Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Caderno de resumos da IX ReACT

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    Caderno com os resumos dos trabalhos aprovados nos seminários temáticos da IX ReACT

    Excluídos Digitais: Reflexões acerca dos desafios da exclusão digital em uma perspectiva educacional de uma escola da rede pública  municipal de Porangatu-GO

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    A escola é uma instituição formal onde ocorrem os processos de ensino e aprendizagem. Local de diversos contextos sociais, refletindo uma comunidade e seus membros e indivíduos que a formam. De acordo com o antropólogo Clifford Geertz (1978), o que propicia o entendimento das estruturas significantes da ação social observada se faz necessário primeiramente ser apreendida para depois ser apresentada. A escola reflete a sociedade e, consequentemente suas desigualdades. Esse trabalho, parte de reflexões de minha pesquisa de mestrado em Antropologia Social “Uma Etnografia Sobre os Usos das Tecnologias Digitais por Docentes de Uma Instituição Pública de Ensino em Porangatu GO”. A metodologia utilizada para a realização dessa pesquisa se delineia nos textos de bases antropológicas que vão direcionar o olhar etnográfico dentro do campo, e assim através da análise de narrativas sobre experiências de interlocutores/as, observação participante, entrevistas semiestruturadas, confecção de cadernos de campo e outras formas de registros audiovisuais, que garantam o caráter anônimo das contribuições se fará a construção desses registros. Assim, o objetivo geral desta pesquisa se volta a analisar antropologicamente as narrativas de professores/as sobre os impactos dos usos de Tecnologias da Informação e Comunicação e das mídias digitais no contexto escolar em uma escola da rede municipal de ensino da Educação Infantil e Ensino Fundamental I em Porangatu, no estado de Goiás. Buscando compreender: como os/as educadores concebem a noção de tecnologias digitais. Como lidam com as tecnologias digitais na escola. As relações com as tecnologias digitais em contexto escolar ganham particularidades considerando marcadores sociais como gênero, raça, classe etnicidade, sexualidade e geração. Os resultados e discussões apontam para a falta de capacitação dos professores em lidar com o meio digital e a falta de infraestrutura da escola pesquisada em atender às demandas das tecnologias da informação e da comunicação no ambiente escolar

    Fragmentos de uma história multiespecífica: “Bois selvagens” do cerrado e o povo a\u27uwē-Xavante

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    Esta apresentação pretende narrar uma história de bois e homens, de Estado e Mercado, histórias domésticas e ferais do povo a\u27uwē, também conhecido como Xavante, situados no leste mato-grossense. Algumas reflexões preliminares começam a delinear redes de relações interespecíficas, interculturais interinstitucionais que se articulam em torno de um rebanho de gado da aldeia Namukura, na Terra Indígena São Marcos (município de Barra do Garças/MT), trazido nos anos 1980 para a aldeia e cuidado por funcionários da Funai até os anos 2010, quando o trabalho foi descontinuado. Este rebanho, contudo, persiste até hoje, vivendo por conta própria no cerrado e voltando para dormir no entorno da aldeia diariamente. A despeito dos argumentos dos técnicos agropecuários a favor do abate de todo o rebanho e de seu reinício com "novilhos mansos", os a\u27uwē aguardam a retomada da criação daqueles bois em particular. Estas narrativas articulam elementos dos "projetos de desenvolvimento" da Funai, realizados nos anos 1970 e 1980, que envolveram a criação de rebanhos nas aldeias; de relações políticas locais, infletidas na especificidade da situação em Namukura (comparada a outras aldeias e rebanhos a\u27uwē do mesmo período); de políticas públicas de defesa agropecuária, relacionadas a um enorme mercado internacional de exportação de carne bovina no Mato Grosso. Como servidor da Funai, minha inserção nessa rede de relações também acaba provocando algumas implicações e inflexões que gostaria de evocar brevemente durante a apresentação

    Pesquisas cocriadas e novos processos de construção de acervos comunitários: A experiência do Projeto Curas no Terreiro do Caboclo Pedra Branca

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    O Projeto Curas (www.projetocuras.com.br) é uma plataforma digital e uma rede de pesquisa, produção artística e construção de acervos da memória localizada no sul de Minas Gerais. Somos uma pesquisa progressiva em cocriação que registra e compartilha experiências e dimensões sagradas da vida e da gestão comunitária da saúde. Somos também um projeto audiovisual de arquivamento dos percursos espirituais e das relações de afeto e cuidado no Sul de Minas Gerais e somos uma iniciativa de reconstrução e circulação de acervos familiares, comunitários e individuais. Somos uma equipe múltipla, em sua maioria não inserida no contexto da pesquisa acadêmica, que atua a partir de uma perspectiva de reconstituição e circulação de narrativas e trajetórias, expondo experiências e composições sociais que em grande medida não estão representadas nos acervos institucionais da região sul mineira e que são diretamente afetadas por políticas de embranquecimento que não reconhecem as presenças afro-indígenas no território sul mineiro. Temos como base de sustentação e articulação o Terreiro de Umbanda do Caboclo Pedra Branca. Atuamos a partir de outros entendimentos em relação ao significado de “trabalho de campo”, tendo em vista dimensões comunitárias de elaboração de registros e de pesquisas articuladas, seja a partir de memórias familiares, documentações históricas, construção de encontros de saberes e produções literárias e audiovisuais próprias (que estão disponíveis em nossa plataforma e canais de comunicação)

    As feracidades do instituto Inhotim: Paisagens cenográficas nas ruínas da mineração

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    Este ensaio traz as reflexões produzidas em pesquisa com o Instituto Inhotim, localizado no município de Brumadinho, Minas Gerais. Este, que se tornou meu interlocutor, se apresentou para mim ao longo de nossos encontros, me levando em direção aqueles que estavam presentes e ausentes em seu interior. O museu propõe um espaço de imersão e experimentação entre obras de arte e jardins paisagísticos explorando a potencialidade da relação entre arte e natureza em dinâmicas multiespecíficas. As experiências produzidas pelo museu, únicas em sua estética e múltiplas em seus arranjos espaciais, revelam intencionalidades atribuídas às materialidades e aos seres, assim como, as relações que estes são submetidos para a construção dos lugares dentro do Instituto. A noção de paisagem percorre o texto enquanto um eixo a partir das perspectivas de habitar as ruínas. Na formação de suas paisagens, o Inhotim produz cenografias que mascaram as agências - e a centralidade - de entidades ferais do capitalismo como é o caso da mineração. Em minhas discussões apresento a maneira como o Inhotim tomou a forma de um agente que retroalimenta a estrutura desse capitalismo feral e colonial ao qual estamos imersos, se apropriando até mesmo das críticas e movimentos de resistência a ele. Nesse sentido, busquei pintar as paisagens cenográficas que se formaram para mim a partir das ausências e presenças colocadas pelo Inhotim pensando no lugar da arte nos jardins criados a partir das ruínas

    Repertórios de luta docColetivo “agenda ambiental” na Colômbia:: Uma perspectiva emergente a sua conformação

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    Este estudo analisa os diferentes repertórios de luta do coletivo Agenda Ambiental em Movimento, uma plataforma nacional onde convergem diferentes organizações ambientalistas na Colômbia. Neste sentido, descreve as principais demandas e reivindicações do movimento em relação à defesa do território nos acordos de paz na Colômbia durante 2016. Neste contexto, os ambientalistas sustentam que a natureza também foi vítima do conflito. Dessa forma, a presente análise centra-se nas conexões construídas pela Agenda Ambiental e na sua influência nos repertórios que ela configura. Nos aspectos metodológicos, trata-se de um estudo qualitativo do tipo exploratório descritivo. As técnicas de coleta de dados foram observação participante, entrevistas em profundidade e revisão documental. Este estudo sugere que os repertórios não respondem apenas às condições de um contexto político favorável ou desfavorável; A sua formação e formatos respondem também às redes de relacionamento que envolvem os agentes que os criam e organizam, e que a ação dos coletivos responde a fatores estruturais como relacionais e disruptivos

    Mapas narrando estória: a cartografia pós-representacional no ensino de Geografia por meio das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICS)

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    Este trabalho desvela, como ponto de partida, que as metodologias e técnicas com bases tradicionais euclidianas – ainda que contribuíram muito para o desenvolvimento da cartografia – estão sendo reconfiguradas e emergem outras formas de mapeamentos. Múltiplas linguagens e metodologias estão sendo aprimoradas e fomentam significativas interpretações dos conteúdos cartográficos que são produzidos, dentre eles os que são tecidos no espaço escolar. Nesse processo, o uso de convenções cartográficas não é central, rígido ou assimétrico, o que pode fomentar potencialidades criativas, exploratórias e carregadas de subjetividades. Diante de um contexto pandêmico, de avanço da contaminação pelo coronavírus e da proliferação da Covid-19 no Brasil, a necessidade de isolamento social impactou diretamente as diversas modalidades de ensino, e na educação básica, o fechamento de escolas trouxe à tona as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) como recurso essencial para a continuidade das aulas. Com isso, diversas iniciativas suscitaram explorar a potencialidade das TDICs tanto para mapeamentos digitais, quando para o ensino da Geografia. Nesse contexto, o presente trabalho tem o objetivo de discutir sobre a cartografia pós-representacional para o ensino de Geografia, apresentar as TDICs como caminhos para esses mapeamentos emergentes, e também demonstrar a concepção e aplicação da cartografia pós-representacional tanto por meio da coleta de imagens e mapas da cidade de Varginha-MG – analisando seus espaços e paisagens, quanto também da questão urbana, que resultou no mapeamento intitulado “A volta do ET: Varginha em Vertigem”, uma produção audiovisual com imagens coletadas por meio de diferentes tecnologias digitais, resultando não só no contato com elas, mas no desenvolvimento nas aulas de Geografia dessas novas propostas de mapeamento pós-representacional

    Considerações sobre o ensino de escala cartográfica

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    A escala cartográfica é um elemento primordial para elaboração e interpretação de mapas, sendo um instrumento de leitura essencial para a compreensão do espaço – vital, portanto, à geografia. Todavia, verifica-se cotidianamente que alunos de todas as idades passam por grandes dificuldades ao se depararem com o conteúdo, criando um hiato na educação e um verdadeiro desafio aos docentes. Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de Iniciação Científica que aborda as razões históricas e didáticas que legitimam a necessidade de um olhar mais atento à questão e os referenciais teóricos que embasam o debate sobre alfabetização cartográfica. Também sintetiza um conjunto de atividades didáticas existentes, coletadas após uma pesquisa sistemática, a fim de fornecer parâmetros de comparação para que os docentes possam optar pela prática mais conveniente ao respectivo contexto educacional. Por fim, traz novas estratégias de ensino de escala cartográfica ao propor atividades com base nas lacunas e demandas encontradas, elaboradas especialmente com os resultados da pesquisa

    Trabalho de campo: reflexões sobre a prática

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    O objetivo deste trabalho é trazer uma reflexão sobre a prática metodológica do trabalho de campo enquanto prática de trabalho docente. Esta reflexão será feita a partir de uma discussão sobre a que campo se refere a palavra “campo” na terminologia trabalho de campo, posteriormente pela diferenciação entre trabalho de campo e aula de campo. Após a análise inicial será realizada uma reflexão sobre o que fazemos e como fazemos no trabalho de campo, visando uma estruturação teórica para essas duas perguntas que são tão frequentes no cotidiano pessoal e profissional do geografo. Por fim, chamaremos a atenção para a necessidade das aulas de campo, associadas aos trabalhos de campo, para a educação geográfica e para a educação contemporânea

    Contribuições da cartografia escolar para o ensino e aprendizagem de Geografia no Brasil

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    O presente trabalho buscou analisar a produção bibliográfica da Cartografia Escolar brasileira, suas contribuições no ensino e aprendizagem de Geografia no ensino básico, com o foco no seu papel na formação do aluno crítico, e descrever as principais mudanças na trajetória da Geografia e da Cartografia Escolar enquanto componente curricular do ensino básico brasileiro. Se parte do pressuposto de que a Cartografia, por representar e simbolizar a realidade geográfica e o espaço (unindo tecnologia, ciência e arte) por meio de mapas, é um conjunto de conhecimentos e técnicas fundamentais para a compreensão e estudo do espaço geográfico e, portanto, um saber inerente à Geografia. Além disso, ao observar o desenvolvimento do próprio ensino de Geografia no Brasil, pode-se perceber que a cartografia sempre esteve atrelada e compôs a grade curricular da Geografia escolar, entretanto muito se discute acerca do processo histórico de institucionalização da cartografia como matéria escolar, uma vez que o uso e elaboração de mapas esteve diretamente atrelado não só ao contexto social e político, como também, às diferentes fases e mudanças pelas quais o pensamento geográfico e, consequentemente, o ensino de Geografia passou. Pensando nisso, o objetivo central desta pesquisa foi compreender como a Cartografia Escolar corrobora para a formação crítica dos estudantes brasileiros. Para tanto, durante as primeiras semanas de pesquisa, foi realizado um extenso trabalho de levantamento bibliográfico das principais produções teóricas brasileiras existentes sobre o assunto na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), nos Repositórios Científicos de Universidades (como USP, UFRGS, PUC Minas e UNESP) e no Repositório de Periódicos da EduGeo. Após selecionar a bibliografia, foi feito um trabalho de revisão a análise delas, o que possibilitou: traçar a trajetória da Geografia e Cartografia Escolar enquanto componente curricular do ensino brasileiro entre 1836 e 1996, compreender as concepções e conceitos estabelecidos acerca da Geografia e da Cartografia Escolar e, sobretudo, permitiu entender a importância desta para o ensino e aprendizagem de Geografia no Brasil e para a formação de alunos capazes de pensar criticamente sobre o mundo

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