Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Os Extratos Fluídos e a profissão farmacêutica em São Paulo (1895 - 1917)

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    Este trabalho analisará como os debates sobre “extratos fluídos” nos permitem compreender o processo de institucionalização da farmácia em São Paulo entre 1895 e 1917. Nesse momento, os farmacêuticos paulistas fundaram associações, revistas e instituições de ensino, ampliando sua rede de aliados e compondo uma identidade profissional específica. Juntamente a esta busca por alianças, percebemos um movimento de demarcação de fronteiras e definição de quem estaria autorizado a exercer esse ofício. A fim de analisarmos tal processo, atentaremos às discussões que os farmacêuticos paulistas empreenderam sobre os “extratos fluídos”, preparados presentes na farmacopeia estadunidense e que alguns membros da Sociedade Farmacêutica pretendiam inserir na terapêutica nacional. Veremos como a circulação desse novo agente promoveu debates sobre hierarquia profissional, dependência entre farmacêuticos e droguistas, assim como, questionamentos sobre como a prática farmacêutica se estruturaria

    Lidando com alternativas infernais: os impasses provocados pela presença dos Tupinambá de Olivença

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    Este trabalho versa sobre a demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença, o Mandado de Segurança impetrado impetrado em dezembro de 2013 pela Associação dos Pequenos Agricultores, Empresários e Residentes na Pretensa Área Atingida Pela Demarcação de Terra Indígena de Ilhéus, Una e Buebrarema a fim de impedir a demarcação definitiva das “supostas Terras Indígenas Tupinambáde Olivença, no Estado da Bahia” [sic] e impedir que seja aprovado o Relatório Circunstanciado de Delimitação de Área, encaminhado pela FUNAI e determine a demarcação da área e sobre a participação dos povos indígena nesse processo. Nele são abordadas as diferentes concepções de território de brancos e indígenas, a centralidade do Direito como condutor das controvérsias territoriais pelo Estado, a forma como os povos indígenas se fizeram representar diante do Estado e o tipo de argumentação que se apresenta dentro e fora do âmbito jurídico contra a territorialidade indígena no Brasil

    Mais coisas entre o céu e a terra do que sonham nossos signos linguísticos

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    A linguística tem uma história profunda e um mito de origem moderno, embora os cientistas tratem sua ancestralidade como pré-história da disciplina, sem consequências para as preocupações atuais. No entanto, os linguistas conservam de seus precursores (já imersos no culto à escrita) a atenção voltada à palavra e suas manifestações elementais (a letra, o sentido, o signo) e estruturadas (a frase, o texto, o código). A linguística não tira os olhos da palavra ao definir a si mesma como ciência, e distingue como propriamente linguístico apenas o que é do sistema de signos. Ao relacionar língua e ator social (a sociolinguística), língua e contexto ideológico (a análise do discurso) e língua e corpo-mente (a linguística cognitiva, a psicolinguística), considera-se o segundo termo, por importante que seja na análise, extralinguístico. No entanto, explicar um fenômeno exige um processo de distinção realizado justamente na linguagem, no espaço relacional em que nós (qualquer “nós”) apontamos consensualmente para um mundo, trazendo-o para a experiência comum. Nossa tradiçãolocal, acadêmica, de considerar o código como um sistema representacional (transmitido intersubjetivamente e armazenado individualmente), e como modelo do fenômeno da linguagem, torna surdos a nós, linguistas, para o espaço de interação em que nos movemos, privando-nos de considerar, na preocupação legítima das ciências da linguagem, os processos coontogênicos, humanos ou não, como domínios linguísticos em seus próprios termos

    Hormonioterapia e a adequação de gênero no processo transexualizador

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    Presente artigo tem como objetivo abordar a relação do uso de hormônios para modificações corporais, com enfoque nas mulheres transexuais. O estudo foi desenvolvido a partir de observação participante, experiências vivenciadas em rodas de conversa e através de entrevista semiestruturada envolvendo um grupo de mulheres transexuais. Os corpos são a referência que retrata nossa identidade, assim esperamos que ele por si só revele a identidade que temos, sem ambiguidade nem inconstâncias. Dessa forma nossos corpos são significados e alterados pela cultura, sendo ele responsável pela aceitação no grupo em que estamos inseridos. Assim existem constantemente as modificações corporais com o intuito de ser bem aceito socialmente. O corpo como representação social marca e determinam os componentes elegíveis dentro da sociedade, elementos carregados de atributos que marcam o masculino e o feminino, sendo esses atributos aplicáveis para todos dentro de uma mesma sociedade. Usando os elementos eleitos pela sociedade como femininos, as mulheres transexuais passam a moldar sua vida dentro desse padrão. E notável que o uso do hormônio é um elemento que contribui de forma significativa para as transformações do corpo com o objetivo de alcançar uma estética correspondente com o gênero identificado tanto para mulheres ou homens que vivem a transexualidade

    Escrita da imagem, escrita do corpo, escrita da terra – A Universidade do Movimento dos Artistas Huni Kuin

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    O trabalho parte de uma retomada das experiências iniciais de pesquisa de Ibã Huni Kuin, vistas a partir da noção de transversalidade, levantando a hipótese de que suas pesquisas na Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Acre, desde 2009, resultariam, em parte, de um desdobramento dessa relação com os saberes não-indígenas marcada, ao mesmo tempo, pela apropriação e pela diferença. Na universidade, a pesquisa se desdobrou em outras linguagens, como o desenho e o vídeo, e integrou um grupo de pesquisadores artistas huni kuin. As atividades do grupo de pesquisa levaram à criação da associação Movimento dos Artistas Huni Kuin – Mahku. Aqui a apresentação tem por foco as linguagens adotadas pelo grupo de pesquisa e pelo coletivo de artistas para desenvolver suas atividades de pesquisa, que denominei aqui escritas. Para a ideia de transversalidade que quero apresentar, as escritas ou agenciamentos permitiram ao grupo tanto tratar e produzir conhecimentos tradicionais entre os próprios huni kuin, quanto se apropriar da universidade para constituir um ponto de vista institucional simétrico, o Centro Mahku Independente

    Práticas de ser, conhecer, pensar e escrever: incertezas e disputas sobre as condições das águas na foz do rio Doce no pós-rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco

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    O texto tem por propósito ajudar a trazer algumas disputas entre práticas de ser e conhecer que norteiam as relações das pessoas (humanas) com as águas e alguns de seus seres e também as suas formas de perceber, avaliar, interpretar as suas condições no pósrompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco em 2015, em Mariana-MG, enfocando a situação da foz do Rio Doce, no Espírito Santo.O artigo apresenta descrições de três situações de ação, cunho mais ritualizado, mas mesmo assim permeadas por ruídos: (1) uma reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (COMPESCA), em 02 de março de 2016; duas audiências públicas realizadas na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES), que contaram com a presença dos atingidos: (2) a primeira em junho de 2016, e a (3) segunda em dezembro de 2016. As situações trazem um pouco dos (des)encontros de saberes e de tentativas de cortes na participação de agentes em redes devotadas a decisões sobre como lidar com soluções e mudanças trazidas pelo rompimento da barragem de rejeitos, bem como algumas das tentativas de ingressar e permanecer na mesma. São situações em que os atingidos e os responsáveis pela gestão encontraram-se em diálogo e enfrentamento

    Redes de parentesco e dinâmicas de integração do social entre populações indígenas e tradicionais na confluência Arapiuns, Tapajós e Amazonas

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    Apresento um debate experimental sobre redes de parentesco e dinâmicas de integração do social na chave renovada da teoria da aliança que Douglas White e Michael Houseman (1996) definiram como o estudo das estruturas reticulares da prática matrimonial. Renovada pois desloca o foco dos modelos terminológicos para as relações interpessoais concretas de filiação e casamento, que constituem tecidos fragmentários implicados na construção de pessoas e coletivos, em diferentes escalas e domínios. Esta renovação é potencializada pela matemática dos grafos e as novas ferramentas computacionais. Noções implícitas nos circuitos – religamentos, componentes e constelações – servem ao exame de regimes de aliança e se estendem a outras lógicas, conceitos e dinâmicas, como: corpo e pessoa; classes e segmentos; herança e transmissão; migração e circulação; etnicidade e identidade; compartilhamento e mutualidade; espacialidade e cosmologia; política e história. O mapeamento de variáveis dinâmicas na armação de parentesco depende de insights críticos sobre problemas relevantes para as pessoas representadas nos grafos, a partir da experiência etnográfica. Este estudo toma por referência e explora um corpus genealógico coletado entre 2008 e 2012 em 15 localidades, cujo nó duro (core) matrimonial - formado por 714 pessoas -conecta os povos Arapium, Jaraqui, Tapajó, Tupaiu e outros segmentos ribeirinhos, distribuídos pela de confluência entre os rios Arapiuns, Tapajós e o Amazonas, em Santarém (Pará)

    Clínica psi e produção de pacientes: um campo de estudos etnográficos

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    Este trabalho busca examinar os efeitos de subjetivação produzidos pelas práticas psi oriundas do campo clínico. De modo mais direto o interesse é observar os modos como os pacientes constituem-se como tal no conjunto das atividades terapêuticas que estão frequentando. Para acompanhar este processo, optamos por realizar uma pesquisa de campo na Divisão de Psicologia Aplicada da UFRJ. Este espaço foi escolhido, pois aí convivem terapias de orientações bem diversas (psicanalíticas, gestaltistas, cognitivo-comportamentais, existenciais e esquizoanalíticas). Por questões de política de pesquisa, houve a decisão de acompanhar este processo por entrevistas e participação em grupos de supervisão. No trabalho de campo nos guiamos por algumas questões propostas pela Teoria Ator-Rede e Epistemologia Política quanto à simetria entre discursos científicos e discursos correntes. De modo mais detalhado isto implica em considerar as narrativas dos pacientes no mesmo plano das narrativas dos terapeutas formados e em formação (estagiários). Desta forma foi possível observar que os pacientes desenvolvem, associado às práticas terapêuticas, singulares técnicas de si como modos de acessar às verdades produzidas na clínica. Buscamos este conceito foucaultiano como modo de entender esta construção ativa da própria posição de paciente. Para tal, exemplos destas práticas serão destacadas quanto à constituição de diários e exercícios de autoquestionamento, além de alguns mal-entendidos constitutivo

    “Tribal Brasil na Cidade”: aprendizado em movimento nas etnografias de videodanças do Curso de Formação em Tribal Brasil

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    Neste trabalho apresentarei a discussão feita em minha dissertação de mestrado, no qual analiso quatro videodanças que fazem parte da atividade avaliativa do “Curso de Formação em Tribal Brasil a distância”. O objetivo deste artigo, é tratar do processo de aprendizagem do curso a partir de videodanças realizadas pelas bailarinas, no qual as experiências com as videodanças são partes do aprendizado de formação da bailarina em Tribal Brasil. Para falar sobre o processo aprendizagem, apresento as etnografias realizadas das videodanças que englobam não somente os movimentos corporais das bailarinas, mas os movimentos produzidos a partir dos aparatos audiovisuais, o que inclui desde a filmagem à edição. Para isso, terei como ponto de partida Tim Ingold e autores da fenomenologia como Maurice Merleau-Ponty e Maxine Sheets--Johnstone. Com esse aporte, analiso os movimentos de outras “coisas” para além do “corpo”, percebendo assim, como todos os elementos se relacionam e se correspondem

    Controvérsias em torno da pílula anticoncepcional: usos e recusas do medicamento por jovens mulheres das classes médias urbanas

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    Quase 60 anos após a inserção da pílula anticoncepcional no Brasil, o que mudou? Este estudo parte da curiosidade em compreender por que jovens mulheres adultas, sexualmente ativas, vêm recusando o uso da pílula anticoncepcional enquanto método contraceptivo nos anos mais recentes. Até onde se pode observar durante o trabalho de campo, tratam-se, em sua maioria, de mulheres heterossexuais, pertencentes às classes médias urbanas que não necessariamente desejam uma gravidez nesse momento de suas vidas. Com o intuito de melhor compreender os motivos que as levam a essa recusa, parto em busca de narrativas de mulheres que tanto fazem uso, quanto recusam o uso da pílula anticoncepcional, na tentativa de mapear as controvérsias em torno do medicamento em questão

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