Revista de Arqueologia (SAB - Sociedade de Arqueologia Brasileira)
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    Etnoarqueologia, conservação arqueológica e a compreensão dos processos de formação do registro arqueológico na Amazônia: A cerâmica arqueológica dos Asurini do Xingu, Pará

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    O registro arqueológico consiste de vestígios materiais que foram produzidos e alterados a partir de diferentes fatores culturais e naturais que são chamados de processos de formação. Neste trabalho – a partir da análise de vasilhas cerâmicas arqueológicas dos Asurini do Xingu – pretendemos mostrar que a associação entre a etnoarqueologia e a conservação arqueológica ampliam as possibilidades dos arqueólogos de compreender esses processos de formação do registro arqueológico. Analisaremos os artefatos cerâmicos, procurando verificar em que medida as suas características físicas revelam as alterações provocadas pelo uso e pelos processos pós-deposicionais de biodegradação

    Arqueologia como Capitalismo do Desastre

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    A arqueologia é uma forma de capitalismo do desastre, caracterizado por gestores especializados cuja função é a “liberação” da herança indígena da paisagem, abrindo o caminho para o desenvolvimento econômico. Quando confrontados com esta crítica, os arqueológicos respondem de maneira forte e emocional, negando e defendendo a indústria da arqueologia comercial. Sua fúria provém e gira em torno da ideia de que os arqueólogos não são apenas cúmplices, mas tomam parte da destruição do mesmo patrimônio que clamam proteger. No que acreditamos ser um ato de autopreservação filosófica e econômica, a maioria dos arqueólogos propositalmente “esquece” a relação entre arqueologia, violência e a crise do patrimônio global. Seguramente defendida por seus praticantes, a arqueologia permanece por este motivo uma força imperial, fundada na ideologia do crescimento, desenvolvimento e progresso

    O multiculturalismo neoliberal e a arqueologia de contrato no norte de Chile

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    Neste artigo pretendo contribuir para a discussão das conseqüências sociais e políticas da arqueologia de contrato no Chile, demonstrando como a prática participa na construção e reprodução da lógica e valor de mercado. Demonstrarei como a lógica neoliberal é reproduzida nas práticas cotidianas e nos discursos do Estado e da arqueologia. No caso de San Pedro de Atacama (norte do Chile) a conexão entre arqueologia de contrato, patrimônio arqueológico e as indústrias da mineração e turismo criaram uma prática disciplinar que constrói e é construída pelo Estado neoliberal multicultural e sua política de etno-desenvolvimento

    Da responsabilidade social de antropólogos e arqueólogos: Sobre contratos, barragens e outras coisas mais

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    Este texto foi escrito (mas nunca impresso) em novembro de 2006 em reação ao desfecho (que então se anunciava) no que toca à exploração hidroelétrica dos formadores do rio Xingu, no norte do Mato Grosso. Como se pode esperar, aqueles que defendiam, como princípio de precaução, a preservação dos rios e o direito indígena ao seu patrimônio imaterial saíram derrotados. A discussão sobre o papel de antropólogos e arqueólogos nesse processo, contudo, ainda está por ser feita. Daí minha concordância em publicar o texto abaixo depois de muitos anos de ser escrito. Espero que ainda sirva para aguçar nossa reflexão e reanimar nosso espírito crítico

    A gestão do patrimônio arqueológico em territórios indígenas: A resistência Munduruku e a preservação do patrimônio cultural frente ao licenciamento ambiental de empreendimentos em territórios tradicionalmente ocupados

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    Este artigo apresenta a análise da dispensa dos estudos etnoarqueológicos colaborativos no âmbito do licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica Teles Pires e quais as implicações dessa decisão para a proteção do patrimônio arqueológico. Considerando que, na arqueologia, o caráter patrimonial dos conjuntos materiais está intrinsecamente ligado à sua apropriação e fruição pelas comunidades locais – e disso depende a proteção aos contextos arqueológicos –, a decisão expôs os sítios da região aos impactos decorrentes da implantação do empreendimento e abriu um precedente que pode ser desastroso para os povos – e para a conservação do patrimônio cultural – afetados por grandes obras de infraestrutura em territórios tradicionalmente ocupados

    Para uma história jê meridional na longa duração: O contexto em Alfredo Wagner (SC) e a sua inserção regional

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    A proposta desta pesquisa é contribuir para uma melhor compreensão da trajetória histórica dos grupos Jê Meridionais em Santa Catarina a partir da realização de pesquisas no município de Alfredo Wagner. Para tanto, realizamos uma revisão na literatura arqueológica, antropológica e etnohistórica sobre os grupos Jê Meridionais, bem como desenvolvemos prospecções e escavações, além de análises tecnológicas de vestígios líticos e cerâmicos

    A Arqueologia e a lógica do capital: Puxando o freio de emergência

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    A recente crise do capitalismo financeiro (2008-presente) tem tido um enorme impacto nas vidas dos trabalhadores em todo o mundo e também atingiu o maior setor da atividade arqueológica que tem sido chamada de arqueologia comercial ou de contrato ou de desenvolvimento. Apesar de seus efeitos negativos, esta situação gerou uma abertura pra um repensar e uma reflexão radical quanto a questões subjacentes deste setor, suas premissas éticas e políticas, sua viabilidade a longo prazo e, mais importante, a necessidade de alternativas. Neste contexto, este artigo busca demonstrar que a lógica do capital estava presente no processo da constituição moderna da arqueologia, desde seu início. Também demonstramos as operações altamente problemáticas da arqueologia comercial para os arqueólogos, a cultura material e a vasta maioria do público. Propomos que o que deve ser transformado radicalmente é a lógica fundamental da arqueologia moderna que faz parte da estrutura capitalista: a fetichização das coisas e seu tratamento como objetos autônomos, divorciados das relações, fluxos e conexões que levam a sua constituição. O artigo conclui analisando brevemente uma arqueologia alter-moderna que reside nos espaços intermediários, e não em entidades objetificadas, reificadas e transformadas em produtos

    Editorial

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    Este número da Revista de Arqueologia reflete a diversidade de universos que vêm sendo explorados em pesquisas de diferentes contextos arqueológicos do Brasil

    Caracterização do sistema tecnológico da subcoleção laming-emperaire do lítico xetá depositada no MAE-UFPR

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    O Setor de Antropologia da Universidade Federal do Paraná enviou expedições de pesquisa entre 1956 e 1961 para a região onde foram identificados acampamentos Xetás, coletando informações sobre a cultura material deste grupo. Nestas expedições foram coletados 160 artefatos polidos e lascados que compõem a coleção de lítico Xetá depositada no MAE-UFPR. A partir de informações de contexto deste material, optou-se em dividi-lo em duas subcoleções para fins analíticos e comparativos: os artefatos coletados por Loureiro (sem dados de proveniência) e por Laming-Emperaire (com informações). Este artigo expõe os resultados obtidos com a análise baseada em sequências reducionais do material coletado por Laming-Emperaire em 1961. Os tipos identificados para os Xetás nas poucas publicações, como chooppers e chopping-tools, podem ser associados a outras tradições arqueológicas definidas para região sul, em especial o lítico de grupos ceramistas Proto-Jê e Tupiguarani

    Cognição e cultura no mundo material: Os itaparicas, os umbus e os lagoassantenses

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    Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa cujo principal objetivo foi analisar amostras de três coleções de indústrias líticas brasileiras datadas da transição Pleistoceno-Holoceno e Holoceno Inicial através de uma abordagem tecnológica com aplicações teóricas da abordagem cognitiva, a fim de compreender as principais diferenças e similaridades da cultura material entre sociedades humanas contemporâneas de diferentes contextos Para esta pesquisa foi selecionado um “sítio modelo” de cada indústria. O sítio arqueológico Gruta das Araras (GO-JA-03), localizado no complexo arqueológico de Serranópolis, Goiás, foi utilizado como modelo para compreensão da indústria lítica classicamente classificada como Tradição Itaparica. O sítio Laranjito (RS-I-69), localizado na margem esquerda do médio Rio Uruguai, no município de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, foi utilizado como sítio modelo para a indústria Tradição Umbu. O sítio Lapa do Santo foi utilizado como sítio modelo para a indústria lítica da região de Lagoa Santa, Minas Gerais. Nesta análise foi dada uma ênfase maior aos vestígios líticos que não costumam ser classificados como artefatos formais, como por exemplo: as Lesmas, associadas à Tradição Itaparica; e as pontas bifaciais, associadas à Tradição Umbu

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