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    Lives da Metô: Nova abordagem para divulgação científica com diálogo, profundidade e acessibilidade

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    Este projeto de divulgação científica nasce do desejo de ultrapassar as fronteiras do academicismo tradicional sem renunciar à profundidade, à sistematização conceitual e à seriedade intelectual que caracterizam o pensamento acadêmico de qualidade. Em um tempo em que a comunicação científica frequentemente se vê diluída em discursos de opinião pessoal, muitas vezes desprovidos de fundamentação, ou então capturada por um tecnicismo hermético que afasta o público mais amplo, propomos uma alternativa que una acessibilidade e rigor. Trata-se de criar um espaço de escuta e reflexão que democratize o saber sem desfigurá-lo, que leve o conhecimento produzido nos centros de pesquisa ao encontro da sociedade, mas sem recorrer à superficialidade ou à espetacularização do saber. Nossa proposta central consiste na realização de lives temáticas, compostas por pequenos grupos – no geral entre duas e quatro pessoas – que conduzirão conversas dialógicas sobre temas previamente definidos. Diferente de entrevistas, mesas expositivas ou debates com caráter competitivo, esses encontros têm como eixo a construção coletiva do pensamento. Mais do que apresentar opiniões individuais ou repetir conteúdos previamente formatados, buscamos promover trocas genuínas, nas quais diferentes vozes possam se escutar, se provocar, se complementar e, sobretudo, produzir sentidos novos. Trata-se de criar um espaço de aprofundamento, de elaboração crítica e de diálogo fértil, em que o público possa acompanhar, ao vivo ou sob demanda, o pensamento sendo construído em tempo real, com seus impasses, revisões, contrapontos e descobertas. A meta é oferecer ao público uma experiência de escuta que seja, ao mesmo tempo, instigante e formadora. Queremos provocar curiosidade, mas também oferecer consistência; gerar interesse, mas também oferecer densidade; estimular o pensamento crítico, mas sem apelos fáceis ou retórica vazia. As lives funcionarão, portanto, como pontes entre o mundo acadêmico e a realidade social mais ampla, entre o rigor da pesquisa e a complexidade do cotidiano. As gravações das conversas serão disponibilizadas de forma integral, sem cortes ou edições. Essa escolha não se justifica apenas por uma questão de praticidade na produção, mas reflete também um posicionamento estético e epistemológico: valorizamos a naturalidade do pensamento em processo, as pausas, os desvios, os tropeços e os momentos de elaboração que fazem parte de qualquer conversa genuinamente reflexiva. A ausência de edição reforça o caráter autêntico do conteúdo e permite que o público se aproxime mais da experiência real daquilo que está sendo construído coletivamente, sem mediações artificiais. O espontâneo e o elaborado não são contraditórios aqui, mas caminham juntos, permitindo que a escuta acompanhe o ritmo orgânico da elaboração intelectual. Inicialmente, a publicação ocorrerá prioritariamente por meio de um canal temático no YouTube, mas como desdobramento natural, o áudio das conversas poderá ser extraído e veiculado também em formato de podcast, ampliando o alcance e permitindo que o conteúdo circule em diferentes plataformas e contextos de consumo. Essa flexibilidade de formatos torna o projeto ainda mais acessível e adaptável à rotina contemporânea, podendo ser acompanhado durante deslocamentos, atividades físicas, tarefas domésticas ou momentos de pausa. Um dos grandes diferenciais do projeto é seu caráter colaborativo e comunitário. A participação estará aberta à ampla comunidade acadêmica, incluindo professores, estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores independentes, bem como convidados especiais cuja trajetória intelectual esteja alinhada com os princípios do projeto. A diversidade de vozes e perspectivas é não apenas bem-vinda, mas necessária. A pluralidade dos participantes contribuirá para que os temas abordados sejam iluminados por diferentes olhares, experiências e formações, enriquecendo o debate e ampliando o repertório coletivo de reflexão. Por fim, é essencial destacar o compromisso que atravessa todo o projeto: trata-se de um espaço para o pensamento fundamentado. As falas dos participantes não serão ancoradas em meras opiniões ou impressões pessoais desconectadas de base teórica. Ao contrário, cada conversa se apoiará em referenciais sólidos, articulando teoria e crítica, tradição e contemporaneidade, experiência acadêmica e sensibilidade social. A proposta é, portanto, contribuir com a construção de um espaço público de reflexão que honre a inteligência do público, que respeite a complexidade dos temas tratados e que fortaleça o papel transformador do conhecimento no mundo atual

    PODCAST: O AMANHÃ É AGORA! Podcast Comunitário como uma Ferramenta de Comunicação e Resiliência na Promoção da Cultura de Paz e Justiça Social em Contextos de Desastres Climáticos

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    Podcast Comunitário como Ferramenta de Comunicação e Resiliência na Promoção da Cultura de Paz e Justiça Social em Contextos de Desastres ClimáticosA intensificação de desastres climáticos como enchentes, secas e deslizamentos tem gerado impactos sociais e psicossociais profundos, sobretudo em populações vulnerabilizadas. O problema central que este projeto enfrenta é como a comunicação estratégica, especialmente por meio de podcasts comunitários, pode mitigar esses impactos, fortalecer a Cultura de Paz e promover a justiça socioambiental em territórios atingidos. O objetivo geral é desenvolver, produzir e distribuir uma série de podcasts interativos que funcionem como ferramentas de apoio, informação e mobilização em situações de crise. Entre os objetivos específicos, destacam-se: coletar narrativas de sobreviventes, produzir conteúdos informativos com especialistas, assegurar ampla distribuição em plataformas digitais e rádios comunitárias e fomentar vínculos comunitários para reduzir estigmas e estimular solidariedade. A fundamentação deste projeto dialoga com marcos internacionais e nacionais. O Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres (2015) estabelece que a comunicação deve ser multissetorial e inclusiva, envolvendo mulheres, crianças, idosos e grupos vulneráveis na formulação de estratégias de prevenção e resposta. O Acordo de Escazú (2018) reforça o direito de acesso à informação e à participação pública em temas ambientais, garantindo transparência e equidade nos processos. No Brasil, o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PN-PDC 2025-2035) destaca a comunicação de riscos como prática interativa, fundamental para o engajamento social e a redução da vulnerabilidade. Tais documentos convergem para a necessidade de comunicação acessível, transparente e participativa em contextos de desastres. Do ponto de vista teórico, Paulo Freire (1996) compreende a educação como processo emancipatório, no qual a escuta ativa e o diálogo horizontal são essenciais para a transformação social. Habermas (1984) complementa ao tratar da ação comunicativa como prática que favorece consensos em espaços públicos. No campo midiático, estudos mostram que o podcast, inicialmente um recurso alternativo e de baixo custo, tornou-se também umaferramenta de democratização comunicacional, preservando seu potencial emancipatório e contra-hegemônico mesmo diante da apropriação por grandes conglomerados (Cardoso; Villaça, 2022). Na América Latina, autores como Franz e Lozano (2015) discutem o papel da comunicação na personalização das catástrofes, enfatizando que narrativas midiáticas críticas e inclusivas podem dar visibilidade às vozes silenciadas e evitar a espetacularização do sofrimento. A metodologia adotada é participativa e dialógica, articulada em quatro etapas: levantamento de vozes e dados locais por meio de rodas de conversa e escuta ativa; produção de episódios curtos (até cinco minutos) com sobreviventes e especialistas; disseminação via agregadores digitais, WhatsApp e rádios comunitárias. Essa abordagem se ancora em princípios da democracia participativa e busca garantir que a comunicação seja um canal de empoderamento, fortalecendo a resiliência comunitária e alinhando-se às diretrizes do PN-PDC. Como resultado, espera-se que o projeto possibilite uma compreensão ampliada sobre a relevância do podcast como instrumento de comunicação comunitária em contextos de desastres. A expectativa é que a escuta ativa revele diferentes formas de expressão de crianças, jovens, adultos e idosos diante do trauma, fornecendo subsídios para a produção de episódios que articulem orientações de especialistas e relatos de resiliência. A distribuição por rádios comunitárias e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, deverá ampliar o alcance do conteúdo em áreas de baixa conectividade, demonstrando o potencial do formato para superar barreiras tecnológicas e territoriais. Espera-se ainda que a valorização das histórias locais contribua para combater estigmas, reforçar laços de solidariedade e promover uma Cultura de Paz, em consonância com os princípios do Marco de Sendai e do Acordo de Escazú. Conclui-se que o podcast comunitário se configura como ferramenta estratégica para integrar comunicação, resiliência e justiça socioambiental em cenários de desastres. Ao conjugar narrativas locais, saberes técnicos e experiências de vida, projeta-se um processo comunicacional mais humano, participativo e emancipador. O projeto pretende, assim, reforçar o direito à informação e à participação como fundamentos da democracia ambiental e indicar a comunicação comunitária como caminho essencial para a construção de sociedades mais justas, solidárias e resilientes.ReferênciasBRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil 2025-2035: mecanismos de capacitação e difusão. Brasília: MIDR, 2024.CARDOSO, M.; VILLAÇA, L. Podcast no Brasil: disrupção de modelos de comunicação ou submissão à lógica de grupos hegemônicos de poder? Revista Alterjor, v. 12, n. 25, p. 111-120, 2022.FRANZ, M.; LOZANO, C. Palavras que dão a volta ao mundo: a personalização das catástrofes na mídia. Chasqui. Revista Latinoamericana de Comunicación, n. 130, p. 243-258, 2015.FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.HABERMAS, J. Teoria da ação comunicativa. São Paulo: WMF Martins Fontes, 1984.NAÇÕES UNIDAS. Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015-2030. Genebra: ONU, 2015.NAÇÕES UNIDAS. Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Acordo de Escazú: Acordo Regional sobre Acesso à Informação, Participação Pública e Justiça em Assuntos Ambientais na América Latina e no Caribe. Santiago: CEPAL, 2018

    PROJETOS INTEGRADORES NO ENSINO TECNOLÓGICO: UMA DISCUSSÃO SOBRE A INTERDISCIPLINARIDADE

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    Este trabalho trata de um estudo sobre a interdisciplinaridade no ensino tecnológico, por meio de projetos interdisciplinares e/ou integradores. O desenvolvimento técnico e tecnológico relaciona-se ao surgimento de novas funções e profissões, bem como a extinção de outras, devido às mudanças do mercado de trabalho. Este trabalho tem como objetivos, apresentar uma breve revisão da literatura sobre a educação profissional e tecnológica; analisar a interação entre as ciências de modo a estudar currículos integrados e discutir a relevância do trabalho docente por projeto para facilitar tal interação. O método adotado neste estudo é a de uma pesquisa exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa. Os dados analisados foram coletados, a partir de uma pesquisa documental em planos pedagógicos de uma Unidade de Ensino de graduação tecnológica, de uma instituição estadual de ensino técnico e tecnológico. Nessa unidade de ensino, existem dez modalidades de cursos superiores de tecnologia, distribuídos em cinco eixos tecnológicos, dispostos no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia (CNCST). No presente estudo é possível verificar, por meio dos dados, que há uma preocupação em promover a interação entre os componentes curriculares com a adoção de projetos interdisciplinares e/ou integradores em todos os semestres dos cursos, além de se exigir a confecção de um trabalho de graduação ao final do curso

    Um outro mundo é possível... e talvez viável: Notas sobre Red Mars, de Kim Stanley Robinson, e sua utopia logística

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    The article proposes to classify the book Red Mars, by Kim Stanley Robinson, as a systems novel, according to Tom LeClair based on Bertalanffy\u27s general systems theory, listing two characteristics: Robinson\u27s adoption of what we call logistical utopia, a model which focuses on practical and sustainable solutions to environmental and social problems, exemplified in the Mars Trilogy, of which Red Mars is the first volume. The analysis of this utopian system (also based on Fredric Jameson and Tom Moylan and their work on critical utopia, of which logistical utopia is a derivation) also addresses how Robinson uses the narrative strategy of the metalogue to involve readers in in-depth discussions about the construction of alternative futures, in which the characters assume the role of producers and receivers of information rather than agents of action. El artículo propone clasificar el libro Red Mars, de Kim Stanley Robinson, como una novela de sistemas, según Tom LeClair basada en la teoría general de sistemas de Bertalanffy, enumerando dos características: la adopción por parte de Robinson de lo que llamamos utopía logística, un modelo que se centra en la práctica y soluciones sostenibles a problemas ambientales y sociales, ejemplificadas en la Trilogía de Marte, de la cual Red Mars es el primer volumen. El análisis de este sistema utópico (también basado en Fredric Jameson y Tom Moylan y su trabajo sobre la utopía crítica, de la cual la utopía logística es una derivación) también aborda cómo Robinson utiliza la estrategia narrativa del metálogo para involucrar a los lectores en discusiones profundas sobre la construcción de futuros alternativos, en los que los personajes asumen el papel de productores y receptores de información en lugar de agentes de acción. O artigo propõe classificar o livro Red Mars, de Kim Stanley Robinson, como um romance de sistemas, segundo Tom LeClair com base na teoria geral dos sistemas de Bertalanffy, elencando duas características: a adoção por Robinson do que chamamos de utopia logística, um modelo que se concentra em soluções práticas e sustentáveis para problemas ambientais e sociais, exemplificado na Trilogia de Marte, do qual Red Mars é o primeiro volume. A análise desse sistema utópico (com base também em Fredric Jameson e Tom Moylan e seus trabalhos sobre utopia crítica, da qual a utopia logística é uma derivação) aborda ainda como Robinson se utiliza da estratégia narrativa do metálogo para envolver os leitores em discussões profundas sobre a construção de futuros alternativos, em que os personagens assumem um caráter de produtores e receptores de informação mais do que agentes de ação

    ANÁLISE SEMIÓTICA GESTUAL NA ARTE MAHĀYĀNA E CATÓLICA: CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E ESTÉTICAS

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    This essay explores the symbolism of hand gestures in Buddhist and Christian iconography, using some of Peirce\u27s semiotic categories to discuss the possible meanings of these signs and the relationships of meaning, from an ethical perspective, that these signs establish with their interpreters; in other words, what could these signs inform us about the ethical attitudes proposed by their respective religions. To carry out this investigation, we present a brief overview of the role of hand gestures in the contexts of Mahāyāna Buddhism and Roman Catholic and Orthodox Christianity, and analyze in more detail the gesture of fearlessness in Buddhism and the gesture of prayer in Christianity, understanding that the former points to an approach to ethics as a path that leads to overcoming fear for the benefit of all beings, while the latter points to a relationship of supplication, praise, and obedience to a superior being and Creator, God.Este ensayo explora el simbolismo de los gestos con las manos en la iconografía budista y cristiana, utilizando algunas categorías de la semiótica de Peirce para discutir los posibles significados de estos signos y las relaciones de significado, desde una perspectiva ética, que estos signos establecen con sus intérpretes; en otras palabras, lo que estos signos pueden decirnos sobre la conducta ética propuesta por sus respectivas religiones. Para llevar a cabo esta investigación, presentamos un breve resumen del papel de los gestos con las manos en los contextos del budismo mahayana y el cristianismo católico romano y ortodoxo, y analizamos con más detalle el gesto de la intrepidez en el budismo y el gesto de la oración en el cristianismo, entendiendo que el primero apunta a un enfoque ético como camino que conduce a la superación del miedo en beneficio de todos los seres, mientras que el segundo apunta a una relación de súplica, alabanza y obediencia a un ser superior y Creador, Dios.O presente ensaio explora o simbolismo dos gestos manuais presentes na iconografia budista e cristã, fazendo uso de algumas categorias da semiótica de Peirce para discutir sobre possíveis significados desses signos e quais relações de sentido, na perspectiva da ética, esses signos estabelecem com seus intérpretes; em outras palavras, o que esses signos podem informar sobre condutas éticas propostas por suas respectivas religiões. Para realizar essa investigação, apresentamos um breve panorama do papel dos gestos manuais nos contextos do budismo Mahāyāna e do cristianismo católico romano e ortodoxo, e analisamos em mais detalhes o gesto de destemor no budismo e o gesto de oração no cristianismo, entendendo que o primeiro aponta para uma abordagem da ética como caminho que leva para a superação do medo em benefício de todos os seres, enquanto o segundo aponta para uma relação de súplica, louvor e obediência a um ser superior e Criador, Deus

    APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ: RELIGIÃO E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: INTERFACES ENTRE ESPIRITUALIDADE, ÉTICA E JUSTIÇA CLIMÁTICA

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    Os artigos que compõem esse dossiê, conquanto não sejam muitos, expressam as inquietações que perpassam a sociedade mundial na atualidade, e tornam imperiosa a posição da Academia, em suas diferentes áreas, a respeito do assunto. Isso porque nos fazem refletir de diferentes modos sobre os desafios que as mudanças climáticas nos impõem

    NEGRITUDE E PRÁTICAS EDUCACIONAIS DE (RE)EXISTÊNCIA: UMA LEITURA CRÍTICA ACERCA DA ARTICULAÇÃO ENTRE POLÍTICAS PÚBLICAS E PROCESSOS IDENTITÁRIOS

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    Considerando a influência das políticas públicas na formação de subjetividades e retomando os principais marcos legais da saúde mental no contexto escolar, este relato tem como objetivo discutir o Novo Ensino Médio e suas possibilidades de promoção da saúde mental, observando os processos identitários de estudantes negros. A partir da intersecção com uma narrativa de história de vida, a análise revela como os valores neoliberais se manifestam nessa política, ignorando desigualdades sociais, em especial aquelas relacionadas à raça, classe e gênero. A discussão articula o pensamento de bell hooks com a psicologia social crítica de Antônio da Costa Ciampa, apresentando as práticas de (re)existência como uma possibilidade emancipatória de resposta não apenas à opressão, mas como uma forma ativa de invenção de novos modos de viver e aprender. Palavras-chave: Políticas públicas; Novo Ensino Médio; Práticas educacionais; Negritude; Processos identitários. &nbsp

    ACOLHE DISCENTE: CARTILHA INTERPROGRAMAS DA UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO

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    O ingresso em programas de pós-graduação Stricto Sensu, em geral, representa um momento de transição acadêmica e pessoal significativo para os discentes. Diante das exigências institucionais, cognitivas e afetivas, muitos estudantes enfrentam dificuldades de adaptação temporal, organizacional, no estabelecimento de prioridades e no equilíbrio das diversas atividades que geralmente desempenha. Essas dificuldades podem comprometer o desempenho e a permanência do discente programa. A evasão de programas de pós-graduação é um prejuízo grande para os discentes e para os próprios programas de pós-graduação, principalmente se o aluno evadido for um bolsista. Os desafios de adaptação temporal, organizacional e emocional, somados à ausência de políticas de permanência voltadas a esse nível de ensino, intensificam a vulnerabilidade dos discentes frente à evasão. Nesse sentido, as dificuldades não se relacionam exclusivamente às aptidões individuais dos estudantes, mas refletem também as exigências impostas pelos próprios programas, que frequentemente adotam critérios meritocráticos e deixam de contemplar as especificidades e limitações individuais e contextuais vividas pelos pós-graduandos. A literatura recente tem enfatizado a necessidade de estratégias institucionais de acolhimento, que favoreçam saúde mental, pertencimento e integração, funcionando como recursos de enfrentamento às pressões acadêmicas e sociais. Embora reconhecida a importância da pós-graduação para a produção científica e formação acadêmica, nota-se a ausência de políticas sistemáticas e acessíveis de acolhimento aos ingressantes. Essa lacuna gera desinformação, sensação de isolamento e dificuldades em lidar com as pressões institucionais. O objetivo geral deste projeto é desenvolver uma cartilha digital de acolhimento para novos ingressantes nos programas de pós-graduação stricto sensu de uma instituição particular, promovendo a integração interprogramas e articulando teorias e práticas que favoreçam saúde mental, pertencimento e produtividade científica. Especificamente, busca-se: mapear as demandas e desafios vivenciados por discentes ingressantes e veteranos; estruturar conteúdo a partir das contribuições teóricas de cada programa; produzir um material acessível e interdisciplinar; e promover espaços de diálogo e coprodução entre programas. A metodologia do projeto fundamenta-se em uma organização colaborativa, estruturada em comissões temáticas interdisciplinares. As subcomissões foram organizadas nas áreas de: Saúde Mental e Bem-Estar, Orientação Acadêmica, Comunicação e Convivência e Equidade e Espiritualidade. As equipes se reuniram semanalmente para levantar dados, elaborar conteúdos e validar informações, enquanto representantes participaram de reuniões quinzenais na Comissão Geral, assegurando integração entre as frentes de trabalho. O processo metodológico envolveu: levantamento de demandas de ingressantes e veteranos por meio de rodas de escuta e formulários; análise de documentos institucionais já existentes; discussão interdisciplinar dos conteúdos a serem abordados; redação colaborativa da cartilha; e design e formatação digital, em versão acessível. O projeto resultou na criação da cartilha digital “Acolhe Discente”, disponibilizada em formato acessível e gratuito. O material reuniu seções sobre boas-vindas institucionais, orientações acadêmicas, saúde mental e bem-estar, comunicação e convivência, equidade e espiritualidade, além de dicas práticas de organização. Entre os impactos observados, destacam-se: maior integração entre discentes de diferentes programas; redução de dúvidas e desinformações no ingresso; fortalecimento do suporte institucional e psicossocial; e reconhecimento da cartilha como documento replicável em outras instituições. A iniciativa foi avaliada positivamente por ingressantes e docentes, contribuindo para a diminuição de sentimentos de isolamento e para o fortalecimento do pertencimento acadêmico. A experiência de construção da cartilha “Acolhe Discente” demonstrou que iniciativas de acolhimento sistematizado favorecem não apenas a adaptação acadêmica, mas também a saúde mental e a permanência estudantil. Ao reunir diferentes áreas do conhecimento em um esforço colaborativo, o projeto fortaleceu o diálogo interdisciplinar, a construção de redes de apoio e a produção de um material inovador e prático para a comunidade acadêmica. O impacto do projeto se estende além do período de sua execução, consolidando-se como ação institucional de referência e passível de replicação em outras instituições de ensino superior. Dessa forma, evidencia-se que práticas de acolhimento não apenas previnem evasão, mas também potencializam a experiência acadêmica, contribuindo para a formação integral de pesquisadores e profissionais

    “CUIDAR NO TODO”: NARRATIVAS DE MERENDEIRAS SOBRE ALIMENTAÇÃO E CUIDADO

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    O artigo apresenta um recorte de uma pesquisa interinstitucional, que teve como objetivo conhecer as histórias de vida de crianças, seus/suas professores/as e suas famílias, identificando e compreendendo as marcas presentes do cuidar e ser cuidado em narrativas de crianças e adultos que frequentam creches, pré-escolas e escolas. Neste estudo, a compreensão do cuidado tem sido construída no diálogo com Mikhail Bakhtin e Martin Buber, autores que sustentam as relações dialógicas como premissa para uma existência que seja uma resposta responsável ao tempo e ao lugar no qual vivemos. Na metodologia, seguiu-se a abordagem qualitativa, utilizando como estratégias entrevistas individuais e coletivas, oficinas e observação participante. O artigo focaliza narrativas de duas merendeiras de uma escola da rede municipal do Rio de Janeiro, que atende a Educação Infantil e os Anos Iniciais do Ensino Fundamental. As narrativas indicam que as merendeiras entrevistadas compreendem o preparo e a oferta da alimentação como práticas de cuidado, que envolvem não apenas cozinhar e servir o alimento, mas também interesse, atenção e reconhecimento das necessidades do outro, especialmente das crianças. A pesquisa, entretanto, aponta que a falta de profissionalização do cargo de merendeira pode contribuir para que uma lógica de espaço doméstico prevaleça nas relações e no próprio ato de cozinhar em uma instituição educacional, favorecendo condições de trabalho precárias e desvalorização de uma profissão fundamental na implementação do Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Na contramão do desprestígio, as crianças da escola pesquisada reconhecem e valorizam os gestos de cuidado das merendeiras entrevistadas

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