Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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As políticas curriculares e a autonomia docente: do Currículo Oficial do Estado de São Paulo à Base Nacional Comum Curricular
Diante da reforma educacional pretendida com a Base Nacional Comum Curricular, este trabalho compara as concepções de autonomia docentes trazida por esse documento em relação ao Currículo do Estado de São Paulo, caracterizado pelas controvérsias e polêmicas em relação a sua elaboração e uso, principalmente no que diz respeito a ausência da participação dos professores da rede em sua formulação, que mostra que para a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo a escola foi desconsiderada como instituição capaz de produzir conhecimento e cultura, jogando nos professores da rede a culpa pelo fracasso escolar no estado, alegando que a independência construída pelas e nas escolas anteriormente a essa reforma não foi positiva para a qualidade de ensino e por isso se faz necessário o currículo prescritivo em questão, a fim de garantir aos mais de 4 milhões de estudantes da rede paulista estadual de ensino uma base comum de conhecimentos e competências a fim de melhorar a qualidade da educação paulista, o que de fato não aconteceu. Dessa forma, sob o argumento já generalizado sobre a falácia do currículo planejado de forma homogênea para a população, seja de um país ou de um estado, a Base Nacional Comum Curricular traz sinais de descentralização do currículo associada à autonomia escolar e do professor, reconhecendo os diferentes contextos e as diferenças sociais e culturais que compõem o Brasil, abrindo espaço para a mediação local, por meio das escolas e professores. Porém, veremos que apesar dos novos discursos, tal descentralização e autonomia são postas de forma ambígua e contraditória, camuflando o controle por parte das administrações públicas que ainda permanece
Os sentidos urbanos e a juventude: uma experiência de prática pedagógica em Geografia a partir da criação de um laboratório de pesquisa no Colégio Pedro II – Rio de Janeiro/RJ
O presente trabalho versa sobre um breve relato da trajetória de pesquisa em Geografia do LabSUJu (Laboratório de Sentidos Urbanos e Juventude), criado no final de 2014 no Colégio Pedro II do bairro de Realengo, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Nossa atual linha de pesquisa chama se “(Re) cartografias urbanas: um atlas da cidade aos olhos da juventude suburbana”. Nossa primeira proposta de trabalho é uma tentativa de construção de um outro olhar sobre o urbano diferente da visão tradicionalmente encontrada nos atlas escolares. O presente artigo, neste sentido, busca trazer uma discussão, em caráter preliminar, dos objetivos, metodologia e de alguns resultados preliminares já alcançados pelo grupo de pesquisa
Experiências com cinema e educação em um período que é uma crise
O artigo traz ao leitor a reflexão realizada a partir de duas experiências com cinema e educação vivenciadas com alunos de classe média e baixa paulistana. Ambas propostas foram realizadas como atividades extracurriculares, nas quais os alunos eram incentivados a serem protagonistas na expressão cinematográfica. A primeira, realizada no ano de 2010, como piloto do programa “Vídeo na Escola”, resultado de uma parceria entre o Instituto Criar de Cinema TV e Novas Mídias e a Secretaria Estadual de Educação para o programa Escola da Família. O segundo, foi realizado nos anos de 2014 e 2015, como disciplina eletiva para o último ano do Ensino Fundamental II em escola particular da zona sul da capital paulista. As atividades citadas são apresentadas como exemplos de “aberturas para testemunhar e inventar experimentações escolares”, conforme propõe Oliveira (2016). Interpretado por Santos (2001) como um período que é uma crise, vivenciamos como professores diferentes pressões que nada mais são do que manifestações dos conflitos entre as verticalidades que tentam se impor de forma universal (currículos, metas, índices) aos lugares de cada escola e as resistências (indisciplina, violência, falta de material e estrutura) daqueles que vivem as rugosidades do território. O professor é um dos sujeitos desta dialética. Se assumir unilateralmente qualquer um dos lados, ou correrá o risco de perder seu emprego ou tornará autoritária e insustentável sua presença em sala de aula. Assim, pensar o cinema como linguagem a ser explorada pelos alunos tanto quanto a sua análise atualizam o método dialógico, instrumentalizando tecnicamente os jovens para um mundo em que a informação é elemento fundamental, bem como teoricamente para compreenderem e superarem as contradições entre o que lhes é prometido pela sociedade e o que é vivido no lugar
Mostra científica aplicada ao ensino-aprendizagem de Geografia Física nos anos Finais do Ensino Fundamental
Este artigo visa abordar alternativas para a melhoria no ensino de Ciências nas aulas de Geografia Física a partir da Mostra científica de solos. A metodologia desta pesquisa desenvolve-se três etapas: pré-mostra, mostra e pós-mostra através de uma sequência de stands nomeados por: minerais e rochas, intemperismo e erosão, Pedogênese e atributos morfológicos e atividades lúdicas; realizada no IF Baiano – Campus Santa Inês. O trabalho contemplou 19 alunos, dos anos Finais do Ensino Fundamental e uma professora de geografia. Para aferir os conhecimentos prévios e adquiridos realizaram-se entrevistas, observação do comportamento dos alunos durante o evento e aplicação de questionários objetivos antes e depois da mostra. Conclui-se que a atividade estimulou estudantes e professora, os quais denotaram, através de um questionário, relatos espontâneos e entrevistas a importância da atividade para a sensibilização da comunidade escolar, para o ensino e consolidação de conceitos e processos ambientais, bem como para a compreensão das distintas configurações do espaço geográfico. Por fim, é necessário alertar para a necessidade de trabalhar os conteúdos referentes aos solos na escola básica brasileira, sendo importante a inserção de conteúdos e suporte no livro didático, bem como melhorar a capacitação dos professores
Reflexões sobre o uso de narrativas digitais como recurso formativo no estágio em Geografia
As narrativas apresentam-se como importante recurso formativo nos momentos de estágio na formação docente. Esta como forma de organização do processo de aprendizagem, permite tecer reflexões, sistematizar ideias sobre nossas ações e práticas pedagógicas e assim, criar identidades e significados. Dentre as formas de reprodução de narrativas, as digitais vêm se caracterizando como valioso modelo de produção autobiográfica, estes se apropriam de mecanismos tecnológicos e audiovisuais, oferecendo diferentes recursos para sua criação e divulgação. O objetivo deste trabalho é demonstrar como as narrativas vêm influenciando em nosso processo de formação docente, partindo da sistematização de leituras, discussões e experiências ao longo da disciplina de Estágio Supervisionado de Geografia I, para isso, serão utilizados fragmentos de nossas narrativas digitais realizadas ao decorrer da disciplina
Interdisciplinaridade: uma prática para a compreensão da questão indígena
Este trabalho tem o objetivo de apresentar uma reflexão a respeito da interdisciplinaridade como estratégia pedagógica para promover aprendizagens de estudantes de Ensino Médio a respeito da questão indígena no Brasil. É um relato das práticas desenvolvidas por professores do IFSP (Campus Bragança Paulista) com alunos do Ensino Médio Integrado no primeiro semestre de 2018. No texto, apresentamos a forma como praticamos a interdisciplinaridade em Geografia, Artes4, Língua Portuguesa e as atividades desenvolvidas durante a III Semana da Diversidade, onde a questão indígena foi abordada com múltiplas abordagens sobre identidade, cultura e território com a participação de professores universitários, pesquisadores, lideranças indígenas e grupos artísticos
O ensino de climatologia sob uma abordagem dinâmica: considerações sobre documentos educacionais normativos
A disciplina de Geografia, componente curricular obrigatório na Educação Básica, abarca diferentes conteúdos em seu escopo, desde a escala local, que remete à realidade imediata do aluno, até a escala global. Aproximar essas escalas é um desafio, em especial no que se refere a alguns temas geográficos específicos, a exemplo da climatologia. Em oposição à climatologia estática, aquela que convencionou-se chamar de climatologia dinâmica visa compreender o clima como resultado da sucessão de tipos de tempo, oriundas da interação de fatores e elementos climáticos, materializados na circulação atmosférica. Para compreender como este tema tem sido abordado no ensino básico, é necessário atentar para como os documentos educacionais normativos estruturam os conteúdos de Geografia ao longo das séries e anos do Ensino Fundamental e Médio, bem como as orientações para o trabalho dos temas. Com este mote, o presente trabalho tem por objetivo analisar como a Climatologia está presente nos currículos da Educação Básica a partir das políticas públicas educacionais, compreendendo as temáticas a serem discutidas bem como as habilidades e competências a serem exploradas. Para tanto, foram explorados a Base Nacional Comum Curricular, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e o Currículo Mínimo de Geografia produzido pela Secretaria de Estado de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC). Como resultados parciais, contatou-se que o ensino de Climatologia está concentrado nos currículos do 6º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio. Percebeu-se as orientações para abordagem dinâmica do clima, superando a superficialidade da descrição e classificação. Os textos dos documentos oficiais foram associados a referências bibliográficas acerca do ensino de Geografia e, mais especificamente, da climatologia, em que se constatou um descompasso entre o que é afirmado pelos documentos e a prática. A pesquisa é desenvolvida no âmbito do projeto “Climatologia para Todos”, do Instituto de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e encontra-se em estágio inicial. Como encaminhamentos futuros, pretende-se organizar questionários a serem aplicados com professores de Geografia da Educação Básica sobre a prática de ensino em sala de aula e o processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos de Climatologia
Formação docente para Ensino de Geografia nos anos iniciais: considerações sobre a matriz curricular do Curso Normal no estado do Rio de Janeiro
O presente trabalho tem por objetivo abordar como a Geografia se insere no currículo e nas políticas educacionais que regem o Magistério de nível médio, denominado na rede pública do estado do Rio de Janeiro como Curso Normal. Pretende-se identificar as habilidades e competências dispostas no Currículo Mínimo de Geografia, elaborado pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC), em 2012. Serão analisados também os currículos de Práticas Pedagógicas e Iniciação à Pesquisa e Laboratórios Pedagógicos, a fim de investigar como os saberes geográficos são trabalhados no âmbito da formação profissional específica. A pesquisa se justifica pela importância de estudar a formação docente inicial, em especial aquela que é direcionada à atuação nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Vale ressaltar que um único professor é responsável por trabalhar o conjunto de áreas do conhecimento, o que demanda uma formação docente completa, que abarque os conteúdos específicos das disciplinas e suas metodologias de ensino. Tal formação permitiria ao profissional trabalhar a Geografia de forma mais dinâmica, a partir de uma abordagem processual, lançando mão de recursos inovadores para além das práticas tradicionais difundidas. Nesse sentido, o Curso Normal, um dos meios de formação para atuação na primeira etapa do Ensino Fundamental, pode ser um campo de estudos válido no sentido de identificar lacunas e demandas nesse processo. Os procedimentos metodológicos consistiram na investigação das políticas educacionais de nível estadual que normatizam a oferta do Curso Normal no Estado do Rio de Janeiro. Foram analisados outros documentos de abrangência nacional que regulamentam a modalidade, além da leitura da Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). Os Currículos Mínimos elaborados pela SEEDUC ofereceram subsídios para compreender como estão dispostos os conteúdos de Geografia no Ensino Médio, bem como as habilidades e competências a serem desenvolvidas. Foram identificadas lacunas no que se refere ao ensino de Geografia no Curso Normal, entre eles: a ausência da disciplina da grade curricular do 3º ano; a ausência de carga horária específica para práticas de ensino de Geografia; e o não direcionamento de carga horária de estágio supervisionado para observação, coparticipação ou regência em aulas de Geografia
A África na Geografia Escolar: algumas proposições
Com base na “perspectiva africanista interna”, apresentaremos algumas possibilidades de abordagens da África na Geografia escolar e acadêmica no processo de ensino e aprendizagem
O trabalho de campo como promotor de uma educação e conhecimento contextualizados e particip(ativos): o caso da E.E. Dr. Newton Oppermann, Campinas (SP)
O processo de ensino-aprendizagem de conteúdos ligados ao escopo das Geociências, seja no Ensino Fundamental, Médio ou Superior, apresenta-se como desafiador na prática docente, notadamente quando o que se pretende é auxiliar na promoção de uma visão ampla de Ambiente, cujos elementos naturais e antrópicos que o compõe, sejam apreendidos em suas relações e interdependências, visto que, visões fragmentadas do mesmo, terminam por culminar nas tão proclamadas Questões Ambientais. Neste sentido, objetiva-se desenvolver uma metodologia calcada no ensino/aprendizagem contextualizadas (Pedagogia Crítica do Lugar/Ambiente) tendo, para tanto, o trabalho de campo como o fio condutor das práticas e reflexões. Assim, é na E.E. Dr. Newton Oppermann que se pretende desenvolver este estudo, a mesma pertence ao Distrito do Campo Grande, no município de Campinas (SP), inclusa numa importante Bacia Hidrográfica, a do Córrego do Piçarrão, altamente urbanizada e com consideráveis problemas de ordem socioambiental. Por fim, espera-se promover junto aos alunos, professores e coordenadores, mecanismos de ensino/aprendizagem que culminem na conjunta produção de conhecimentos contextualizados