Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): Portal de Periódicos do IG
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    Infraestruturas Porosas: O Programa Minha Casa Minha Vida e as faces da mobilidade no Brasil recente

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    Casas são infraestruturas porosas que instanciam imaginários de mobilidade social. Elas são portas abertas por onde passam formas amplas e experimentais de governo, ação política, e práticas de consumo, justapondo becomings humanos e construção do espaço. Baseando-se em etnografia realizada entre arquitetos, economistas, planejadores públicos, policymakers, representantes governamentais, marqueteiros, líderes comunitários e beneficiários-consumidores do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, este paper problematiza o processo de concepção e implantação de um conjunto de tecnologias de segurança e vigilância em um destes condomínios, bem como as aspirações e afetações de classe cristalizadas no decurso de sua imaginação. Aqui, a casa emerge como uma tecnologia de transformação da vida através da qual fluem processos subjetivos de valoração e de governamentalidade política e econômica. A partir da arquitetura transformada, dos usos e envelhecimentos das materialidades, é possível iluminar os efeitos de longo prazo de uma política pública, desvendando formas alternativas de governança, subjetividade política e ação econômica. Que cartografias morais e modos de esperar são entretecidos nesse governo pósneoliberal de infraestruturas público-privadas? Como as pessoas se tornam parte e/ou criticam essas materialidades, criando novos espaços de imaginação? Observando através dessas infraestruturas e de seus devires, é possível documentar a emergência e evanescência de imaginários de mobilidade, suas aspirações e as ansiedades de classe média que a povoam

    Humanos, animais e a constituição de um território mais-que-humano na comunidade quilombola do Carmo (São Roque/SP)

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    Este trabalho diz respeito à pesquisa por mim realizada ao longo da graduação, que teve por objetivo a realização de um estudo acerca das relações entre os moradores da comunidade quilombola do Carmo, localizada no município de São Roque/SP, e os animais (de criação, de pesca e caça, e os “outros bichos”), tomando por foco etnográfico a vida social e as atividades cotidianas dos quilombolas em que ocorressem interações práticas e simbólicas entre humanos e animais – notese que muito pouco sabemos, ainda, sobre as relações com animais nas comunidades remanescentes de quilombo no Brasil. Para tanto, a pesquisa teve como pano de fundo a degradação generalizada do ambiente na região, ponto central que, sugere-se aqui, foi e é responsável por toda uma transformação da própria noção nativa de “natureza” e das relações entre seres humanos e animais (essa degradação reduziu, e muito, a presença dos animais no Carmo). Sugere-se aqui que os animais, seja nas histórias do passado, seja nas práticas materiais, religiosas, culturais e políticas do presente, podem configurarse e configuram-se, como pude perceber em campo, como agentes na reconstituição do território quilombola que, no momento, aguarda os estudos antropológicos necessários para seu reconhecimento territorial. O foco deste trabalho foi, então, desvelar a forma como os quilombolasdo Carmo e os animais se inter-relacionam, de maneira a possibilitar a compreensão do que são e o que podem os animais em um bairro rural bastante urbanizado e que tem a especificidade de ser território quilombola

    Os processos de aprendizagem além da dicotomia entre natureza e cultura

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    O presente trabalho é um desdobramento da nossa pesquisa de doutorado, intitulada: O sabor dos saberes e a poiésis das merendeiras escolares; defendida em 2015, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Na presente comunicação, buscaremos nos debruçar sobre a problematização dos processos de aprendizagem, porque é preciso operar uma problematização, uma descolonização e um “descentramento antropológico” dos processos aprendentes, pois, costumamos compreendê-los como fenômenos logocêntricos, limitados ao raio de ação dos humanos. Nesse sentido, é como se o mundo fosse habitado e formado apenas por humanos, e como se todos os outros seres e coisas que ajudam a compor e habitar o mundo não passassem de meros coadjuvantes. Nessa perspectiva logocentrada e antropocêntrica, apenas os humanos são vistos/tidos como protagonistas e dependentes da aprendizagem. Assim, a aprendizagem é tida como a característica distintiva do ambiente humano e como o fundamento da esfera cultural. Vista comoo ponto de corte que dicotomicamente separa natureza e cultura, este processo ocorre através da seleção e eleição de esquemas e princípios classificatórios, tido como confiáveis e mais eficazes, que consigam criar modelos e sistemas científicos e filosóficos válidos. É por causa da valorização da lógica abstracionista e de um simbolismo tido como “erudito”, que o processo alimentar é colocado como resto e descartado como algo sem importância no processo da educação. Pois a alimentação é um processo liminar, que não se deixa enquadrar facilmente nas delimitações classificatórias. Essa depreciação dos alimentos, na educação, possui um impacto direto sobre a forma como as merendeiras são vistas e tratadas em seus contextos de trabalho

    Carne quebrada, osso rendido, nervo ofendido – encontro de saberes para curar maus encontros

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    Essa comunicação vai apresentar algumas idéias bastante iniciais, que falam da relação entre “colonização”, “encontros de saberes”, “cura” e “contra colonização” na universidade

    Quem controla a água? Mapeamento de controvérsias na Guerra das Águas em São Lourenço/MG

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    Trata-se de cumprir dois compromissos. Primeiro, almeja-se demonstrar, a partir de uma cartografia de controvérsias, certo movimento na construção de um objeto técnico e a ação compartilhada que o compõe. O segundo objetivo atenta, sobretudo, à relevância do tema – uma Guerra das Águas - num momento em que a Terra tem se mostrado pequena demais aos anseios extrativistas norteados por princípios econômicos, e grande demais para ser considerada nos diminutos espaços que as fronteiras tentam delimitar

    Previsões de tempo e clima: afinal, para quem são produzidas?

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    Discussões científicas em âmbito internacional, nas últimas décadas, no contexto dos possíveis impactos das mudanças climáticas, têm dado ênfase às pesquisas sobre serviços climáticos, entendido, de modo geral, como a geração, provisão e contextualização de informações e conhecimentos gerados pela pesquisa climática para tomadas de decisão em todos os níveis da sociedade, com o objetivo de diminuir prejuízos sociais e econômicos. Este artigo pretende apresentar e discutir um projeto de pesquisa, desenvolvido no INPE, com o intuito de analisar os impactos dos serviços climáticos na agricultura familiar. O projeto será desenvolvido em três etapas: (1) avaliação de como o produtor se orienta em relação às condições de tempo e clima para tomadas de decisão; (2) Identificação e definição de demandas por informações de tempo e clima, procurando estabelecer um conjunto de ferramentas e meios que permitam o acesso e uso de tais informações pelo agricultor; e (3) avaliação da experiência do uso dos serviços climáticos. Foram escolhidos dois estudos de caso: um na região do Seridó, no Rio Grande do Norte, no município de Currais Novos, e outro no Vale do Paraíba, entre produtores orgânicos. Apesar de o tema não ser novo no país, o tratamento acadêmico tem conferido uma nova dimensão ao assunto, como, por exemplo, permitir perspectivas do tipo bottom up e de co-production, que passam a dar sentido a perguntas do tipo: Afinal, centros de previsão de tempo e clima fazem previsões para quem

    “Ofensa de cobra”: corpos, venenos e mundos em conflito

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    Nesse paper, apresento os temas do temor às serpentes e do poder de seus venenos, tendo como foco os modos pelos quais são descritas e vividas as relações entre homens e animais na zona rural de Urucuia, MG. Os chamados “causos de cobra” ocupam lugar de destaque no cotidiano dos urucuianos e emergem em situações sociais diversas para tratarem de encontros entre homens e serpentes, sempre pontuados por algum evento dramático: uma mordida efetivamente ocorrida, seu risco eminente de ocorrer, as sequelas físicas e morais decorrentes ou a morte de um ou ambos os personagens (ser humano e animal). Evocando saberes específicos sobre serpentes, seus comportamentos e morfologias, além das ameaças que representam aos seres humanos e suas criações, os relatos apresentam os animais enquanto espécies companheiras, seres que possuem existências conectadas e mutuamente constitutivas com os seres humanos. Os “causos” amplificam a ideia de que as interações entre pessoas e cobras seriam responsáveis pelas constituições mútuas dos seres, das formas de socialidade e dos espaços rurais. A própria existência do relato é um efeito da relação interespecífica. Nos “causos de cobra”, o corpo (humano ou animal) ganha bastante destaque. Ele nunca emerge como possuidor de uma essência imutável, mas como resultado de “descobertas” narrativas que decifram sinais de inúmeros contatos entre seres e coisas que habitam um mesmo ambiente

    O LUGAR COMO REFERÊNCIA DE APRENDIZAGEM NO ENSINO DE GEOGRAFIA: TRAJETÓRIA DOCENTE NO ESTADO DE SANTA CATARINA

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    O lugar como referência de aprendizagem no ensino de geografia trajetória docente no estado de Santa Catarina objetiva a leitura do mundo a partir do espaço vivido e cotidiano dos/das estudantes da Educação Básica, na perspectiva de marcar a identidade e pertencimento de ser e estar no mundo. O artigo é um fragmento da tese de doutorado onde realizei um estudo pelo método narrativo que relata minha história escolar enquanto estudante e professora, com experiências vivenciadas em diversos municípios do estado de Santa Catarina. Com objetivo de investigar significados, alcances e limites no ensino de Geografia do conceito geográfico de Lugar como marcador da identidade e do pertencimento do sujeito de aprendizagem numa leitura integrada de mundo a partir de sua experiência geográfica. Como resultado da pesquisa concluí-se que: temos a oportunidade na docência de pensar na educação geográfica como formação dentro da profissão; anunciar que a partir da experiência geográfica do lugar dos/das estudantes envolvidos/as nas suas rotinas e vivências cotidianas é possível ensinar Geografia e alongar o olhar para a leitura integrada do mundo; demonstrar também a diversidade de percepções do lugar trazidas nas vivências das crianças e adolescentes, bem como nos referenciais teóricos do ensino de Geografia e nos exemplos de atividades pedagógicas e identificar que a avaliação e aprendizagem geográfica compõem um enredo de condução do conceito de lugar como prelúdio ao conhecimento geográfico durante toda a narrativa. Em síntese expressa à realidade do exercício da docência considerando uma atividade de interações humanas; no reconhecimento da diversidade no espaço social escola

    TESSITURAS DE UMA REDE COLABORATIVA DE TRABALHO NUMA PESQUISA ENTRE UNIVERSIDADE E ESCOLA

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    Este texto apresenta dados e discussões de uma pesquisa no campo do Ensino de Geografia e Cartografia Escolar, realizada por uma rede colaborativa de trabalho, formada por um grupo diversificado de pessoas, integrando universidade e escola. São destacados dois aspectos emergidos na pesquisa ligados ao modo de abordar a realidade escolar numa pesquisa acadêmica: os nós cegos e os bordados. Objetiva-se trazer também contribuições metodológicas para pesquisas em educação que visam desenvolver pesquisa-ação e pesquisa colaborativa no âmbito da formação inicial e continuada de professores de Geografia

    FORMAÇÃO DOCENTE EM GEOGRAFIA PARA A ESCOLA SECUNDÁRIA: A CONTRIBUIÇÃO DA FFCL DA USP (1934-1960)

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    A formação de professores secundários para atuar na escola brasileira ganhou caráter propriamente universitário com a criação da Universidade de São Paulo (USP), em 1934. O Instituto de Educação integrado à USP desde sua origem, exclusivamente pela sua “Escola de professores”, assumiu compromisso com a formação dos primeiros docentes da área de humanidades, incluindo os professores de Geografia [e História]. Apresentam-se resultados parciais da pesquisa intitulada ‘‘Orientações metodológicas destinadas aos professores de Geografia para o ensino secundário da escola paulista (1934-1960)“. A pesquisa tem como objetivos identificar e compreender quais orientações metodológicas receberam os primeiros professores de Geografia para atuar na escola paulista, entre os anos de 1934 e 1960. Tratase de pesquisa de fundo histórico, documental e bibliográfica desenvolvida por meio de procedimentos de identificação, reunião, organização e análise de fontes documentais. Enfatizam-se as orientações utilizadas enquanto “matrizes” teóricas de formação, advindas especialmente das disciplinas pedagógicas - Metodologia do ensino secundário; Psicologia educacional e Didática. Assim, buscamos compreender em que medida o curso de formação da USP contribuiu para promover a reflexão sobre a relação teoria e prática pedagógica no ensino de Geografia, dicotomia ainda presentes nos dias de hoje no processo de formação docente. As características do curso que analisamos permitem compreender determinadas “matrizes” de ordenação de um campo, que em sua origem se preocupou com o preparo científico do professor e sua prática educativa. Do seleto grupo de formandos surgiu uma geração de brilhantes geógrafos e professores para atuar na escola secundária paulista. A FFCL da USP formou entre os anos de 1934 e 1960 384 professores de Geografia [e História]. As primeiras impressões apontam para o papel fundamental que o curso da USP desempenhou na organização interna da Didática da Geografia no estado de São Paulo e no Brasil, já que sua organização abarcou um conjunto de ideias, processos, formas e conteúdos fundamentados nos pressupostos psicológicos da aprendizagem (a inovação educacional que redescobriu a criança), validados cientificamente pela Pedagogia científica, incluindo a Psicologia da Educação. Assim, o modelo de formação docente adotado à época pela USP contribuiu para a constituição do campo profissional. Certamente esta matriz caracterizada pela orientação escolanovista teve inúmeras variáveis, cujas versões é preciso ainda investigar. A pesquisa sobre o passado recente possibilita compreender como estas questões já foram pensadas e sistematizadas antes. Assim, o presente passa a ser problematizado a partir de práticas que se constituíram em políticas, linguagens e trajetórias do ensino de Geografia em nosso país

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