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    Produção audiovisual indígena no Brasil: cartografia de um percurso

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    Nas últimas décadas, os modelos de comunicação passaram por mudanças significativas. Com isso, a popularização e o acesso a novos mecanismos de comunicabilidade possibilitaram que um crescente número de indivíduos e coletivos pudesse produzir, trocar e disseminar conteúdos. Neste cenário, as produções audiovisuais passam a ganhar espaço em setores alternativos e populares. Para os povos indígenas, a apropriação dos meios de comunicação, sobretudo os de produção audiovisual, emergem como canais expressivos para a preservação da memória coletiva e autodeterminação. Neste estudo, apresentamos um percurso cartográfico sobre o advento da mídia indígena, dando relevo ao uso da produção audiovisual enquanto subterfúgio relevante no processo contínuo de resistência e luta pela aquisição e garantia de direitos

    Teoria das representações sociais e racionalidades distintas: tensionamentos e sínteses entre a ciência e o senso comum

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    O texto em tela objetiva discutir as relações entre os saberes do universo científico e aqueles do senso comum, tendo como norte as construções teóricas da Teoria das Representações Sociais (TRS), com destaque à abordagem dialógica. Parte-se dos escritos de Serge Moscovici, buscando tecer relações entre suas motivações para a proposição da TRS e a defesa de uma racionalidade atinente aos conhecimentos cotidianos. Busca-se, através do resgate de autores da TRS que evidenciam o caráter sócio genético, dinâmico e dialógico das representações sociais, traçar diferenças entre esses conhecimentos, todavia, sem considerá-los de forma estanque e distanciada. Reflete-se, por fim, sobre a pertinência da epistemologia dialógica das representações sociais para a superação das dicotomias entre esses saberes, destacando o papel da comunicação nesse processo

    Análise cultural das representações dos impactos das Olimpíadas Rio 2016 no The Guardian

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    O artigo analisa as representações dos impactos das Olimpíadas Rio 2016 construídas na série “Vozes do Rio: nossa odisseia olímpica”, publicada no portal de notícias do jornal The Guardian de 5 de agosto de 2015 a 19 de agosto de 2017. A série é composta por 21 relatos escritos por jornalistas comunitários de três favelas cariocas sobre as repercussões das Olimpíadas Rio 2016 no seu dia a dia. Como base teórico-metodológica, recorremos à análise cultural, concebida na ótica dos Estudos Culturais, para discutir as mediações entre a cultura vivida nas favelas cariocas e a construção de representações no discurso jornalístico. Como resultado, conclui-se que o megaevento esportivo foi representado como um período de silenciamento das margens, levando à intensificação do processo de periferização das minorias sociais no país. Pontua-se, por fim, as contribuições do acionamento das vozes marginalizadas na série para a aproximação entre a cultura vivida e o discurso jornalístico

    A Folkcomunicação como processo de tradução no contexto das Epistemologias do Sul

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    No artigo reflete-se sobre a teoria da Folkcomunicação como um processo de tradução de conhecimentos e experiências, no âmbito das Epistemologias do Sul, conjugando pressupostos de Luís Beltrão (comunicação) e Boaventura de Sousa Santos (sociologia). Trata-se de um texto de reflexão teórica, com o objetivo de discutir a perspectiva de um pensamento insurgente aos paradigmas hegemônicos da ciência. Desse modo, trata-se de um exercício interdisciplinar de aproximações conceituais, com base em autores da Folkcomunicação e das Ciências Sociais e Humanas, sugerindo uma alternativa para a descolonização do pensamento comunicacional

    A representação da ciência no Science Vlogs Brasil: uma análise de canais de divulgação científica

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    Neste artigo, analisamos cinco canais de divulgação científica no YouTube Brasil, parceiros do coletivo Science Vlogs Brasil, buscando identificar a representação da ciência em seus vídeos mais visualizados a partir de uma análise qualitativa. Percebeu-se que os canais tendem a reforçar a representação social da ciência hegemônica, marcada pelo destaque às Ciências Exatas e Naturais, especialmente às temáticas do Universo, ao enfoque da atividade científica como algo que traz a certeza (e poucas dúvidas ou incertezas), além de retratar o cientista como homem. Apesar disso, também foram registradas características da ciência que fogem à essa representação tradicional, a exemplo da menção a controvérsias que envolvem a comunidade científica – em especial no Canal do Pirula. Essa dualidade reflete o processo dinâmico das representações sociais, identificado por Moscovici e Abric

    Editorial - Resistência como circulação e fomento do pensamento crítico

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    O primeiro número da Revista Comunicações de 2021 está disponível para leitura e, em meio a tantos reveses pelos quais passamos na contemporaneidade: ainda sofrendo as consequências da Pandemia Mundial da Covid-19, que parece não arrefecer no Brasil, com a Educação Básica e o Ensino Superior perecendo com a falta de investimentos públicos que afetam ainda a produção de ciências e a sustentabilidade desse fazer, consideramos essa publicação um ato de resistência. Resistência como circulação e fomento do pensamento crítico. Estar vivo, promover o compartilhamento do conhecimento e a promoção de saberes em nosso país é resistir. Assim, a presente publicação, mais uma vez, cumpre o intento da Revista Comunicações de promover a divulgação da pesquisa acadêmica e fomentar o debate sobre questões atuais e significativas para a compreensão dos fenômenos educativos. Esta publicação é composta por dezesseis manuscritos: quatorze artigos e dois ensaios

    Gênero e educação de jovens e adultos: novo olhar para a educação física escolar

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    Este artigo apresenta a pesquisa que problematizou como o tema gênero está presente em algumas orientações curriculares municipais do Estado do Rio de Janeiro direcionadas à Educação de Jovens e Adultos (EJA). A EJA é uma modalidade da educação ofertada àqueles e àquelas que não tiveram oportunidades de concluir a educação básica na idade considerada regular. Como professores formados em educação física, atentos às questões relacionadas ao corpo como uma construção cultural, buscamos identificar como o gênero é abordado no ambiente escolar, enquanto tema transversal de uma educação que procura constituir uma sociedade justa e igualitária. A metodologia adotada foi a revisão de literatura, em especial a análise documental de leis e diretrizes/orientações curriculares nacionais e de três municípios da região metropolitana – Tanguá, Rio de Janeiro e Belford Roxo – do Estado do Rio de Janeiro. Destacando a importância de referências que promovam a organização do trabalho docente, concluímos que, de forma geral, as diretrizes/orientações curriculares da EJA possibilitam a abordagem desse tema no âmbito escolar, mesmo que de maneira indireta. E, que as aulas de educação física podem contribuir de forma significativa na transformação de uma sociedade com valores excludentes em oportunidades para todos e todas

    A Base Nacional Comum Curricular (BNCC): onde está o lazer?

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    O objetivo desse estudo foi descrever e analisar como o lazer é tratado no documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), considerado aqui como um dispositivo estratégico de governamento, no contexto da educação infantil e do ensino fundamental. Buscamos identificar em quais áreas o lazer é citado; detectar de que maneira essas áreas abordam o tema e analisar qual enfoque é dado ao lazer nas três versões do documento. O estudo utilizou a combinação das pesquisas bibliográfica e documental, com o auxílio da técnica de análise de conteúdo. Como conclusão identificamos que o termo lazer aparece nas três versões da BNCC e é citado onze vezes na primeira versão, vinte e sete vezes na segunda e quinze vezes na terceira. O termo lazer é citado nos textos específicos de diferentes áreas do conhecimento, tais como: geografia, educação física, arte e história, o que pode indicar o caráter multidisciplinar que o termo assume, também, dentro do contexto escolar. Por fim, indicamos que o lazer estabelece relações com elementos ligados à cultura corporal, ao esporte, às tecnologias, à pluralidade artística e cultural e a saúde

    Histórias em Quadrinhos e o ensino de química: percepção docente de uma proposta investigativa

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    Histórias em Quadrinhos (HQs) fizeram e fazem parte do cotidiano mundial, há décadas. Trata-se de um formato de arte que une, dinamicamente, diversos tipos de linguagens, como a escrita e o desenho, fazendo-as fluir em uma narrativa que busca a identificação com seu leitor. O presente artigo buscou propor uma sequência didática baseada no uso de HQ e analisá-la a partir das percepções do docente que a aplicou. Fundamentada nos princípios do ensino por investigação, estes articulados com os referenciais piagetianos, a sequência didática (SD) procura inserir a HQ como instrumento capaz de contextualizar e expor uma situação-problema significativa, articulando modelos atômicos com o fenômeno de emissão luminosa por parte de fogos de artifício. A SD foi aplicada em uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental de 2 escolas da cidade de São Paulo. A fala do professor foi analisada a partir da metodologia de análise de conteúdo e quatro categorias emergiram (levantamento das concepções prévias dos discentes, envolvimento dos discentes, socialização dos modelos explicativos propostos e importância da HQ no processo de ensino-aprendizagem), dentre as quais destacamos o papel da SD como facilitadora na aquisição das ideias espontâneas dos alunos, bem como a relevância das Histórias em Quadrinhos para a educação química

    Crianças, leitura, escrita e significação: a vida como escola e a escola como vida!

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    Este artigo impõe, como objetivo, trazer reflexões sobre práticas de alfabetização em classes iniciais do ensino fundamental, procurando responder ao seguinte questionamento: como a aprendizagem pode articular, em suas práticas, o conhecimento sistematizado às singularidades, diversidades e heterogeneidades sociais e culturais das crianças? A inspiração teórica são algumas contribuições de Vigotski sobre o desenvolvimento humano e, mais especificamente, as suas discussões sobre o papel da linguagem na constituição do que denomina como funções psicológicas superiores. Tomou-se como metodologia, a análise de trabalhos de conclusão de curso de graduação, monografias e dissertações sobre a temática. Sugere-se explorar uma acepção de alfabetização não só centrada na mera aquisição do código linguístico, mas como um constructo teórico-metodológico multissignificativo e intertextual, de formação integral da criança em seus aspectos intelectuais, afetivo, sociais e culturais. Ou seja, uma prática de alfabetização queque explore a significação contextualizada, que remete a palavra ao cotidiano da criança, às suas aprendizagens iniciais, assistemáticas como forma de elaboração, reelaboração e significativa apropriação da palavra

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