Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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A pedra como caminho: reflexões etnográficas sobre a relação entre técnica, extratores e pedras na construção civil de Rio de Contas/BA)
A partir de uma etnografia realizada na cidade de Rio de Contas (BA), esse trabalho propõese a apresentar as primeiras reflexões decorrentes desse processo de pesquisa voltado para os modos de relação entre pedras, extratores de pedras e a construção civil dessa cidade. Os itinerários e escolhas feitos durante a realização do trabalho de campo, o uso da câmera como ferramenta de pesquisa e o conhecimento utilizado para a identificação de uma pedreira, serão apresentados como meios para se pensar as fronteiras entre os conceitos de materialidade em Tilley (2004) e o de mundo de materiais em Ingold (2012). Partindo da percepção dos extratores de pedras perante as pedras, a proposta é pensar esse material não como um objeto estagnado no mundo, mas como uma coisa integrada aos fluxos da vida e do meio ambiente. Endender a fluidez das pedras é essencial para a prática da extração, modelagem e de construção com esse material. Desse modo, esse trabalho é uma tentativa de aproximação da comunicação estabelecida entre pedras e extratores, buscando também coompreender os efeitos emergentes dessa relação
Corpo hormonal feminino e suas fases
Este trabalho visa analisar e problematizar o crescente avanço da biotecnologia hormonal sobre os corpos, em especial o corpo feminino. A partir de uma reflexão sobre a construção do fato científico e da proeminência do discurso biomédico na compreensão dos corpos, da sexualidade, das emoções e dos comportamentos, principalmente os femininos, analisamos as mudanças ocorridas ao longo da história nos discursos ditos científicos sobre as mulheres. No final do século XVIII e início do XIX, a ‘essência’ da feminilidade era localizada no útero; a partir de meados do século XIX, os ovários passaram a ser considerados a fonte das doenças das mulheres, inclusive as nervosas e mentais; no início do século XX começou a ocorrer uma mudança nos discursos biomédicos e a ‘essência’ da feminilidade passou a ser localizada em substâncias químicas denominadas ‘hormônios’. Desde então, a biomedicina compreende o corpo da mulher como regulado por fases hormonais, marcadamente a Síndrome Pré-Menstrual (SPM) e o Climatério, produtoras de uma ‘subjetividade cíclica’ que reproduz visões estereotipadas de gênero em função da diferenciação biológica radical entre os sexos. Considerando que o discurso biomédico sobre a determinação hormonal da subjetividade feminina é reducionista e reifica a crença de que mulheres são instáveis e, portanto, em determinados períodos, irracionais e não confiáveis, ensejando intervenções biotecnológicas que visam o controle hormonal dos corpos femininos, sugerimos discursos alternativos que possam ser contrapostos ao discurso biomédico, possibilitando reflexões e compreensões mais abrangentes sobre o corpo, o gênero e a sexualidade na contemporaneidade
Onde se esconde o natural?
A partir da narrativa sobre uma expedição de uma pequena equipe de biólogos a uma área pouco impactada pelo fogo no interior do Parque Nacional da Serra do Cipó, MG, o autor, biólogo e posteriormente doutorando em antropologia, discute a forma como estes naturalistas dão voz aos seus objetos de pesquisa. A expedição tinha como objetivo realizar uma prospecção para encontrar populações de duas espécies de plantas, a Actynocephalus polyanthus e Lobelia fistulosa, que possuem um único evento reprodutivo (monocarpia) e os impactos do fogo, evento geralmente desencadeado por moradores da região, sobre a estrutura populacional dessas espécies. As condicionantes da pesquisa são discutidas: a dificuldade em definir o que seria uma paisagem natural, os aparatos experimentais utilizados na ecologia, as formas de interpretação da paisagem, a relação entre espécies vegetais, a influência antrópica sobre o ambiente, e como a intervenção humana foi fundamental para o estabelecimento do pensamento ecológico vigente. Realizando o contraste entre trabalho de campo e o trabalho em laboratórios, discutem-se as características destas duas formas de pesquisa científica
Ameaça ou ameaçada? As controvérsias sobre as múltiplas onças na Amazônia
Onças podem ser ao mesmo tempo ameaça e ameaçadas? As controvérsias entre a Amazônia rural e a conservação podem habitar um mundo comum? Como um exercício de reflexão sobre essas questões, este trabalho traz uma caracterização da relação entre ribeirinhos e onças nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, promove uma discussão sobre como a legislação, gestores, cientistas e conservacionistas mediam essa relação, e sobre o conflito de interesses entre os atores humanos envolvidos. Quantas onças existem, qual a agência delas e o que provoca nos demais actantes? O que a ciência mede e quantifica a respeito das onças tem sempre correspondência com o que é posto em movimento em termos de política para a conservação? Fica evidente que o embate entre modos tradicionais de lidar com os problemas advindos da convivência com onças e o empenho em conservar esses animais se dá em uma arena onde o diálogo é falho e assimétrico. O objetivo foi por em evidência as controvérsias identificadas nas relações entre o mundo rural e a conservação, destacando possibilidades da Teoria Ator-Rede tanto para a compreensão da construção do conhecimento científico como para a política na relação entre onças e populações tradicionais e seus desdobramentos
Movimento Negro e micropolítica. Lutas por visibilidade e o debate racial em Duque de Caxias/RJ
A cidade de Duque de Caxias é palco de um intenso debate racial há muitas décadas, tendo presenciado a passagem de personalidades consideradas importantes para o movimento negro brasileiro, como Joãozinho da Gomeia e Solano Trindade, para citar alguns exemplos, assim como a passagem de muitos grupos pertencentes aosA cidade de Duque de Caxias é palco de um intenso debate racial há muitas décadas, tendo presenciado a passagem de personalidades consideradas importantes para o movimento negro brasileiro, como Joãozinho da Gomeia e Solano Trindade, para citar alguns exemplos, assim como a passagem de muitos grupos pertencentes aos movimentos ditos culturais e aos chamados “movimentos políticos”. Além do trabalho de grupos e indivíduos na organização de políticas de combate à discriminação racial e/ou na promoção de uma cultura afro, atualmente a cidade também conta com a presença de um conselho municipal, composto por representantes de movimentos sociais e do poder público, cujo objetivo seria o de fiscalizar o governo municipal para garantir uma “política de promoção de igualdade racial” na cidade. Apesar do quadro efervescente em vários aspectos no que tange a pensar a questão racial na cidade, marcado, inclusive, por conquistas no campo de uma política do Estado, como a criação do conselho supracitado, o cotidiano de quem faz movimento negro em Caxias pode ser caracterizado por uma luta pelo reconhecimento da pertinência das pautas do movimento frente a discursos que questionam a existência de discriminação racial no Brasil. Luta esta que se dá especialmente no terreno das microrelações, como pôde ser etnografado na dissertação de mestrado que inspira esta escrita. O presente trabalho pretende, então, explorar os aspectos da atuação dos movimentos negros de Caxias que a análise de uma micropolítica evidencia e, paralelamente, analisar a importância que a abordagem acerca da molaridade e molecularidade dos processos sociais de Gilles Deleuze e Felix Guattari teve para os encaminhamentos da pesquisa em questão. movimentos ditos culturais e aos chamados “movimentos políticos”. Além do trabalho de grupos e indivíduos na organização de políticas de combate à discriminação racial e/ou na promoção de uma cultura afro, atualmente a cidade também conta com a presença de um conselho municipal, composto por representantes de movimentos sociais e do poder público, cujo objetivo seria o de fiscalizar o governo municipal para garantir uma “política de promoção de igualdade racial” na cidade. Apesar do quadro efervescente em vários aspectos no que tange a pensar a questão racial na cidade, marcado, inclusive, por conquistas no campo de uma política do Estado, como a criação do conselho supracitado, o cotidiano de quem faz movimento negro em Caxias pode ser caracterizado por uma luta pelo reconhecimento da pertinência das pautas do movimento frente a discursos que questionam a existência de discriminação racial no Brasil. Luta esta que se dá especialmente no terreno das microrelações, como pôde ser etnografado na dissertação de mestrado que inspira esta escrita. O presente trabalho pretende, então, explorar os aspectos da atuação dos movimentos negros de Caxias que a análise de uma micropolítica evidencia e, paralelamente, analisar a importância que a abordagem acerca da molaridade e molecularidade dos processos sociais de Gilles Deleuze e Felix Guattari teve para os encaminhamentos da pesquisa em questão
Genealogias subversivas: multiparentalidade jarawara e a dicotomia sexo/gênero
Os Jarawara - um grupo indígena do Sudoeste Amazônico -, concebem a parentalidade de forma diversa de como ela é concebida no (assim chamado) “ocidente”. Como sugere Marilyn Strathern (1995), a parentalidade em sua forma “Ocidental” prediz que o parceiro social deve ao mesmo tempo ser o parceiro biológico, e a procriação é tida como um processo “natural” entre um “homem” e uma “mulher”. Ao passo que, na forma Jarawara a mesma sequência - coito, concepção, nascimento - não parece predizer a procriação. Se, entre os Jarawara, diversas crianças possuem mais de um pai, o que é bem conhecido na literatura americanista, existiria igualmente uma forma de ação bastante original a qual poderíamos chamar de “multimaternidade”. Finalmente, observo que, entre os Jarawara, as pessoas têm diversos filhos, alguns são humanos enquanto outros são plantas. Isso é possível dentro de um sistema de criação (nayana), onde crianças e plantas são criadas por um pai e/ou uma mãe que não são seus pais “biológicos” - e por vezes nem sequer formam um casal. A parentalidade jarawara, como outros aspectos nos mundos ameríndios, evoca uma multiplicidade de formas que desestabilizam o entendimento do parentesco e do gênero tal como concebidos tradicionalmente pelos/as antropólogos/as. Proponho nesta comunicação que esta parentalidade não esteja vinculada ao conceito de reprodução sexual, às categorias homem e mulher e tampouco à relações heteronormativas. Com isso, busco refletir sobre a dicotomia sexo x gênero, procurando formas jarawara de conceber o “corpo” que coloquem em cheque o próprio conceito de sexo biológico
Coeficientes de assimetria e curtose nos dados de vazão média mensal da bacia do Rio Preto-BA
Técnicas estatísticas aplicadas às vazões podem trazer resultados que refinam a análise e o tratamento de dados trabalhados. Podem trazer informações sobre a variável, mais do que a própria tabela original de dados brutos. A partir disso, foi objetivado calcular a Assimetria (por meio do Coeficiente de Pearson) e o Coeficiente de Curtose de três postos fluviométricos do Rio Preto-BA, sob responsabilidade de ANA (Agência Nacional das Águas). Os dados de vazões médias mensais foram obtidos por meio do sítio eletrônico do Hidroweb, do período de 1970-2015. A partir do cálculo dos coeficientes de assimetria e curtose, verificou-se que os postos Ibipetuba e Fazenda Porto Limpo apresentaram assimetria negativa, o primeiro deles forte assimetria e o segundo assimetria moderada. O posto Formosa do Rio Preto apresentou forte assimetria positiva. Referente à curtose, os dois primeiros postos foram classificados como distribuição platicúrtica, e o terceiro distribuição mesocúrtica
Análise descritiva de nascentes do Rio São Francisco, no Chapadão Diamante, na Serra da Canastra-MG
O estudo se desenvolve no Chapadão Diamante na Serra da Canastra, sudoeste mineiro. Como parte de uma pesquisa mais detalhada, foi realizada uma análise descritiva de quatro nascentes (GP1, GP2, GP3 e GP4) que compõem um agrupamento de nascentes do Rio São Francisco, acompanhada de medição de vazão destes canais de primeira ordem. Com uso de um recipiente graduado e cronometro obteve os volumes de água por tempo que exfiltra em cada nascente, num cenário de estação chuvosa. As características geológicas, de vegetação e da cobertura superficial influenciam sobremaneira no volume exfiltrado, sendo que, 3 nascentes têm vazão entre 29 e 55,3 mL/s, classificadas como de sétima magnitude e 1, a GP1 é de oitava magnitude com vazão de 6,2 mL/s. É de grande importância aprofundar nos estudos nas áreas de cabeceiras de drenagem, pois são regiões que impactam diretamente no regime hidrológico de todo sistema à jusante
Tipologia de canais fluviais urbanizados na bacia hidrográfica do córrego Jaracatiá, Colider - Mato Grosso
Os canais fluviais são produtos da interação de vários elementos ambientais e, a partir de processos dinâmicos, contribuem para a esculturação do relevo. São, ainda, as principais fontes de recursos hídricos e, além disso, propiciam condições biofísicas para diversos ambientes (aquáticos e terrestres). Contudo, há evidência de degradação nos sistemas desses canais, principalmente em virtude de uso e de alterações diretas que, no caso, com maior destaque, tem-se a urbanização. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi analisar as características do córrego Jaracatiá, com trechos que percorrem o perímetro urbano de Colider - Mato Grosso. Foram classificados em: a) Fechados, b) Mistos e c) Não canalizados. O perímetro urbano de Colider abrange 52,06% da bacia com a malha concentrada em sua margem esquerda. Contudo, é possível verificar a expansão sentido cabeceiras com mudanças de ocupação e uso - do agropecuário para o residencial -, bem como novos loteamentos a jusant
Implicação no “novo” Código Florestal em uma unidade familiar da comunidade extrativista Monte Sião - São Domingos do Capim(PA)
Na comunidade extrativista Monte Sião o modo de vida de sua população estão intimamente ligados ao uso dos recursos naturais. De modo geral, as famílias combinam atividades extrativistas e de produção. Desperta-se a curiosidade de querer entender quais são as delimitações de uso dos recursos naturais em relação ao Novo Codigo Florestal( NCF). Assim, este trabalho tem por objetivo estudar o NCF e suas implicações em uma unidade familiar de várzea. Para alcance deste artigo utilizamos entrevistas abertas, semiestruturadas e não aleatórias às unidades familiares essas informações foram correlacionada com o NCF. Conclui-se que há um desacordo entre o NCF em relação à situação socioeconômica e ambiental, visto que repor área de RL e manter APP implica em perdas produtivas e que as restrições legais não têm sido suficientes para garantir a manutenção das florestas, uma vez que a maioria das unidades familiares já ultrapassou em 20% o limite de desmatamento autorizado.