Revista de Arqueologia (SAB - Sociedade de Arqueologia Brasileira)
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    Arqueologias Indígenas, os Laklãnõ Xokleng e os objetos do pensar

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    A pergunta “a quem interessa o passado?”, realizada há alguns anos, levou-nos a repensar que o conhecimento produzido sobre o passado era compartilhado para além dos muros científicos, incitando a inclusão de vozes, por vezes dissonantes, sobre o que, durante muito tempo, chamamos de “nosso” problema de pesquisa. Contudo, ao descentralizarmos os lugares de fala, também escapa-nos a decisão sobre os objetos de pesquisa, suportes preferenciais de nosso pensar. Pretendo tratar da minha experiência recente de compartilhamento de interesse sobre o passado entre os Laklãnõ Xokleng no estado de Santa Catarina. Ao longo do artigo, trarei exemplos das múltiplas ações e esferas nas quais essa busca contemporânea do passado pelos Laklãnõ Xokleng tem se manifestado, e, afinal, como esta Arqueologia no presente pode permear-se por novos nexos e assim engajar neste processo social

    A Britannia e suas mulheres

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    A proposta deste artigo é refletir sobre as mulheres na sociedade antiga, em especial da Britannia, durante a chegada e a presença do Império Romano na província. Esse não era um grupo homogêneo, pois a população que ali já tinha se alojado, quanto a que veio depois, havia uma grande variedade de ideias acerca do status de romanas e bretãs e do modo como essas mulheres deveriam conduzir suas vidas. Materiais sobre elas foram encontrados em registros epigráficos, como em lápides, com mensagens póstumas de seus maridos. Este trabalho comparou essas fontes com a obra de Tácito, Anais, uma vez que esse autor parece sempre retratar as mulheres com características pejorativas, muito diferentes das palavras carinhosas dadas a elas nos locais em que estão enterradas

    Entre rios, dunas, lagoas e o mar: Arqueologia Guarani no litoral sul de Santa Catarina

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    Este artigo trata da ocupação Guarani no litoral sul de Santa Catarina, na região entre os rios Mampituba e Urussanga, cujo contexto ambiental é caracterizado por uma dinâmica cambiante de dunas, paleodunas, rios de pequeno e médio porte, lagoas quaternárias e o oceano Atlântico. A partir do estudo de 36 sítios arqueológicos, em uma perspectiva ecológica e sistêmica, apontamos as evidências materiais que indicam as diferentes estratégias de organização do espaço (aldeias, acampamentos e áreas funerárias) dentro de um território de domínio. Buscamos, ainda, refletir sobre o processo de ocupação e abandono desses assentamentos tardios, inseridos no contexto altamente conflitivo do aprisionamento de indígenas no início da colonização europeia no século XVI

    Sexualidade e Teoria Queer: apontamentos para a Arqueologia e para a Antropologia Brasileiras

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    Este artigo parte de várias perguntas e inquietações que dizem respeito ao lugar dos estudos sobre sexualidade na arqueologia brasileira. Iniciamos apresentando a relação entre os estudos de gênero e os estudos de sexualidade, um pouco do legado da crítica feminista na formação da teoria queer e da perspectiva construtivista em bioarqueologia no que diz respeito às (re)considerações de sexo, sexualidade e gênero. Em seguida, mostramos como se instituiu, ao longo da década de 2000, nos Estados Unidos e nos países de língua inglesa em geral, o que vem se convencionando chamar de queer archaeology ou uma arqueologia informada pela teoria queer. Por fim, terminamos com a análise da exígua produção brasileira sobre sexualidade no âmbito da arqueologia e exortamos para que um campo de estudos de sexualidade comum à arqueologia e à antropologia seja constituído no Brasil

    Por que preservar?

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    Especialistas do patrimônio cultural frequentemente pressupõem que os vestígios do passado são inerentemente valiosos e que merecem ser perpetuados. Consequentemente, fazem seu melhor para preservar os sítios arqueológicos, os objetos e a informação contida neles para a posteridade. Contudo, o paradigma preservacionista do patrimônio não é mais que um nobre esforço de proteger o passado para o futuro em nome de valores intemporais. De fato, o discurso contemporâneo do patrimônio pode ser melhor entendido se situado firmemente no contexto cultural e histórico específico da civilização Europeia – e por extensão, global – dos últimos séculos. A fim de avançar nessa ideia, os estudos históricos parecem úteis para iluminar as origens e desenvolvimentos desse paradigma

    Editorial

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    Este número é especial para nós, pois inaugura um novo conceito “tecnológico, administrativo e acadêmico” que nos permite continuar avançando para atingir a excelência da Revista de Arqueologia da SAB. Dando continuidade a um esforço iniciado na comissão editorial anterior, reorganizamos a parte administrativa da revista (concentrando ações da administração do website, formatação e diagramação dos artigos em um único profissional) e contratamos um revisor de português (que tem nos auxiliado a garantir a qualidade dos trabalhos aprovados, atendendo às normas da língua escrita). Além disso, buscamos dar continuidade à construção de um processo de avaliação cada vez mais horizontal e transparente, priorizando a qualidade e a originalidade dos artigos enviados

    "Haja hoje p/ tanto hontem": apontamentos sobre a Arqueologia e o contemporâneo

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    A Arqueologia, cada vez mais, está sujeita a problemáticas relacionadas a circunstâncias presentes em razão das contestações de que o passado não constitui uma unidade analítica precedente e alheia à nossa realidade atual. No entanto, a resistência em admitirem-se pesquisas dessa natureza em prol da manutenção do dogma de que a Arqueologia se ocupa dos vestígios de um passado distante, ainda, fomenta certa incredulidade em alguns colegas e oferece um falso subsídio argumentativo aos que defendem tal posição institucional. Portanto, neste artigo, faço algumas considerações acerca dessa questão e uma defesa de pesquisas arqueológicas que tenham uma circunstância presente enquanto problemática tendo como exemplo a minha dissertação de mestrado

    Narrativas arqueológicas e museológicas sob rasura: provocações feministas

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    Historicamente, as práticas arqueológicas e museológicas estiveram associadas à construção de identidades nacionais, nas quais despontava uma forma de cidadão pleno: homem, branco, heterossexual e proprietário. Nesses contextos, as narrativas elaboradas pela Arqueologia e pelos museus podem ser compreendidas como mais um eixo de normatização e opressão. Nesse texto, percorro as reciprocidades entre a Arqueologia de Gênero e a Arqueologia Feminista, trazendo algumas provocações feministas inspiradas em abordagens queer e decoloniais no que concerne à construção de identidades e representações. Destaco, ainda, a necessidade de narrativas plurais e descentradas, constantemente deslocadas e recriadas nos processos de Musealização da Arqueologia

    O silêncio do corpo: intersexualidade invisibilizada no cemitério do Bonfim

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    O presente artigo baseia-se em uma pesquisa em andamento que, através de um olhar arqueológico apoiado em noções da Antropologia do Gênero, buscou abordar relações de gênero expressas no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Como estudo de caso será analisada a sepultura referente à Herculine Barbin, que estabelece um pano de fundo para iniciar, desde a cultura material, o entendimento da intersexualidade na capital mineira. A discussão perpassa a compreensão da categoria “intersex” por algumas instituições – principalmente no pensamento biomédico – em um contexto delimitado, em uma sociedade moderna e ocidental. Finalmente, podemos perceber como o túmulo em questão expressa uma série de relações de gênero (mas não somente) em vida que são perpetuadas para a cidade dos mortos

    (Re) visitando as pessoas e as coisas: a Etnoarqueologia enquanto uma Arqueologia do Presente

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    O presente artigo tem por objetivo (re)visitar as principais ideias que compõem a Etnoarqueologia, seguindo o fluxo dos debates mais recentes a seu respeito. Em linhas gerais, as temáticas perpassam pelas questões metodológicas, epistemológicas, teóricas e políticas, que caracterizam, de forma geral, aquilo que alguns autores chamam de “uma arqueologia do presente”. Nesse sentido, unindo as percepções dos trabalhos de campo às leituras teóricas, buscou-se a construção de um texto aberto e que dialogue com diversas áreas do conhecimento

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