Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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O cristal, o ferro e o sal: recursos minerais do antigo Guairá (1557-1632), atual estado do Paraná
The current research deals with the importance of mineral resources to the success and failure of the spanish colonization at the ancient Guairá. The Guairá, currently Paraná state, was a former spanish province that belonged to the colonial Paraguay. The spanish villas and Jesuitical Reductions were destroyed by the paulistas, in 1629-32. The search for metal ore was important at the Guairá’s settlement, just as in other regions of the Spanish America. The metals were virtually absent, and the spaniards had explored Yerba mate (Ilex paraguaiensis) as economical resource. The main mineral resources at that time were amethyst and iron. The jesuits also reported the existence of salt deposits in Guairá. The amethyst ore provoked a rebellion in Ciudad Real del Guairá in 1569. The iron was exploited from laterite by the spaniards and Jesuitic’s Reductions. The former siderurgical experience of the spaniards was important for the incipient iron industry developed. The absence of precious metal resources and the paulistas dispute for native’s labour took the evacuation of the Guairá by spaniardsA presente pesquisa trata da importância dos recursos minerais no sucesso e no fracasso da colonização espanhola no antigo Guairá. O Antigo Guairá, hoje território do estado do Paraná, era uma província espanhola pertencente à órbita do Paraguai colonial. As cidades e reduções jesuíticas foram destruídas pelos paulistas e desocupadas pelos moradores entre 1629-32. Nos primórdios da ocupação do antigo Guairá predominaram os interesses na procura de metais, importante para consolidar a ocupação espanhola na América. Na ausência destes, optou-se pela exploração da erva-mate. Os principais recursos descobertos pelos espanhóis na região foram ametista e ferro. Os textos dos jesuítas também relatam a presença de depósitos de sal na região. A ametista gerou uma revolta em Ciudad Real Del Guairá em 1569. O ferro, proveniente de lateritas, foi explorado pelos espanhóis e pelos jesuítas em suas missões. A experiência anterior dos espanhóis foi decisiva para esta incipiente cultura do ferro. A ausência de recursos minerais preciosos e a disputa da mão-de-obra indígena com os paulistas levaram à desocupação do territóri
Subductar jamais!
Este é um pequeno manifesto em prol da beleza da nossa querida língua portuguesa. Querida sim, mas nem sempre íntima. Chamamos atenção para um neologismo crescentemente empregado na literatura geológica brasileira referente à subducção, fenômeno geodinâmico em que uma placa litosférica afunda à velocidade de centímetros por ano, rumo ao interior terrestre sob outra placa que permanece à superfície. Ou melhor, subdução, conforme a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa em vigor desde 1º de janeiro de 2009.Como a subdução é um processo fundamentalmente ligado à formação da crosta terrestre, da hidrosfera, da atmosfera e da própria vida, o termo aparece com grande frequência na nossa literatura científica. Entretanto, a grafia mais usual tem sido o infinitivo subductar e o particípio passado subductado, em decorrência do aportuguesamento do vocábulo inglês “to subduct” (e “subducted”).Ora, tal importação direta é desnecessária, pois o radical “duct” vem diretamente do latim, mãe da língua portuguesa, e aparece em vários similares de uso corrente trazendo a noção de fluxo (por um duto, por exemplo, mas não necessariamente), Apenas trocando o prefixo “sub” por outro, podemos por exemplo conduzir, aduzir, traduzir ou até mesmo seduzir. Portanto, nada mais natural conjugarmos o verbo subduzir da mesma forma.Companheiros, subdução sim! “Pero sin jamás” subduzirmos perante armadilhas linguísticas
Minerais e pedras preciosas do Brasil
Este livro, publicado simultaneamente em duas línguas, Português e Inglês, resulta, antes de tudo, da paixão por minerais nutrida por seus autores, um geólogo e um jornalista, que empreenderam vasta pesquisa, ao longo de muitos anos, somando-a com a experiência acumulada no trabalho e nohobby. E é claro que seu público primordial são aqueles, profissionais ou leigos, que compartilham do fascínio por minerais e gemas. Porém, o livro certamente será de interesse e utilidade para um público mais amplo, devido a suas características.A primeira delas é a indiscutível qualidade gráfica, garantida pelo patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce: o livro todo foi impresso em papel brilhante, com enorme quantidade de fotos, mapas e reproduções de gravuras. De fato, os minerais e gemas aí aparecem em toda a sua exuberância e há imagens de tirar o fôlego. A segunda característica relevante é a abrangência espacial e temporal, que no caso encontram-se inter-relacionadas. Cornejo e Bartorelli partem da premissa, bastante correta, de que os minerais sempre estiveram presentes na vida das sociedades e civilizações. Assim, abrem o livro com capítulos dedicados ao período pré-colonial: “A arte lítica dos índios do Brasil”, “Os ídolos e estatuetas dos sambaquis”, “Objetos de arte lítica, ritual, artística e ornamental”, e “Muiraquitã, a misteriosa pedra das Amazonas”. Em todas as situações, sempre identificam as rochas e minerais brasileiros que foram utilizados.O livro segue, adotando a linha cronológica, e passa a abordar com bastante detalhe o trabalho de José Bonifácio d’Andrada e Silva como mineralogista, além de outros naturalistas dos séculos XVIII e XIX, com ênfase nos estrangeiros que por aqui passaram ou aqui se estabeleceram por algum tempo, como o Barão von Eschwege ou Claude-Henri Gorceix. As informações gerais seguem atualizadas até o presente, destacando alguns museus de fácil acesso e que exibem boas coleções, a saber: o Museu Nacional, o Museu de Ciências da Terra (ambos na cidade do Rio de Janeiro), o Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas de Ouro Preto (em Minas Gerais), o Museu de Geociências do Instituto de Geociências da USP e o Museu Geológico Valdemar Lefèvre do Instituto Geológico de São Paulo (estes últimos situados na cidade de São Paulo). Ao final desta parte, um ponto alto: os itens consagrados às espécies minerais descritas no Brasil e, dentre estas, as que se encontram desacreditadas, são variedades ou sinônimas, numa oportuna atualização das decisões da IMA (International Mineralogical Association) a respeito.Uma segunda parte, se assim podemos chamar, que ocupa os restantes cinqüenta por cento das páginas, passa a apresentar os minerais brasileiros segundo a classe a que pertencem: elementos nativos e ligas, sulfetos, haletos, óxidos e hidróxidos, carbonatos, sulfatos, fosfatos e arsenatos e, finalmente, silicatos e suas subclasses. Em todos os capítulos, a abordagem histórica se mantém, assim como uma listagem e apresentação das principais jazidas e garimpos de onde se extraíram esses minerais e gemas.Em obra tão abrangente e detalhada, lamenta-se apenas a desatualização das fontes históricas utilizadas. Há já cerca de 25 anos a produção sobre a História das Ciências da Terra, particularmente da Geologia, vem crescendo com vigor e qualidade, com muitas dissertações e teses defendidas, livros e artigos publicados em boas revistas que estão disponíveis on-line. Uma consulta a esse material evitaria equívocos, como, por exemplo, a afirmação de que Bonifácio foi colega de turma, na Academia de Minas de Freiberg, de Alexander von Humboldt e de Wilhelm von Eschwege, pois o primeiro já havia saído quando de sua chegada e o segundo jamais estudou lá, mas sim em Clausthal. Mas nada que uma futura edição, para a qual seguramente haverá grande demanda, não possa dar conta
Rumos da educação nacional e formação de geocientistas
Investimentos em educação e desenvolvimento tecnológico são essenciais para aprimorar os padrões de bem-estar social de um povo, quer pela garantia de suprimento de recursos naturais, planejamento de uso da terra ou prevenção para conviver com o risco, quer para formar cidadãos aptos a construir e manter a democracia. Isso implica o desafio de formar geólogos que saibam mobilizar seu conhecimento técnico específico para resolver problemas econômicos e tecnológicos e, de outro, tenham capacidade e sensibilidade para pesar aspectos culturais e afetivos que ligam o povo ao local onde vive.Houve, nos últimos anos, expansão dos cursos de Geologia, apoiada em políticas bem-sucedidas de fortalecimento do ensino público superior que não estão porém isentas de críticas e reparos, sobretudo diante das agudas carências de recursos materiais e financeiros. São cursos duplamente penalizados: dependem de altos investimentos em atividades práticas de laboratório e campo, e precisam atrair professores muito disputados por organismos públicos e privados, especialmente no caso de profissionais mais experientes.É difícil questionar o aparato, apoiado em fundos sociais, que reivindica melhorar os níveis educacionais e expandir o vínculo escolar dos jovens. Garantem-se benefícios legais às famílias que mantiverem filhos na escola. A educação básica, apoiada em recursos pulverizados nos estados e municípios, tornou-se obrigatória. Neste País, um jovem de 16 anos pode votar, em outros países pode guiar carros, mas foi proibido de dizer: não quero estudar. A lei obriga o governo a manter um enorme programa de livro didático, que adquire dezenas de milhões de exemplares anuais. A lei obriga o governo a garantir transporte dos alunos para escolas. Mas a lei nada diz sobre condições dignas de vida e aperfeiçoamento de professores.Os professores são responsáveis por conduzir um ensino que garanta a aprendizagem. Identificar problemas do currículo escolar deveria ser a prioridade dos exames de avaliação do ensino médio, mas as provas deixaram em segundo plano esse papel, e passaram a constituir critério de ingresso no ensino superior, em lugar do vestibular. Do cuidado exacerbado com a avaliação emergem indicadores objetivos dos melhores e piores colégios; algumas escolas privadas montam curiosa estratégia de marketing: fazem ofertas atraentes aos melhores alunos, para depois divulgar suas boas notas. Educação e saber transformam-se, uma vez mais, em serviço e mercadoria. Subverte-se o rigor que conduz à aprendizagem de conteúdos e atitudes pelo critério técnico para medir e avaliar o rendimento individual com precisão “cirúrgica”. São escolhas repletas de contradições, até mesmo porque a qualidade do ensino pouco melhorou.Professores de ensino médio precisam sempre atualizar-se em atividades práticas e formular novas idéias para aulas. Este número de Terræ Didatica continua a publicar experiências práticas testáveis e replicáveis. O artigo de abertura, em formato bilíngue, foi adotado na oficina didática GIFT (Geophysical Information for Teachers), realizada pela American Geophysical Union, durante o “2010 The Meeting of the Americas”, em Foz do Iguaçu, agosto de 2010. O texto aborda o uso prático de dados de satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). No curso, apresentaram-se resultados de pesquisas relacionadas a chuva, rochas e solos, com ênfase em sensoriamento remoto.Em 2010 Terræ Didatica inicia nova etapa: dois números comporão o volume 6, atingindo-se periodicidade semestral. O material em avaliação ou já aprovado é suficiente para finalizá-lo. Fazemos, pois, chamada de trabalhos (call for papers) para o volume de 2011.Os demais trabalhos incluídos neste número iluminam aspectos variados das Ciências da Terra; procuramos, assim, apoiar o esforço de educadores e estudantes em sua constante busca por novos conhecimentos e saberes
O trabalho do paleontólogo Frederico Waldemar Lange (1911-1988) no Museu Paranaense entre 1941 a 1951
The archives of the paleontologist Frederico Waldemar Lange (1911-1988) has been source for many studies related to Geosciences History. The pathway of this self-taught researcher, world-wide known by his scientific work, is deeply related with the 20th century thought. Lange worked on the Museu Paranaense during the years 1941-1955, and his work represents a mark in the History of Brazilian Paleontology. He iniciated his scientific career as an assistant on the geology section, reaching the position of director later. Lange published fourteen papers during this period in the Museu Paranaense, that focused mainly on the devonian fossils of the Paraná State. Until nowadays his work continues to contribute to scientific and historical research.O arquivo do paleontólogo Frederico Waldemar Lange (1911-1988) tem sido fonte de muitos estudos relacionados à história das Geociências. O caminho trilhado por este pesquisador autodidata, reconhecido mundialmente por seu trabalho científico, está profundamente relacionado com o pensamento vigente no século XX. Lange trabalhou no Museu Paranaense durante os anos de 1941 até 1955, e suas pesquisas representam um marco na História da Paleontologia brasileira. Ele iniciou sua carreira científica como assistente da Seção de Geologia e chegou a exercer mais tarde o cargo de Diretor. Lange publicou quatorze trabalhos durante este período no Museu Paranaense, trabalhos que enfocavam principalmente os fósseis devonianos do Estado do Paraná. Até hoje seu trabalho continua a contribuir para pesquisas científicas e históricas
Abordagem da escala espacial no ensino-aprendizagem do relevo
This paper presents some possibilities to teach relief at the level of Junior High Schools, from the perspective of typical landforms. The landforms can be presented in different scales. Taking the relief of Belo Horizonte as example, we start from a local landform analysis to a regional one, hitting a more abstract level to understand the concept of relief. The proposal explores geomorphological concepts involving visual language by the use of oblique photographs for local scale, elevation terrain models and maps for regional scale, for teaching and learning of geomorphologyO objetivo principal deste artigo é o de apresentar proposta de abordagem do relevo na escola básica sob a perspectiva de suas formas típicas e apresentadas em diferentes escalas. Tomando como referência o relevo de Belo Horizonte, inicia-se pela escala local das formas (ou seja, do concreto), para a escala regional, atingindo assim os níveis mais abstratos de compreensão do relevo. A proposta explora conceitos geomorfológicos e envolve a linguagem visual mediante o uso de fotografias oblíquas para a escala local e modelos digitais de terreno e mapas para representar a escala regional no processo de ensino e aprendizagem da geomorfologi
TRMM: Trazendo o sensoriamento remoto de precipitação para sua sala de aula
Geosynchronous and polar-orbiting environmental satellites have provided valuable data about our planet for more than 50 years. The Tropical Rainfall Measuring Mission (TRMM) satellite monitors clouds, precipitation, and other aspects of the water cycle between 35 degrees North and 35 degrees South. TRMM’s imagery collection provides a vast array of resources that can be used to create lessons and facilitate authentic science research by students.Satélites geossíncronos ambientais de órbita polar fornecem dados importantes sobre nosso planeta há mais de 50 anos. O satélite tropical de medição de precipitações (TRMM na sigla em Inglês) monitora nuvens, precipitação e outros aspectos do ciclo da água entre 35 graus de latitude norte e 35 graus sul. A coleção de imagens TRMM oferece vasta gama de recursos que podem ser usados para criar aulas e para proporcionar, de modo autêntico, investigação científica pelos alunos
Investigación y educación ambiental: integración del conocimiento ecológico y del espacio geográfico en la costa del Río de la Plata, Uruguay
INVESTIGATION AND ENVIRONMENTAL EDUCATION: INTEGRATION OF THE ECOLOGICAL KNOWLEDGE AND THE GEOGRAPHIC SPACE AT THE COAST OF THE RÍO DE LA PLATA, URUGUAY.Facing the global recognition of an installed environmental crisis, Environmental Education (EA) arises as an engaged area for solving environmental problems. This is indispensable for a social transformation to revert problems towards a sustainable development. Environmental subjects require from science a bigger attention of extra-scientific elements implicit in the goals of knowledge and conservation of ecosystems, incorporating new dimensions that transcend, and may be cross-linked with, the scientific framework, and shared by society. In this work, we connect scientific results with educational proposals. These will be offered to the community through an educational portal online, being a new form of presenting and of broadcasting the scientific knowledge contributing to the environmental teachingFrente al reconocimiento global de una instalada “crisis ambiental”, surge la Educación Ambiental (EA) como una de las áreas comprometidas en la resolución de problemas ambientales. Siendo indispensable para una transformación social con la cual revertir la problemática y transitar hacia un desarrollo sustentable. El tratamiento de las temáticas ambientales requiere por parte de la ciencia una mayor atención a elementos extra-científicos que se encuentran implicados en las metas del conocimiento y conservación de los ecosistemas, incorporando nuevas dimensiones que transciendan lo científico y que puedan ser interrelacionadas con, y compartidas por la sociedad. En particular, la ecología, como ciencia, permite abordar la problemática ambiental a través de sus diferentes escalas de análisis y consigue permear a través de la EA aportando en el manejo ambiental y la conservación. El presente trabajo plantea nuevas propuestas educativas basadas en los resultados obtenidos de una investigación científica. Éstas se ofrecerán a la comunidad a través de un portal educativo online generando una nueva forma de presentar, transponer y difundir el conocimiento científico; conocimiento que pretende contribuir a la enseñanza ambienta
Actividades lúdico-práticas no ensino da Geologia: complemento motivacional para a aprendizagem
PLAYFUL AND PRACTICAL ACTIVITIES IN GEOLOGY TEACHING: MOTIVATIONAL COMPLEMENT FOR LEARNING It’s unanimous that the teaching of Geology, in the training of individuals, should not limit itself to its scientific features. It is also essential to invest in its formative character since the lowers levels of teaching. The lack of research in this area justifies this investigation, which intended to evaluate the advantages in the application of playful and practical activities as strategic complements. They act as facilitator’s elements in Geology teaching and learning processes. The research methodology adopted was Research & Development with the aim to develop, implement and evaluate two recreational and practical activities. These ones were applied to 71 students of a portuguese public school. Data collecting instruments were elaborated, such as questionnaires and observation reports. The evidences showed that playful and practical activities are valuable strategic complements in the processes of teaching and learning, allowing us to advocate more time and space for them in the teaching process É unânime que o Ensino das Geociências, na formação dos indivíduos, não deve resumir-se ao seu carácter científico, sendo imprescindível, outrossim, investir no seu carácter formativo desde os níveis mais básicos do ensino. A escassez de pesquisas neste âmbito justifica a presente investigação que pretendeu contribuir para aferir as mais-valias da aplicação de actividades lúdico-práticas como complementos alternativos e inovadores, actuando como elementos facilitadores no processo de ensino e aprendizagem da Geologia. A metodologia adoptada foi a Investigação & Desenvolvimento que visou a elaboração, aplicação e avaliação de duas actividades lúdico-práticas. As duas actividades lúdico-práticas foram aplicadas a 71 alunos de uma escola pública em Portugal. Administraram-se instrumentos de recolha de dados como, por exemplo, questionários e relatórios de observação. Constatou-se que as actividades eram complementos motivacionais valiosos no processo de ensino e aprendizagem de conceitos com algum nível de abstracção, permitindo advogar um espaço e tempo maiores para a sua utilização na prática pedagógic
Simpósio de ensino de geologia no brasil
Realizou-se no período de 1 a 5 de novembro de 2009 no Instituto de Geociências da USP, em São Paulo, o IV Simpósio Nacional O Ensino de Geologia no Brasil e o II Simpósio de Pesquisa em Ensino e História de Ciências da Terra (EnsinoGeo09). A Comissão Organizadora foi formada por membros do Instituto de Geociências, Faculdade de Educação e Instituto de Artes, Ciências e Humanidades (todos da USP) e do Departamento de Geociências Aplicadas ao Ensino do Instituto de Geociências da Unicamp. O evento ultrapassou o caráter nacional. Cerca de 160 participantes vieram de distintos estados brasileiros, bem como do exterior (Argentina, Inglaterra, Israel). O colega Pietro Corsi (Universidade de Oxford) ministrou a conferência magna sobre Charles Darwin, História da Geologia e evolução de espécies. A conferência final, proferida por Ricardo Latgé Milward de Azevedo (Petrobras) tratou das Perspectivas do petróleo do pré-sal e a formação dos geólogos. Um dos dias foi dedicado a atividades de campo e os participantes foram conduzidos a três viagens. A atividade de campo coordenada por Celso Dal Ré Carneiro (Unicamp) objetivou conhecer a geologia pré-cambriana do entorno do município de São Paulo, Grupo São Roque. A História da Geologia foi o tema principal da visita ao Jardim Botânico e Museu Paulista coordenada por Ermelinda Pataca (USP). A terceira percorreu o centro antigo da cidade de São Paulo para identificar a geologia de monumentos, conduzida por Denise de La Corte Bacci e Eliane Del Lama (USP). As palestras dedicadas à História da Geologia trataram tanto da história propriamente, quanto da divulgação do conhecimento científico. Kátia Mansur (DRM-RJ, Serviço Geológico do Rio de Janeiro) apresentou trabalho de caráter social, turístico e educativo de reconstituir os caminhos de Darwin no Rio de Janeiro; os trabalhos reconstituíram a expedição científica do Beagle e os estudos feitos pelo naturalista britânico no século XIX. Nelson Sanjad (Museu Paraense Emilio Goeldi) mostrou a história de como os gabinetes dos naturalistas se tornaram museus de História Natural. Ermelinda Pataca (USP) explorou os vínculos entre Portugal e a América Portuguesa por meio das expedições científicas patrocinadas pelo rei. Silvia Figueirôa (Unicamp) revelou a contribuição de Alberto Paes Leme para o conhecimento geológico brasileiro no início do século XX. Paulo Boggiani (USP), Presidente da Comissão Organizadora do EnsinoGeo09, na mesa redonda de Formação de Professores de Geociências, apresentou o curso de Licenciatura em Ciências da Terra da USP. A sessão discutiu diferentes propostas para formar professores de Ciências com mais conteúdo geológico. Foi assinalada a ausência de disciplina específica de Geociências na grade curricular do ensino básico. Ivan A. do Amaral (Unicamp) assinalou a necessidade de recordarmos as flutuações de maior e menor destaque das Ciências da Terra na formação de professores de Ciências nas últimas dezenas de anos. Nir Orion (Instituto de Ciências Weizmann, Israel) mostrou que Ciência do Sistema Terra pode organizar o currículo de ciências do ensino básico. Orion assinalou que o entendimento sistêmico do ambiente contribui para formar habilidades cognitivas essenciais à alfabetização científica e ambiental. Hector Lacreu (Universidade Nacional de San Luis, Argentina) de certo modo complementou o argumento, ao enfatizar a importância dos conteúdos geológicos para formação política dos cidadãos. Defendeu que esse conhecimento contribuiria para torná-los mais conscientes, ao tomar decisões sobre problemas ambientais. A Educação Ambiental mereceu especial atenção dentro do EnsinoGeo09. O tema foi contemplado por palestras de convidados e trabalhos espontaneamente enviados. Joseane Santos e Rosely Imbernon descreveram ideias de ambiente de estudantes de Educação Ambiental. Os autores revelam que, de fato, há certa confusão e falta de delimitação no pensamento dos alunos. Os 73 trabalhos enviados foram reunidos nas Atas do EnsinoGeo09. Os trabalhos incluem diversos aspectos de pesquisas e experiências de formação de professores, História da Geologia, estratégias de ensino para diferentes graus de escolaridade. Os debates ocorridos conduziram à sugestão de que o próximo EnsinoGeo, em 2011, seja realizado no Rio de Janeir