Retratos de Assentamentos (E-Journal)
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Programas Municipais e Produções de Autoconsumo: Alternativas para o Desenvolvimento com Sustentabilidade nos Assentamentos de Araraquara-SP
O presente artigo é fruto de um trabalho que vem se desenvolvendo no interior do projeto CNPq Poder Local e Assentamentos Rurais: expressões de conflito, de acomodação e de resistência, coordenado pela profa. Vera Lúcia S. Botta Ferrante. Parte dele é oriundo da monografia3 de conclusão de curso em Ciências Sociais, na qual se analisam semelhanças entre conceitos de agriculturas sustentáveis e a agricultura de autoconsumo praticada nos assentamentos rurais Monte Alegre e Bela Vista do Chibarro, na região de Araraquara. O trabalho se volta ao segundo eixo temático do projeto acima referido, que trata das contradições entre as diferentes estratégias familiares e os padrões de organização econômica regionais. Tais contradições são analisadas sob o prisma de uma trama de tensões, representativa da complexa rede de relações existentes entre os vários atores envolvidos na política de assentamentos. A partir do jogo de interesses que se trava na esfera política e envolve interesses dos órgãos gestores, dos poderes locais, da economia regional e dos assentados na constituição desses espaços, investigam-se estratégias familiares para seu desenvolvimento que comportam as dimensões política, econômica, social, cultural e ambiental do conceito de sustentabilidade
Mulheres e Jovens : Para além dos Valores de Mercado, o Sentido da Vida.
Olhando os temas de minha monografia de conclusão do curso de Ciências Sociais “Assentamentos de Reforma Agrária na região de Araraquara: vida, educação e relações de gênero” entregue à Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara e também os frutos da minha experiência como pesquisadora do NUPEDOR-Núcleo de Pesquisa e Documentação Rural (Unesp-UNIARA), que acompanha o desenvolvimento dos PA´S de Araraquara desde as primeiras articulações para sua criação há mais de vinte anos, vejo na complexidade e na história do cenário alguns caminhos possíveis para incluir as comunidades assentadas nas realidades que giram em torno dos mercados agroindustriais regionais. As propostas e políticas públicas que reforçam o sentido da cidadania e da participação na vida social da cidade mostraram-se caminhos que, sob diferentes perspectivas, abrem o leque de possíveis projetos futuros
Reforma Agrária e “Desenvolvimento como Liberdade”: Uma Nova Visão sobre os Assentamentos Rurais do Estado de São Paulo
Após vinte anos completos do lançamento do I Plano Nacional de Reforma Agrária (I PNRA), iniciativa que pode ser considerada marco em termos de políticas públicas voltadas para essa questão, a problemática do desenvolvimento dessa gama de assentamentos rurais implantados desde então é particularmente candente. Para alguns, os mais críticos da política de cessão de terras para os assentamentos, tais experiências não redundam em nada em termos de desenvolvimento econômico, não se furtando, inclusive, a reafirmarem a alcunha de “favela rural” para os Projetos de Assentamentos. Essa desqualificação, visivelmente ideológica, ressalta de maneira exagerada um único aspecto – o estritamente econômico-financeiro – ocultando outras dimensões que o complexo conceito de desenvolvimento carrega inevitavelmente. Tais avaliações, não isentas, ignoram, inclusive, um resultado positivo que se pode aferir em diferentes microrregiões do país, nas quais os assentamentos são, efetivamente, dinamizadores econômicos. Optamos, neste trabalho, por não restringir essa avaliação apenas à dimensão econômica. Aliás, ao afirmarmos que desenvolvimento não é só crescimento e modernização econômica, estamos procurando estabelecer uma perspectiva que assuma a complexidade, tanto do conceito, quanto da realidade dos assentamentos rurais
Sociabilidade e Reforma Agrária: Uma Questão em Debate
Este artigo é ocorrência de um ciclo de estudos do Núcleo de Pesquisa e Documentação Rural3, que vem desenvolvendo há 20 anos suas pesquisas nos assentamentos de Reforma Agrária na região de Araraquara. Nas reuniões do grupo pudemos discutir problemas concernentes aos assentamentos rurais sob inúmeros enfoques, dados à formação multidisciplinar do grupo. Esta multiplicidade de óticas tem nos ajudado a deixar o preconceito de lado e enriquecer nossa compreensão a respeito da importância da terra e da luta daqueles que desejam nela permanecer. Identificamos ainda a riqueza de detalhes trazida pelas preciosas anotações de nossos diários de campo. Através destes diários vem sendo possível descobrir e redescobrir situações cotidianas que muitas vezes, nos pareceram ultrapassadas ou esquecidas, situações estas que nos fazem pensar a respeito das pequenas coisas que envolvem a vida em família, a natureza e a relação com o outro
A Permanência dos Jovens nos Assentamentos de Reforma Agrária: Um Rosário de Equívocos
O tema das idades da vida é rodeado de equívocos elaborados pelo senso comum, como já o demonstrou entre outros Philippe Ariès (1981). Conceitos como infância, juventude velhice, não são absolutos, já que variam os seus limites historicamente, dependem de avaliações que se modificam nos espaços e culturas e são atravessados por questões relativas a diferentes classes sociais. A adolescência por exemplo, período tão agudamente sentido pelas camadas modernizadas da sociedade do tipo ocidental, não é fenômeno universal, conforme demonstrado há mais de meio século por Karl Mannheim (1978). Mas nem se precisa ir tão longe em termos de Teoria Sociológica. Basta ler a obra magistral de Gilberto Freyre – Casa-Grande e Senzala, para encontrar lá os meninos da classe dominante, passando diretamente da infância para a Idade Adulta com menos de 14 anos, e as meninas se casando e substituindo rapidamente as bonecas pelos bebês, em maturidade biológica e social, prematuras para os padrões de hoje (Freyre, 1933). No Brasil modernizado, tal como no primeiro mundo, a adolescência se prolonga, por necessidades sociais ligadas à sociedade do tipo industrial, hoje conhecida como sociedade do conhecimento, que nada mais é do que o capitalismo em fase de avançado desenvolvimento tecnológico e acelerada acumulação
Poder Local e Assentamentos Rurais: Um Estudo em Marabá Paulista
O presente texto busca articular reflexões acerca das relações entre o chamado poder local e os assentamentos rurais. O trabalho ora apresentado é um extrato de uma monografia de bacharelado em Geografia, constituída basicamente como um subprojeto de uma pesquisa mais ampla voltada ao tema (“Poder Local e Assentamentos Rurais: expressões de conflito, de acomodação e de resistência”), sob coordenação de meu orientador. Propõe-se, aqui, discutir essas relações em um contexto local específico: Marabá Paulista, município localizado no Pontal do Paranapanema (extremo oeste paulista), esclarecendo como se dá a inserção política dos assentados no referido município
A Presença do MST e da COCAMP nos Assentametos São Bento e Santa Clara/CHE Guevara
A agricultura familiar no Brasil apesar de ter ocupado um lugar secundário nas políticas agrícolas, persistiu e é atualmente um setor de grande importância social e econômica para o país, possuindo um papel de extrema relevância nos debates sobre a reforma agrária. No Estado de São Paulo, apesar da agricultura altamente modernizada e industrializada, a agricultura familiar faz parte da paisagem rural e, muitas vezes, esse tipo de agricultura é representada pelos assentamentos rurais. Desta forma, esse Estado configura-se no cenário de programas de reforma agrária, uma vez que conta com 167 projetos de assentamentos rurais, acolhendo 10.049 famílias em uma área total de 220.411,82 ha, com uma área agrícola total de 163.620,57 ha (Fundação Itesp, dez. 2005)
A Construção da Gestão Democrática em uma Escola do Campo
Esta pesquisa foi desenvolvida numa escola localizada em um assentamento rural pertencente à cidade de Araraquara/SP. Ela procurou trabalhar um dos eixos de um projeto maior intitulado: “Assentamentos Rurais e Poder Local: expressões de conflito, de acomodação e de resistência”, financiado pelo CNPq e pela FUNADESP. Dentro do objetivo de compreender as relações entre os assentamentos e o poder local, destaco neste artigo a construção da gestão democrática em uma escola localizada num dos assentamentos da cidade. Para coletar os dados foram utilizados como metodologia, os princípios da pesquisa qualitativa de cunho etnográfico, na qual foram realizadas algumas observações na escola, em algumas reuniões, conversas informais com membros da comunidade e da escola, entrevistas semi-diretivas com a diretora, a coordenadora pedagógica e algumas mães de alunos. As observações e as conversas informais foram registradas em diários de campo. Nas entrevistas foi assinado um termo de consentimento, no qual se estabelece o anonimato dos entrevistados. Para entrarmos na apresentação desta realidade e analisarmos como se desencadeou a construção da gestão democrática e sua repercussão na comunidade e nas relações com o poder local, temos antes que fazer uma contextualização teórica dos princípios que norteiam essa gestão, para que ela, de fato, seja construída e não imposta “de cima para baixo”