Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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Os processos de ensino-aprendizagem na filosofia Madhyamika
A filosofia Madhyamika é parte da tradição do Budismo Mahayana fundada pelo Indiano Nagarjuna e é frequentemente mal compreendida como uma visão niilista da realidade. Entretanto, ela também é conhecida como a Escola do Caminho do Meio que refuta qualquer visão extremista. Nela encontramos várias provocações sobre a existência dos fenômenos, em especial a desconstrução, pela análise racional, da visão de que eles têm uma existência própria inerente e separada. A idéia é esboçar um diálogo entre esse sistema filosófico e a educação ocidental nas suas possíveis implicações em cenas de ensino-aprendizagem. O argumento central deste escrito é a possibilidade de encarar o budismo enquanto caminho de (des)aprendizagem e exemplificar isso com alguns contos e fábulas budistas. Estes questionamentos surgiram ao questionar algumas das bases corriqueiras na educação atual como a de que aprender é adquirir algo
Relatórios técnicos de arqueologia no licenciamento ambiental: a materialização do patrimônio como ferramenta estatal
O licenciamento ambiental é um campo de disputas entre saberes, práticas e epistemologias diversas. Entra em jogo nesses processos tanto o discurso científico quanto o discurso estatal e de mercado, ficando omisso geralmente aquele das populações locais atingidas. Desta intricada relação materializam-se diferentes categorias e entidades. O presente artigo visa analisar a constituição dos conceitos de “patrimônio”, “bem cultural” e “potencial arqueológico” em projetos de licenciamento ambiental. Para isso, focamos nosso olhar nos produtos criados pelos arqueólogos nesse contexto: os relatórios técnicos. Todavia esses documentos não são uma mera construção através de saberes e fazeres científicos em campo e em laboratório, mas são constituídos por legislações que definem práticas e conceitos. A definição de patrimônio cultural brasileiro, no qual se insere os bens matérias e os sítios arqueológicos, pode ser mapeada desde o Estado Novo, tendo sua concepção variado e sendo mais complexificada ao longo do tempo. Conjuntamente com esses documentos trazemos uma etnografia da prática arqueológica, a qual pretende abordar a atuação de arqueólogos em diferentes contextos, desde os trabalhos de campo, de laboratório, as atividades de educação patrimonial, reuniões com empreendedores e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) dentre outros. Essa etnografia se baseia a partir de uma atuação em projetos de licenciamento ambiental e de entrevistas com arqueólogos que atuam nessa área no Rio Grande do Sul. A partir disso, analisamos como essas ações constituem as Redes Sóciotécnicas emaranhadas nesses relatórios técnicos, e como eles atuam como objetos de poder, de legitimidade e de diálogo entre a ciência arqueológica, o Estado e a Iniciativa Privada
A micropolítica e a segmentaridade da Rede Puxirão dos Povos e Comunidades Tradicionais do Paraná
Este artigo discute a atuação da Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais do Paraná (que reúne faxinalenses, quilombolas, indígenas, benzedeiras, membros de religiões afro-brasileiras, cipozeiros, pescadores artesanais e ilhéus). Reunir-se coletivamente nesse espaço da Rede Puxirão requer dos agentes um exercício constante de alteridade, um movimento por meio do qual se deslocam de sua própria condição por meio da relação que estabelecem com os outros, através de uma micropolítica da percepção, da afecção, do diálogo etc. São, portanto, afetados, modificados e compostos como sujeitos individuais e coletivos. Nessa inter-relação, buscam construir um modo de reconhecimento mútuo, em que aquilo que afeta um segmento passa a ser considerado pelos demais nos encaminhamentos coletivos das lutas que realizam. Os segmentos se organizam coletivamente na Rede Puxirão, sem, contudo, se unificar, ou seja, as suas diferenças não se dissolvem na identidade do todo: ao mesmo tempo que eles se aproximam para realizar lutas conjuntas, cada segmento, e mesmo cada grupo, continua a realizar suas lutas específicas. Buscamos, desse modo, compreender como ocorre a organização política e que ações coletivas realizam e enunciam esses segmentos, em torno de demandas territoriais e de reconhecimento. Consideramos que, nas ações e nas enunciações desses grupos, há elementos importantes para pensar os movimentos sociais e a política na atualidade
O que se diz e o que se cala no arquivo fotográfico de Sílvio Coelho dos Santos
Acompanham-se as diversas ressignificações e novas articulações feitas a partir do arquivo fotográfico do antropólogo Silvio Coelho dos Santos, no Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, da Universidade Federal de Santa Catarina - Brasil (MArquE/UFSC). São mais de 2500 diapositivos acumulados em décadas de pesquisa que foram doados ao MArquE e nesta etapa da pesquisa observam-se os vários processos de reapropriações dessa coleção quando são (re)conhecidos. Discute-se o interesse de pesquisadores indígenas, especialmente alunos e formandos da Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC Laklãnõ/Xokleng em conhecer esta coleção, e outras, através de visitas a Reserva Técnica do MArquE. Além de uma análise das oficinas realizadas sobre a constituição de uma galeria virtual das imagens produzidas em contexto de pesquisa etnográfica do antropólogo. Como estratégia de comunicação e documentação de acervos museológicos, através do processo de compartilhamento de imagens em ambientes virtuais, em exposições museográficas e em oficinas de extensão universitária, centrado na contribuição dos Laklãnõ/Xokleng na construção das informações sobre estas imagens. Atenta-se para a rede que circunda esses objetos dentro do sistema museal, pesquisadores indígenas e não indígenas, a equipe técnica do museu, entre tantos, a fim de se compreender o arquivo na sua materialidade e ressonância com os diversos sujeitos
Dos sentidos da carroça: cavalos urbanos em disputa por carroceiros e por empreendedores da libertação animal
Nesta comunicação, apresentamos uma etnografia de um coletivo multiespecífico urbano em luta pelo direito à diferença. O trabalho resulta do encontro entre carroceiros e cavalos das periferias de Belo Horizonte com um antropólogo e um biólogo em meio a disputas em torno de dois futuros possíveis: de legitimação ou criminalização da tração animal e da convivência entre humanos e equinos. Este texto apresenta uma abordagem crítica acerca dos discursos sobre os cavalos enunciados por determinados atores vinculados à perspectiva da Libertação Animal. Em contraposição, apresentamos as narrativas de carroceiros sobre as relações interespecíficas junto a esses animais, desde suas respectivas comunidades rumo à cidade inteira. Nesse processo, fomos incorporados como assessores ao coletivo multiespecífico, com a missão de traduzir os fluxos de desejos, intenções e objetivos tanto dos carroceiros para seus grupos antagônicos quanto destes grupos aos carroceiros, e de ambos ao Estado
NÓS PROPOMOS! EM CHAPECÓ: O LUGAR EM PESQUISA EM DIÁLOGO COM A ESCOLA
Neste artigo, apresentamos os pressupostos teóricos e metodológicos de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida em parceria entre universidades e escolas. O objetivo geral é apresentar os elementos teórico-geográficos do lugar e cotidiano em pesquisa, permeados da perspectiva de construção da cidadania territorial. Configura-se como ensaio teórico, por envolver a exposição e discussão dos pressupostos teórico-metodológicos de uma pesquisa, em diálogo com referenciais bibliográficos. Organiza-se esta textualização em partes: explicitação da estrutura e objetivos do artigo; arguição da relação do processo de pesquisa realizado; e as constatações gerais acerca das noções e da metodologia envolvida, efetivado enquanto diálogo entre universidade e escola. O estudo permite inferir que o movimento empreendido é contributo fundamental à construção das noções de lugar e cotidiano, que são inerentes à construção da cidadania territorial
A PRODUÇÃO DO ESPAÇO COMO PROPOSTA DE ENSINO DA HISTÓRIA DE ÁFRICA
O presente texto é resultado de uma proposta pedagógica que busca debater como a ciência geográfica pode contribuir para a educação afro-brasileira e africana. A abordagem analítica é da cartografia-histórica, e foi desenvolvida para contemplar a articulação espaço-tempo da história de África. Os resultados se apresentam como uma qualificação geográfica do continente africano em quatro momentos da produção do espaço: paisagem, lugar, região e território. Os momentos associados às categorias da ciência geográfica subjazem a necessidade de inclusão de diferentes produtos cartográficos e relação com dinâmica natural e processos socioespaciais abrangentes, mas combinados locais e globalmente. Espera-se que a proposta possa auxiliar professores e estudantes no trato com conteúdos que valorizem e reconheçam cultura e a história afro-brasileira partindo do conhecimento geográfico da África, iniciando o debate pelo conceito de continente
[DES] CONSTRUIR PARA O PENSAR POLÍTICO NA GEOGRAFIA: DIÁLOGOS NO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA DA UFFS
Este artigo tem por objetivo refletir e apresentar uma forma de propagação dos conteúdos trabalhados a cerca das aulas de Geografia Política no ensino de Geografia na Educação Básica, elaborados pelos discentes do curso de Geografia a partir do Programa Residência Pedagógica (PRP), no subprojeto do campus Erechim, na Universidade Federal da Fronteira Sul. Pensar a Geografia, requer pensar necessariamente no espaço geográfico e nas suas relações internas, que quando competidas a luz da interação política, da autoridade, do poder e das intencionalidades, configuram territórios. A partir de intensas bibliografias da Geografia Política em CCRs do curso, com os conceitos de escalas, poder, nação, fronteiras, para interligar na experiência docente em Geografia, com o despertar de uma educação cidadã e crítica. Após o levantamento bibliográfico e o reconhecimento das interligações entre as conceituações da Geografia Política, e das teorias pedagógicas da educação geográfica, buscou-se o planejamento e a verificação de Planos de Aula conforme a interlocução dessas frentes em oito objetivos específicos que serão explicados e destrinchados neste artigo. As aulas realizados no 9º ano do Colégio Haidée Tedesco Reali no município de Erechim/RS ocorreram no mês de março no âmbito do PRP, após todo um período de reflexão bibliográfica, sínteses, debates e elaboração do Plano de Atividades geral durante a primeira etapa do programa em 2018, com reflexões acerca da Projeto Político-pedagógico do Colégio, da nova Base Nacional Comum Curricular, da estruturação dos conteúdos e do livro didático para orientação, das participações no âmbito escolar de imersão ao espaço de ensino-aprendizagem e na construção de identidade docente
O ENSINO DE GEOGRAFIA E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA: UMA REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA
O presente estudo apresenta resultados parciais relativos ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID Edital 7/2018 da CAPES, Edital Nº 15/PROGRAD/UFFS/2018 subprojeto Geografia – campus Erechim RS. O projeto envolve a parceria com duas escolas estaduais do município de Erexim/RS pertencentes à microrregião de Erexim, ambas localizadas na área central da cidade, atendendo estudantes tanto do município como de outros, pertencentes à microrregião, oriundos majoritariamente da área urbana. Propõe estabelecer uma reflexão sobre o ensino de Geografia e promover o ensinoaprendizagem através da Educação Ambiental com ênfase na Agroecologia. Objetivamos inicialmente estabelecer um diálogo sobre o aproveitamento dos resíduos orgânicos através do sistema de compostagem, visado assim, a conservação e melhoria do solo. O programa visa contribuir com a formação docente, promovendo a valorização do magistério, aproximação da universidade com as escolas básicas a fim de contribuir com o ensino aprendizagem, aliando a teoria com a prática. Os resultados parciais pretendem relatar a contribuição do projeto junto às escolas, promovendo a Oficina Geográfica; Agroecologia e Alimentação Saudável, conduzindo a reflexões com perspectivas didático pedagógicas. Pensando no ensino de Geografia e suas contribuições para a abordagem temática, introduzimos o diálogo relativo ao conceito de ‘solo’ e ‘terra’ e suas especificidades a partir da compreensão do solo enquanto organismo vivo, suas variações do ponto de vista da formação pedológica e dos aspectos físicos, químicos e ecológicos. Abordando a questão do processo erosivo do solo, elaboramos maquete demonstrativa através de três amostras de solo, sendo: solo descoberto, com ‘palhada’ e com cobertura vegetal, sendo que os resíduos erodidos foram coletados, afim de que os estudantes pudessem observar os diferentes resultados. Posteriormente, abordamos a questão do lixo e suas relações com os resíduos orgânicos, dialogando sobre a compostagem, resíduos e húmus para o solo. Os recursos didáticos utilizados foram: mapas, imagens, maquete do processo erosivo e composteira, bem como oferecemos amostra do resultado da compostagem em adubo orgânico. Ao finalizarmos a atividade, estabelecemos relações sobre a importância da saúde do solo na dimensão da alimentação saudável através da Educação Ambiental e Agroecologia no ensino de Geografia. 
A GEOGRAFIA E A VISÃO DOS ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO ACERCA DA DISCIPLINA ESCOLAR
A geografia escolar, além das suas discussões internas enquanto disciplina, esbarra em várias questões no que se refere a formação de seus profissionais e ao sistema educacional brasileiro. A presente pesquisa tem como objetivo principal analisar a percepção dos estudantes do ensino médio da rede estadual em São João de Meriti – RJ através de um estudo de caso no Colégio Estadual Jardim Meriti, buscando entender quais são as problemáticas do universo geográfico presentes no ensino e quais os desafios que a geografia enfrenta nas escolas públicas. Os alunos do ensino médio ainda têm a visão de uma geografia acrítica, sendo uma disciplina de cunho apenas informacional