Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
Not a member yet
2307 research outputs found
Sort by
Marco temporal e escreviventes: territorialidades, Maré-RJ e povos em movimento
Este trabalho nasce a partir das experiências de uma doutoranda em Geografia do PPGEO/UERJ, sobre seu estágio em docência. Além do relato, nos propomos a discutir um momento de encontro sobre Educação Ambiental, parte de um semestre de estágio em docência com uma turma no 9º Período de Licenciatura em Geografia. Esta Prática Educativa dialoga dois encontros onde a Conservação da Natureza foi abordada, sendo um introdutório no primeiro terço da disciplina, e outro no último, sobre o qual aqui se enfatiza. São temas desta reflexão de experiência potencialidades da interdisciplinaridade, da multidisciplinaridade e da transdisciplinaridade em ações de Educação Ambiental elaboradas por Geógrafxs em modelo participativo. Estiveram em interlocução nos encontros ao todo 14 discentes e 3 estagiárixs, sendo 2 doutorandxs e 1 mestrandx. Abordou-se a temática do Projeto de Lei nº 2.903/2023, que defende um Marco Temporal para o reconhecimento de terras indígenas, a partir de uma perspectiva ecológica decolonial, em que o racismo e suas violências são um primeiro e fundamental ataque à Natureza para a manutenção de racionalidades extrativistas. Utilizando-se de escrevivências, apresentou-se a dificuldade encontrada por quem vive em territórios como as terras indígenas de se manter e defender de investidas diversas. Discutiu-se a elaboração de ações de extensão voltadas à conscientização acerca do PL, vinculando conhecimentos geográficos ao território da Maré, destinando a ação imaginada a educadores populares. Dois trabalhos foram formulados e apresentados pelxs discentes, ambos relataram dificuldades em criar algo com a temática. Todos os grupos consideraram relevante a atividade para sua formação profissional, assim como abordagem e aprofundamento da temática em aula. Destacou-se a escuta como importante instrumento pedagógico para educadores-educandxs
O ensino da cidade contemporânea: a fragmentação socioespacial no currículo paulista
A configuração do espaço urbano brasileiro está ligada à forma com que o território foi utilizado ao longo de sua história. As suas morfologias e inter-relações se tornam cada vez mais complexas tendo em vista os diferentes processos presentes na contemporaneidade. Entende-se que o espaço urbano é fragmentado e articulado, atua como reflexo e ao mesmo tempo como um condicionante social, sendo um conjunto de símbolos e também um campo de lutas. Nesse sentido, o conceito de fragmentação socioespacial se destaca como uma das possibilidades teórico-analíticas para compreender o cotidiano urbano e as práticas socioespaciais contemporâneas. O presente trabalho buscou analisar criticamente os documentos oficiais curriculares de Geografia relacionados ao Ensino Fundamental II, mais especificamente o Caderno do Professor do Currículo Paulista, o qual direciona as ações docentes dentro de sala de aula, relativas aos temas ligados ao termo “cidade”. A metodologia da pesquisa se caracteriza como qualitativa, sendo utilizado o método de Análise de Conteúdo de Bardin associado a uma revisão da literatura sobre a temática. A categoria escolhida para o levantamento nos documentos foi “Cidade”, posteriormente dividida nas subcategorias: “1) Descrição da paisagem; 2) Urbanização; 3) Fluxos migratórios; 4) Conceitos de Geografia Urbana e 5) Sustentabilidade”. Desta forma, a pesquisa tem o objetivo de levantar, entender e problematizar as diretrizes curriculares e as aplicações de conteúdo, buscando contribuir para o desenvolvimento do debate sobre o ensino da cidade
Investigando a história da Geografia Escolar: o manual escolar de Miguel Milano para o curso secundário (1932)
Este artigo é um projeto de Iniciação Científica em desenvolvimento desde 2021 que se expressa como desdobramento da pesquisa de doutorado intitulada “Movimento Escola Nova e Geografia Moderna Escolar em manuais para o ensino secundário brasileiro (1905-1941)”, finalizada em 2019, sendo, portanto, uma continuidade e um implemento da linha de pesquisa em História da Geografia Escolar e das pesquisas referentes aos manuais escolares e cultura escolar materializada no âmbito da [omitido para avaliação]. Esse trabalho consiste em analisar as continuidades e descontinuidade com relação ao movimento renovador escola nova através de uma investigação do manual produzido por Milano para o ensino da Geografia em seu manual escolar “Geographia Geral: Curso Secundário 1 ed. (1932)”, publicado pela Editora TFP/Siqueira, em São Paulo. Se fez necessário, portanto, partir para uma investigação histórica e analítica sobre a obra didática referida através do seu contexto pedagógico do Movimento Escola Nova e da História da Geografia Escolar, além de investigar a origem do professor e compreendendo as influências que inspiraram sua obra. Estas análises se dão a partir de um teor historiográfico, se aprofundando em dados secundários, de abordagem interpretativa qualitativa, por meio de pesquisas documentais sendo necessário explorar, dentro do contexto geográfico educacional, as questões voltadas ao ensino proposta pelo manual de Milano e pelo movimento escola novista, para compreender os caminhos utilizados pelo autor e os seus fundamentos históricos, seus simbolismos e sua influência cultural que interferiram e influenciaram suas metodologias no ensino de Geografia da época
Cartografia afetiva: mapeamento do caminho de casa para escola com alunos do EJA
O artigo visa apresentar uma prática de mapeamento afetivo realizada com alunos do Ensino de Jovens e Adultos do município de Vinhedo-SP durante a realização do Estágio Supervisionado em Geografia. A cartografia afetiva é uma metodologia que permite a representação de um espaço sob a perspectiva das subjetividades do agente mapeador. A utilização dessa ferramenta nas salas de aula pode possibilitar ao aluno mapear o lugar no qual está inserido, mostrando suas experiências e suas temporalidades
Por uma geografia literária: clube de leitura do LEPGHU/UFSM
A leitura contribui para a compreensão do mundo em que estamos inseridos, formando leitores críticos e reflexivos. Nessa perspectiva, é uma prática com o potencial de fomentar novos entendimentos e interpretações acerca de conceitos da Geografia, como o espaço geográfico e o espaço urbano, por exemplo. Com o projeto, promove-se a prática da leitura, tanto literária quanto teórica, nos cursos de Geografia Bacharelado e Geografia Licenciatura da Universidade Federal de Santa Maria. Assim, esse projeto constrói uma integração entre Literatura e Geografia, além de potencializar momentos de diálogos entre os(as) alunos(as) acerca das obras lidas. A metodologia de acontecimento do projeto se dá, resumidamente, por meio da leitura de um livro a cada um mês e meio, assim como um encontro para diálogo acerca de cada obra. Os resultados apresentados no presente trabalho são referentes à primeira leitura realizada, que foi o livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” de autoria de Carolina Maria de Jesus, e sobre “Geografia da Fome: o dilema brasileiro - pão ou aço”, de Josué de Castro (em andamento). No encontro de debate da leitura, as e os participantes levam ferramentas complementares à leitura, como vídeos, mapas e músicas. Todas as linguagens empregadas nos debates contribuem para o estímulo à leitura e a formação de leitores(as)
Imagens, livros didáticos e a Geografia Escolar: alguns apontamentos críticos
Este trabalho tem como objetivo discutir o lugar das imagens nas pesquisas e nos debates sobre os livros didáticos de Geografia. São apresentados resultados parciais de nossas investigações examinando as especificidades dessas relações entre imagens e livros de Geografia, através da bibliografia especializada no assunto produzida por autores e pesquisadores nacionais. O levantamento bibliográfico realizado tem como base artigos publicados em periódicos sobre o ensino de Geografia, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Foram identificados três conjuntos de argumentos centrais nessas pesquisas. Muitos pesquisadores reconhecem do livro didático como um artefato cultural central na educação e um dispositivo central na trajetória da Geografia como uma disciplina escolar, identificando a crescente importância das imagens em virtude de mudanças tecnológicas e editoriais nessas obras. Em um sentido oposto, alguns autores também mobilizam argumentos questionando as imagens utilizadas pelos livros didáticos, problematizando o modo como elas veiculam ou favorecem ideias reducionistas e estereotipadas sobre territórios e grupos sociais. Por fim, destacamos as investigações que apontam o potencial dessas imagens no trabalho pedagógico docente, propondo experimentações a partir destas, explorando-as enquanto formas de linguagem e buscando sentidos outros para o currículo de Geografia
O percurso histórico do Brasil por meio da obra fílmica “Uma história de amor e fúria”
A proposta deste artigo reflete a caminhada de pesquisa que vem sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação do Instituto de Geografa da Universidade Federal de Uberlândia. O artigo tem como objetivo geral analisar o contexto histórico do Brasil e perspectiva futura por meio da obra fílmica “Uma história de amor e fúria”, dirigido por Luiz Roberto Bolognesi, lançado em 2013. Devido à impressão de realidade que a obra fílmica nos traz, e a força da imagem na construção e conotação de uma história, o espectador não fica passivo a seus efeitos mas dialoga com a obra, com sua visão de mundo e tudo aquilo que o cerca. A proposta metodológica para atingir os objetivos propostos, tem em vista a natureza qualitativa do estudo que teve aporte por meio da pesquisa bibliográfica, documental e representação cultural. Os caminhos traçados por este artigo procuram mostrar um panorama do Brasil em duas vertentes uma teórica e outra por meio da obra fílmica citada, com o objetivo de conhecer nosso passado, termos uma atuação participativa na construção de instrumentos democráticos da sociedade brasileira para termos um futuro promissor em todos os aspectos
A Amazônia e Grandes Empreendimentos: Impactos socioambientais nos modos de vida dos ribeirinhos nos lagos do Zé Açu e Zé Miri/Parintins/Amazonas
Este artigo compila os resultados parciais de uma pesquisa em andamento no programa de pós-graduação em antropologia social na Universidade Federal do Amazonas – UFAM3. O presente estudo objetivo analisar os impactos socioambientais nos modos de vida das comunidades dos lagos do Zé Açu e Zé Miri a partir da implantação e operação da Linha de Transmissão de energia Oriximiná-Juruti-Parintins executado pela empresa Parintins Amazonas Transmissora de Energia. Com respeito aos dados etnográficos construídos em campo, primeiramente traçamos o histórico do conflito com a solicitação do empreendimento em 2003, perpassando pelas fases de planejamento em 2009 a 2019, sua implantação em 2021/2022 e operação em agosto de 2023 com a inauguração da obra. Relativo aos impactos, evidenciamos em ambas a comunidades (lugares da pesquisa) a supressão da vegetação nativa, não reposição da vegetação nos ramais que conectam as torres, assoreamento dos cursos de água (cabeceiras, igarapés, lagos), restrições no uso do solo, degradação de estradas utilizadas pelos ribeirinhos, impactos na saúde mental. Conclui-se que as concepções de “atingido” a noção de impacto e as ideias de compensação negociadas entre os executores da obra e as comunidades não consideram a complexidade dos impactos gerados. Os resultados parciais mostram que há efeitos nos ecossistemas locais que repercutem diretamente nos modos de vidas autóctones e que tendem a recrudescer, considerando a operação de trinta anos do empreendimento
Drosófilas/moscas-das-frutas como objetos complexos e instáveis no Antropoceno: Ecologias múltiplas no discurso científico
A partir de um trabalho etnográfico em andamento em um laboratório de pesquisa genética e zoológica do Sul do Brasil, discute-se a ecologia das drosófilas/moscas-das-frutas em processos de urbanização e alteração ambiental no Antropoceno. Tomando ambos os termos (drosófila e moscas-das-frutas) como unidades culturais construídas em discursos de naturezas distintas (científico e popular), propõe-se que esses animais podem ser concebidos como objetos complexos e instáveis dentro da crise animalitária do Antropoceno. Isso ocorre porque, quando considerada a diversidade de espécies generalizadas pela unidade cultural ‘moscas-das frutas’, e semi-individualizadas pela unidade cultural ‘drosófilas’, esses insetos sinantrópicos assumem uma complexa gama de ecologias aparentemente antagônicas. Deste modo, podem ser caracterizados como invasores domésticos, pragas urbanas, pragas de lavouras, espécies nativas em crise, espécies exóticas/invasoras, bioindicadores de poluentes químicos, proliferantes em processos de urbanização, ou mesmo como animais negativamente afetados pela vida nas cidades. A partir do discurso científico sobre as drosófilas no Antropoceno, produzido dentro das Ciências Biológicas, são comparadas as diferenças e similaridades na produção de significado e complexidade para esses animais, em relação ao discurso popular sobre os mesmos
Diferenças e continuidades na política: Uma análise a partir da cozinha e da comida no quilombo do Pratigi (BA)
O presente texto propõe estudar as relações políticas feitas no âmbito da cozinha na comunidade quilombola do Pratigi, situada no município de Camamu, Baixo Sul da Bahia. O objetivo é buscar entender as diferenças e continuidades no jeito de “fazer política” na e através da cozinha e da comida, comparando dois períodos separados por vinte anos - 2000 a 2020. A escrita deste trabalho foi baseada em formas distintas de observação. Uma delas consistiu em idas a campo ao longo de um ano, para composição da minha dissertação, entre 2019 a 2020. A outra consistiu em resgatar, em minha própria memória, sendo eu “nativo” do Pratigi, os causos e as histórias a respeito do “fazer política” no quilombo. Comparando esses dois momentos, procuro mostrar como o modo de fazer política através da comida e/ou da/na cozinha adquiriram particularidades diferentes na comunidade quilombola do Pratigi, entre os anos de 2000 a 2020, sem deixar de notar ao mesmo tempo algumas continuidades. Ao longo do texto veremos dois casos, primeiro, como minha mãe que aparentemente apresentava ser uma antagonista política, na verdade não era e, segundo, como Walnei (cabo eleitoral) aprendeu a “fazer política” com a sua mãe Valentina. Logo o “fazer política”, as mulheres e a cozinha estão relacionadas no Pratigi