Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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A NOÇÃO DE COMPETÊNCIA, O ENSINO DE GEOGRAFIA E A SUPERAÇÃO DA COTIDIANIDADE NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR
Este trabalho tem o objetivo de analisar quais as principais referências que embasam a noção de competência e como esta noção passou a orientar também a concepção de uma determinada tendência pedagógica, que associa a noção de competência à base da vida cotidiana. Com o intuito de verificar como esta pedagogia está inserida e é expressa nas orientações presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), buscamos demonstrar, por meio da discussão teórica, a adoção de uma perspectiva reacionária pelo documento, vinculada a adequação dos indivíduos ao seu cotidiano e as demandas mercadológicas, relacionando esta tendência aos seus possíveis impactos na construção do currículo de geografia pelas escolas, tecendo críticas ao modelo homogeneizador que tem sido apresentado pelo Estado
A RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: COLABORAÇÕES NO ENSINO DE GEOGRAFIA MEDIANTE DIÁRIO DE FORMAÇÃO
O artigo tem como objetivo refletir sobre as atividades desenvolvidas no Programa de Residência Pedagógica, na formação dos professores de Geografia de forma a construir elementos fundamentais para agregar em sua formação acadêmica. O corpo do texto está organizados em três temáticas: 1) Contexto histórico da Residência Pedagógica; 2) A formação dos professores de Geografia que indica para uma formação na perspectiva críticaemancipadora; e 3) o ensino de Geografia baseado na teoria-prática, na relação conteúdoforma que possibilite uma formação inicial adequada continuada através do ” diário de formação” . Entre os resultados podemos destacar que a aula realizada pela preceptora nos possibilitou analisar a forma de administrar uma aula satisfatória tanto para o professor como para o aluno, além de perceber as dificuldades dos alunos no desenvolver das aulas
UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO NO CAMPO: ALGUNS DESAFIOS NO ENSINO DE GEOGRAFIA NA AMAZÔNIA PARAENSE
Este trabalho está pautado em um referencial bibliográfico cujo o objetivo é propiciar a reflexão sobre o ensino da Geografia em escolas do campo. Tem como itens fundamentais: apresentar alguns dilemas no ensino de geografia voltados principalmente para a realidade da Amazônia paraense, que ainda busca por políticas educacionais que atendam às necessidades escolares. Como metodologia foi realizada uma análise teórica e empírica da região amazônica, buscando mostrar a realidade da educação paraense, partindo de uma ótica geográfica que mescla a vivência e experiência intelectual e acadêmica. A qualidade educacional no Pará ainda se encontra distante da ideal, ainda faltam boas condições de infraestrutura, além de projetos voltados para a educação. Buscou-se compreender como é desenvolvido o ensino da geografia, e de que forma poderia ser trabalho mediante as necessidades da educação básica nas escolas do campo. Entendendo que a educação ainda passa por transformações que envolvem a sociedade, algumas proposições foram trazidas no sentido de que a educação e principalmente o ensino de geografia são importantes na constituição dos sujeitos. Sabendo que o campo carrega consigo complexidades e particularidades, entende-se que o lugar de vivência dos alunos deve ser considerado importante no processo de ensino de geografia e para a formação da identidade cidadã, e os conhecimentos escolares devem ser trabalhados juntamente com os saberes acumulados e a cultura camponesa, e o professor é um dos atores que podem ajudar a transformar essa realidade. Portanto, alguns caminhos podem ser traçados, a escola ainda deve passar por mudanças, a educação geográfica deve ser pensada também na perspectiva da educação do campo, e a busca por alternativas desta discussão específica deve gerar um debate geral na educação, que possibilitem uma democratização do ensino, e que atenda todas as demandas sociais e educacionais
Contaminação de metais pesados nos solos de várzeas do Rio Quilombo a partir da análise do uso do solo de Americana e Nova Odessa (SP)
A pesquisa procura contribuir para a ciência e constatação de metais pesados no baixo curso do Rio Quilombo. A região constitui um dos antigos parques de industrialização da Região Metropolitana de Campinas, onde há grandes emissores de resíduos industriais principalmente ligados às indústrias têxteis e químicas. Desta forma procura-se detectar ac ontaminação e degradação urbana dos solos da várzea do Rio Quilombo a partir da concentração de metais pesados, tais como As, Ba, Zn, Sb, Cr, Co, Se, Cu, Pb. Após a detecção da área contaminada, procura-se correlacionar as propriedades morfológicas, químicas e físicas dos pontos contaminados com o uso do solo da região em estudo
(Re)produção do espaço urbano e seus reflexos sociais
Atualmente, a análise do espaço urbano nas grandes aglomerações releva pontos heterogêneos, alguns altamente equipados e com amenidades, outros com pouco ou nenhum acesso à infra-estrutura básica e aos serviços. O processo de geração desses espaços diferenciados não está ligado apenas ao processo de localização espacial, mas tem base no mercado de terras e na especulação imobiliária, que transformou a terra em mercadoria, propriedade particular, e não mais respondendo ao uso de interesse social. Esse processo tem sido peculiar nas áreas rurais, a partir dos latifúndios improdutivos, e nas áreas urbanas existe da mesma maneira, servindo muitas vezes apenas para a valorização fundiária e à geração de renda a partir da terra
Posicionar-se para perceber o mistério do parto. Reflexões localizadas sobre a tecnologia leve empregada pelas doulas
A partir de uma pesquisa etnográfica com doulas (acompanhantes de parto treinadas) que atuam em Brasília (DF) e levam em consideração dados científicos atualizados sistematizados na Medicina Baseada em Evidências (MBE), gostaria de refletir, à luz da noção de saber localizado formulada por D. Haraway (1995), sobre o repertório híbrido de técnicas, saberes, valores e imagens mobilizado para viabilizar uma experiência de parto respeitosa e satisfatória. Certos aspectos da doulagem surgem como tensionamento entre os conhecimentos biomédicos e “tradicionais” em torno das experiências de gestar e parir e se mostram proposições relevantes no horizonte da possível composição de uma outra referência de cuidado na atenção obstétrica (nos termos da filosofia política renovada proposta por B. Latour). A “tecnologia leve” empregada pelas doulas estaria assim articulada a um léxico específico, a uma ética que se conecta parcialmente com diferentes conhecimentos e a um posicionamento crítico e criativo em face do modelo hegemônico de atenção obstétrica
O que podemos e devemos aprender professores/as cisgênero das professoras/es trans para uma educação decolonial?
O objetivo deste trabalho consiste em refletir sobre a pergunta a seguir: O que podemos e devemos aprender professoras e professores cisgênero das pessoas transgênero, transexuais, travestis e não binárias para pensar uma educação por/em/com/para a diversidade. Coloco-me no trabalho como um viado/marica, cisgênero, professor de biologia, que entende como exercício decolonial aprender de e com sujeitos historicamente silenciados e marginalizados pelas relações coloniais, neste caso, as pessoas trans, que começam a incidir em espaços educativos formais e não formais. As reflexões apresentadas são construídas a partir da leitura de autoras e autores trans da América Latina, e de maneira mais específica, pelas falas de duas professoras/educadoras trans, em entrevista pensada para discutir o papel de professoras e professores cisgênero numa educação para a diversidade. Dessa reflexão dois aspectos principais são discutidos: A necessidade de problematizar a cisgeneridade, e as possibilidades de pedagogias de Nostredadem contextos educativos
Os Yanomami e o Projeto Yaripo: sobre florestas e ontologias
Proponho-me neste trabalho discutir como as categorias “floresta” e “meio ambiente” são pensadas e abordadas por agências do Estado, ONGs e pelos Yanomami. Minha etnografia diz respeito à participação dos Yanomami de Maturacá na elaboração do Projeto Yaripo, uma proposta de ecoturismo em território Yanomami e dentro dos limites do PARNA Pico da Neblina, com a participação do ICMBio, FUNAI e ISA. Pretendo refletir como a noção de “urihi”, a floresta Yanomami – um espaço cosmopolítico habitado por espíritos “hekura” –, aparece nesse arranjo. No contexto amazônico, como já foi apontado diversas vezes na literatura antropológica, as noções ocidentais de “natureza” e “cultura” podem não ser separadas por limites ontológicos e as relações com seres da “natureza” são também pensadas como relações sociais. Assim, como diferentes modos de compreender a “floresta” ou a “natureza” podem se relacionar, se combinar ou contrastar nos encontros entre os Yanomami e essas instituições
“Se não for pra causar nem quero”: Feminilidades naturais e artificiais via cirurgias plásticas
Este trabalho2 tem como foco discursos sobre cirurgias plásticas entre mulheres reunidas emum grupo sobre lipoaspiração e implantes de silicone na rede social digital Facebook. Contraponho esses discursos com um recorte ilustrativo de outras produções sobre as cirurgias plásticas: sitesde cirurgiões e de clínicas que performam esses procedimentos. A partir do método etnográfico e de abordagens da Antropologia da Ciência discuto normatividades de gênero que relacionam-se com os usos estabelecidos de cirurgias plásticas. Dei atenção à categoria naturalenquanto descritiva de resultados possíveis de uma cirurgia plástica, e a partir disso, elenquei normatividades diversas acerca do gênero feminino. Essas normatividades estão associadas, por um lado, à essa referida “natureza” e, por outro, à negação dela e à valorização de uma aparência “não-natural” quando estão em cena próteses de silicone e sua estética “artificial”
Imaginamundos: O cinema socioambiental na formação inicial de professores de ciências
Pensar o cinema como espaço para formação de professores e cientistas é a principal trilha percorrida neste trabalho de pesquisa. No campo da formação de professores, da mesma forma que os docentes necessitam de uma qualificação sobre os conhecimentos científicos é necessário o estímulo para compreensão dos códigos imagéticos. Imaginar pelo cinema, construir roteiros dialógicos, em contextos escolares e não-escolares. Criar narrativas imagéticas com base em lógicas horizontais. São esses caminhos que percorremos para refazer o mundo por imagens. Essa ideia é defendida neste texto de pesquisa, que pensa o cinema como esfera educativa, principalmente no seu ato criativo de imaginar novas possibilidades, novos mundos, e possui como base teórica e epistemológica o conceito do “giro decolonial”, cunhado por Nelson Maldonado--Torres. Um mundo onde as aves são admiradas livres, seus cantos ecoam nas árvores e são levados pelo vento aos ouvidos dos menos atentos. Vale apena continuar imaginando mundos e o cinema podem nos ajudar na materialização dessas imaginações, outrora traduzida em sonhos