Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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O texto literário e o ensino de solos: a potencialidade do conto de Ana Primavesi no ensino de Geografia
O solo é, frequentemente, retratado como o produto da interação entre os outros fenômenos naturais, como um recurso disponível para o homem ou meramente o meio material sobre o qual a sociedade se estrutura. Em oposição ao estudo do solo apenas pela tipologia isolada ou como tipos de recurso, parte-se da concepção totalizante e humanizadora do Solo Vivo. Objetiva-se analisar as potencialidades do conto "TATÁ, PEPE e GIGI: as três gotinhas de chuva" de Ana Primavesi para o ensino de solos em Geografia a partir da perspectiva histórico-crítica, em especial no que diz respeito à relação do ciclo da água e as consequências dos impactos ambientais decorrentes das formas de uso do solo pela sociedade e sua influência na produção do espaço geográfico. A pesquisa desenvolvida tem como base a abordagem qualitativa ancorada em uma análise dialética dos dados e a Pedagogia Histórico-Crítica. A sistematização dos dados foi realizada por meio de um quadro de análise do espaço, descrição do espaço, personagens e vivências apresentadas no conto e suas relações com os fundamentos da Pedagogia Histórico-Crítica como as problematizações, as temáticas físico-naturais e os conceitos e conteúdos de Geografia. Realizou-se um outro instrumento, o Mapa Conceitual, o qual permitiu conhecer a natureza das relações entre os conceitos, uma vez que os termos de ligação cumprem com o papel de evidenciar a totalidade e a sequência de raciocínio na construção do conhecimento
Simulação de uma barragem de rejeitos: buscando uma maior dialogicidade da educação em ambiente não-formal de ensino
Este trabalho é fruto de uma prática educativa desenvolvida em ambiente não-formal de ensino no ano de 2019 e tem como objetivo principal, além do incentivo ao uso de metodologias alternativas de ensino/aprendizagem, proporcionar uma maior dialogicidade deste processo através de fundamentações teóricas relacionadas com a horizontalidade e a troca de experiências entre professores e estudantes. Dessa forma, foi construída uma maquete que simulasse o funcionamento de uma mineradora e de sua barragem de rejeitos, a fim de que os estudantes relacionassem a atividade com os eventos recentes ocorridos em Mariana/MG e Brumadinho/MG, buscando assimilar as notícias e reportagens de seu cotidiano à respeito dessas tragédias com o debate trazido pelos professores, envolvendo aspectos espaciais, quantitativos, qualitativos e reflexivos acerca da atividade mineradora no Brasil, além de uma visão holística do tema a partir de conceitos de outras disciplinas. Os resultados desta prática refletem uma maior participação dos alunos na construção do conhecimento coletivo junto com os professores, estimulando criatividade, autonomia, criticidade, reflexão, argumentação e aprendizagem significativa por parte dos estudantes. Assim, foi possível construir um conhecimento mais coletivo e horizontal entre os atores envolvidos no processo de ensino/aprendizagem, compreendendo a lógica de seus pensamentos, ações e sentimentos diversos
Estágio Supervisionado II em Geografia, no ensino remoto em tempos de pandemia da Covid-19
Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre as experiências e dificuldades desenvolvidas e obtidas no Estágio Supervisionado em Geografia II, da Universidade Estadual da Bahia, UNEB Campus IV, realizado em forma de oficinas pedagógicas com crianças de 04 a 10 anos de idade, através do ensino remoto em tempos de Pandemia da Covid-19. O Estágio ocorreu no período de maio à junho de 2021 e teve duração de 35 horas, divididas em 6 encontros de 5 horas, com momentos síncronos e assíncronos. A pesquisa teve como abordagem aspectos qualitativos, a partir da pesquisa-ação, sendo que no decorrer das oficinas levamos temas relacionados à vivência dos participantes, pois víamos a falta de informação na escola onde os mesmos estudam, sobre as transformações que ocorreram ao longo dos tempos na cidade de Jacobina, trazendo como centralidade o Povoado de Olhos D’Água do Góes, pertencente ao Município de Jacobina-Ba, notamos que foi muito importante trazer esse assunto para as oficinas de Geografia, pois os participantes eram bem interativos, e participativos, estavam o tempo inteiro dialogando e trazendo relatos que já ouviram de alguma pessoa mais velha, isso nos motivou muito, pois percebemos que era algo novo para eles e também para nós. Os resultados da pesquisa nos revelam que, mesmo com muitas dificuldades enfrentadas, as atividades propostas no decorrer das oficinas, deram resultados satisfatórios e os objetivos foram alcançados com muito êxito, sobretudo porque houve um diálogo aberto, uma troca de experiências, e trouxemos várias atividades lúdicas que chamavam a atenção dos participantes e os motivavam a estar conosco até o fim
La residencia docente en tiempos de pandemia: Geografía (s) escolar: aproximaciones a la mega minería, desde diseños, dibujos y siluetas espaciales
En este trabajo se presenta la narrativa de la experiencia pedagógico-didáctica desarrollada en el primer cuatrimestre del 2021, como estudiantes-practicantes-futuras profesoras de la Carrera del Profesorado de Geografía UNCPBA- Tandil, Argentina. Nuestra experiencia tiene la particularidad de desarrollarse en un contexto inesperado, incierto y desafiante para el diseño y elaboración de propuestas de enseñanza geográfica: la Pandemia Covid-19, reconocida y declarada el 20 de Marzo del 2020, por la Organización Mundial de la Salud (OMS). Este escenario de tensión, de pérdidas y de crisis social, política y económica en diversas áreas de la vida, reorientó la forma de realizar actividades; la escuela y la universidad no fueron ajenas a este movimiento. En este contexto, se narra la experiencia de la práctica y residencia docente, en el marco de la virtualidad mediada por aulas remotas; como posibilidad y potencia para geografizar la cuestión ambiental de la megamineria, a partir de un caso de estudio “No a la Mina en Esquel” Argentina. El gran desafío, fue acercarse a la Escuela Nacional Ernesto Sábato (ENES-UNCPBA), para retomar cierta “normalidad” de las actividades escolares y curriculares en clave pedagógica. Esto nos permitió encontrar-se-nos con el espacio escolar e iniciar las prácticas docentes a partir del vínculo con la docente (co-formadora). La producción de una secuencia didáctica orientada a la megaminería en Argentina, fue nuestro desafío. Tema de gran relevancia social, y pertinencia disciplinar, en estos tiempos a partir del avance, localización y funcionamiento de diferentes proyectos mineros a escala nacional, regional y mundial. La secuencia realizada, tiene que ver con la producción de una carta/cuadro/composición temática, que ordena visualmente la presentación del fenómeno, desde una tropa de imágenes comunes e (in)imaginadas, basado en diseños y dibujos realizados por los estudiantes. Los antecedentes teóricos y metodológicos, que actúan como base para esta experiencia, son parte de las contribuciones de Lois y Hollman (2015). Desde esta perspectiva, partimos de la idea de que, las imágenes dejan huellas en nuestras vidas, mediante diversas representaciones de los lugares, del paisaje y del mundo. A través de ellas, podemos acercar-nos a imaginario(s) que construimos y que construyen otros. Entendemos que los mismos son comprendidos, como esa base socio-espacial, que encierra las representaciones de la realidad y modos de ver. La propuesta se estructura de la siguiente manera: en un primer momento, se aborda nuestra experiencia, afectos, sentidos y sensaciones de reencontrarnos con la escuela a partir de la mediación de artefactos tecnológicos como, la computadora, el celular y las plataformas digitales (Classroom - Google Meet). En la segunda instancia, se presenta brevemente la propuesta pedagógica desde su relevancia social, pertinencia temática y significatividad pedagógica. En última instancia, se recupera la experiencia imagética (diseños y dibujos) según las representaciones e imaginarios geográficos de los estudiantes, sobre la problemática abordada. El resultado de las producciones individuales y colectivas, recuperadas en formato tablero/muro mediante la herramienta virtual Padlet, en base a la temática de la megaminería, actuó como potencia para vincular y enriquecer el arte y la enseñanza disciplinar
Um estágio supervisionado diferenciado: uma prática educativa de ação conjunta
O presente relato apresentará a elaboração e o desenvolvimento da atividade organizada pelos e pelas estudantes do curso de Geografia, na disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado II, da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp - Campus de Rio Claro- SP), realizado na Escola Estadual Prof. José Cardoso, município de Rio Claro. O progresso das atividades no projeto pautou-se em trabalhos com os alunos e alunas dos 9º anos do Ensino Fundamental e dos 1º anos do Ensino Médio, visando realizar um enriquecimento curricular para as disciplinas escolares e a revisão de temas presentes nas provas dos cursinhos pré-vestibulinhos das escolas técnicas estaduais. O contexto de trabalho ao longo do projeto se destacou pela elaboração de aulas em formatos coletivos e a construção dialógica entre a universidade e a escola de ensino básico
O uso de ferramentas tecnológicas aliadas ao ensino da Geografia na construção de indivíduos críticos e pensantes: experiências a partir da criação de podcast
As contribuições da Geografia na compreensão do espaço geográfico têm sua importância e essa contribuição torna-se bastante relevante quando trazemos ela para o nosso cotidiano, entretanto, as potencialidades de reflexão, problematização e compreensão das dinâmicas socioespaciais da Geografia não são sempre reconhecidas, à abordagem vaga dos conteúdos tem bastante responsabilidade no reconhecimento dessa ciência. A partir disso, as iniciativas na ampliação de abordagens que promovem o diálogo da Geografia com o cotidiano têm se tornado cada vez mais necessárias. Por muito tempo a aplicação desta ciência estava distante do seu papel na construção da criticidade dos indivíduos e o objetivo deste trabalho é compartilhar a experiência do projeto de extensão:“Geografia na vida: Refletindo sobre temas da Geografia e sua relação com a vida cotidiana”, utilizando de metodologias na elaboração de um Podcast com participação de alunos do Ensino Médio
Cartografia e ensino: do estabelecido ao possível
Ao considerar a amplitude de possibilidades dos sujeitos que compõem as identidades espaciais ao refletir sobre a existência juvenil, a Geografia enquanto ciência ativa na formação crítica individual e coletiva fornece linguagens engajadas na não neutralidade e desenvolvimento de um raciocínio geográfico que propiciam a compreensão da pluralidade de realidades e vivências. Neste sentido, a Cartografia age na autonomia dos estudantes no decorrer de seu processo de construção, leitura e atribuição de sentidos e subjetividades, propiciando discussões potentes no que diz respeito às práticas docentes e estudantis
Xenogênese como alegoria de um futuro pós-humano: intersecções de tecnologia e ciência na perspectiva de Octavia E. Butler
Focalizamos a trilogia literária Xenogênese, de Octavia E. Butler, autora de ficção científica, mulher negra que viveu em Pasadena, na Califórnia, epicentro do capitalismo tardio pós-fordista. Escrita no auge da expansão da indústria das ciências da vida, na década de 1980, a trilogia é formada por Despertar (2018 [1987]), Ritos de passagem (2019 [1988]) e Imago (2021 [1989]), e trata da origem do estranho, do desconhecido, do alienígena. Inscrita em um futuro pós-humano, explora temas de interesse da antropologia e da ficção científica, como a intrincada relação entre capitalismo, raça, gênero, deficiência e biotecnologia (DOWDALL, 2017), especialmente a alteridade enquanto ética da transformação ontológica da relação do humano com o não-humano, o inumano e o pós-humano (GOMEL, 2014). Sua personagem principal, Lilith Yiapo, desperta 250 anos após uma guerra nuclear ter devastado a Terra. Sob a guarda dos seres alienígenas Oankali, a protagonista tem a missão de despertar outros humanos sobreviventes da catástrofe e (re)povoar o planeta. Os oankalis são seres híbridos com tentáculos sensoriais, que viajam pelo espaço intergaláctico em busca de outros seres sencientes para a permuta genética necessária à sobrevivência da própria espécie, composta por machos, fêmeas e ooloi (nem macho nem fêmea); objetivam criar uma nova sociedade híbrida, de humanos e oankalis, os constructos. Todos têm a habilidade de decifrar a bioquímica genética, mas somente os ooloi podem manipulá-la para gerar descendentes. Nossa hipótese tem como base os estudos de Gomel (2014) e Dowdall (2017), que entendem a trilogia como uma narrativa sobre o processo de assimilação (neo)colonial, tecendo críticas ao capitalismo neoliberal norte-americano, em que a biotecnologia extrai o (bio)valor e o explora via seleção genética, reprodução humana, racismo científico e eugenia
O papel do diagnóstico psiquiátrico na construção do ideal de cidadão no Brasil a partir do Estado Novo até a reforma psiquiátrica
Partindo de uma análise histórica do contexto brasileiro em relação ao encarceramento e segregação às populações historicamente marginalizadas, o trabalho tem o intento de entender qual foi o papel dos diagnósticos no âmbito médico-psiquiátrico para a reverberação da patologização principalmente de pessoas negras e homossexuais e quais mudanças desde o Estado Novo até os debates no bojo da reforma psiquiátrica foram importantes para tais construções.
No início do século XIX, após o florescimento de ideias iluministas, acontecem mudanças significativas no pensamento científico brasileiro, seja por metodologias lombrosianas ou ideologias nazi-fascistas, principalmente no que tange ao fomento da ciência e da figura do médico como autoridade de análise da realidade. Neste período é consolidada a concepção de doença mental, com o modelo biomédico enquanto detentor do poder de definir quem são os sujeitos ideais para a sociedade a partir da cisão entre o normal e o anormal. Tal contexto é fundamental para os rumos da construção social e repressão no país, demonstrando que o saber científico não está apartado dos valores e relações de poder já presentes na sociedade. Desse contexto surgem os debates do código penal brasileiro e a lógica do confinamento psiquiátrico-policial, assim como a criação do diagnóstico do “louco moral” muito utilizado quando não havia provas suficientes para o isolamento do acusado em questão.
No contexto de inauguração do primeiro hospício brasileiro, aquilo que era entendido como prática assistencial em saúde mental se resumia a internações compulsórias nos manicômios, que cresciam e se expandiram pelo país com o avanço dos anos. Dados sobre internações em um recorte dentro deste período mostram que de 1941 a 1978 o número de leitos aumentou substancialmente, sendo maior parte deles leitos privados financiados pelo estado, ou seja, criou-se um mercado de internações psiquiátricas, em especial no período da ditadura militar.
Várias instituições manicomiais foram criadas no país, estas protagonizaram denúncias e relatos de abusos, maus tratos e degradação da integridade humana em suas mais variadas formas de expressão. É possível analisar, a partir de tais casos, o perfil das pessoas “tratadas” e quais diagnósticos foram acionados para justificar sua internação para controle social em cada contexto a partir de 1930 perpassando o Estado Novo, ditadura militar até os debates gerados no processo da Reforma Psiquiátrica no Brasil