Este trabalho discute a história técnica das roças de colonos teuto-brasileiros no Alto Vale do Itajaí (SC) com foco na transição dos mutirões agrícolas à fumicultura agroindustrial. Demonstro que a atividade coletiva e coordenada de roçagem no pixurum consistia numa operação condicionante da queima (coivara) subsequente como meio de abertura espacial e fertilização do solo por meio das cinzas. Com base na história agropecuária de colonos teuto-brasileiros, o artigo explora as contradições e as articulações entre técnicas de adubação via cinzas (coivara para diversos cultivos) e técnicas de adubação via esterco animal (caso do tabaco). Nessas tensões, bem como nas transformações implicadas pela difusão do trator e nas representações de técnicos agrícolas, estão os motivos que encontro para o desfavorecimento das técnicas de coivara e, por conseguinte, o desaparecimento dos mutirões
Entre palavras, cantos e escuta: notas sobre sonoridades guarani nos contextos entre vida e morte
O eixo pelo qual esse trabalho se desenvolve é o das sonoridades que rondam e são evocadas pela morte entre os Guarani. Escrito a seis mãos e com base em trabalho etnográfico entre os Avá Guarani, os Chiripá e os Guarani-Mbya no Sul e Sudeste brasileiro, atentamo-nos para três momentos do processo coletivo de lidar com a vida e a morte pelo viés das sonoridades, das ressonâncias do mundo guarani. O primeiro se caracteriza como um momento anterior à morte, que traz consigo a possibilidade de evitá-la. Relaciona-se com o aprimoramento da escuta e do sentir, condensados na raiz verbal -endu, e culmina no desenvolvimento contínuo em vida de um estado de concentração e atenção, explicitado na palavra -japyxaka, uma noção que implica uma atitude de atenção sônica e perceptiva do mundo. Desenvolver e aprimorar ambas modulações surge como crucial para tecer agenciamentos, muitas vezes no sentido de antecipar acontecimentos desfavoráveis à vida, seja consigo mesmo ou com pessoas próximas. O segundo momento a ser perscrutado é aquele durante a morte, o processo de luto que advém da morte de um parente, e tem como base a autoetnografia de Sandra Benites. As sonoridades que se evidenciam aqui são as dos xapukai, cantos-choro, especialmente naquilo que se relacionam com a noção de ogueropu’aka, um modo de suportar e se fortalecer através do canto. Além disso, destaca-se as sonoridades do riso, que integram o processo de luto através de -mbotavy, enganar/esquivar a tristeza. O terceiro momento caracteriza-se como o processo posterior à morte, onde entram em jogo os angue, espíritos que perderam a palavra e vagam pela terra, comunicando-se com os vivos apenas através do choro. Esse tipo de “silenciamento”, um outro modo de ressoar, ocorre como consequência de práticas em vida, daquele que faleceu, que destoaram das orientações do modo de vida guarani. Ainda que com essa limitação, esses espíritos mantêm agenciamentos, podendo mobilizar os angue de outros mortos para trazer pessoas vivas para a morte, por exemplo. Essas experiências, situadas em diferentes contextos, apontam para modos de cuidado com o corpo e suas afetações com outres, no sentido de composições que podem ser tanto vivificantes quanto perigosas. Isso significa que essas vulnerabilidades em questão têm a potencialidade de, por um lado, veicular curas e, por outro, desdobrar-se em adoecimentos
Apresentação
O Grupo de Pesquisa Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia (APEGEO) e a Associação de Geógrafos Brasileiros - Seção Local Campinas têm o prazer em apresentar neste Anais os trabalhos apresentados no V Encontro Regional de Ensino deGeografia (V EREG), realizado no período de 20 a 22 de outubro de 2016, na Unicamp, cujo tema central foi “As políticas curriculares e o ensino de Geografia”
Novos horizontes na perspectiva do Ensino de Geografia
A análise deste trabalho parte da percepção2 da baixa capacidade de leitura elaborada3 do mundo dos alunos, associada consecutivamente a baixa capacidade da estrutura de ensino predominante atual modificar tal característica. Essa capacidade de pensamento crítico, ou analogamente, leitura do mundo segundo o conceito de Freire (2014) é relacionado às acepções, juízos, interpretação de fatos, signos, soluções de problemas, opiniões, assim em suas “lentes”, ou a forma de ver o mundo e suas expressões. As observações referentes às diversas “leituras de mundo” partiram não só no meio escolar, mas também a partir de diálogos cotidianos, mídias tradicionais, sociais, debates informais, onde tais caracterizavam-se pelo baixo nível de mobilização de conhecimentos científicos e análise lógica para a formulação destes entendimentos. Inicialmente essa baixa capacidade era associada à falta de conhecimentos, mas a luz de novas observações convergiram para um ampliamento do entendimento do problema. Observações do resultado de avaliações sobre interpretações de problemas ligados a realidade e suas práticas sociais, aplicadas comparativamente em alunos com desempenho bom e deficiente segundo os parâmetros de avaliação de conteúdo escolar, apontaram que conteúdo duro não implica necessariamente em uma leitura de mundo mais elaborada. Um dos aspectos ligados ao postulado supracitado, são que as questões que vem do cotidiano invertem a lógica de perguntas pré-definidas do campo escolar, onde normalmente problema e resposta são indissociáveis, estritamente definidos, predominando em sua construção a lógica formal, e como apontados na literatura, desconexos da realidade do aluno. A dimensão do vivido transcende esse sistema fechado, o que para a capacidade de leitura elaborada de mundo, precisa ir além do modus operandi do ensino atual. O trabalho consiste na análise da natureza do binômio indissociável da baixa capacidade de leitura elaborada de mundo do aluno/baixa capacidade do ensino de geografia modificar esse quadro (problema.)
A relação escola e espaço: um estudo das escolas estaduais centrais de Campinas
Partindo do pressuposto que a Escola estabelece uma relação com o espaço no qual esta se situa, o presente trabalho buscou compreender como se dá tal relação. Não somente um sobre o outro, mas entende-se que o espaço interfere sobre a escola e vice-versa. Sendo assim, tendo o centro de Campinas como recorte espacial de análise e 4 escolas bem parecidas localizadas nesta região, a pesquisa propôs compreender como as características do espaço central, tão dinâmico e transformado ao longo do tempo, impactam as escolas que nele se localiza, trazendo desafios diferentes à sua gestão. No presente trabalho, a principal questão foi analisar como a localização no espaço urbano interfere na formação do público escolar
A escrita narrativa no Estágio Supervisionado: lidando com inquietações e estranhamentos acerca da trajetória docente
Este trabalho foi desenvolvido a partir de experiências de formação docente no âmbito das disciplinas de Estágio Supervisionado e Estágio Supervisionado em Geografia na Universidade Estadual de Campinas. O recorte temporal é estabelecido nos anos de 2015 (para o Estágio Supervisionado) e 2016 (para o Estágio Supervisionado em Geografia). Seu objetivo é levantar a discussão acerca das contribuições da escrita narrativa para a formação inicial dos alunos de licenciatura da referida universidade. Em um primeiro momento são trazidas reflexões acerca da escrita narrativa do período em que fui aluna da disciplina de estágio e, o segundo momento, faz referência ao período posterior em que fui monitora, a partir do Programa de Apoio Didático (PAD) da disciplina de Estágio Supervisionado em Geografia. Em ambas as disciplinas a utilização das narrativas se configurava enquanto um importante componente curricular, que permitia aos alunos narrarem suas experiências no contexto das atividades observadas e vividas na escola, bem como levarem para as aulas e reuniões de orientação suas principais inquietações em relação ao cotidiano escolar. A utilização das narrativas, portanto, vêm a contribuir para a formação inicial na medida em que permite aos alunos da disciplina de estágio lidarem com a complexidade de situações existentes na escola a partir da reflexão e autorreflexão acerca da carreira docente
Afrobetizando no Ensino de Geografia: a prática da Lei 10.639/03 e o processo de implementação na sala de aula
A presente experiência faz parte das atividades desenvolvidas com alunos do segundo ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Thiers Cardoso, na cidade de Campos dos Goytacazes - RJ, acompanhado pelo professor supervisor do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Os temas abordados foram, A Revolta dos Malês, e a Revolta da Chibata, que têm em comum as questões sociais e raciais em que o negro é o pano de fundo da trama e das subversões sociais. O desafio posto, foi abordar essas temáticas a partir do referencial e das diretrizes curriculares criadas a partir da lei 10.639/03. A Lei Federal de 2003 torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, incluindo nos estudos, a História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. O objetivo das atividades aplicadas foi permitir que o aluno expusesse o seu olhar sobre a cultura afro-brasileira, bem como as tradições e costumes que resistiram ao tempo e permanecem vivas até hoje. Buscou-se com os trabalhos e as oficinas desenvolvidas, retratar o lugar em que o negro está inserido na sociedade. Para isso, foi dado ao aluno voz para que ele tivesse a liberdade e a crítica para denunciar o racismo presente nos mais diversos tipos de relações sociais. Foram oferecidas para os alunos oficinas sobre a cultura afro-brasileira. Após a aplicação de atividades conceituais (conteúdo) e de atividades procedimentais (oficinas, debates), cada aluno produziu um texto cuja abordagem dialogava sobre as condições sociais do negro ontem e hoje. É possível notar que os alunos enfatizaram em suas vozes que o racismo é um marcador cortante na vivência social do negro, e que está muito presente na realidade de cada um como no seu dia a dia, na escola e no bairro. O que se pretende com esse artigo é mostrar uma possibilidade pedagógica para abordar e implementar a questão étnico-racial na disciplina de Geografia e, bem como, combater o racismo
A ação docente e o Conteúdo Básico Comum de Geografia no Ensino Médio: investigando aproximações e distanciamentos em uma escola-referência de Betim (MG)
O foco deste trabalho transita entre o campo da Geografia e do Currículo. A pesquisa consiste em um estudo envolvendo um docente licenciado em Geografia, do Ensino Médio, em uma Escola-Referência na Rede Estadual de Educação de Minas Gerais localizada no município de Betim e busca identificar aproximações e/ou distanciamentos dos professores de Geografia frente aos Conteúdos Básicos Comuns (CBC), proposta curricular da referida rede de ensino. Para tanto, interpretou-se o processo de construção desse currículo, em especial, do CBC Geografia, a fim de se compreender o contexto no qual a proposta foi elaborada e instituída. Qual o envolvimento docente durante a elaboração e a implementação do CBC? Em seguida, procurou-se identificar e compreender as referências teóricas e pedagógicas que norteiam as escolhas curriculares de professores em Geografia no Ensino Médio em suas práticas e ações cotidianas. Para realização desta pesquisa, desenvolveu-se um levantamento bibliográfico, com o fim de subsidiar a interpretação da proposta curricular (sua constituição, implementação e estrutura final). Tal interpretação se fez a partir de pesquisa documental em documentos da Rede Municipal de Ensino de Betim e no volume do CBC específico da Geografia. Por fim, realizou-se entrevista semi estruturada junto ao professor do Ensino Médio da referida escola. Neste estudo, pretende-se identificar o posicionamento e possíveis facilidades ou/e dificuldades dos professores diante do CBC
Grafite: Geografia, linguagem e inclusão social
O presente artigo aborda o grafite como uma linguagem urbana real, desenvolvida ao longo das últimas décadas e que interage diretamente com diversas categorias geográficas, como espaço, território, lugar e paisagem, estabelecendo um diálogo constante com a cidade e os citadinos. Propomos aqui a apropriação do grafite pelos docentes da Geografia, como um recurso pedagógico de múltiplas possibilidades em diversos contextos do processo de ensino – aprendizagem. Também realizamos uma pesquisa qualitativa sobre sua utilização como ferramenta de inclusão sócio cultural na cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, através da oficina “Arte em Grafite”, mantida pelo poder público municipal da referida cidade
A contribuição do ambiente virtual de aprendizagem para formação inicial de professores de Geografia
Este artigo resulta de pesquisa em andamento sobre formas alternativas de análise de cursos em ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs), mais especificamente quanto às correlações entre ambientes, proposta pedagógica de ensino dos professores e objetivos dos cursos. Como objeto inicial de análise, parte-se da disciplina de Estágio Supervisionado de um curso de Licenciatura em Geografia, que teve como característica singular o fato dos professores responsáveis pela disciplina, utilizar os recursos do AVA como apoio ao ensino presencial. Por meio de uma revisão bibliográfica e levantamento junto ao AVA desta disciplina, discute-se possíveis relações entre as configurações do ambiente e a proposta pedagógica de ensino dos professores. Como conclusão parcial nota-se que foram utilizados recursos capazes de viabilizar a proposta pedagógica, fazendo do AVA mais que um repositório de arquivos e links, mas um instrumento de registro e compartilhamento das ações desenvolvidas. Discute-se possibilidades de novas estratégias de formação de professores que possam usar as ferramentas da EAD como algo que vem a contribuir com o ensino presencial