Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    2307 research outputs found

    “Contra fatos não há argumentos”: Negacionismo, conspirações e política no discurso sobre a Amazônia

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    A presente comunicação analisa o contexto de efervescência de postagens sobre uma suposta cidade perdida na região da Amazônia brasileira, Ratanabá, cujo debate ganhou repercussão nacional por meio das redes sociais, nas primeiras semanas de junho de 2022. Nosso objetivo é demonstrar como essas publicações se inserem em um campo mais amplo, afirmando e propagando informação de cunho conspiracionista e negacionista através de um regime de produção de "fatos" - cuja metodologia é “própria”, porém inacessível e desconhecida por outros pesquisadores - e sua atuação em um projeto discursivo e político que passa pela mineração de dados, plataformas de mídia, capitalização de recursos naturais e consolidação ideológica da ficção narrativa de certos setores da extrema-direita brasileira. As postagens às quais nos referimos foram disseminadas pelo grupo “Dakila Pesquisas”, integrante do “Ecossistema Dakila”, e o trabalho, ainda em fase inicial, se desenvolve por meio de uma incursão etnográfica virtual, propondo a investigação e mapeamento de postagens feitas nas redes sociais, principalmente o Youtube, além de blogs e sites relativos ao tema e sua respectiva repercussão entre grupos de indivíduos e instituições brasileiras. Para elucidar o debate são mobilizados recursos teórico-analíticos advindos majoritariamente da Antropologia e Filosofia da Ciência e aqueles oriundos de pesquisas recentes sobre negacionismos e conspiracionismos

    Radicalidade e inovação em áreas protegidas no Brasil? “Retomadas” em terras indígenas e “territórios de uso comum” à luz da conservação convivial (um projeto)

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    O projeto visa etnografar comparativamente iniciativas radicais e inovadoras de consolidação de áreas protegidas (no caso, terras indígenas e territórios de uso comum de comunidades ribeirinhas) e de conquista de direitos territoriais, à luz da conservação convivial e de alguns subcampos da antropologia, notadamente os estudos sobre ciência e técnica. A conservação convivial se apresenta como uma abordagem à conservação da diversidade biológica e cultural que leva a sério não só as extinções de espécies em cascata, mas também as pressões estruturais do nosso sistema econômico e as violentas realidades socioecológicas e políticas cada vez mais autoritárias em que vivemos. Trata-se um conjunto de princípios de gestão e uma abordagem pós-capitalista à conservação que tenta promover a equidade radical, a transformação estrutural e a justiça ambiental, baseados na noção de ferramenta convivial de Ivan Illich. As duas situações a serem abordadas são: (i) a área de retomada (hoje aldeia) Mãe Terra do povo Terena da Terra Indígena Cachoeirinha, no município de Miranda, em Mato Grosso do Sul, como movimento autônomo que visa conquistar o reconhecimento oficial do seu direito à terra e que está na origem da organização Caianas; e (ii) a iniciativa, surgida em 2012, fruto da mobilização de uma rede de atores da sociedade civil, do movimento social e da esfera pública, de regularizar a situação fundiária de comunidades ribeirinhas no estado do Amazonas por meio de termos de concessão de direito real de uso coletivo para associações comunitárias situadas fora de áreas protegidas, sob a categoria de territórios de uso comum. Pretende-se conduzir a pesquisa em colaboração, respectivamente, com a organização indígena Terena Caianas (Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza, Agroecologia e Sustentabilidade) e com a equipe do Programa de Ordenamento Territorial da ONG Instituto Internacional de Educação do Brasil, coletivos protagonistas de ambas as iniciativas

    Por um diálogo de saberes intercientíficos e interculturais sobre a água no contexto da Bacia do Prata

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    Segunda maior bacia hidrográfica de águas transfronteiriças da América do Sul e quinta do mundo, a Bacia do Prata abarca porções territoriais de 5 países (Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai), com uma extensão de 3,1 milhões de km² e notória sociobiodiversidade, também constituindo um território subcontinental referencial da experiência sócio-histórica derivada do projeto de modernidade ocidental que tem a colonialidade como a sua contraface constitutiva. Ao mesmo tempo em que estabeleceu, histórica e unilateralmente, enunciados hegemônicos relacionados à água, vinculados ao paradigma da dominação, com reflexos indeléveis na esfera do instituído (legal e institucional), este projeto moderno-colonial também expropriou os enunciados originários, instituintes, extramodernos, pós-abissais e contra-hegemônicos, em especial, aqueles correspondentes às cosmologias, saberes e modos de vida dos povos originários ameríndios, afro diaspóricos e das comunidades tradicionais. Neste sentido, o diálogo de saberes, intercientífico e intercultural, é condição indispensável para ‘rematriar’ enunciados sobre a água e a natureza que foram expropriados pela modernidade colonialidade, bem como para criar outros imaginários e modos de vida sustentáveis e incidir nas políticas públicas de água e educação neste contexto territorial

    No caminho do ouro: A luta yanomami

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    Este trabalho propõe refletir sobre a formação da luta política yanomami na década de 1980, quando o território yanomami foi invadido por milhares de garimpeiros causando uma crise sanitária e socioambiental sem precedentes, e sobre a rearticulação dessa luta em 2018, após a eleição de Bolsonaro. A invasão de milhares de garimpeiros no território na década de 1980 causou danos socioambientais e sanitários visíveis até hoje no território e culminou no desaparecimento de cerca de 13% da população yanomami do Brasil. Nesse período, a luta yanomami tinha como principal objetivo a demarcação de um território amplo e contínuo para os yanomami, que foi demarcado em 1992 após uma ampla campanha nacional e internacional promovida por Davi Kopenawa, xamã e principal porta voz de seu povo, e pela Comissão Pró Yanomami (CCPY), criada na década de 1970 para defender os interesses dos Yanomami. Quase trinta anos depois da demarcação da Terra Indígena Yanomami, as ameaças do governo Bolsonaro à integridade do território tiveram como efeito a rearticulação da luta política yanomami. A exposição A Luta Yanomami, da fotógrafa e ativista Claudia Andujar, foi inaugurada nesse período como resposta à campanha eleitoral do ex-presidente. A exposição foi uma dentre muitas outras manifestações que foram articuladas por lideranças yanomami e apoiadores de suas causas para chamar a atenção da opinião pública para as ameaças que o governo Bolsonaro representava para o território e para a vida dos Yanomami

    Uma etnografia da comunidade cigana calon de Sousa, Paraíba: Os sentidos da terra e a regularização fundiária

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    O texto visa refletir sobre o processo de luta (desde 2010 com o apoio do Ministério Público Federal do município de Sousa/PB, Alto Sertão da Paraíba, que entrou com ação civil coletiva de Usucapião, tendo acesso ao direito de ocupação da terra em 2020) da Comunidade Cigana Calon pela regularização fundiária da terra em que ocupam há mais de trinta anos. Como base teórica para acompanhar na leitura dessa problemática, tomou se como categoria analítica a ideia de “contradições do espaço” (LEFEVBRE, 2016). Tem-se um fio central no texto, porque Sousa/PB acolheu a comunidade Cigana há mais de 40 anos para se fixarem? O que levou a empresários depois de 40 anos observarem a terra ocupada pelos ciganos como capaz de gerar valor de troca? Do ponto de vista do espaço-tempo, a terra, enquanto socialidade e os modos de vida dos ciganos, além de constituir nos marcos do Estado brasileiro um direito na CF de 1988, além de ter sido elaborado o Decreto nº 6.040/2017, que instituiu a política nacional de desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais, sendo emblemática a composição da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais: seringueiros, fundos de pasto, quilombolas, faxinais, pescadores, ciganos, quebradeiras de babaçu, índios, caiçaras, etc. Com orientação metodológica etnográfica, tendo por centralidade entender os sentidos atribuídos a terra, ou a produção de territorialidades pelos ciganos calon

    DESEMPREGO ESTRUTURAL NO SISTEMA AGROINDUSTRIAL DA CANA-DE-AÇÚCAR NO ESTADO DE SÃO PAULO: UM PARALELO COM A ELIMINAÇÃO DA QUEIMA DA PALHA E SUAS IMPLICAÇÕES NO MERCADO DE TRABALHO DO CORTE DA CANA

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    O presente projeto tem como foco de análise a atual conjuntura do trabalho de colheita no campo relacionado a cultura agrícola da cana-de-açúcar no estado de São Paulo durante os anos finais autorizados por lei para a prática da queima da palha da cana em áreas mecanizáveis, entre 2007 e 2014, estabelecendo um paralelo com o avanço da produção mecanizada canavieira a partir de uma de suas causas: a eliminação da queima da palha da cana-de-açúcar na fase de pré-colheita. Serão analisadas um conjunto de leis e regulamentações que culminaram na proibição da queimada nos canaviais do estado de São Paulo. O enfoque das análises se dará por meio das regulamentações da queimada da cana-de-açúcar realizado pelo protocolo agroambiental Etanol Verde, a partir do período de sua aplicação, de 2007 até o ano da total proibição nas áreas mecanizáveis, em 2014. Serão analisados dados de trabalho no setor durante o período para fazer uma correlação entre a implementação dessa regulamentação e seus possíveis desdobramentos nos empregos do setor sucroenergético. Procura-se, por fim, compreender como essa proibição modifica os processos de mecanização, e quais os possíveis impactos ligados ao mercado de trabalho e ao desemprego estrutural no setor

    O PLATAFORMAS DIGITAIS E USO DO TERRITÓRIO: CARACTERÍSTICAS INTRÍNSECAS E EXTRÍNSECAS DA EXPANSÃO TERRITORIAL DO SERVIÇO DE ENTREGA DE REFEIÇÕES MEDIADO POR APLICATIVOS NO BRASIL

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    O crescimento da importância da economia de plataforma no Brasil e no mundo tem feito emergir a problemática acadêmica sobre a ação das plataformas digitais nos territórios, tendo em vista a natureza destas novas infraestruturas sociotécnicas, de um lado, e os diferentes rebatimentos de suas ações nos lugares, de outro. Pelo ineditismo do fenômeno, várias ciências contribuem para melhor compreendê-lo e porventura oferecer subsídios teóricos para a elaboração de propostas de regulação do setor. Nesse sentido, o presente artigo revela alguns resultados parciais de uma pesquisa de doutorado em andamento, com apontamentos teóricos e concretos acerca da ação das plataformas de entrega de refeições no território nacional, pensados a partir da combinação entre as características intrínsecas destes agentes e as condições extrínsecas da formação socioespacial brasileira

    Apresentação

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    Apresentação dos Anais do 7º Encontro Regional de Ensino de Geografi

    METODOLOGIAS PARA ANÁLISE ESPACIAL DA ASSOCIAÇÃO ENTRE FATORES GEOGRÁFICOS E INCIDÊNCIA DA ARBOVIROSE ZIKA VÍRUS: UMA REVISÃO

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    A zika é uma doença transmitida pelo flavivírus através da picada do mosquito Aedes Aegypti. A difusão dessa arbovirose no mundo ocorre desde 1947, quando foi identificado no continente africano. No Brasil, a zika chegou entre os anos de 2014 e 2015, deixando o país como o maior epicentro dessa doença infecciosa, que pode ser associada com os fatores ambientais, econômicos e sociais. O objetivo deste trabalho é apresentar uma revisão de metodologias recentes utilizadas em pesquisas científicas sobre análise espacial da associação entre fatores geográficos e incidência de casos de zika vírus.  As pesquisas têm mostrado que os principais determinantes geográficos da zika são precipitação, temperatura, vegetação, renda, sexo, cor, faixa-etária, níveis educacionais, urbanização desordenada, condições precárias de infraestrutura, moradia e saneamento básico. Esses fatores foram utilizados na maioria dos artigos científicos multidisciplinares, para analisar sua associação com a incidência de zika vírus

    EXPANSÃO E INTENSIFICAÇÃO DA AGROPECUÁRIA NO CERRADO

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    O cenário socioeconômico, ambiental, e as políticas públicas são as principais forças motrizes da dinâmica de uso e ocupação das terras. Nos últimos 50 anos, esses fatores levaram a savana mais rica em biodiversidade do mundo, o Cerrado, a se tornar a principal região agrícola e o maior produtor de alimentos e commodities do país. Entretanto, a expansão horizontal do modelo de agropecuária tradicional tem pressionado e degradado os recursos naturais (solo, vegetação e água). Diante disso, este artigo objetiva analisar o histórico recente de ocupação e expansão agropecuária nesse bioma, apresentando novos modelos para intensificação e diversificação agrícola, evidenciando o papel dos produtores rurais, do mercado consumidor e, principalmente, da pesquisa e das políticas públicas para combate às mudanças climáticas e promoção de uma agricultura ambientalmente mais responsável e sustentável. Por fim, é abordado o papel do sensoriamento remoto no monitoramento, planejamento e gestão da agricultura no século XXI

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