Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Corredor de Nacala - comboio, carvão e gente no norte de Moçambique (Estação Biblioteca Mindlin)

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    Moçambique passa nesta última década por impressionantes mudanças. Ainda que digam respeito a todo o país, a região Norte é onde elas ocorrem de maneira mais impactante. Desde que nos anos 1990 o Estado moçambicano permitiu a entrada de investimentos privados estrangeiros no país, grandes e médios projetos de extração de recursos minerais envolvendo a exploração de gás de petróleo, areias pesadas e pedras preciosas têm se estabelecido na região. Destes projetos os mais significativos atualmente em curso envolvem a exploração de carvão nas minas de Moatize, província de Tete. Para escoar as milhões de toneladas de carvão que se está a extrair das minas, (re)construíram um caminho de ferro, a linha do Norte que ligava, de modo intermitente, Nacala a Cuamba e Lichinga, e que agora segue até Moatize. Este caminho de ferro é parte do projeto de desenvolvimento conhecido como Corredor de Nacala. Pela região moram alguns milhões de moçambicanos, a maioria população tradicional campesina falante de Emakhuwa. Composta de 143 fotos tiradas em diferentes momentos e por diferentes pessoas nos últimos dois anos e meio, esta exposição propõe uma narrativa crítica da implantação do Corredor de Nacala no norte de Moçambique. Ela é parte de uma pesquisa em andamento no contexto do Programa Pro-Mobilidade CAPES/AULP. Muitxs Outrxs* do Brasil, de Moçambique e de outros lugares fizeram acontecer esta exposição. Por isso Muitxs Outrxs* a assinam

    Ǥodidigo Kadiwéu: o desenho como uma técnica de memória dos tempos míticos e presentes

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    Caracterizada por um particular minimalismo figurativo, em que a sugestão é mais frequente do que a demonstração, a arte indígena ameríndia tem sido estudada em seu estatuto e agência, relacionados ao universo cognitivo particular no qual opera. Entrando no campo da sugestão, neste trabalho sugerimos possíveis interpretações do lawile, desenho Kadiwéu traduzido como redemoinho, e que constitui um dos principais desenhos deste grupo, famoso nacional e internacionalmente por sua expressão artística. Tal aproximação com as interpretações a respeito do desenho Kadiwéu, seja ele compreendido como linguagem ou como agência, é fruto de uma pesquisa de doutoramento em Antropologia Social (PPGAS/USP), em fase de conclusão, em que fizemos oito meses de trabalho de campo na aldeia Alves de Barros (Porto Murtinho/MS), e em que esboçamos, para além do lawile, outros vinte desenhos Kadiwéu. Num paralelismo entre conjuntos, de elementos gráficos e de conhecimentos míticos, compreendemos que o ǥodidigo estabelece inúmeras conexões, que não são complementares ao mito, mas sim a mesma coisa. Ou seja, tais desenhos são mitos gráficos, são uma técnica de memória alternativa à escrita, e como tal agem de forma a reconvocar memórias

    Reflexões iniciais sobre o projeto “Livros, literatura e empoderamento feminino: um estudo etnográfico sobre o projeto Leia Mulheres nas redes sociais”

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    Neste artigo realizo a aproximação com meu atual campo de investigação: o projeto #leiamulheres. Para isto, apresento os objetivos que a pesquisa abarca, bem como uma contextualização sobre o projeto, uma breve reflexão sobre a relação entre censura, literatura e mulheres e, posteriormente, a apresentação do desenho metodológico composto até então. Minha intenção é compartilhar minhas intenções de pesquisa para agregar novos olhares e novos ares a uma pesquisa que ainda está em sua fase inicial

    Pequenos picadores: mosquitos como “mais-que-vetores” no alto sertão sergipano

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    Resultado de uma pesquisa de campo de aproximadamente 40 dias distribuídos em 3 meses, este trabalho é parte de uma dissertação ainda em andamento. Trata-se de uma etnografia realizada no Monumento Natural (MONA) Grota do Angico, unidade de conservação (UC) situada no alto sertão sergipano. Os desdobramentos das relações efetivas entre populações humanas e mosquitos são o fio condutor deste trabalho. Na Unidade, não há registros de arboviroses, o que não exclui a possibilidade de suas ocorrências. Somado a isso, elas não foram percebidas ou mencionadas pelos sertanejos como realidade local, o que me fez propor uma abordagem mais-que-vetora para a relação entre eles e os insetos em questão. Constituindo uma paisagem emaranhada de seres vivos ou não, humanos ou não, o MONA está sob constante visita de pesquisadores e turistas do mundo inteiro, além dos agentes do estado – todos, em geral, mencionados pelos sertanejos como os hômi da rua. Entre a preservação e o extermínio de espécies, a rua determina uma série de condutas a serem seguidas pelos sertanejos que habitam o local. Os insetos, então, foram a minha porta de entrada para reflexões sobre questões que emergiram em campo, dentre as quais: a composição dos mosquitos na paisagem e a sua luta, seja lutar por sobreviver no ambiente naturalmente adverso que é a caatinga ou lutar contra o local a que são alocados: parasitas e pragas a serem exterminadas. Este trabalho é, portanto, um esforço de se “falar com” mosquitos, tomando como ponto de partida a maneira como os sertanejos pensam esses insetos. Tais concepções nativas, portanto, potencialmente subsidiam diálogos com uma ciência comprometida a pensar a era de extinções em massa

    Os seres da/na cidade: experiência vivida no vilarejo Passo dos Negros, Pelotas/RS

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    A experiência vivida na localidade do Passo dos Negros – pequeno vilarejo localizado às margens do canal São Gonçalo em Pelotas/RS -motiva uma série de reflexões acerca do fazer cidade por meio das interações entre os humanos e os outros animais. Nos deparamos com um lugar onde, desde há muito tempo, estes coletivos coexistem de forma constante e próxima, constituindo diferentes modos de habitar. Remonta à época das charqueadas, em que a região se configurou como um contexto de circulação das tropas de gado bovino, tocadas a cavalo e cães, que cruzavam a região em direção aos abatedouros localizados às margens dos rios. Atualmente, ao vivenciar o lugar, percebemos em nossa volta a presença e circulação de animais junto às outras pessoas, automóveis e motocicletas. Observamos diversos cavalos e vacas presos por cordas a beira das valetas ou pastando pelas áreas de campo. Cruzamos por pessoas montadas em cavalos e por diversos cães soltos circulando pelas estradas, trazendo a sensação de outras temporalidades, outros modos de habitar a cidade. Assim, a proposta consiste em perceber os animais não humanos, em um aspecto relacional, como detendo um modo de viver em interação, que não necessariamente está vinculado aos humanos. O texto propõe descrever etnograficamente a composição desse contexto dentro de um processo histórico e cultural

    CAMINHOS DE ENSINANTES E APRENDENTES DO ESTÁGIO CURRICULAR EM GEOGRAFIA NA (RE)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE

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    O sentido deste ensaio é contribuir para a reflexão sobre o estágio curricular de Geografia no Ensino Básico enquanto perspectiva ou não de pesquisa, dialogar sobre os desafios que o estágio, na condição de entre-lugar pedagógico, traz aos futuros professores em relação à construção de uma identidade docente e construir caminhos, mesmo provisórios, que desenvolvam a autonomia de ensinantes e aprendentes na auto(trans)formação do saber e do fazer pedagógico durante a contemporaneidade. Os diversos espaços-tempos de formação e atuação dos sujeitos que ensinam - e que, por isso, também aprendem -, constituem a análise deste trabalho. Para isso, nosso objeto foi a produção de pesquisa quanti-qualitativa com licenciandos e licenciados de uma universidade privada em Porto Alegre (RS), a partir de questão desequilibrante e problematizadora: diante dos desafios que vivemos na contemporaneidade, o estágio curricular pode ou não ser considerado um caminho de pesquisa para a busca de uma boa aula de Geografia? O propósito deste trabalho é elaborar respostas que não sejam indeléveis para o ensino da Ciência Geográfica. Nosso anseio é procurar caminhar pelo espaço das ideias, pelas ruas sinuosas das verdades contestáveis (MORIN, 1998) que nos possibilitaram enxergar o mundo com as lentes do Paradigma da Complexidade. A compreensão epistemológica sobre nossa ciência, enquanto educadores, agrega sentido ao conhecimento construído nas escolas, tornando-se alicerce para a formação de professores e propósito das licenciaturas no Brasil. Por outro lado, como saber se os alunos aprendem o que ensinamos? A finalidade deste trabalho não é outra senão levantar pontes entre licenciados e licenciandos para dialogarmos se há ou não espaço para a pesquisa na auto(trans)formação pedagógica do educador de Geografia

    A INTERAÇÃO PROFESSOR-ALUNOS NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM

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    O presente trabalho ressalta a importância da interação professor-aluno no processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, analisou-se a interação professor-aluno tomando como referência as contribuições de Shulman (2014) sobre os conhecimentos docentes e processos de raciocínio e ação pedagógicos. A pesquisa empírica foi realizada em duas escolas públicas de ensino fundamental e médio localizada nas cidade de Cuiabá-MT, por meio da observação da prática pedagógica dos professores de Geografia. As observações permitiram inferir que em alguns aspectos da motivação e interesse dos alunos nas aulas de Geografia estão diretamente relacionadas a prática pedagógica. De modo geral, foi possível apontar a prática dialogada como estratégia básica que aprimora a interação professor-alunos para tornar as aulas mais interessantes e motivadoras para os alunos

    CLIMATOLOGIA ESCOLAR: PERCEPÇÃO CLIMÁTICA DOS ALUNOS SURDOS DO ENSINO MÉDIO DA ESCOLA INCLUSIVA EM RELAÇÃO AO CLIMA E TEMPO ATMOSFÉRICO

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    O presente projeto de pesquisa visa desenvolver uma investigação pedagógica no ensino de geografia para alunos surdos nas temáticas clima e tempo atmosférico. Entende-se a importância no ensino da Geografia, assim como em todas as disciplinas regulares, tem-se uma obrigatoriedade crescente em debater processos que proporcione o envolvimento pleno do aluno surdo com o conteúdo trabalhado em aula. A Geografia caminha em uma perspectiva bilíngue, onde há Libras e o Português escrito dialoguem na percepção climática na vivência dos alunos na construção dos conceitos geográficos da Climatologia para o melhor aprendizado dos alunos surdos diminuindo as dificuldades de aprendizagem no ensino. Ainda há um longo caminho na busca por uma educação inclusiva íntegra, mas por meio dessa investigação científica, procura-se desenvolver métodos que contemplem o ensino de geografia e a linguagem de sinais para surdos de modo irrestrito

    MAPEANDO COM A EDUCAÇÃO INFANTIL

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    Este trabalho se propõe a observar a compreensão espacial que as crianças possuem na faixa etária entre 4 e 6 anos, analisar seus mapas mentais, conversar sobre a importância dos mapas e da cartografia na vida cotidiana, observar em suas falas e ações o que elas exploram e entendem sobre o espaço e suas dimensões de modo perceptivo e representativo, segundo a análise de Jean Piaget sobre a construção do espaço na criança. Estando amplamente aliados ao contexto escolar, envolvendo atividades, brincadeiras, ludicidade e explorando o imaginativo dos aluno

    PLANTAS MEDICINAIS E ETNOCONHECIMENTO NA CIDADE DE HUMAITÁ-AM

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    O modo de vida rural é parte da cultura do povo brasileiro. Os tipos de cultivos, preparos de alimentos, nomenclaturas diferenciadas de plantas e animais. Contudo, uma prática comum herdada da cultura camponesa refere-se ao preparo de medicamentos à base de plantas medicinais nativas e cultivadas. Desse modo, propõe-se o estudo dos medicamentos naturais feitos a partir de plantas por alunos do Ensino Fundamental. E a compreensão da migração como elemento que contribui para a diversidade cultural. Tais conhecimentos são difusos na sociedade devido a constante troca de informações em função da necessidade de tratamentos de saúde domésticos, seja por causa da ausência do poder público ou por que se considera a medicina tradicional mais eficiente. Assim, este estudo pretende analisar as influências do etnoconhecimento camponês no modo de vida urbano, principalmente quanto ao uso de medicamentos produzidos a partir de plantas nativas e cultivadas, as informações serão produzidas a partir de trabalhos de campo com entrevistas sob a perspectiva da pesquisa participante na qual os estudantes poderão apreender a realidade como pesquisadores e sujeitos da situação social estudada

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