Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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A utilização dos jogos na alfabetização cartográfica
Este trabalho consiste numa narrativa da prática pedagógica realizada em uma escola de Campos dos Goytacazes - RJ. As ações relatadas aqui compreendem tanto a prática docente como a receptividade dos discentes que são crianças de cinco a sete anos de idade, que cursam o primeiro ano do Ensino Fundamental I. Essa prática aparecerá como uma provocação à conscientização dos discentes sobre a sua orientação no espaço introduzindo as noções de lateralidade (direita, esquerda, cima e baixo/ norte, sul, leste e oeste) utilizando um tapete geográfico em forma de “Amarelinha” e o “Jogo do Quem/O quê?” que servira como um método avaliativo da percepção do aluno sobre o que foi visto em aula expositiva e durante a “Amarelinha”. Todos as dificuldades e sucessos deverão ser expostas ao longo da discussão, uma vez que se trata de uma turma onde poucos alunos receberam tais estímulos na Educação Infantil
O Imperialismo antes e depois da independencia do Haiti como uma das principais causas de subdessenvolvimento e da pobreza
O objetivo desta oficina será introduzir aos docentes da área de geografia e de toda a comunidade do Instituto de Geociências como o imperialismo atingiu o Haiti desde a época colonial até os dias atuais, tornando-se uma das principais causas do subdesenvolvimento e da pobreza do país
O Ensino da Geografia Através do Uso de Áudio Livros
O trabalho apresentado priorizou a pesquisa sobre uma metodologia de ensino no processo de inclusão escolar focalizando em estudantes com deficiência visual, com a finalidade de apresentar como recurso didático o áudio livro. Este recurso didático inovador tem a capacidade de proporcionar aos estudantes uma acessibilidade aos conteúdos didáticos através das respectivas gravações destes em áudio. A pesquisa optou pelo conteúdo didático abordado a disciplina escolar de geografia para gravação de áudio livros. O áudio livro pode ser utilizado como recurso condutor de conteúdos informacionais, didáticos, literários, conduzindo a acessibilidade no processo de ensino e aprendizagem, assim como, incentivando a leitura, resgatando leitores, podendo então, contribuir como recurso didático auxiliar a pratica docente
Dispositivos de conexão contínua como interface de comunicação geográfica
O ensino de geografia no Brasil apresenta diversas possibilidades de incorporação das TICs como interface de comunicação, associando uma diversidade crescente de linguagens e intersecções entre representações e novas possibilidades de comunicação. Este trabalho deriva de apresentação realizada durante uma disciplina do curso de licenciatura e busca exemplificar práticas que aliam representações e linguagens da Geografia e as TICs para aproximação do uso de mapas e representações cartográficas no ensino de geografia. Foi feito um vídeo no qual são expostas as possibilidades e os limites das representações de qualquer tipo em sala de aula, bem como elencadas algumas formas de aproximação dos meios de comunicação em massa com a linguagem cartográfica
Prisioneiras das Incertezas: mulheres nos arredores do cárcere enquanto operadoras de mercado e cuidado
Em diálogo com as atuais pesquisas em prisão que compreendem a instituição como produtora de múltiplos circuitos nos posicionamos em uma localização geográfica: o extremo oeste paulista; a fim de descrever a movimentação de mulheres visitantes de prisões masculinas, incorporadas na categoria nativa mulheres de presos, desde a óptica da sociologia dos mercados no que traz de reflexão referente à economia do cuidado. Por outro lado, a atual economia política do fenômeno do encarceramento em massa dialoga com as premissas referentes aos mercados contestados colocando em circuito objetos e relações passíveis de controvérsias morais. O argumento neste artigo, seguindo de perto Zelizer, é o de que o apelo ao cuidado opera o elemento que dá significado à circulação de mulheres e os bens que as acompanham nas dinâmicas de mercantilização nos arredores do cárcere
Tecnoestética da precisão: investigação sobre a agência das imagens técnicas na agroindústria
Este trabalho propõe uma investigação sobre a agência das imagens técnicas, no desempenho da agricultura de precisão. As imagens às quais nos referimos são renderizações de dados obtidos por meio de instrumentos de sensoriamento remoto, que buscam descrever quantitativamente os processos físicos e biológicos que envolvem a prática agrícola. No entanto, a circulação destas imagens não se restringe aos ambientes de desenvolvimento e cultivo, sendo comum observá-las em comunicações públicas. A compreensão da agência destas imagens é fundamental para a definição do que denominamos efeito de precisão, ou seja, o produto da ação-rede, materialmente heterogênea, que caracteriza o desempenho da agricultura de precisão. Pretendemos abordar estas imagens a partir do conceito de tecnoestética em Gilbert Simondon, a fim de explorarmos os efeitos da associação com estas imagens. Procuramos argumentar que as imagens técnicas produzidas no âmbito da agricultura de precisão são elementos disparadores de uma intuição perceptiva, com implicações na resolução de problemas dentro deste cenário. Buscaremos relacionar este sentimento tecnoestético com a construção de uma objetividade pretensamente neutra, mas notadamente comprometida com o projeto de escala do agronegócio. Neste sentido, estas imagens são concretizações da ideia de precisão. Produzidas a partir do tratamento algorítmico sobre dados coletados por sensores, elas operam um regime de individuação do conhecimento sobre o mundo, que padroniza as interações em proveito da expansão de um projeto de escala predeterminado, pautado pela eficácia e a eficiência. Mais do que tornar visível fenômenos imperceptíveis aos órgãos de sentido, estas renderizações tornam real uma interpretação específica do mundo. Sua objetividade transforma aquilo que é suposto em algo que é preciso, transforma previsão em predição. Em outras palavras, o processo que produz estas imagens busca tornar real a sobreposição do projeto de escala, próprio do agronegócio, sobre a não-escalabilidade que permeia as culturas agrícolas. As implicações da resolução desta tensão são determinantes não apenas para o coletivo envolvido com a produção, mas para toda a coletividade afetada pela agroindústria
Política e tecnicidade dos mapas: sobre o mapeamento participativo em três terras indígenas da Bacia do Rio São Francisco
A Política Nacional de Gestão Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI) proporcionou experiências de mapeamento que revelam o alcance político dos mapas como elementos técnicos. Este trabalho se debruça sobre três experiências de mapeamento de TIs no NE: povos Xocó, Pankararu e Xacriabá. Mediante o conceito de tecnicidade de G. Simondon, o trabalho examina como as experiências mobilizam sentidos e afetos desses povos, apropriando-se do mapeamento e atribuindo-lhe teor político, mostrando como mapas são elementos técnicos que expõem com símbolos as significações do território, conjugando inscrição e tecnicidade. As experiências estudadas revelam como essa conjunção faz do mapa um instrumento de atuação política, realçada pela inserção em conflitos subjacentes. Dois regimes de inscrição e significação são contrapostos no mapa: os pontos-chave dos povos indígenas e os potenciais de exploração do capital. Cada um deixa marcas no registro do território. Mapas desenhados à mão precedem as imagens orbitais por apresentarem o território sob a inscrição dos usuários originários, e são postos em simetria com as imagens. Diferentes linhagens técnicas convergem nesses processos, obtendo resultados de teor político e auxiliando os indígenas na luta pela terra: o mapa é ferramenta de transformação/planejamento e também de sedimentação e estabilização
ÁREAS PROTEGIDAS: EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONCEITUAL E SEUS SIGNIFICADOS NA AGENDA AMBIENTAL GLOBAL DO SÉCULO XXI
Ao longo da história, alterou-se os objetivos de criação e a consolidação do conceito de áreas protegidas. Esse processo vinculou-se principalmente às mudanças nas percepções sociais em relação à proteção da natureza e influenciou na criação de áreas protegidas em diversas partes no mundo, como no Brasil, que conseguiu estabelecer seu próprio sistema de áreas protegidas. A partir de um conjunto de encontros internacionais com discussões mais aprofundadas associadas ao meio ambiente e aos impactos antrópicos sobre ele, as áreas protegidas passaram por uma ressignificação em uma agenda ambiental global, de forma a ser um caminho para lidar com os cenários de eventos climáticos extremos. Devido a isso, o trabalho propõe realizar uma discussão teórico-conceitual acerca da evolução do conceito de áreas protegidas e seu histórico de criação internacionalmente e no Brasil, a fim de se entender como essas áreas são vistas na atualidade. Essas discussões possibilitam maior compreensão sobre os valores associados às áreas protegidas e como a humanidade tem lidado com elas, de forma a possibilitar novas visões e alternativas no contexto das mudanças climáticas globais
A QUESTÃO DA REPRESENTAÇÃO VISUAL EM GEOGRAFIA: UM BREVE COMENTÁRIO SOBRE AS IMAGENS E OS IMAGINÁRIOS
Este artigo tem como objetivo discutir a questão da representação visual em estudos culturais na geografia e suas implicações teórico-metodológicas e conceituais, por meio de uma breve exposição de algumas de suas principais problemáticas e conceitos e termos que se articulam analiticamente ao de representação, como imaginário – que constrói e antecede representações de todo tipo, e imagens – num sentido amplo. Tal discussão justifica-se no fato de aproximar dois campos da vida social que são frequentemente tomados separadamente, o cultural e o político. Defende-se que a análise de fenômenos derivados das relações de (re)produção da vida no espaço, especialmente no campo político, deve levar em conta também a dimensão simbólica e imaterial, pois estas são indissociáveis em qualquer interpretação. Além disso, a discussão é tecida tendo em vista a história do pensamento geográfico e a contemporaneidade, na qual as imagens e representações visuais possuem estatuto singular. Por fim, compreende-se o papel das imagens, dos imaginários e de suas representações enquanto processos culturais, isto é, formados pelas relações socioespaciais, e que são ao mesmo tempo agentes ativos na construção e constituição do real, intrinsecamente conectados aos diversos aspectos da vida, e capazes de mapear cognitivamente os imaginários sociais, políticos e geográficos
UMA ANÁLISE METODOLÓGICA SOBRE UM PLANO AMBIENTAL DE CONSERVAÇÃO E USO DO ENTORNO DE RESERVATÓRIO ARTIFICIAL (PACUERA)
Na virada do século XXI o Conselho Nacional do Meio Ambiente trouxe a Resolução nº 302 (2002), que traçou parâmetros, definições e limites para Áreas de Preservação Permanente (APP), e institui-se também o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno de Reservatórios Artificiais (PACUERA). Uma leitura atualizada dos conceitos intrincicos a esta Resolução, indica um claro objetivo de promover melhoria na qualidade dos Serviços Ecossistêmicos destas bacias hidrográficas impactadas por barragens. Contudo não foi estabelecido até aqui nenhum tipo de padrão metodológico, o que possivelmente justifica a baixa taxa de aprovação e implementação destes Planos por parte dos órgãos ambientais. Neste trabalho será analisada a metodologia de um PACUERA, buscando compreender os meios que se atingem os zoneamentos deste tipo de Plano, com objetivo de angariar argumentos e análises para elaboração de um método que seja eficaz e padrão para todo o território brasileiro