Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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A BIOPOLÍTICA E A DIPLOMACIA DE SAÚDE GLOBAL DA CHINA NA PANDEMIA DE COVID-19
A pandemia causada pelo coronavírus se tornou um dos grandes desafios sanitários em escala global do século XXI, de modo que gerou uma grande comoção por ter se espalhado rapidamente em várias regiões do mundo, causando uma série de impactos. Neste contexto, foram decisivas as ações chinesas mundo afora diante a diplomacia de saúde e sua ascensão na governança de saúde global, em frente ao que ficou conhecido como “diplomacia das máscaras”. Visto isso, Foucault compreende a biopolítica como uma forma de manifestação de poder, ou seja, a biopolítica estabelece mecanismos de controle que incidirão sobre as populações, estabelecendo cesuras entre diferentes grupos de acordo com o interesse político e econômico almejado. Portanto, o objetivo da pesquisa é verificar na política externa chinesa a atuação do país, destacando as suas práticas diplomáticas e seu papel na governança da saúde global, em frente ao conceito de biopolítica de Foucault. A metodologia central desta pesquisa foi a revisão bibliográfica, por meio de consulta, revisão e interpretação de fontes bibliográficas. Portanto, o lapso da pandemia de COVID-19 se apresenta então, como um momento de reflexão sobre a atuação biopolítica chinesa na área médica e sanitária internacional
ANÁLISE DOS CONCEITOS E VARIÁVEIS NA APLICAÇÃO DE FRAGILIDADES AMBIENTAIS.
O presente trabalho remete revisão literária do conceito de Fragilidades Ambientais, cujo foi identificados variáveis semelhantes e distintos na construção de cada autor sob o termo. Destaca-se neste trabalho a evolução cronológica e a identificação das variáveis usadas para cada autor, identificando a interface comum, levando a um consenso do conceito abordado. Assim, como resultados, a variável comum observada é geomorfologia, no qual contribui como maior desempenho que perpassa como um ambiente frágil aos processos seja de forma natural ou antropogênico, dando formas de faces dentro da nossa superfície terrestre
PONDERAÇÕES TEÓRICAS SOBRE A RELAÇÃO SOCIEDADE E NATUREZA NA CIÊNCIA GEOGRÁFICA
A intensão do artigo está em proporcionar um diálogo teórico que observa as dinâmicas que são estabelecidas na paisagem natural em meio aos condicionantes de organização do espaço urbano no contemporâneo. Por ser uma conjunção de intensas dinâmicas entre sociedade e natureza, são apresentados arcabouços teóricos que dialoguem com tais complexidades, são eles, Teoria Geral dos Sistemas, Pensamento Complexo e Geoecologia da Paisagem. Postos tais alicerces, são feitas as apresentações dos conceitos úteis, postos em diálogo interrogativo e crítico, feita a discussão do estágio “entrópico” atual que a sociedade dispõe na efetivação dos planejamentos e feitas reflexões sobre possibilidades de construção do futuro que observe vetores que propiciem a “neguentropia”, que é conjunção de elementos que favoreçam a produtividade no sentido contrário da degradação
Conferências de cultura: sobre metodologias organizacionais, eleições e produção de representatividade política
A partir do caso da III Conferência Nacional de Cultura de 2013, proponho analisar uma série de procedimentos que constituem esse tipo de encontro e que permite que tais reuniões operem e cumpram com sua finalidade – qual seja, a de produzir delegados e propostas “representativas” da “cultura brasileira”. Veremos que, graças à transformação dos muitos “municipais” e “estaduais” das etapas iniciais nos delegados e propostas “nacionais” finais, a própria cultura brasileira é produzida como totalidade a ser representada. Pois, apesar de ser operado uma redução do número de delegados e propostas ao longo do processo, este é percebido como construção e acúmulo, e não como perda ou exclusão, incorporando no reduzido conjunto final a potência proveniente da participação massiva inicial. O curioso é que a garantia de construção de representatividade política é atribuída, em grande medida, à qualidade da “metodologia” e dos procedimentos organizacionais utilizados. Calendário para as etapas; temário; sistemas de discussão e de construção de propostas; sistemas de votação – variados procedimentos mostraram ter efeitos sobre os processos e resultados das conferências e, via de regra, tiveram esses efeitos reconhecidos por organizadores e participantes. Contudo, enquanto uns eram percebidos como “políticos” (caso das eleições), outros o eram como meramente “técnicos”. Proponho, então, pensar a relação entre técnica e política atentando para a eficácia e para os efeitos desses procedimentos, mas também para os usos negociações e disputas que envolvem
Ética socioclimática como máquina de justiça climática para metamorfosear novas utopias
As infraestruturas podem ser caracterizadas como “máquinas políticas” (BARRY 2013) ou como “máquinas antipolíticas (FERGUSON 1990). Os instrumentos climáticos - iniciativas e políticas públicas formuladas por uma diversidade de agentes - são entendidos aqui como máquinas políticas de justiça climática que possuem efeitos na práxis social tanto para humanos quanto para além de humanos. Ao analisar os recentes instrumentos climáticos brasileiros (2019-2021) busquei responder a questão posta por Jensen e Morita: “Como nós podemos viver diferentemente?”. No contexto do colapso climático e a partir da noção de metamorfose social (BECK 2016), da noção de reciprocidade ecológica e justiça multiescala do convivialismo (INTERNACIONAL CONVIVIALISTA 2020) e da ética climática (GRADINER 2017; BROOKS 2020) modelei uma proposta para uma ética socioclimática como pensamento crítico ontoético e ferramenta analítica política. Como pensamento crítico ontoético busquei compreender as iniquidades socioecológicas das atuais estruturas brasileiras do contexto climático. Iniquidades pautadas por princípios éticos antropocêntricos e ecocêntricos. Como ferramenta analítica busquei compreender a formulação de instrumentos climáticos pautados por outras ontologias e outras éticas (KOTHARI et al. 2019), como as ecocêntricas e multicêntricas. Categorias como pluralidade decisória, localidade energética, acessibilidade epistêmica e material, naturalidade planejada e benefício intra/intergeracional (SALMI 2021a, 2021b) se revelaram eficazes tanto como elemento constituinte da máquina de justiça climática como lente analítica para compreensão das moralidades dos agentes formuladores de políticas climáticas no Brasil. Lançaram luzes sobre as atuais máquinas políticas brasileiras ou máquinas de justiça climática - que reproduzem as iniquidades socioecológicas ou produzem outras normatividades que reduzem tais iniquidades no contexto climático contemporâneo - e revelaram éticas emergentes para além da cosmovisão antropocêntrica. A ética socioclimática como máquina política de justiça climática se revela assim como uma possibilidade de deslocar o caminhar antropocêntrico catastrófico para horizontes utópicos emancipatórios (BECK 2016) ao permitir outras alianças entre humanos e além de humanos no contexto do colapso climático
Blog Primavera nos dentes: uma iniciativa de divulgação científica em antropologia da educação
Neste trabalho, descrevo e problematizo caminhos que me conduziram à concepção e administração do blog de divulgação científica Primavera nos dentes – Ensaios sobre a escola e a realidade brasileira (https://blogprimaveranosdentes.wordpress.com/). Levada ao ar em janeiro de 2020, a plataforma surgiu, a princípio, para contemplar duas frentes acadêmicas que me são caras. De um lado, a divulgação científica, com a qual me envolvi a partir da graduação em comunicação social, ao atuar com jornalismo ambiental. De outro, a antropologia da educação, que é o subcampo disciplinar ao qual me filio hoje, em decorrência de minha pesquisa de doutoramento. A pandemia da Covid-19 instaurou-se pouco tempo depois do nascimento do blog e, desde então, vem sendo temática dominante nesse espaço, dados os profundos impactos da emergência sanitária sobre o cotidiano educacional, em todos os níveis de ensino. No âmbito desse acontecimento de grandes proporções, além de ofertar conteúdo, inclusive com a colaboração de outras(os) pesquisadoras(es), o blog tornou-se guarda-chuva para o abrigo de outros três projetos, a saber: a curadoria especial de conteúdo Coronavírus & Educação, o Escola em quarentena: um registro antropológico de memórias educacionais” e o podcast Fazeres etnográficos em tempos de pandemia. Por intermédio dessa experiência, discuto pontos tais como: (i) o objetivo de fomentar, por meio da divulgação científica, um campo de pesquisas historicamente periférico, que é a antropologia da educação, projetando-a não só à sociedade mais ampla, mas também entre a comunidade acadêmica; (ii) a concretização do blog como um espaço que não só comunica meus achados de pesquisa e vivências de ensino em antropologia, como também busca promover a cooperação acadêmica entre pares; (iii) a possibilidade de o blog abarcar outros subprojetos que, por sua vez, passaram a se articular a outras redes de atores, propiciando assim resiliência acadêmica, frente a uma pandemia que se dá em meio a um governo federal autoritário, negacionista e negligente
Relação “Humano-Solo”: práticas inventivas em uma horta na zona rural
Este trabalho faz parte de uma pesquisa de doutorado em andamento sobre práticas e materialidades envolvidas no cuidado, na qual é etnografado o cotidiano de uma comuna, autoidentificada como anarquista, localizada em um assentamento na zona rural do Rio Grande do Sul. Ao passar um período nessa comunidade, foi observado o modo como o cuidado era performado e atuado, entendendo-o enquanto não só voltado diretamente às crianças, mas a tudo que se atravessa para tornar o modo de vida coletiva possível, como a alimentação, a limpeza, a horta, tirar o leite da vaca, as reuniões políticas, a manutenção, entre outras tarefas. A partir do conhecimento sobre o funcionamento da horta - tendo em vista que o solo deste local é constituído de matéria argilosa e lençóis de água salobra, o que dificulta a prática do plantio – busca-se refletir sobre estratégias coletivas e inventivas utilizadas para torná-la possível. Para tanto, parte-se teoricamente dos feminismos neo-materialistas, conforme proposições inspiradas em Donna Haraway e Maria Puig de La Bellacasa, para analisar os modos como agentes humanos e não-humanos constroem cotidianamente e em conjunto a vida comunitária. Para contribuir com esta reflexão, parte-se também do campo da Teoria do Cuidado, especialmente do conceito de interdependência que se torna fundamental no sentido de não hierarquizarmos atividades em uma comunidade e, ainda, para não tomarmos objetos e coisas como “pano de fundo”, mas enquanto agentes que fazem e produzem cuidado. A relação estabelecida pela comunidade com a horta aponta para os modos inventivos de gerir o cultivo e de criar um meio que fornecesse alimentos para seus moradores. Essa experiência nos fornece elementos para pensar na relação “humano-solo”, na qual o solo se constitui não apenas como um “recurso”, mas como um organismo vivo que só pode existir com e através de uma comunidade multiespécies. A relação com o solo fala, ainda, de temporalidades que resistem à “rapidez” e à “eficiência”, remetendo a algumas inscrições sobre o que possa ser considerado “cuidado” e “compartilhamento de cuidado”. Tais arranjos se atravessam à ética e à política do cuidado, a partir das relações de agentes mais-que-humanos, do afeto e da criatividade, para que possamos pensar o cuidado enquanto uma prática especulativa daquilo que é possível
Pesquisa com lideranças na tradução do sensível e uma ciência “cuidadã” no enfrentamento à COVID-19 no Nordeste Brasileiro
Neste trabalho, propomos uma exploração epistemológica e política de base descolonizadora, feminista e interseccional da experiência de ciência cidadã no trabalho de lideranças comunitárias, as quais exerceram o papel de bolsistas inscritas/os sob a nova categoria ADC2A do Conselho Nacional de Pesquisas (Portaria 2021) no marco do projeto “Boas Práticas de Enfrentamento à COVID-19 – Tradução e Elaboração de Materiais nos Territórios”. A investigação sustenta-se em problematizações transdisciplinares a partir do diálogo entre a antropologia, a saúde coletiva e os estudos da comunicação e tradução. Levantaram-se questões referentes ao imperialismo linguístico, acessibilidade à informação e o protagonismo das comunidades diante das demandas de tradução de informações estratégicas vinculadas à pandemia. Entendemos que a interlocução das lideranças comunitárias possibilitou uma ultrapassagem na compreensão colonial que trata sujeitos e povos como objetos de estudo. Nossa ciência “cuidadã” inclui experiências sociais e de tradição, ampliando a capacidade de produção de cosmopolíticas diversas: essas vozes instauram no interior da pesquisa novos modos de traduzir o mundo, além de todo o ecocídio colonial. Diante dos contextos de excepcionalismo pandêmico (London, Kimmelman 2020), indagamos: qual é o papel de processos tradutórios descolonizadores e reflexivos em corpos e territórios socialmente vulnerabilizados (Krenak 2019)? A partir de quais sensibilidades foram gestionados os conhecimentos biomédicos, etnobiológicos, históricos e culturais sobre a COVID-19 junto às lideranças comunitárias? Como impactou a experiência do acesso a uma bolsa remunerada na produção de conhecimento local? Quais tecidos de cuidado (Puig de la Bellacasa 2017) e cuidadania foram fortalecidos neste percurso? Nossa aproximação parte de etnografias de encontros virtuais (Kozinets 2014) e do material produzido em oficinas de reflexão junto a lideranças bolsistas de comunidades indígenas, ciganas, pescadoras, marisqueiras, catadoras de materiais recicláveis, lideranças do movimento de pessoas em situação de rua dos estados de Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará (julho 2020 a agosto 2021). Salientamos a importância estratégica de uma ciência que cuida, uma produção do conhecimento baseada em regimes de cuidado, “cuidadanias” (Aler 2011) locais e corpo a corpo, representativas das buscas pelo bem viver de lideranças de povos tradicionais e movimentos sociais durante e depois da pandemia
Tatuagens que curam e ressignificam: o corpo como tela da existência
A sociedade ocidental contemporânea manifesta um certo grau de dificuldade para a formação da identidade dos indivíduos. Entre eles, os níveis exagerados de consumo e a preocupação com o corpo traz consigo sentimentos de desconexão e inadequação com a realidade material deste, transformando-o em mais um bem de consumo. Se essas questões afetam a sociedade como um todo, o problema aumenta no caso de indivíduos que lidam com traumas; Como por exemplo, depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, problemas de saúde em geral e problemas em recuperar a autoestima e a própria identidade. Nesse contexto, a tatuagem aparece como uma alternativa para diversas vítimas, possibilitando que o indivíduo obtenha uma identidade ancorada em si mesmo, e não no evento traumático. Conciliando uma identidade do eu antes, durante e após o trauma em questão, condensando esses elementos em uma entidade única. Assim, a tatuagem permite que o indivíduo construa uma identidade proposital, partindo não apenas do que é como também do que deseja alcançar. Ao mesmo tempo em que a capacidade de exposição tem seu valor, tatuagens também exercem um valor terapêutico na sua aptidão de esconder marcas e sentimentos. Por exemplo, a maquiagem permanente que pode redesenhar sobrancelhas perdidas na quimioterapia. Nesses casos, a tatuagem permite que a identidade da pessoa não seja imediatamente associada a uma marca, a uma cicatriz – aquilo deixa de ser a primeira coisa a ser notada nela –. Vemos, nesse sentido, que tanto ao esconder quanto ao mostrarmos traumas e cicatrizes, a tatuagem é usada como um modo de questionar o conceito de corpo ideal. Ao ter a opção de como lidar com a cicatriz, o indivíduo tem o poder de decidir de qual forma sente que seu corpo parece normal para ele. Sendo assim, a pesquisa propõe o seguinte questionamento: de que modo a tatuagem pode surgir como uma alternativa para ressignificar traumas, seja uma cicatriz ou uma marca emocional, oferecendo a possibilidade de reconstrução de uma auto-identidade?.Para cumprir os objetivos inicialmente proposto será realizado o procedimento de revisão bibliográfica acerca das teorias socioantropológicas do corpo, assim como da prática da tatuagem, com posterior leitura e delimitação do referencial teórico e epistemológico, com uma abordagem qualitativa, se valendo do método indutivo, analisando vários casos específicos no intuito de corresponder ao estudo proposto pelo problema da pesquisa
Diferença e desconcerto: fazendo diferença em nossos práticas nas ciências
Este artigo é um desdobramento da etnografia cosmopolítica de Elisa Sampaio de Faria (2020) intitulada Confluências de axé nas instituições científicas: acontecimentos para pensar práticas de conhecimento. A pesquisa etnográfica de Faria foi produzida em encontros com praticantes de terreiros de axé proporcionados por cursos vinculados ao Programa Encontro de Saberes, que assume o formato da Formação Transversal em Saberes Tradicionais na Universidade Federal de Minas Gerais. Neste artigo, uma cena de uma aula do curso “Catar Folhas”: Saberes e Fazeres do Povo de Axé é parcialmente associada à história do encontro entre Bell Hooks e Paulo Freire e à narrativa de Helen Verran (2013) sobre uma oficina com cientistas ambientais e aborígenes Yolngu. Essas associações transversais nos permitem pensar sobre o desconcerto epistêmico como uma ferramenta para criar outros modos de conviver dentro do nosso próprio coletivo de praticantes das ciências e entre nós e os muitos coletivos diferentes dos nossos