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“Contando os Plaquê de 100”: o significado da ostentação para além do Funk
A palavra ostentação tem sido usada em diversos meios de comunicação. Esse termo ganhou força com o surgimento dofunk ostentação, portador de letras que remetem ao consumo. Ele e suas variáveis, como: ostensível, ostensivo e ostentar têmno senso comum diversos significados, como sucesso, posse de bens materiais e evidenciar o que se tem. Este artigo, a partirde análises bibliográficas e bibliométricas, tem como objetivo lançar luz ao tema, buscando sua construção ao longo do tempoem diversas áreas do conhecimento, a fim de produzir um entendimento mais amplo do que essa palavra representa. Paratanto, os resultados da pesquisa sugerem que existem aspectos profundos no ato de comprar, sendo o desejo, as modas e avontade de possuir bens e objetos que causem boa impressão ou status, alguns desses fatores. A ostentação está aglutinada aoquerer, e com ela a necessidade de mostrar, portanto, não basta possuir, é preciso que a posse seja ostensível
Intercooperação e fusão de redes empresariais: proposição de framework para análise sob a perspectiva da aprendizagem
Este ensaio aborda a estratégia de intercooperação e fusão de redes empresariais sob a perspectiva sociológica da aprendizagemda rede. A cooperação entre redes consiste em uma estratégia para acelerar o crescimento e buscar a consolidação das empresasintegrantes. No entanto, sua execução depende de um processo de aprendizagem da rede, em que as participantes aprendemenquanto grupo sobre a necessidade de cooperar com outras redes. Com base no processo de aprendizagem da rede, o ensaioapresenta e discute um framework para analisar a intercooperação e a fusão de redes empresariais, salientando os episódios deaprendizagem que ocorrem tanto na implementação como na consolidação da estratégia. São apresentadas premissas e trêsproposições que permitem analisar o contexto, o conteúdo e o processo da aprendizagem da rede. O framework contribui paraa compreensão do fenômeno da aprendizagem da rede e como esta interfere na estratégia de intercooperação e fusão de redes
“A narrativa ideal seria ir além de uma grande reportagem”: conceitos e características do livro-reportagem brasileiro
A intenção deste artigo é estabelecer um resumo do estado da arte da conceituação do livro-reportagem produzido no Brasil, bem como apresentar e debater as principais características que definem as suas formas peculiares de produção. O texto apresenta os conceitos de pesquisadores que se dedicaram a entender o livro-reportagem brasileiro em suas teses de doutorado, como Lima (2009), Rogê Ferreira (1994), Catalão (2010) e Vilas Boas (2006), aliados aos depoimentos de jornalistas escritores como Fernando Morais, Ruy Castro, Zuenir Ventura e Daniela Arbex, entrevistados por Maciel (2018) a partir do método da entrevista em profundidade. Conclui-se que os jornalistas autores de livros-reportagem trabalham de forma mais autônoma, com rotinas produtivas diferentes das tradicionais em redações e buscam produzir livros que debatem os temas e personagens contemporâneos brasileiros
Propostas textuais nos manuais de redação de duas agências alternativas de notícias
Pretende-se discutir aquilo que os manuais de redação de duas agências alternativas de notícias, baseadas nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro, atribuem como parâmetros de qualidade a seus textos jornalísticos. Contrapomos o Manual de Redação e Estilo da Agência de Notícias das Favelas (FERNANDES, 2018) e o Manual da Diversidade em Jornalismo (CUNHA, WEINGRILL, 2017), da Agência Énois. Tendo em vista o comprometimento ético, a racionalidade complexa e a capacidade de transformação estética de suas narrativas, conforme tríade proposta por Cremilda Medina (1991, 2003, 2008, 2010, 2014, 2016), concluímos que o manual da Énois é estilisticamente mais ousado, enquanto o outro é convencional, tanto do ponto de vista gramatical, quanto no apego ao dado quantitativo e racionalmente verificável
Funções do jornalista em ecossistema informativo digital conectado composto por máquinas sociais pré-cognitivas
O artigo visa discutir as competências mínimas necessárias, como dotar o profissional de jornalismo de um pensamento computacional, com o objetivo que possa atuar com relevância num ecossistema informativo composto por máquinas sociais pré-cognitivas (máquinas computacionais com viés cognitivo). Assim, a questão central deste trabalho está no debate sobre os procedimentos profissionais o jornalista deve possuir nesse novo ecossistema informativo, em função de poder exercer a sua atividade na plenitude, no campo da produção e disseminação da informação de relevância social. Para isso, argumenta a partir das premissas que compõe a Deontologia do Jornalismo, passando pelos níveis necessários de apropriação tecnológica dos profissionais da produção de informação de relevância social. Aborda o Pensamento Computacional como lógica a ser adotada para a construção mental de produtos e conteúdos jornalísticos em ambiente informativo digital conectado, visando apropriar-se com profundidade de ferramentas que possam dar valor informativo e construir narrativas apropriadas aos dispositivos de comunicação que evoluem tecnologicamente e são cada vez mais “inteligentes”
‘Fake news’ e as contradições da retórica de autolegitimação do Jornalismo em tempos de crise no campo: um caso de paralaxe
Em uma perspectiva ensaística, o artigo apresenta questões sobre as contradições do recrudescimento da retórica de autolegitimação da prática jornalística com a crise do estatuto histórico da concepção de verdade no contexto de disseminação das chamadas “fake news”. Considera-se no artigo a hipótese de que a resposta do campo jornalístico ao fenômeno tem buscado amparo em elementos deontológicos ancorados em uma releitura do “realismo ingênuo” (GOMES, 2009), o que fragiliza o argumento de autolegitimação e aproxima a retórica do campo de uma espécie de paralaxe que projeta luz em elementos estruturais semelhantes ao do fenômeno que combate (as próprias “fake news”), eclipsando a compreensão da complexidade do fenômeno cultural mais amplo: a disseminação social de modelos narrativos respaldados por padrões culturais aderentes pavimentados na vida cotidiana
O espetáculo da telesolidariedade na TV do RN: uma análise do discurso assistencialista de Carlos Alberto de Sousa
O artigo se propõe a uma análise de discurso do Programa Carlos Alberto, apresentado pelo mesmo enquanto político e empresário, fundador da TV Ponta Negra, em Natal-RN que, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, comandou um programa de auditório na emissora. O referencial teórico tem como base o conceito de esquecimento de Orlandi (1999) e de Pêcheux (2014), da escola Francesa de AD, com metodologia de análise proposta por Souza (2014). A partir das marcas discursivas do apresentador e do contexto socioeconômico, considera-se que as provas de solidariedade, do herói carismático apontado por Weber (2004) ao cidadão-vítima descrito por Charaudeau (2010), e o mecenismo cultural do apresentador são parte de uma estratégia de exposição midiática, que inclui uma inserção pedagógica de mensagens políticas embutidas nas emissões televisivas de entretenimento. Com raros episódios de espontaneidade, os afetos são estrategicamente encenados numa narrativa de entretenimento e assistencialismo, com fins políticos e empresariais, culminando em um discurso capitalista, conservador, machista e discriminatório, com traços do grotesco
Consumo de mídias sociais e participação online dos eleitores de Salvador por região administrativa da capital nas eleições presidenciais de 2018
Este artigo investiga o uso de plataformas digitais de mídias sociais pelos eleitores de Salvador (BA), nas dez regiões administrativas da capital baiana, durante as eleições presidenciais brasileiras de 2018. Os dados foram levantados por meio de survey domiciliar, com amostragem estratificada por sexo, idade e escolaridade e sorteio aleatório dos bairros, ruas e entrevistados. As cotas foram definidas e aplicadas com base nas estatísticas do eleitorado brasileiro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e na distribuição da população de Salvador prevista no último Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). Os resultados da investigação revelaram que as áreas que concentram populações com nível de vida mais alto registraram maior número de votantes usuários de mídias sociais que curtiram, comentaram e compartilharam conteúdos sobre política. Assim, o uso dessas ferramentas reproduziu as redes dominantes de poder da capital soteropolitana, com os mais abastados e mais escolarizados participando mais
A composição textual de perfis pelo jornalismo narrativo
Com o objetivo de expor e problematizar alguns perfis produzidos e publicados em livros por dois profícuos jornalistas, Eliane Brum e Fred Melo Paiva, esse trabalho apresenta, a partir do procedimento metodológico de análises de conteúdo e de narrativas, o modo como as narrativas jornalísticas são configuradas, tendo como base o aspecto relacional entre entrevistador e entrevistado, identificando ainda o caráter testemunhal do jornalismo e dos personagens retratados nesse contexto. Compreendendo esse processo como parte do jornalismo narrativo, que rompe com o tecnicismo ainda vigente em algumas produções, as análises mostram que há uma diversidade de personagens e abordagens, que evidenciam o jornalismo de testemunho por intermédio dos personagens/fontes, dos jornalistas e do próprio texto compartilhado
Feminicídios no telejornalismo: demarcações sobre as transformações e ressignificações do Jornal Nacional
No telejornalismo brasileiro, muitas mortes de cunho criminal fazem parte da pauta cotidiana e casos de feminicídios são presença constante nas pautas telejornalísticas. No caso do Jornal Nacional, diversos crimes contra a mulher são abordados e têm significativo retrospecto diante do público. Desta forma, este artigo tem como objetivo fazer observações sobre as transformações do subgênero telejornal a partir de coberturas de feminicídio, com foco no Jornal Nacional. Centrado na cobertura do JN das mortes de Daniella Perez, Eloá Pimentel e Tatiane Spitzner, o artigo tem como base teórica a discussão de gênero televisivo com categoria cultural (MITTELL, 2001), em uma pesquisa de caráter exploratório e observacional (GIL, 2008)