Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Técnica e trabalho: apontamentos em Marx, Simondon e Véio

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    Dentro de uma discussão sobre o trabalho contemporâneo e a relação do humano com este e com a tecnologia, são articulados momentos da reflexão de Marx presente em textos manuscritos, da obra do filósofo da técnica Gilbert Simondon e de uma experiência junto ao artista Cícero Alves dos Santos, o Véio. As obras de Véio, suas práticas e seu discurso suscitam a reflexão sobre a relação do humano com o produto de seu trabalho, com a natureza e com a técnica

    Movimento, percepção e improvisação em um campo de relações pessoa-técncia-mundo em um contexto de prática social

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    Desafiados pela abordagem antropológica de Tim Ingold buscamos possíveis contribuições para o debate no âmbito da Educação Física como um campo de prática e área de conhecimento. Ao aproximar de ancoragens que enfatizam uma Antropologia da Técnica, buscamos novos olhares para práticas sociais de movimento, indagando perspectivas teórico-metodológicas para o desenvolvimento de estudos que enfatizem o corpo como centralidade expressiva. Realizamos um processo de investigação com o Grupo Cia Suspensa – que produz movimentos a partir do envolvimento com artefatos, em diálogo com narrativas da dança e do circo – focando investigar possibilidades do movimento humano, a partir da experimentação, da percepção, da repetição, da improvisação constituindo processos de produção relacional da técnica, e como tudo isso os afeta. Sentimo-nos, nesse sentido, desafiados a entender como o conhecimento se constitui em processos de aprendizagem, se materializa em relações, e se expressa em habilidades, sensibilidades, identidades e propósitos sociais. Como processo de pesquisa, relacionamos engajamento prático e processos de aprendizagem. Juntamente com os integrantes do grupo Cia Suspensa desenvolvemos um processo de pesquisa em que nos desafiamos conhecer, empiricamente, possibilidades do movimento humano em um campo de entrelaçamentos pessoas-técnica-mundo. Dessa perspectiva enfatizamos a importância de reconhecer a “técnica” e a “arte”como temas centrais da experiência cultural. A noção de técnica proposta procura ultrapassar dimensões estritamente instrumentais, para ser compreendida como processo, relação e prática social, de onde emerge sentido. Esperamos compreender relacionalmente habilidades técnicas, descrevendo processos de acoplamento entre pessoas, artefatos, forças, texturas, superfícies móveis e verticalizadas; sustentadas por cordas e plataformas suspensas, entre outras possibilidades de interação e produção de movimentos

    Ciência e extrações: como um problema técnico se torna uma questão sociotécnica

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    Esta comunicação é o resultado parcial de pesquisa de caráter etnográfico levada a cabo em um laboratório de genética de populações e evolução humana e molecular, localizado em uma importante universidade no Sul do Brasil. Entre outros aspectos, o que torna interessante o coletivo articulado em torno desse laboratório é o fato de, contextualmente, estes geneticistas se intitularem antropólogos biológicos; o que é particularmente instigante, não só por ser um laboratório de genética e biologia molecular, mas também por este estar situado no Brasil, país em que o campo da antropologia biológica ainda é pouco institucionalizado. Atualmente, o laboratório em questão participa, junto a pesquisadores de laboratórios de outros países da América Latina e do Reino Unido, de um consórcio de pesquisa sobre diversidade e evolução biológica das populações latino-americanas, integrando, assim, um coletivo mais amplo. Nesse contexto, ao abordar etnograficamente um consórcio de pesquisa que coloca em relação um grande números de pesquisadores e centros de pesquisa da América Latina, o foco central da etnografia em questão e que será abordado nesta comunicação são as práticas científicas levadas a cabo pelo grupo de pesquisadores brasileiros. Portanto, o que se etnografou não foi o laboratório em si, mas as conexões que são estabelecidas a partir dele, ao ser parte de um projeto de pesquisa de escala internacional. Mostra-se, a partir das práticas laboratoriais, que uma controvérsia não é algo “simplesmente” técnico, mas sim uma questão sociotécnica. Ademais, a discussão de tal controvérsia pretende colocar em relevo a dinâmica científica em um projeto que integra pesquisadores de universidades latino-americanas e é coordenado por um pesquisador sediado em uma universidade britânica

    Um imenso campo mórbido: controvérsias médico-científicas no contexto da epidemia de cólera-morbus em meados do século XIX

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    O evento da epidemia de cólera-morbus deflagrada na província de Pernambuco em meados do século XIX processou mudanças significativas na pauta científica e no redirecionamento das suas pesquisas, deslocando o foco das investigações médicas - voltadas naquele momento quase que exclusivamente aos males endêmicos ou tipicamente tropicais - para as doenças epidêmicas ou importadas. Ao surgir enquanto um mal estrangeiro, desconhecido e imprevisível - em uma época que antecede às pesquisas de Louis Pasteur em microbiologia e a descoberta do vibrião colérico por Robert Koch -, a cólera-morbus produziu controvérsias em torno da sua etiologia e práticas de cura, além de mobilizar cientistas e governos em programas de contenção e combate ao mal. Ao chegar ao país em 1855, a cólera-morbus desenhou um extenso campo mórbido definido por um grande número de agentes patogênicos - associados ao ar, à água, ao solo e aos miasmas que se desprendiam dos pântanos - e que, por sua vez, manifestavam-se nos corpos e nos espíritos dos indivíduos. A proposta da apresentação é examinar o discurso médico, destacando suas concepções de natureza, especialmente, aquelas relacionadas à observação do clima e das populações tropicais. Nesse ponto, estarei atenta às variações ontológicas das entidades de não-humanos e às noções de corpo mobilizadas no discurso médico-científico. Trata-se, essencialmente, de acompanhar tanto uma ciência, quanto uma sociedade em devir

    Poliqueixosos, seus meridianos e seus cérebros. Controvérsias sobre o emprego de procedimentos terapêuticos para o tratamento da dor em um Ambulatório de Porto Alegre

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    Em 2006 o Ministério de Saúde do Brasil promulgou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Tal política tem possibilitado a promoção de terapias alternativas/complementares no âmbito do SUS, tais como: acupuntura, fitoterapia, homeopatia, termalismo, medicina antroposófica, reiki, florais, cromoterapias, entre outras. Ainda que o uso desse tipo de terapêuticas seja reconhecido por organismos internacionais, tal como a Organização Mundial de Saúde (OMS), sua oferta no contexto da saúde pública brasileira tem sido intensamente combatida por parte de organizações ateias, laboratórios farmacêuticos e sindicatos médicos de todo país. Este trabalho toma como foco de interesse empírico um Ambulatório da rede pública de Porto Alegre que agrega médicos e pesquisadores empenhados na descoberta dos princípios biomédicos da acupuntura e da circulação do Chi – a energia vital segundo a Medicina Tradicional Chinesa. Nesse contexto em que canais energéticos são tornados sistema nervoso periférico, chi é tornado neurotransmissão e fluxo vital se converte em resposta cerebral emergem controvérsias enunciadas na chave do científico e do não-científico, do real e da crença, do comprovado e do placebo. Dedico-me neste texto em refletir sobre o tema descrevendo o que (ideias, conceitos e materiais) cada um dos sujeitos e coletivos de pensamento mobilizam nessas controvérsias

    Nos limiares do ferro: considerações sobre técnica e ontologia na produção de ferramentas-de-orixás na Bahia

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    Neste trabalho pretendo, a partir de uma etnografia realizada em uma oficina de ferramentaria de orixás na Bahia, abordar a questão das técnicas e dos objetos rituais no contexto religioso afro-brasileiro. Mais especificamente, na chamada ferramentaria de santo – processo técnico de construção, produção e intervenção no metal, visando instaurar uma sacralidade aos objetos que se tornam (ou são fabricados para) entidades divinatórias das religiões afro-brasileiras, conhecidas no candomblé Ketu como Orixás. Partindo de uma visão processual da produção das ferramentas, o trabalho tem por objetivo analisar de que modo “técnica” e “ontologia” não podem ser pensadas em separado no contexto religioso afro-brasileiro, onde o processo de produção de uma ferramenta acompanha o processo de produção da própria pessoa no candomblé. Por fim, busca inspiração numa teoria nativa de criação, produção e transformação técnica para realizar um diálogo com a antropologia ecológica de Tim Ingold, a fim de lidar com os diferentes acontecimentos acionados na emergência das coisas (neste caso, nos limiares do ferro) e, principalmente, com a descrição desses acontecimentos

    Comandando e controlando à distância: modernização tecnológica, integração institucional e segurança pública

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    O trabalho em questão é oriundo de uma pesquisa em andamento, cujo objetivo é analisar os preparativos de segurança para os megaeventos a serem realizados no Brasil (e mais especificamente no Rio de Janeiro) entre os anos de 2013 e 2016, focando principalmente nos processos relacionados à modernização tecnológica. O objeto privilegiado de análise é a construção de um prédio na região central da cidade, o Centro Integrado de Comando e Controle, apresentado como principal pilar do programa securitário dos megaeventos, e também como instrumento de integração entre as diferentes instituições participantes da segurança pública (termo que vem sendo substituído, nesse mesmo processo, por defesa social), e que constituiria o principal legado a ser deixado pelos vultosos investimentos que vêm sendo realizados na área. Deste modo, ganha destaque a análise da implementação da “doutrina de comando e controle”, adotada como modelo oficial pelas forças armadas e de segurança do Brasil, e que consiste, basicamente, na tentativa de construção e estabilização de uma rede sociotécnica cujo objetivo (ou promessa) principal é promover uma ação coordenada controlável à distância, além de favorecer um rápido e direcionado processo decisório

    Redes Sociotécnicas: rizomas ou árvores?

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    Neste trabalho, apresento reflexões sobre a noção de “redes sociotécnicas” tendo como referência uma etnografia ‘em rede’ realizada junto a farmacólogos envolvidos em uma pesquisa na área de farmacognosia, que visa à produção de fitoterápicos a partir de plantas medicinais e conhecimentos tradicionais coletados em uma comunidade ribeirinha amazônica. Tendo com referência inicial alguns princípios teóricos da antropologia simétrica e da teoria ator-rede – associados ao trabalho de autores como Latour, Callon, Law e Mol -, faço uso das noções de “rizoma” e “árvore” (ou modelo arbóreo), de Deleuze e Guattari (Mil Platôs), para descrever processos que ocorrem no âmbito das redes, envolvendo tanto o trabalho de ordenação e coordenação realizado pelos atores humanos e não humanos, como também os movimentos de “devir” e “desterritorialização” que colocam em interação plantas, pessoas, textos, máquinas, equações, animais, espíritos da floresta e substâncias químicas, produzindo artefatos híbridos como remédios caseiros e fitoterápicos. Essa reflexão será ilustrada pela descrição das práticas de conhecimento que ocorrem no contexto da comunidade e do laboratório, com ênfase nas práticas de tradução e purificação que perpassam a relação entre a farmacologia e os conhecimentos medicinais ribeirinhos. Por último, ainda de forma bastante experimental, apresento alguns apontamentos críticos sobre o debate “ANT Vs. Spider”, mencionado por Tim Ingold, no livro “Being Alive”, tendo como base uma comparação entre as noções de rede e “emaranhado de linhas”

    Modelos do Clima, Modelos Políticos: Uma breve historiografia da previsão numérica e modelagem climática no CPTEC/INPE

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    Modelos climáticos numéricos tornaram-se centrais no desdobramento da história das mudanças climáticas, pois permitiram sustentar políticas direcionadas ao incentivo da pesquisa e desenvolvimento de novos conhecimentos e tecnologias para a aferição e mitigação dos efeitos dessas mudanças. Para compreender como esses modelos são produzidos e como participam de diferentes formas de governança, os Estudos da Ciência, Tecnologia e Sociedade (ECTS) podem colaborar de forma singular. Estes estudos, através de uma abordagem construtivista, podem tratar dos modelos climáticos não só como ferramentas heurísticas ou metáforas sobre o clima, mas como redes performativas que possibilitam a constituição de uma governança global do clima. Nessa perspectiva, essa capacidade dos modelos pode ser entendida como resultado de um processo de co-produção de políticas e ciências. Para discutir essa relação de mutua construção, esse trabalho pretende expor uma breve historiografia da implementação do programa de modelagem climática brasileiro no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Busca-se pontuar os momentos históricos da política ambiental e científica brasileira nos quais o programa de modelagem do INPE foi constituído. Desse modo, argumenta-se que as correlações favoráveis entre os discursos e as políticas afirmativas das mudanças climáticas, os incentivos das agencias de fomento a pesquisa e a credibilidade da ciência produzida anteriormente no INPE produziram as condições para que o programa de modelagem climática fosse iniciado nessa instituição.

    A produção de conhecimento em “álcool” e “drogas” desde instâncias médico-científicas – infrações de trânsito e variáveis de pesquisa

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    Esta pesquisa estabelece uma intersecção entre a questão do uso de psicoativos e antropologia da ciência. O objeto da investigação constitui a produção de conhecimento e normas relativas ao uso de “álcool” e “drogas” por instâncias médico-científicas. A partir de uma perspectiva teórica fundada nos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, que percebe a ciência enquanto rede heterogênea, este conhecimento é compreendido e investigado a partir dos elementos diversos mobilizados em sua produção. A pesquisa parte da análise de um convênio estabelecido em Fevereiro de 2013 entre o Departamento de Trânsito do Estado do RS (DETRAN/RS) e o “Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas” (CPAD), vinculado ao departamento de psiquiatria da UFRGS e localizado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O convênio objetiva fomentar pesquisas relativas ao uso de psicoativos por condutores, bem como a utilização destas na elaboração de projetos de segurança no trânsito. Nesse sentido, o CPAD promove a formação de agentes de trânsito para aplicação do “teste padronizado de sobriedade” em condutores, que implica a detecção do uso do “álcool” e “drogas” via a observação de movimentos corporais específicos. Os resultados obtidos nestas operações são utilizados como dados pelo CPAD para produção de pesquisas que traçam o perfil de condutores infratores e não-infratores, com foco em questões relativas ao uso de psicoativos. Esta investigação de cunho etnográfico dispõe da análise de notícias, documentos e projetos relativos ao referido convênio. Também se utiliza da observação da “ciência em ação”, via o acompanhamento tanto da coleta de dados nas operações do DETRAN\RS, quanto da formação dos agentes de trânsito. Objetiva-se a descrição da rede articulada na produção deste conhecimento, com o intuito de compreender duas questões-chaves: a geração de normas e técnicas de governamentalidade relativas ao uso de “álcool” e “drogas” a partir deste encontro entre Ciência e Estado

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