Revista de Arqueologia (SAB - Sociedade de Arqueologia Brasileira)
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    Arqueologia de contrato, mega-mineração e patrimonialização na Argentina

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    Este artigo demonstra que as atividades da arqueologia de contrato voltadas para grandes projetos de mineração na Argentina estão articuladas com um discurso global sobre patrimônio que busca patrimonializar lugares de memória Indígena. No entanto, esses movimentos hegemônicos para a criação de um sentido do real - que posiciona a mineração como uma realidade inevitável e, até mesmo, desejada e as empresas de mineração como atores sensíveis e responsáveis - são confrontados pelas forças contra-hegemônicas, entre as quais são proeminentes as narrativas atuais de aboriginalidade

    Análises cerâmicas na arqueologia amazônica: Contribuições da Amazônia central a uma longa trajetória de discussões

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    Classificação das cerâmicas arqueológicas foi tema bastante debatido entre arqueólogos que trabalharam na Amazônia nas décadas de 1950-70 e evidenciou divergências entre as hipóteses de ocupação da região. As diferentes interpretações dadas a este vestígio partiam de parâmetros classificatórios distintos. Este artigo apresenta as discussões sobre métodos de tratamento da cerâmica arqueológica na Amazônia, contextualizando as abordagens histórica e teoricamente. Num segundo momento expõe a metodologia de análise cerâmica utilizada para interpretar as sequências crono-estratigráficas dos contextos arqueológicos da Amazônia central e adjacências. Para tal, lança mão da análise e tipologia produzidas para o sítio arqueológico Jacuruxi, município de Manacapuru/AM, que desafiam os parâmetros interpretativos adotados e apontam para a necessidade de uma abordagem contextual abrangente

    Práticas de descarte de refugo em uma plantation escravista: O caso da fazenda do Colégio dos jesuítas de Campos dos Goytacazes

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    Este artigo tem por propósito caracterizar e discutir as práticas de descarte de refugo dos grupos escravizados que ocuparam o Colégio ou Fazenda dos Jesuítas de Campo dos Goytacazes (RJ), um estabelecimento que tinha por principal atividade produtiva o cultivo da cana-de-açúcar. Escavações arqueológicas em quatro contextos de deposição relacionados à ocupação dos cativos e à ocupação da casa grande revelaram as similaridades e diferenças nas formas de se lidar com o refugo cotidiano entre esses dois grupos antagônicos. Essas formas de descarte dizem respeito tanto à manutenção quanto à modificação de práticas de descarte tradicionais, de origem africana. Os cativos, ao mesmo tempo em que aderiram a modificações nessas práticas em decorrência da imposição de um ideário higienista pela camada senhorial, foram aptos a manter formas mais tradicionais de lidar com os seus resíduos. Deste modo, as práticas de descarte de refugo consistiram em uma das diversas táticas que esse grupo empregou para manter uma cultura diferenciada daquela da casa grande e, assim, desafiar as normas sociais que lhe eram impostas

    Arqueologia Distópica: A implementação da lógica do capital na gestão do patrimônio

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    Desde os anos 1980, a privatização do setor arqueológico espelha seu contexto político-econômico. Depois da crise financeira de 2008 e de seus efeitos devastadores na comunidade profissional, este sistema tem sido objeto de crescentes críticas. O objetivo deste artigo é demonstrar a configuração altamente problemática da arqueologia privada pra seus praticantes, para a cultura material e para a vasta maioria do público. Os sistemas da arqueologia em vários países são explorados, incluindo Canadá, Austrália e Japão. Uma mudança radical da lógica dominante do capital, no sentido de alternativas cooperativas e colaborativas, viáveis a longo prazo e reconectadas às pessoas no presente, é sugerida como uma alternativa mais factível.

    Contratempo: Arqueologia de Contrato ou uma trincheira na batalha pelos mortos

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    Por que no presente contexto territorial de intervenção do capital a arqueologia de contrato (AC) é tão eficiente em termos de mercado? No sentido de buscar uma resposta para esta questão será dissecada a profunda cumplicidade entre, por um lado, as premissas teórico-metodológicas tecnologicamente da AC e, por outro, as premissas ontológicas e epistemológicas hegemônicas mobilizadas pelas narrativas do desenvolvimento. Depois de apresentar os fundamentos da forma pós-disciplinar da AC, será exposta sua vocação totalitária implicada na oposição às vozes dissidentes não ouvidas. Em contextos de fronteira, AC pode ser vista tanto como uma expansão profissional eficiente (do ponto de vista hegemônico), quanto como uma trincheira na batalha pelos mortos

    Arqueologia de Gestão em Madri: Presos pelo modelo de especulação capitalista do território

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    Com o fim da ditadura Franquista, iniciou na Espanha um processo sem precedentes de democracia compactuada com as elites políticas e econômicas. A novidade neste contexto de transformação estava na introdução de uma série de instituições democráticas que amparavam um modelo econômico desenvolvimentista que garantia o acesso ao consumo das massas e a maiores níveis de igualdade e liberdade, através da formula do livre mercado. A associação entre liberdade democrática e econômica neste contexto de transformação assentou as bases cognitivas que se relacionam com determinadas formas de “verdade” e “poder”. Madri, como comunidade pioneira na instauração da denominada arqueologia comercial ou de contrato, fundamentada na liberação do solo para a construção, é um caso paradigmático deste processo de transformação. Neste contexto, as contradições associadas ao modelo econômico que possibilitou o desenvolvimento da arqueologia comercial e do marco legal que a amparou, são aqui expostos como forma de denúncia e crítica a uma forma determinada e hegemônica de operar, abrindose um espaço para a reflexão e a luta

    Caracterização de solos com terra preta: Estudo de caso em um sítio tupi-guarani pré-colonial da Amazônia oriental

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    Na Amazônia há uma ampla extensão de solos que resultam de ocupações indígenas pré-coloniais. Esses solos, muito férteis e estáveis, são denominados Terra Preta de Índio (TPI), e são correlacionados à deposição de matéria orgânica, maior espessura do refugo ocupacional e maior densidade de cerâmica, indicando áreas de atividades constituídas ao longo do tempo por diferentes processos de ocupação humana no passado. Na Amazônia Oriental, região de interflúvio Xingu-Tocantins, alguns estudos vem demonstrando que a formação da TPI nos sítios arqueológicos está intimamente relacionada ao estabelecimento das populações falantes de línguas Tupi-Guarani, aspecto esse evidenciado no sítio Onça Puma 3 a partir da correlação entre os depósitos de TPI e o estilo tecnológico das cerâmicas identificadas nesses sítios

    Coisas que mudam: Os processos de mudança nos sítios conchíferos catarinenses e um olhar isotópico sobre o caso do sítio Armação do Sul, Florianópolis/SC

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    O registro arqueológico associado aos sítios conchíferos do litoral catarinense aponta para uma intensificação nos processos de mudança a partir de 2000 anos AP, marcada por acontecimentos diversos dentre os quais se destacam a diminuição no número de sítios, a diminuição no uso de conchas em sua formação e o aparecimento da cerâmica. E não se trata apenas de mudança, mas também de permanência; mudanças e permanências que são desveladas conforme o olhar empregado, a escala temporal e espacial escolhida e o material analisado. Com o objetivo de compreender melhor esses processos de mudança, e entendendo o sítio Armação do Sul (Florianópolis/SC) como elemento chave para essa compreensão, foram realizadas análises isotópicas de estrôncio (87Sr/86Sr), carbono (δ13C) e nitrogênio (δ15N) nos indivíduos nele sepultados, juntamente com a análise das práticas mortuárias associadas a esses sepultamentos e o estabelecimento de uma cronologia que aliou informação estratigráfica com datações radiocarbônicas obtidas para diversos esqueletos. De quebra, buscou-se também contribuir para um melhor entendimento dos processos responsáveis pela maior diferenciação da porção central do litoral catarinense com relação aos territórios vizinhos. Esta pesquisa foi concretizada por meio do projeto “Armação do Sul: velhas questões, novas abordagens. Os sítios conchíferos do litoral central de Santa Catarina na longa duração” (FAPESP 2013/11193-4), desenvolvido ao longo do ano de 2014

    Sobre Arqueologia de Contrato

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    Este artigo revisa os principais argumentos usados para justificar a arqueologia de contrato no mundo. Ao analisá-los contextualmente, no entanto, estes argumentos são desnudados, revelando sua articulação com a lógica da modernidade e do capitalismo. Como estudo de caso é analisado o caso do Brasil, a partir do qual se estabelecem conclusões mais abrangentes

    Empreendimentos econômicos, violação de direitos humanos e o silêncio da arqueologia no Brasil

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    Nas últimas décadas a arqueologia tem crescido no Brasil acompanhando os projetos de desenvolvimento econômico, protegida pela neutralidade e objetividade técnica, isolada dos conflitos e injustiças ambientais ligadas a tais. A reflexão aqui exposta flui através de narrativas sobre sítios arqueológicos de arte rupestre de uma área de deslocamento compulsório por projeto econômico de grande porte dos anos de 1970 e discute o modelo de gestão ambiental adotado no Brasil e o modo como profissionais da arqueologia nele atuam

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