Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    A urbanização contemporânea de Campinas e o processo de constituição da região do Jardim Campo Belo

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    A cidade de Campinas acompanha o processo de urbanização brasileiro, transformando-se nas últimas décadas numa cidade corporativa e fragmentada (SOUZA, 2008). Neste contexto, em que a urbanização é impulsionada por interesses corporativos, intensificam-se a periferização, a segregação e o empobrecimento principalmente nas grandes cidades brasileiras (SANTOS, 1987, 1993, 1996, CORRÊA, 2000). Em Campinas essa urbanização que segrega e divide o espaço urbano é notável

    Algoritmos como “máquinas de cultura”: Notas sobre política e produção de consenso no sistema peer-to-peer Bitcoin

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    Em operação desde 2009, o Bitcoin é a primeira criptomoeda em circulação e implementa um protocolo para trocas de valores eletrônicos por meio de métodos criptográficos em uma rede distribuída (peer-to-peer). O sistema Bitcoin consiste em um complexo global de máquinas, técnicas computacionais e atores humanos associados em comunidades e mercados de tipo descentralizado. A produção coletiva do “consenso distribuído” sobre as movimentações e balanços da rede se baseia em algoritmos, no emprego de máquinas de alto poder computacional, e na atuação de programadores e usuários em uma rede de trocas transnacionais que dispensa autoridades reguladoras centrais. Neste artigo trago alguns apontamentos sobre a política e a produção de consenso no sistema peer-to-peerBitcoin. Para isso, inicio com uma descrição geral do funcionamento do sistema, enfatizando sua topologia descentralizada/distribuída e parte do aparato tecnológico que o constitui. Pretendo trazer à tona alguns elementos da “produção de consenso” entre as máquinas desse sistema de dinheiro eletrônico para descrevê-los sob a perspectiva dos algoritmos como “máquinas de cultura”, isto é, procuro pensar os algoritmos não como artefatos dacultura, mas sim comocultura, como arranjos sociotécnicos, múltiplos e instáveis, entre humanos e não-humanos, efetuados por séries de práticas computacionais e, no caso do Bitcoin, por meio da implementação de políticas econômicas muito específicas

    Conexões parciais entre humanidade, técnica e utopia: o que ciborgues antropófagos tem a nos ensinar sobre Antropologia?

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    O presente artigo é resultado de uma leitura exploratória de “O manifesto Ciborgue” (Haraway), “O manifesto Antropófago” (Oswald de Andrade), e “O manifesto futurista” (Marinetti). Buscando potencialidades possíveis, o objetivo é criar conexões parciais entre as temáticas dos(as) escritores(as), salientando suas reflexões a respeito da técnica, da utopia e da condição humana. Fabulações, metáforas e figuras do futuro na ficção científica abrem novos caminhos para o pensamento, e nos permitem estabelecer problemas, respostas e projetos experimentais/políticos, atravessados pela linguagem poética e suas possibilidades multiplicadoras. De maneira a evitar uma interpretação reducionista, o convite é propositivo e demonstrativo, indicando os efeitos e consequências tanto de uma presença elogiosa do futuro e do progresso, quanto de sua ausência assombrosa e ameaçadora. Em tempos onde, cada vez mais, a sensação de esgotamento do presente se desdobra em previsões de fins (da Natureza, da Espécie, do Capitalismo) a tecno-ciência coloca incessantes questionamentos ontológicos que exigem a criação de práticas imaginativas, sobretudo em seu caráter pragmático e especulativo, que se situem ortogonalmente entre o negacionismo displicente e a tecnofilia pós-humana

    Corpos simuladores de parto educando corpos humanos: “conexões quase humanas”

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    O texto apresenta os resultados parciais de uma pesquisa maior de pós-doutoramento, iniciada em 2018, intitulada “Corpos educando Corpos: biotecnologias e modulações do self na formação médica”. Esta parte da pesquisa objetiva investigar, no campo dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT) a estrutura tecnológica (technological frame) dos manequins de simulação realística de partos com cervix destinados ao treino das habilidades médicas da episiotomia enquanto artefato nos cursos de medicina. Especificamente, o texto aborda a interação de heterogêneos atores fundidos, dispostos em uma rede que sustenta e dá sustentação as práticas dos laboratórios de habilidades médicas nas universidades públicas e privadas, sob a perspectiva da antropologia simétrica, construindo essas tecnologias e compartilhando uma gramática entre humanos e não humanos, como resultado das negociações de interesses entre diversos e divergentes grupos sociais

    “Conexões Afropindorâmicas”: relatos de experiências, confluências e subversões

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    O objetivo deste paper é refletir sobre duas experiências de contra-colonização do conhecimento na universidade, realizadas no âmbito de disciplinas regulares em 2018. Na primeira, “Textos de Autoria Afroindígena”, foram lidos exclusivamente textos de autores indígenas, afro-brasileiros e africanos, como João Paulo L. Barreto (Tukano), Antônio Bispo dos Santos e Wiredu Kwasi. As discussões foram mediadas por quatro monitores cotistas da UFBA (duas indígenas, um quilombola e uma negra). A segunda experiência é a disciplina “Conexões Afropindoâmicas”, que contou com financiamento via edital interno da UFBA, viabilizando a recepção de mestras(es) dos conhecimentos tradicionais. Serão apresentadas reflexões etnograficamente fundamentadas sobre as confluências experimentadas, a subversão de rituais, protocolos e espaços acadêmicos, as diferenças entre “saberes orgânicos” e “saberes sintéticos”, e a adoção, pelos participantes, do vocabulário de mestres como Antônio Bispo dos Santos

    Quase-etnógrafo-etc.

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    A proposta deste ensaio é refletir sobre certas práticas de aliança que se desdobram a partir do encontro com mestres e mestras integrantes da Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG; práticas que incluem conhecimentos não antropológicos, oriundos da área das Ciências Sociais ditas Aplicadas. Tais práticas de aliança, para se tornarem possíveis, devem beneficiar-se da reflexão autocrítica e histórica feita dentro da disciplina antropológica acerca dos encontros com aqueles que costumávamos chamar de “outros”, por um lado, e podem, por outro, partilhar questões e desafios transversais às diversas disciplinas anfitriãs. A figura do “quase-etnógrafo-etc.” pretende dialogar em contraponto com a conhecida figura do “artista como etnógrafo” do texto de Hal Foster de 1995, por meio da reflexão sobre o papel do professor anfitrião e as reversibilidades, simetrias e colaborações implicadas. A reflexão será conduzida por quatro descrições de experiências práticas no âmbito da UFMG, que são: uma pergunta equivocada; uma proposta didática; um projeto editorial; e um projeto expográfico

    O Nhanderekó Mbyá Guarani na Terra Indígena Tekoá Mirim: percepção ambiental e ontologia indígena elaboradas como formas de luta

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    Inserido no processo de autodemarcação da Terra Indígena Tekoá Mirim localizada no interior da Unidade de Conservação do Parque Estadual da Serra do Mar no município de Praia Grande, no litoral paulista, este trabalho pretende evidenciar a luta pela permanência Mbyá Guarani em seu próprio território. Já, que diferentes instâncias do Estado passaram a considerá-los como invasores, e a sua permanência na Tekoá Mirim, contrária ao “corpus” legal que legisla sobre a ocupação humana nas UC ambientais. Desconsiderando, portanto, que esta permanência remonta a uma posse secular, assegurada pela concretização sócioespacial de seu modo de vida próprio, culturalmente peculiar, ou seja, de seu Nhanderekó. Diante de tal contexto, pretende-se neste trabalho, dar visibilidade às motivações sociocosmológicas que justificam a dinâmica dedeslocamento e ocupação espacial dos Mbyá, tanto quanto, a interlocução dialógica que se materializa diante da circunstância de que a percepção ambiental que eles manifestam na definição nada aleatória de sua Tekoá, necessariamente, é circunscrita e circunscreve simultaneamente, a elaboração ontológica que executam

    Jogar com o peixe: Percepção e conhecimento na pesca litorânea potiguar

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    O mar é o palco de uma das relações mais complexas da sociedade-natureza: o encontro possível através da mediação técnica pesqueira entre homens e seres marinhos. A partir da pesquisa bibliográfica e da experiência empírica do autor sobre coletivos pesqueiros no litoral do Estado do Rio Grande do Norte (Brasil), percebeu-se a existência do que chamamos de jogo, metáfora para o luta pela existência entre humanos e não-humanos no ambiente marinho, operacionalizado pelas noções de perícia-técnica (domínio das técnicas de pesca) e moral-técnica (regra/limite que consiste no uso de técnicas que não eliminem totalmente as possibilidades de escapatória do pescado). Em termos êmicos, saber jogar significa operacionalizar concomitantemente as duas noções citadas, o que confere ao pescador prestígio social em seu agrupamento. Contudo, as relações entre pescadores e seres marinhos são alteradas de acordo com a modalidade de pesca praticada: pescadores artesanais costumam enfatizar a ausência do jogo entre os pescadores ligados à pesca industrial. Desta forma, a proposta desta comunicação é descrever e analisar, sob a luz do conhecimento antropológico, as relações humano-não humanos na pesca marítima potiguar, com ênfase sobre a noção de jogo

    Conservação da agrobiodiversidade, populações tradicionais e pesquisadores

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    Este artigo tem como objetivo pensar como pesquisadores e populações tradicionais se conectam em torno da conservação da agrobiodiversidade a partir do debate sobre biodiversidade, mudanças climáticas e segurança alimentar. Tendo em vista que essas populações são consideradas guardiães de sementes e conhecimentos associados a elas, qual é a relação que se estabelece entre pesquisadores e agricultores tradicionais na conservação da agrobiodiversidade?  Também buscamos pensar, a partir dessa relação, a autonomia das populações tradicionais nos seus países de origem frente às mudanças climáticas e as preocupações relacionadas com a alimentação mundial. Por fim, de que forma as pesquisas sobre sementes tem dialogado com os estudos sobre alimentação? Para responder a estas perguntas, recorrerei aos dados empíricos da pesquisa de doutorado em Antropologia sobre políticas públicas e conservação da natureza na Amazônia, com base nos Estudos de Ciência e Tecnologia e na Antropologia da Alimentação. O objetivo é debater as representações sociais ligadas à conservação das sementes

    Restaurantes e anti-restaurantes: antinomias da gastronomia contemporânea

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    Este artigo tem o objetivo de analisar o surgimento de novas configurações de espaços  alimentares que rompem com a lógica tradicional dos restaurantes, aqui chamados de convencionais,  que se caracterizam por funcionarem em lugares permanentes, com cardápios e horários mais ou  menos fixos. Para tanto, analisamos espaços como “underground restaurants”, “guerrilladiners”,  “pop-up restaurantes” e anti-restaurantes. Apresentamos esses novos espaços alimentares como  tendências que modificam as dinâmicas alimentares contemporâneas, sobretudo ao que concerne a  ideia de comer fora de casa e as relações de confiança implicadas nessa prática. A metodologia  consiste em analisar críticas gastronômicas veiculadas em jornais e revistas especializadas, análise  do perfil das mídias sociais (Facebook), bem como discutir o caso do “GuerillaKitchen”, localizado  em Amsterdam. Por fim, observamos que tais espaços alimentares subvertem a convencionalidade  dos restaurantes,operando em regimes de ilegalidade e informalidade, construindo novas lógicas e  relações com o mercado

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