Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Relações entre humanos e mais–que–humanos nas redes da conservação e da produção de ciência sobre espécies animais pouco emblemáticas no Esp. Santo

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    O trabalho liga-se a uma pesquisa etnográfica sobre as atuações do Pró-Tapir, programa de monitoramento e conservação das antas e outros ungulados da Mata Atlântica capixaba. Acompanhei as pesquisas de campo realizadas pelas pesquisadoras, e o mateiro que as acompanha, no Complexo Florestal Linhares-Sooretama, no Espírito Santo. O complexo representa a maior área contigua do bioma Mata Atlântica no estado e uma das maiores do país. A pesquisa busca integrar a temática ambiental à perspectiva da Antropologia da Ciência e da Tecnologia, com a proposta de acompanhar as pesquisadoras também enquanto agentes conservacionistas e popularizadoras de espécies pouco emblemáticas através da produção tecnocientífica, da ação direta com os animais e da difusão lúdica e científica dessas espécies nas redes sociais e nas comunidades do entorno das áreas protegidas do complexo florestal. Para tanto, o trabalho contou com os métodos de observação participante e pesquisa bibliográfica e documental. Em suma, pretendo pensar sobre as relações entre humanos e mais-quehumanos dentro do biologia da conservação e da produção tecnocientífica, sobretudo, no Antropoceno

    Sobre cães de trenó e perros salvajes: o que pode um cão na Terra do Fogo

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    O tema de minha pesquisa de mestrado são os cães que puxam trenó em Ushuaia (capital da Província da Terra do Fogo/Argentina) e suas relações com seus criadores e com os turistas, para os quais ambos trabalham. No entanto, durante minha permanência em campo deparei-me também com outros cães em outros contextos: os perros fueguinos, que conviveram (ou não) com as primeiras populações fueguinas; o perro polar argentino, raça produzida pelo Exército para a exploração antártica; os inúmeros cães de companhia abandonados na cidade; e, finalmente, os perros salvajes, que habitam as zonas rurais e constituem, para os fueguinos, “animales dañinos” e “especie exótica invasora”. Destarte, neste trabalho proponho-me a pensar, com atenção especial aos cães de trenó e aos perros salvajes, quais são os diferentes sentidos e formas que a noção de domesticação pode assumir nesses contextos diversos em que cães e humanos se relacionam: de animais daninhos a produtos de “aperfeiçoamento genético”, o que pode um cão na Terra do Fogo

    Sentir-se em casa: domesticação no domínio comportamental aves-humanos

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    Considerar a domesticação como processo ou resultado de uma interação instrutiva, em que humanos especificam a dinâmica estrutural de outros organismos, nos cega para os afetos mútuos envolvidos. Sem negligenciar o peso político das narrativas de progresso e controle, em que a domesticação marca a passagem da natureza à cultura, podemos estar atentos à diversidade de modos de relacionar nos domínios que tradicionalmente distinguimos como domesticação. Como processo, domesticar é tanto trazer para perto quanto lançar-se na direção do outro, espaço em que os organismos estabelecem uma dinâmica de ser-com, como condição da conservação de sua organização de ser vivo. Como resultado, a domesticação não garante corpos e disposições de determinado tipo. Traços como docilidade, submissão ou dependência poderão ou não surgir em coerência com as relações coontogênicas estabelecidas, em que organismos com modos de vida distintos criam, juntos, um sistema social de segunda ordem. No Parque dos Falcões, espaço que acolhe aves de rapina, os encontros entre esses animais e os humanos ensejam diversas explicações, científicas ou não. Enquanto os cuidadores do Parque utilizam elementos da etologia, da falcoaria e de tradições locais, as aves contribuem com suas próprias disposições para os processos continuados e particulares de domesticação, humana e não humana, propiciados por tais encontros

    Nas texturas da terra: movimentos e práticas conhecimento entre os quilombolas do Vale do Ribeira

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    Nesse trabalho proponho refletir como o processo jurídico-burocrático de autorreconhecimento quilombola se constitui a partir da interseção de saberes e lógicas distintas de percepção do tempo e do espaço. Com base em uma experiência etnográfica entre os moradores de Pedro Cubas, um “Remanescente de Quilombo” situado no Vale do Ribeira (SP), e nas peças técnicas que compõem o procedimento de demarcação de suas terras, busco descrever de que maneira esse encontro entre tecnologias e técnicas sensíveis de percepção espacial toma forma e é estabilizado nos documentos. Argumento que o que os habitantes de Pedro Cubas oferecem como trilha para se pensar não se curva à acomodação do tempo linear, do território como superfície ou da genealogia, tal como descrevem os documentos oficiais. Mas que no ato de fabricar fronteiras e estabelecer direitos territoriais, esse modo singular de organizar o mundo, que é acionado por antropólogos, historiadores, cartógrafos e agrimensores; também opera em seus quintais, no movimento que potencializa a luta pelo território. O presente texto propõe, assim, pensar tanto nas imbricações dessas distintas lógicas,quanto nos processos de estabilização, a partir de um exercício de escrita antropológica que operetorções, comparações e contrastes entre os distintos materiais etnográficos

    Tornarmo-nos Terranos no Antropoceno: estamos atrasados?

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    O objetivo deste ensaio é atentar para algumas controvérsias que acompanham a chegada dessa nova época, particularmente no Brasil, e destacar a presença de três diferentes grupos na matriz discursiva do Antropoceno: os aceleracionistas, os ecomodernistas e os Terranos. Esclarecer o que está em disputa nesse tempo é urgente e tal tarefa não parece fácil. É diante desse desafio que proponho a seguinte questão: estamos atrasados

    Percepção enquanto assimetria: o caso do transporte público em Florianópolis/SC

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    Este trabalho é desenvolvimento de uma etnografia do sistema público de transporte em Florianópolis. Baseando-me nestes dados, analiso como o transporte surge do cruzamento entre as práticas e demandas de locomoção da cidade com as estratégias administrativas estatais. Isto faz da mobilidade coletiva uma rede de atores que existem enquanto acionadores das forças estatais, uma vez que as validam ao seguirem seus caminhos, e também enquanto sujeitos capazes de criar alternativas a elas, uma vez que vêm a ser junto com seu ambiente de variadas formas. Descrevo alguns processos de percepção do ambiente urbano através do transporte coletivo, atentando para como a informação navega para estes fins; através de comunicados oficiais, aplicativos de celular, recursos instalados nos terminais de ônibus, trocas entre si e a própria experiência com a geografia e o planejamento da cidade, os cidadãos desenvolvem suas habilidades de navegação pelo transporte coletivo de maneiras tanto contingenciadas pelo Estado quanto abertas à construção de alternativas a este. Sugiro com isto que a percepção do ambiente é algo saturado também pelas assimetrias entre oEstado e as forças que ou se submetem a este ou que se colocam como suas opositoras. Busco focar em como os aparelhos perceptivos acionados na mobilidade florianopolitana são simultaneamente molares e moleculares; ao mesmo tempo que permitem uma proliferação de movimentos e possibilidades, são saturados pelo poder organizador do Estado

    Industrialização e alimentação: Impactos da Revolução Industrial moderna em produção, distribuição, preparo e consumo de alimentos

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    A proposta desse trabalho é percorrer a trajetória do impacto da Revolução Industrial na cadeia produtiva alimentar, abordando brevemente as novas faces de produção, distribuição, preparo e consumo a partir da Revolução Industrial, que começa no final do século XVIII. Para tanto, contribuem para a reflexão autores que se dedicaram ao estudo da industrialização moderna – como Eric Hobsbawn, Harry Braverman, Karl Marx, Marshall Berman e Richard Sennet – e da alimentação – como Claude Fischler e Frances Short. A Revolução Industrial criou a possibilidade de se comer mais e melhor trazendo novas formas de se produzir, transportar, cozinhar e consumir. Isso muda radicalmente nossa relação com o cozinhar e o comer: além de ver o aumento do consumo de alimentos processados em detrimento dos preparos caseiros, o crescimento da indústria pode até mesmo mudar a concepção do que é cozinhar. Com o tempo, a indústria alimentícia toma para si, ao mesmo tempo em que recebe dos consumidores, a responsabilidade sobre o alimento, do beneficiamento do ingrediente ao prato pronto

    Além de manejar um cutelo, aprendi afrocentricidade no terreiro de Batuque

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    Este trabalho apresenta uma reflexão sobre encontros de saberes vivenciados entre os anos de 2011-2015 numa “comunidade” de Batuque, no Rio Grande do Sul. Apresento uma narrativa sobre a aprendizagem no terreiro e a forma como a discussão da afrocentricidade é posta na egbé. Embora a a aproximação com a bibliografia, não podemos dizer que a comunidade é inteiramente de acadêmicos, ou mesmo de militantes do movimento negro, a maioria tem contato com essa “gramática” a partir do terreiro. Somente nos últimos anos é que suas principais lideranças ingressaram na universidade, justamente na intenção de questionar e provocar a presunção acadêmica ao falar práticas de terreiro. A perspectiva afrocentrada foi pouco discutida pelas ciências sociais no Brasil, embora tenha sido bastante difundida entre os intelectuais negros no Brasil. A perspectiva da afrocentricidade, proposta especialmente por Asante recebeu critica de autores como Paul Gilroy. Essas críticas denotam mais a necessidade de desenvolvimento dessa discussão do que o encerramento ou fim de uma proposta. Assim o objetivo é discutir a partir da vivência afrocentrada desenvolvida no interior da comunidade, como essa proposta e conceito tem sido traduzido em seus processo de transmissão do conhecimento-prática

    A Historia e as Relações no Poder do Lugar: Investigando a possibilidade de um mapeamento espiritual de Cachoeira e São Felix

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    Nesse artigo, proponho analisar a utilidade da metáfora de mapeamento como empregado por Bruno Latour, para um projeto de mapeamento literalmente geográfica. Refletindo sobre minha atual pesquisa do mestrado, que consta em um mapeamento de espaços e lugares religiosos públicos (fora das igrejas e terreiros) na cidade de Cachoeira, Bahia, efetuado usando tecnologias tal como GPS e GIS, discuto as possibilidades que mapeamento geográfico apresenta para abordar as mesmas questões postadas por Latour, na sua discussão de mapeamento de controvérsias. Como controvérsias podem ser associados e conectados através do espaço físico? Especificamente, o que é que mapeamento geográfico poderia mostrar ou esclarecer sobre as rizomas de controvérsias e fronteiras oscilantes entre o mundo de Candomblé, a crescente igreja evangélica, religião estabelecida, folclore, e superstição em Cachoeira? Mapeamento geográfico também tem a possibilidade de fazer “o mundo social plano” (LATOUR 2005) para esclarecer essas conexões? Como contemplar o espaço físico possibilita a consideração de outros atores (rios, arvores, praças, etc.) que fazem parte dessa estrutura? Como a construção do social e a construção do poder do espaço dialogam através da historia e as relações interpessoais

    De Usuários para Usuários: Notas etnografias

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    Esta apresentação é um desdobramento parcial da dissertação de mestrado em curso no Campo da Saúde Coletiva, cuja proposta é co-incidir com usuários/ex-usuários de substâncias psicoativas que trabalhem com a temática do consumo de substâncias psicoativas nos “elos da rede”. Por meio do método (auto)etnográfico, pretende-se analisar/verificar se a condição de usuário/ex-usuário de drogas interfere nas práticas cotidianas dos interlocutores, ao trabalharem com a temática. A questão das drogas na atualidade juntamente com o conceito de “dispositivos das drogas” são explicitados, fundamentado em autores como Mauricio Fiori, Eduardo Viana Vargas e Michel Foucault

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