Revista de Arqueologia (SAB - Sociedade de Arqueologia Brasileira)
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    Por uma Arqueologia Feminista da ditadura no Brasil (1964-1985)

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    O presente texto é um exercício interpretativo entre as relações de gênero e o mundo material da repressão em Centros de Detenção e Tortura no Brasil. Tomo como base a Arquitetura do DOPS/RS, além dos materiais e outros elementos não humanos utilizados para tortura de pessoas dentro desses espaços. Para tanto, me proponho a examinar esse meio material, através de seu entrecruzamento com os relatos de ex-presas(os) políticas, vistos sob a ótica do feminismo descolonial, com intuito de trazer à luz novos elementos da dinâmica repressiva brasileira, bem como, trabalhar a perspectiva de gênero como forma de valorizar os relatos de mulheres e de possibilitar a sua visibilidade nesse processo

    Nem todas são Betty ou Anna: o lugar das arqueólogas no discurso da Arqueologia Amazônica

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    A produção científica sobre a Arqueologia Amazônica é marcada por duas mulheres, Betty Meggers e Anna Roosevelt. Apesar da inegável contribuição destas arqueólogas para as pesquisas posteriores, podemos afirmar que há equidade entre mulheres e homens na arqueologia dessa região? Realizamos um levantamento da bibliografia de artigos publicados nos últimos quinze anos, por autoras e autores brasileiros e estrangeiros, em treze periódicos nacionais e internacionais. Verificamos que, apesar da alta produtividade das mulheres na Arqueologia Amazônica, elas não são citadas de maneira proporcional, privilegiando-se os trabalhos de homens. Por fim, questionamos se as bibliografias selecionadas representam, de fato, o percentual de arqueólogas e arqueólogos em atividade ou se não são reflexo da iniquidade de gênero na ciência arqueológica

    Arqueofauna do Aterro Limoeiro, Pantanal, Brasil

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    O Aterro do Limoeiro está localizado na planície de inundação do Pantanal, dentro de um sistema de canais fluviais articulados com lagoas e com o rio Paraguai. Os seus habitantes pertencem aos grupos ceramistas pré-coloniais, que permaneceram no local entre 1.290 ± 100 anos A.P. a 2.640±100 anos A.P. e sua presença produziu vestígios de material cerâmico, lítico, remanescentes faunísticos, sepultamentos, instrumentos e adornos. Nesse contexto, o presente estudo tem o propósito de identificar o uso da fauna, pelos habitantes do aterro, a partir da identificação anatômica e taxonômica dos remanescentes de invertebrados e de vertebrados. Dessa forma, foi possível identificar os animais com seus aspectos ecológicos e sua provável utilização para a alimentação e como fonte de matéria-prima na fabricação de instrumentos e de adornos

    Acessibilidade dos sítios de grupos da Tradição Tupiguarani na Chapada do Araripe-PE: o uso das ferramentas SIG no estudo da mobilidade pré-histórica

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    A Arqueologia espacial passou por expressivos desenvolvimentos teóricos e metodológicos nos últimos trinta anos, perquirindo novas problemáticas, sobretudo com a aplicação de tecnologias como os SIG (Sistema de Informação Geográfica), cujas ferramentas ainda são pouco exploradas nas investigações sobre a mobilidade pretérita. Estudos têm demonstrado a sua relevância na análise do contexto ambiental para a circulação humana. Neste trabalho, buscamos calcular dados vetoriais a partir de um Modelo Digital de Elevação e analisar mapas de acessibilidade entre 21 sítios de grupos da tradição ceramistaTupiguarani alocados em Araripina – PE, na Chapada do Araripe. As configurações da acessibilidade dos sítios indicam um contexto diferente na área fluvial e na área da chapada

    Há uma condição de possibilidade de diálogo entre regimes de conversação e regimes de conhecimentos: de um lado as cosmologias ameríndias e suas materialidades e, de outro, a Arqueologia

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    Desde sempre, a Arqueologia, enquanto campo de produção de conhecimento científico no Projeto da Modernidade, não assumiu compromissos em incluir outras vozes que não as científicas. Agora, no cenário contemporâneo, tais vozes querem protagonismo em relação a tudo o que vem sendo pesquisado pela Arqueologia. Trazem o desafio de outros regimes de conversação entre o que diz a ciência e o que também dizem estes grupos. Por onde estudo, parto das cosmologias ameríndias e suas materialidades no sentido de trazer desafios para novos regimes de conversação nos fazeres da Arqueologia, orientando-me através da teoria da decolonialidade e de outras teorias. As cosmologias são pesquisadas nas etnografias publicadas, referentes a grupos étnicos localizados no Brasil nas geograficamente denominadas ‘terras baixas’

    Cronologia e variabilidade: os ceramistas tupiguarani da zona da Mata Mineira e complexo Lagunar de Araruama

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    No presente trabalho, buscou-se discutir a presença dos ceramistas Tupiguaranino Sudeste Brasileiro, conferindo ênfase ao tratamento de questões referentes àcronologia e variabilidade, por meio das informações da cerâmica coletada emdiferentes compartimentos ambientais. O foco recaiu sobre os sítios arqueológicosidentificados na Zona da Mata mineira pela equipe do MAEA-UFJF – Emílio Barão eTeixeira Lopes, situados no município de Juiz de Fora; Primavera e Poca, na cidade deSão João Nepomuceno; Mata dos Bentes, no município de Rio Novo e, em seguida,Córrego do Maranhão, no município de Carangola; e no Complexo Lagunar deAraruama, nas pesquisas conduzidas por profissionais do Museu Nacional/UFRJ -Morro Grande, Serrano, São José, Bananeiras, Condomínio Jardim Bela Vista, SantoAgostinho e Barba Couto, todos situados no município de Araruama. Na empreitada,avaliaram-se as potencialidades e limites que envolvem a aplicação de uma perspectivaque confere ênfase ao estudo da continuidade e mudança em uma perspectivadiacrônica, nos quadros da Arqueologia Evolutiva definida inicialmente por RobertDunnell na década de 1970

    Gênero e alimentação: estudo de viabilidade em Bioarqueologia (o caso do cemitério medieval Larina, Isère - França)

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    Sob influência das teorias feministas, começou-se a diferenciar o sexo e o gênero nos trabalhos acadêmicos. O primeiro descreve características biológicas, e o segundo as, muitas vezes diversas, características da identidade social (BELARD, 2015; TRÉMEAUD, 2015). O estudo de gênero, por sua vez, não se atém apenas às questões ligadas às mulheres, mas sim às relações entre os dois gêneros (GILCHRIST, 1999). A importância desse tema vem do fato de que mulheres e homens, influenciados por diferentes filtros naturais e/ou sociais, possuem atribuições diferentes nas sociedades, que podem causar exposições a certas doenças e acesso hierarquizado aos alimentos

    Geofísica arqueológica no ambiente da Arqueologia Urbana: proposta metodológica para projetos públicos

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    A reforma e a requalificação de centros históricos — como construção, saneamento, pavimentação, entre outras — requerem que uma pesquisa arqueológica seja realizada antes de qualquer intervenção. Nesse contexto, busca-se um equilíbrio entre o que pode sofrer impactos negativos e o que deve ser estudado e preservado arqueologicamente, sempre buscando atender à necessidade do melhoramento dos locais públicos. O Largo da Igreja Nosso Senhor do Bonfim, Marechal Deodoro, Alagoas, ofereceu oportunidade de empregar o método geofísico GPR (Ground Penetrating Radar ou Georadar) para orientar escavações, identificar áreas para preservação e informar engenheiros civis sobre possíveis desafios para a execução do projeto civil. Os resultados foram interessantes, proporcionando um bom argumento para a incorporação de metodologias geofísicas em projetos de Arqueologia Urbana similares

    A Morte enfeitada: um olhar sobre as práticas mortuárias dos construtores do Sambaqui Cabeçuda a partir de um sepultamento infantil

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    Os estudos sobre os sambaquis e os grupos que os construíram mesclam-se à própria história da Arqueologia brasileira. Diversas foram as abordagens e questões a fundamentar as interpretações acerca desse tema. Origem, função, modo de subsistência, tecnologia, processo construtivo dos concheiros, relações com outros grupos culturais e regularidades e especificidades culturais e regionais são alguns dos temas tratados na literatura especializada. Para o desenvolvimento de todos eles, são preciosos os dados recuperados das estruturas funerárias. O objetivo central desta pesquisa foi analisar as práticas mortuárias dos construtores de Cabeçuda, a partir de uma baliza, especificamente os adornos de conchas de um sepultamento infantil, e à luz de registros sobre tais artefatos associados a estruturas recuperadas de outros sambaquis e sítios litorâneos de Santa Catarina e Rio de Janeiro. Partiu-se do levantamento, organização, sistematização e processamento dos dados disponíveis na literatura especializada – fontes primárias e secundárias – sobre as sepulturas de Cabeçuda e outros sambaquis e sítios litorâneos de Santa Catarina e Rio de Janeiro. Os dados levantados nas arqueografias foram interpretados problematizando as premissas da teoria do reflexo e da natureza conservativa das práticas mortuárias

    Dossiê Arqueologia e Crítica Feminista no Brasil: uma apresentação

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    Equidade e bem viver não existem no vocabulário do conservadorismo reinante na atual crise política brasileira. Em nome de deus e do capital, as teorias de gênero, que há tempos denunciam o conteúdo ideológico do heterossexismo, são apresentadas como ideologia de gênero e freneticamente combatidas a expensas da educação, da cultura, da arte, da dignidade e dos direitos humanos. O Plano Nacional de Educação não tem mais o combate à discriminação de gênero e à homofobia como objetivos, e em vários estados as escolas de ensino fundamental e médio são proibidas de tematizar sexo-gênero e sexualidade em sala de aula. Hoje querem que levemos a gravidez até o fim em qualquer circunstância, mesmo que ela resulte de estupro, porque, supostamente, nossos corpos não nos pertencem – pertencem ao mercado. Também querem que nossos corpos trabalhem até a última respiração – porque a lógica neoliberal determina que vivamos para trabalhar, em vez de trabalhar para viver. E se vivemos para trabalhar, os riscos à qualidade da nossa saúde mental daí advindos (como aqueles que acompanham as pressões por produtividade na academia, os prazos exíguos, a competividade, as animosidades, a escassez de recursos e outros aborrecimentos da rotina acadêmica) passam a ser ‘coisas da vida’ (em vez de ‘coisas do trabalho’!), provações constantes nas quais os fortes se superam e os fracos sucumbem. Uma fantasia de autorregulação

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