Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Aprendendo na prática com pescadoras, lagoas e camarões: reflexões a partir da interlocução entre Educação Ambiental e Antropologia

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    Este trabalho parte da experiência de pesquisa com pescadoras embarcadas da pesca artesanal lagunar no sul do Rio Grande do Sul e tem como objetivo, a partir de novos horizontes de compreensão - epistemologias ecológicas e feministas, apresentar e refletir em torno do viver relacionado à atividade pesqueira, mais especificamente a pesca do camarão no estuário da Lagoa dos Patos praticada por uma pescadora. Tendo como base o material etnográfico, tratamos de tomar o saber da mulher pescadora não como um conhecimento sobre o mundo, mas considerar regimes de conhecimento que se produzem com o mundo, recusando, assim, a externalidade do sujeito do conhecimento situado fora da natureza e dos seus objetos de conhecimento. A interlocução entre as áreas da Antropologia e Educação Ambiental nos auxiliam, no sentido de pensar em termos de processos de aprendizagens com fins de compreensão da produção e reprodução dos modos de saber/fazer a pesca junto às coisas no mundo e, sobretudo, no potencial crítico ao sistema moderno capitalista, patriarcal, exploratório e tecnocientífico

    Provocar sentidos, atenção e questionamentos: plantas na moda sustentável

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    Na moda têxtil, o tingimento natural possibilita que tecidos sejam coloridos com plantas. Ele carrega em si conhecimentos ancestrais e contempla práticas de educação da atenção e dos sentidos, desenvolvidas por meio de (con)vivências, processos e aprendizados entre humanos, plantas e outros não-humanos. Manual ou industrial, o tingimento natural permite que roupas ganhem cores como o vermelho, o amarelo, o verde e o azul que vêm, respectivamente, a partir de espécies vegetais como pau-brasil, cúrcuma, erva-mate e anileira, para citar algumas. Distanciando-se da indústria têxtil convencional e de seus corantes sintéticos altamente poluentes, o tingimento natural permite diminuir tais impactos em solos e rios, bem como à saúde humana. Nesse tingimento, em suma, pequenos agricultores seguem vivendo com a floresta; tintureiros convivem com corantes e mordentes vegetais; roupas, por sua vez, além das fibras naturais, carregam majoritariamente plantas e no futuro, dada sua matéria, poderão se biodegradar. No Brasil, uma das marcas que tem o tingimento natural em seu cerne é Flavia Aranha - que venho estudando em meu doutorado. Baseada na capital paulista, desde 2009 faz o que emicamente vem nomeando como “roupa viva”, composta com tecidos prioritariamente orgânicos e vegetais e tingida com plantas, cuja cor se transforma com o tempo. Colocando em relação pessoas e plantas, a marca ainda alia tecnologia ao processo, que pode ser manual ou industrial, e atua junto a uma “teia viva” onde estão pequenos agricultores, artesãos, tintureiros, estilistas e outros profissionais. Outras marcas de moda vêm fazendo esse mesmo movimento, entendendo que humanos e roupas são parte da natureza e procurando respeitá-la e regenerá-la a partir da moda. Nessa prática, a um só tempo, se observa e se convive com as plantas, amplia-se os conhecimentos sobre a vida vegetal, os ecossistemas, a biodiversidade e sobre o modo de se viver com essa malha viva (meshwork) - na expressão do antropólogo Tim Ingold (2015), e observa-se as plantas entremeando e formando as roupas. Conhecida como sustentável, essa moda se relaciona com questões que permeiam a era atual, o Antropoceno, revendo os impactos que a moda convencional tem causado ao longo do tempo. Colocando a natureza, e não o lucro, no centro das decisões, a moda sustentável questiona o convencional e, no limite, o próprio capitalismo que, por muito tempo, conheceu a natureza apenas como recurso natural ilimitado

    A aldeia dos encantados: intrusão cosmopolítica em uma assembleia indígena apurinã

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    Tendo como mote a descrição de uma assembleia indígena situada em uma região ameaçada pelo desmatamento ocasionado pelo avanço da fronteira agrícola no sul do Estado do Amazonas (municípios de Boca do Acre e Pauini), faço uma reflexão acerca dos “vestígios e sinais de modos de vida passados carregados no presente”, ou aquilo que Anna Tsing et al. (2017) nomeiam como “fantasmas do antropoceno soprando sobre paisagens assombradas”. Talvez o legado secular do “tempo dos seringais” herdado pelos Apurinã não tenha sido propriamente paisagens degradadas, contaminadas ou destruídas, mas paisagens assombradas por modos de vida passados. Como prestar atenção a esse palimpsesto de tempo/espaço presente nas paisagens quando nos propomos a seguir nossos interlocutores ao longo de suas redes terrestres? A história que trago aqui é fruto de um desses meus deslocamentos pelo Purus ao acompanhar os Apurinã – participando de uma assembleia - e desdobrar ao longo dessas linhas o leque de controvérsias nos quais estão metidos (Latour 2012)

    Entre revoluções sexuais e ferramentas de prevenção: uma narrativa sobre a emergência da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

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    O presente trabalho é um recorte de minha monografia de conclusão de curso em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Objetiva constituir uma narrativa acerca da emergência da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), um novo registro biomédico para a  prevenção ao HIV, pautado no recurso a antirretrovirais. A partir do acesso a diferentes materiais etnográficos de origem documental, é proposto um deslocamento por entre espaços-tempos variados nos quais o que parece se conformar enquanto uma pílula eficaz em reduzir o risco de infecção emerge. Indo dos rumores que circulam acerca de sua implementação e eficácia em publicações de "divulgação científica" até os diferentes tipos de ativismo que performam a biotecnologia e à publicação de artigos científicos vinculados a ensaios clínicos, a narrativa realizada permite atentar para a multiplicidade de tal objeto. É importante aqui entender que se trata de um momento que vem sendo descrito como o de biomedicalização da resposta ao HIV/Aids, no qual saberes e tecnologias associados a biomedicina ganham uma centralidade nas promessas ao enfrentamento da epidemia. Procuro descrever ao longo da narrativa parte da coletividade dessa biomedicalização, a partir da especificidade das promessas carregadas pela PrEP. De tal forma procuro tornar audível como certos ecos e descontinuidades, descritos a partir dos materiais consultados, performam diferentes versões da intervenção biomédica

    Para o capitalismo de vigilância, todo corpo é negro: Big tech acelera processos que universalizam a experiência necropolítica do Sul global

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    Este ensaio visa elaborar algumas questões sobre as relações entre capitalismo e tecnologia, especialmente nas suas manifestações como capitalismo de dados (SADOWSKI, 2019) e capitalismo de vigilância (ZUBOFF, 2015, 2019) em suas práticas de extração de dados e na produção de instrumentos preditivos de comportamento. O texto se debruça mais atentamente sobre alguns modos de funcionamento do capitalismo de vigilância, como elaborado por Shoshana Zuboff, e busca suas raízes na extração de excedente comportamental, acumulado pelas empresas de tecnologia pela despossessão de seus produtores (HARVEY, 2004). O ensaio busca mostrar, então, que os processos de objetificação (MBEMBE, 2016) e despossessão que são agora acelerados e universalizados pelo capitalismo de vigilância já eram vivenciados – há muito tempo – pelas populações negras no mundo todo. Por fim, algumas observações de como estes processos se aceleraram e se aprofundaram durante a pandemia de Covid-19, e sobre a necessidade de se pensar alternativas possíveis a estes processos – e como movimentos como a greve dos entregadores de aplicativo em julho de 2020 aponta indícios para outros caminhos

    Caminhos para a implementação da Lei 10.639/03

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    Oficina Pedagógica com o intuito de apresentar algumas possibilidades de implementação da lei 10.639/03 através da cartografia, das artes, e da história oral. Contribuir para práticas pedagógicas que resgatem a História e a Geografia da África e dos Africanos e dos Afro-brasileiros

    Múltiplos olhares sobre o Ensino de Geografia: o estudo das encostas urbanas

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    O objetivo desse artigo é apresentar uma proposta metodológica para o ensino de geografia, com base na leitura geográfica da cidade de Ilhéus, Bahia, a partir da utilização do tema Encostas Urbanas como ponto inicial de diálogo para a formação do saber geográfico escolar e promoção de novos olhares na produção do espaço ilheense

    A segregação socio-espacial e as suas consequências na escola da geografia que se ensina

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    Pesquisar sobre a educação é uma tarefa muito complexa, a Geografia enquanto ciência pode ser uma ferramenta essencial neste processo, uma vez que seus conceitos e métodos permitem uma análise da Escola e do Espaço Geográfico onde ela está inserida. No curso de Geografia-Licenciatura, por meio do estágio, é possível pensar a Geografia enquanto ciência e a Geografia Escolar por meio da experiência de observação no/do cotidiano na/da escola, bem como da aproximação e da recuperação das histórias dos sujeitos que participaram da origem da escola e dos bairros ela atende, buscaremos analisar como o processo de segregação socioespacial influencia no cotidiano escolar, discutindo através de relatos e situações observadas, as violências e os conflitos dos e entre os alunos, com o objetivo de provocar o debate sobre este tema e produzir outros olhares sobre a escola aos(às) professore(a)s-geógrafo(a)s em formação, abordando nosso papel enquanto agentes políticos de transformação, questionando como a Geografia no ensino pode atuar na superação dessas condições

    A Proposta Curricular para o Ensino de Geografia - 1º Grau da CENP/SP (1988): um momento na política de currículo brasileira

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    O presente texto apresenta uma reflexão sobre um determinado momento na política curricular brasileira, representado pelo processo de redemocratização pós Ditadura Militar (1964-1985). Devido às mudanças observadas no cenário político e ideológico, esse foi um período de grandes reconstruções e novas elaborações em diversas instâncias sociais, tocando o cenário educacional brasileiro, as Políticas Curriculares e o Ensino de Geografia. Com o objetivo de readequar essas instâncias ao novo cenário político é que surge a Proposta Curricular para o Ensino de Geografia – 1º Grau da CENP/SP (1988). Nesse trabalho, elaboro uma análise dessa proposta, baseada em seu contexto histórico de criação, bem como em seus agentes organizadores e nos elementos que a colocam em prática. A partir disso, construo uma reflexão sobre essa política curricular, buscando entender seus sentidos, conflitos e negociações; encerro o texto com uma legitimação a respeito da importância do entendimento de políticas curriculares enquanto momentos de política

    América Latina nos livros didáticos do Ensino Médio: uma análise sob a perspectiva da Geografia Política

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    Oficina Pedagógica que objetiva analisar conceitualmente sob qual perspectiva geopolítica a América Latina é abordada nos materiais didáticos com a intenção de identificar possíveis estereótipos e preconceitos presentes nesse material

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