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Editorial
É com muita alegria que concluímos nosso nº 5 da revista Mandrágora sob o tema "Religião e homossexualidade". Por um lado, é mesmo uma satisfação, quando se completa mais uma etapa difícil como todas as que se referem à Mandrágora. Por outro lado, é uma satisfação voltar a poder contribuir em nossas reflexões controvertidas e difíceis como é o tema da homossexualidade
Notas editoriais
O F6rum Econômico Mundial de Davas realizou uma pesquisa entre 58 países para medir a desigualdade entre homens e mulheres. O Brasil aparece em 51 ° lugar. Quando deputada, Luci Chonacki (PT-SC) propôs a instalação de uma comissão especial externa da Câmara dos Deputados para debater a foroioização da pobreza no Brasil, apresentou dados que revelam que as mulheres representam 70% dos pobres no mundo, realizam 70% das horas de trabalho e recebem apenas 10% dos rendimentos. Apesar de representarem 53% da população brasileira economicamente ativa, apenas 17% delas estão no mercado formal de trabalho. Além do que, 32% dos lares brasileiros são providos por mulheres chefes de família; 27% têm filhos menores que residem apenas com elas, 60% não recebem pensão regular do pai e 42% moram em domicílios com renda de até 2 salários mínimos
Aborto e razão pública: desafio da anencefalia no Brasil
Este artigo analisa o desafio jurídico e ético imposto pela anencefalia ao debate sobre direitos reprodutivos no Brasil. O fio condutor da análise é o pronunciamento de voto de um dos juízes, Cezar Peluso, por ocasião da cassação da liminar, em outubro de 2004. Dos 11 juízes do Supremo Tribunal Federal, 7 juízes votaram a favor da cassação. Os argumentos pela cassação foram de duas ordens: por questões processuais e por valores morais cristãos. O texto do voto do juiz Peluso é curto, mas condensa grande parte da argumentação moral contrária ao reconhecimento da interrupção da gestação em caso de anencefalia como um direito reprodutivo no País. O artigo demonstra como o debate sobre o aborto provoca os fundamentos constitucionais da laicidade do Estado brasileiro e expõe a fragilidade da razão pública em temas de direitos reprodutivos, em especial sobre o aborto
Mulheres, educação e religião: as interfaces do poder numa perspectiva histórica
Este artigo procura analisar as relações entre gênero, educação e religião e sua convergência com as expectativas sociais quanto ao sexo feminino. A religião representa o ponto nevrálgico para onde convergem as relações de poder estabelecidas no nível simbólico e no imaginário, por aglutinar a essencialidade da existência humana. A educação perpetua, de forma simbólica, as diferenciações de gênero, ao alocar no espaço escolar as expectativas quanto ao desempenho de papéis sexuais. Dessa forma, as relações de gênero e o poder real e simbólico edificam-se historicamente no conservadorismo e em limites estreitos, gerando a perpetuação das desigualdades entre os sexo
Gênero e política na França: a eleição presidencial em debate
Em 2007, pela primeira vez na França, um grande partido político, o Partido Socialista, apresentou uma mulher como candidata à presidência da república. Ela não foi eleita, mas a sua campanha se reveste de uma importância singular num país onde, até então, não havia mais do que 12,3% de mulheres na composição do Congresso Nacional (18,5% desde as eleições legislativas de junho de 2007). Este artigo analisa o significado dessa candidatura do ponto de vista de gênero na história da elegibilidade na França e na história do voto
Editorial
Mandrágora sempre fora conhecida no meio acadêmico e dos movimentos sociais corno urna publicação feminista preocupada com as questões relacionadas às mulheres, suas lutas, conquistas e dificuldades de inserção, tanto no campo social quanto no campo religioso
Notas editoriais
Este número de Mandrágora traz textos, não apenas em português, mas também em espanhol, numa quantidade considerável, manifestando nosso desejo de tomá-la, de fato, uma revista de penetração latino-americana. Além disso, esta Mandrágora é produto de uma longa reflexão que começou com um curso feito por nossas participantes em Con-Spirando (Santiago do Chile), em fevereiro de 1996, seguido por um seminário de nosso Núcleo de Estudos (NETMAL) em setembro de 1997 e de um curso intensivo ministrado por Ivone Gebara, em nossa Pós-Graduação em Ciências da Religião em 1998
Epistemologia Ecofeminista
Falar de epistemologia feminista pode parecer estranho e até pretencioso. A questão que nos interessa é abrir a percepção a fim de captar os aspectos fundamentais da vida, ocultados de nosso campo cognitivo. O ecofeminismo nos abre para outras conexões, denunciando o caráter ideológico de boa parte da ciência patriarcal
O direito de ser mulher na periferia da cidade: práticas reprodutivas de mulheres de CEBs em São Paulo
Nos estudos que tratam das comunidades eclesiais de base e também dos movimentos sociais no Brasil encontra-se, muitas vezes, a afirmação da ação positiva da Igreja católica junto às mulheres pobres das periferias urbanas e das áreas rurais. A atuação eclesial teria contribuído para que elas se transformassem de pacatas donas-de-casa em ativistas políticas, promotoras de movimentos reivindicativos os mais variados: do protesto contra o custo de vida excessivamente alto às passeatas de apoio a greves, ou ainda, de denúncia das arbitrariedades do regime militar.