Escola Superior de Teologia, São Leopoldo: Periódicos da Faculdades EST
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DIREITOS HUMANOS NA ERA DO CINISMO: A CONTRIBUIÇÃO DA TEOLOGIA CRISTÃ
Os direitos humanos tiveram usos muitos variados ao longo de sua história. A própria história do seu triunfo tornou-se problemática, pois os distancia da história confl itiva de suas origens. Recentemente, os direitos humanos tornaram-se prisioneiros de uma forma de discurso cínico em que os direitos humanos são cumpridos enquanto sua força renovadora é despolitizada. Entretanto, as práticas sociais de resistência continuam valendo-se dos direitos humanos para orientar suas lutas contra as numerosas formas de desigualdade e exclusão. Suas vitórias correm o risco de se tornarem formas controladas de adequação à racionalização própria do cinismo. A teologia tem recursos discursivos que podem representar uma contribuição nesse cenário. A força profética da lógica teológica, guiada pelo signo da cruz, pode informar uma pregação (denúncia e anúncio) parresíaca que ajude a desestabilizar o cinismo instalado em todos os âmbitos da vida pública e privada
“`ABY WARBURG, O INDÍGENA´: EXPLORAÇÕES DE BERLIM DE UMA ETNOLOGIA LIBERAL“ (2019) DE HORST BREDEKAMP
Resenha do livro de Horst Bredekamp. “Aby Warburg, der Indianer”, Berliner Erkundungen einer liberalen Ethnologie. Berlin: Verlag Klaus Wagenbach, 2019. 174p. com índice de nomes. ISBN 978-3-8031-3685-5 [Tradução do título: “`Aby Warburg, o indígena´: explorações de Berlim de uma etnologia liberal”]
Mito e rito na religiosidade popular: comentários sobre uma canção de Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter
O propósito do presente texto é comentar uma abordagem específica da religiosidade popular desenvolvida através de uma canção de Gilberto Gil e Rodolfo Stroeter, intitulada “Xote”. Optamos pelo verbo “comentar” porque está fora dos propósitos de nosso texto “explicar” a canção. O que o presente texto propõe é uma interação estético-hermenêutica de natureza “compreensiva”, muito mais que uma abordagem “explicativa”. O artigo especifica o que se compreende por “canção”, e solicita do leitor o exercício prático de audição (escuta) atenta e compreensiva da mesma, tal como gravada pelo artista. A narrativa da canção “Xote” nos conduz a um espaço imaginário de devoção popular. Neste lugar mítico realiza-se um mecanismo de troca-simbólica entre mulheres devotas e uma santa que lhes proporciona constantemente a graça desejada. Porém, a quebra da tradição, com a interrupção do rito ou com sua modificação interrompe a continuidade do milagre. A canção inquieta o ouvinte ao sugerir que, a despeito de todo avanço das ciências na modernidade, ainda há oportunidade no mundo para o poder e a continuidade das tradições religiosas populares
O CUIDADO HUMANO E O SENTIDO DA MORTE E DA VIDA
A pesquisa bibliográfica, descritiva, objetiva discutir o cuidado, a morte e o sentido da vida nas perspectivas da antropologia filosófica, da teologia e da bioética. Sobretudo apresenta as obras de Edith Stein La strutura della persona umana (1933-2013), Ser Finito y Ser Eterno (1996) e Psicologia e scienze dello spirito (1922-1999). Certifica a história da morte e as transformações ocorridas na sociedade ocidental contemporânea, as mudanças de mentalidade e os comportamentos, assim como o afastamento do processo de morrer tradicionalmente familiar para o contexto das instituições hospitalares. A morte deixa de ser natural e torna-se selvagem, inimiga e revestida de tabus; a técnica assume lugar de importância nas decisões de vida e morte. A vida envolve mistério, requer responsabilidade, atenção, precaução, cautela e diligência. Para tanto, o cuidado, a vida e a morte necessitam de uma profunda argumentação que represente sua intrínseca relação. Tal como o sentido da vida, a existência humana no mundo, as relações e a capacidade de transcendência
O PROTAGONISMO DAS PERSONAGENS NOS CONTOS DE FADAS MODERNOS
Este estudo tem como objetivo discutir sobre o protagonismo das personagens nos contos de fadas, tendo por referência as caracteristicas de três personagens femininas da produção da Disney: Valente (2012), Frozen (2013-2019) e Malévola (2014-2019); personagens que são diferentes dos esteriótipos femininos dos contos de fadas clássicos. Os contos de fadas são amplamente disseminados, transcendem barreiras geográficas, encantam o imaginário de crianças (e adultos) com narrativas e personagens que exploram sobre padrões de beleza, condutas, sentimentos e comportamentos em nossa cultura ocidental, infelizmente ainda marcada pelas relações de gênero e pela cultura patriarcal. As personagens, inseridas nos contos de fadas infantins, percebida em toda plenitude como mulher em seu espaço, em seu tempo e na cultura da época e podem influenciar no modelo de comportamento. Tendo em vista as mudanças de papel da mulher e das exigências no mundo contemporâneo, percebeu-se a necessidade de pensar e analisar a sua trajetória ao longo da história, sob a ótica da Literatura e das Teorias Feministas
DIALOGANDO SOBRE CARTOGRAFIA SOCIAL E IDENTIDADE EM TERRITÓRIOS TRADICIONAIS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS
Objetivamos neste artigo, discutir, por meio de experiências de campo com povos tradicionais, notadamente por intermédio de uma oficina sobre território e cartografia social, as representações sociais e as relações de poder no território quilombola Cruz da Menina, situado no município de Dona Inês – PB. Partimos de uma abordagem qualitativa, considerando as expressões de linguagem escrita, desenhos de mapas pela comunidade e linguagem falada, sobretudo no que se refere à interpretação dos mapas produzidos pela comunidade. No estudo dos povos tradicionais, o território comporta rigidez em alguns aspectos, por se tratar de uma porção territorial específica, que garante a reprodução da vida social. Sob à mira de papéis em branco, os traços e as cores, adotam significado territorial, tendo em vista que a memória acionada traz à tona vínculos identitários com lugares de uso coletivo e de representação cultural para os quilombolas
Steve Prince e suas epístolas urbanas
O presente artigo fará uma apresentação da arte religiosa elaborada por Steve Prince, situando-a no contexto das artes de contestação e das narrativas de resistência negra, para compreender o quanto a arte sacra elaborada por esse artista pode ser entendida como escrita iconográfica, no sentido que foi feita para ser lida, como Palavra visual conectada à tradição imagética do cristianismo