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CURRÍCULO SURDO: A EDUCAÇÃO BILÍNGUE QUE PROMOVE O DESENVOLVIMENTO DA CULTURA SURDA
O presente trabalho explora a intersecção entre a cultura Surda e o currículo escolar, propondo a criação de um "Currículo Surdo" que reconheça e valorize a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua materna da comunidade Surda. A autora argumenta que a educação para Surdos não tem sido adequadamente garantida devido à falta de reconhecimento social e acadêmico da cultura Surda, o que compromete seus direitos como cidadãos. A pesquisa destaca a importância de um currículo que integre a cultura Surda, permitindo que os Surdos se apropriem de sua identidade e língua, promovendo assim um ambiente educacional inclusivo e emancipador. O artigo também discute a luta da comunidade Surda por direitos educacionais e a necessidade de políticas públicas que respeitem suas especificidades culturais e linguísticas. A proposta de um Currículo Surdo é apresentada como uma forma de garantir a educação de qualidade e o reconhecimento da cultura Surda nas escolas, enfatizando que a inclusão da Libras no currículo deve ser acompanhada do reconhecimento da cultura Surda como um todo
Santas, condenadas ou demoníacas? Mulheres no imaginário do além-mundo no Cristianismo Primitivo
Este artigo surge a partir de debates sobre a religião de mulheres no Cristianismo Primitivo. Enquanto se discute o papel de lideranças, apóstolas e mulheres mártires, optamos por enfatizar a presença feminina no Além-Mundo. Após apresentar as fonte e alguns comentários explicativos da mesma, destaco nelas (Apocalipse de Paulo, Apocalipse de Pedro e Atos Apócrifos de Felipe) como as mulheres consideradas pecadoras condenadas ao Inferno são retratadas e por quais pecados são punidas. Posteriormente, a partir de uma hermenêutica feminista de Tina Pippin, discuto o tema do tratamento geral que é dado às mulheres na literatura apocalíptica
Um corpo herético no RAP: uma teopoética erótica em Alice Guél
Este artigo analisa a obra da rapper Alice Guél na perspectiva dos estudos em teopoética. Seu rap é atravessado por questões de gênero, raça e classe. Sua poética se desenvolve entre os conflitos sociais de um corpo transgênero que reivindica uma experiência religiosa singular. Enquanto mulher trans, o corpo tem lugar de destaque: ele é suporte para novos sentidos teológicos, sendo também um lugar hermenêutico para o estabelecimento de uma mística erótico-herética política. Além da contextualização biográfica, localizaremos a obra de Alice Guél dentro do rap nacional, principalmente, a partir das recentes discussões sobre identidade de gênero nesta cultura. Para concluir, analisaremos dois dos seus álbuns, refletindo sobre o lugar do corpo transgênero enquanto lugar teopoético, produtor de múltiplas experiências
Companhias incômodas para Javé? Deusas no mundo do Antigo Israel e arredores
O artigo oferece uma visão panorâmica das deusas atestadas no Sul do Levante, que está dentro do horizonte cultural da(s) antiga(s) religião(ões) israelita(s) e judaíta(s). Sua principal premissa é que antigos deuses e deusas refletem funções socialmente significativas, e que eles e elas foram concebidos e concebidas tanto em modelos sociomórficos quanto antropomórficos. Enquanto os modelos anteriores amplamente baseados nos registros bíblicos enfatizavam a excepcionalidade do deus de Israel, pesquisas mais recentes realocaram Javé dentro do contexto mais amplo das antigas sociedades e das tendências religiosas do Levante meridional. A evidência epigráfica e visual atualmente disponível aponta para a veneração de uma deusa Aserá ao lado de Javé, a principal divindade masculina no antigo (pré-exílico) Israel e Judá. Durante a segunda metade do primeiro milênio aEC, vários grupos de elite levaram Javé à uma postura cada vez mais hostil contra (sua) Aserá e outras deusas, um processo que deveria ser explicado pelos historiadores em termos estritamente sócio-históricos. Isso resultou em várias visões exclusivistas, parciais e, muitas vezes, unilaterais da divindade, não apenas no que diz respeito a questões de gênero. Visões que depois judaísmo, cristianismo e islã foram frequentemente pressionados a compensar e que influenciaram profundamente a maneira como “Deus” é concebido e figurado no imaginário ocidental até hoje
Casamento fatal entre religião e política: fonte de armadilhas para a igualdade de gênero (Introdução)
O lugar ocupado pela religião no campo da política continua a afirmar-se há várias décadas. Enquanto as práticas religiosas retrocederam em alguns contextos (especialmente na Europa ocidental), elas tendem a crescer em escala mundial (Norris e Inglehart 2004). Além disso, o uso de argumentos religiosos na política continua sendo uma prática comum em toda uma série de países, desenvolvidos ou em desenvolvimento
“Féministas”*: a reconstrução da vivência feminina no enquadramento cristão brasileiro
Essa artigo busca compreender como as mulheres cristãs percebem a construção dos seus direitos, através do que as próprias mulheres religiosas dentro de coletivos, organizações e associações têm a dizer a respeito. Para isso, foram utilizados documentos de páginas oficiais e sites de grupos ativistas, associações e organizações de mulheres cristãs ou com projetos voltados para essa comunidade, entre os anos de 2012 e 2019. Foi empregada a Análise de Discurso, a qual percebe o discurso como prática social. As tendências gerais observadas em relação à formação discursiva das cristãs foram em oposição, por um lado, à comunidade de cristãos e às desigualdades de gênero perpetradas em nome de Deus e, por outro, à comunidade maior e suas atitudes discriminatórias para com a religião
Religião e gênero: uma investigação do Estado da Arte dos Estudos de Gênero nos Programas de Pós-Graduação em Ciências da Religião no Brasil
Por ocasião do festejo dos quarenta anos de existência das Ciências da Religião no Brasil, apresentamos este estudo, que busca exami-nar a distribuição de gênero masculino/feminino nos programas de Pós-Graduação em Ciências da Religião. Respondendo às seguintes questões: Como tem se configurado a distribuição de posições (entre docentes e discentes), em relação ao gênero masculino/feminino nos Programas de Pós-Graduação? O que os Programas de Pós--Graduação em Ciências da Religião têm produzido acerca da relação entre religião e gênero? Onde se encontram essas produções? O que essas pesquisas têm como lacunas e ausências? Quais contribuições e desafios as pesquisas trazem para a academia e para a sociedade, em geral? O recorte feito inclui as dissertações e teses defendidas entre 2000 a 2017 e a distribuição de cargos supracitados nos Pro-gramas de Pós-Graduação em Ciências da Religião. Mostraremos que o debate do campo de estudos sobre mulheres, feminino, homens, masculino gênero, corpo, sexualidades – relacionados à religião e às religiosidades possibilitam compreender quais respostas são dadas e como polemizam a categoria, bem como, se surgiram daí novas perspectivas de olhares teóricos. 
Bíblia e descolonização: leituras desde uma hermenêutica bíblica negra e feminista de libertação
Este artigo faz uma revisão histórica do processo de negação doaporte intelectual e acadêmico dos descendentes de africanos desdetempos memoráveis até o debate contemporâneo dos estudos culturaisatuais resgatando, especialmente, o aporte das mulheres nosestudos do transfundo afro-asiático na Bíblia hebraica e cristã desdeuma teologia negra e feminista de libertação