O que nos faz pensar (E-Journal - Cadernos do Departamento de Filosofia da PUC-Rio)
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    Todas as razões para fazer uma revolução estão aí, mas os corpos estão diante das telas

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    In this paper, I propose a philosophical approach on the current situation of pandemic and confinement, using as a trigger some of the texts published by the philosopher Paul B. Preciado during the period. Despite disagreeing with some of his formulations, I argue that he adopts a performative discourse as a political strategy, and I develop his provocations about two central issues: the possibility of circumventing the state of surveillance and the ability to collectively imagine a revolutionary alternative.Neste artigo, proponho uma reflexão filosófica sobre a atual situação de pandemia e confinamento, utilizando como gatilho alguns dos textos publicados pelo filósofo Paul B. Preciado durante o período. Apesar de discordar de algumas de suas formulações, defendo que ele adota um discurso performativo como estratégia política e desenvolvo suas provocações a partir de dois elementos centrais: a possibilidade de burlar o Estado de vigilância e a capacidade de imaginar coletivamente uma alternativa revolucionária

    Ceticismo e tolerância em Montaigne

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    Montaigne’s skepticism in the practical and moral realms is characterized by the lack of criteria or rules of conduct so that one could attain a general pattern of behavior or tradition. The period in which he lived was propitious to reinforce the following scenario: the religious wars in France and all over Europe and the discovery of the peoples in the New World were fundamental factors for the growth of philosophical doubts regarding individual behavior and organized society. Nevertheless, Montaigne denounces the cruelties committed in his time, whether among the indigenous people or between Catholics and Protestants, and often argues in favor of freedom of conscience and opinion. In this paper I will show that Montaigne’s Philosophy, despite his skepticism, is susceptible to a general idea of tolerance that traspasses different peoples and individuals, even though the concept of tolerance is not systematized in his writings and such a defense seems incompatible with a certain kind of skepticism.O ceticismo de Montaigne no campo prático e moral é caracterizado pela falta de um critério ou regras de conduta para que se possa consentir num padrão geral de comportamento ou numa tradição qualquer. O período no qual ele viveu era propício para reforçar este quadro: as guerras religiosas na França e em toda a Europa e a descoberta dos povos do Novo Mundo foram fatores fundamentais para o crescimento da dúvida filosófica acerca do comportamento individual e em sociedade organizada. Apesar disso, Montaigne denuncia as crueldades cometidas em seu tempo, seja entre os indígenas, seja entre os católicos e protestantes e, frequentemente, argumenta em favor da liberdade de consciência e opinião. Neste artigo mostrarei que a filosofia de Montaigne, não obstante seu ceticismo, é suscetível a uma ideia geral de tolerância entre diferentes povos e indivíduos, ainda que o conceito de tolerância não esteja sistematizado em seus escritos e que a sua defesa pareça incompatível com um determinado tipo de ceticismo

    La reformulación leibniziana del argumento ontológico. De la certeza a la probabilidade

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    This paper addresses Leibniz’s reformulation of the ontological argument according to its Cartesian version, as well as the different attitudes Leibniz assumed to his own attempts of reformulation. As is known, he objects that Descartes has not proved the consistency of God’s concept, letting the proof incomplete. From the Paris period onwards, he endeavors to prove the possibility of God’s concept through different ways of arguments. Thus, his attempts go through three stages. Firstly, he reworks the ontological proof departing from the concept of the most perfect being. The second phase is rather apologetic and depends mainly on the concept of a necessary being. The third stage reveals his cautious attitude toward the possibility of accomplishing entirely the argument, even if he attributes to it a moral certainty. Here, we will focus on the main arguments of the first stage and will propose a hypothesis about the reasons why Leibniz conferred a purely moral certainty on the argument.Este texto aborda la reformulación leibniziana de la prueba ontológica de Dios en su versión cartesiana, así como las diversas actitudes de Leibniz frente a sus propios intentos de reformulación. Como se sabe, Leibniz objeta que Descartes no ha probado la consistencia del concepto de Dios, lo que vuelve incompleta la prueba. Es a partir del período de París que se esfuerza por mostrar la posibilidad del concepto de Dios mediante diferentes vías de argumentación. Sus intentos pasan, pues, por tres etapas. En la primera, la reformulación de la prueba gira en torno del concepto de ente perfectísimo. La segunda fase es más bien apologética y se centra en el concepto de ente necesario. La tercera revela la cautela de Leibniz en cuanto a poder perfeccionar el argumento de modo completo, si bien le concede una certeza moral. Aquí expondremos sobre todo los lineamientos de la primera etapa y propondremos una hipótesis acerca de las razones por las que se inclinó por una certeza meramente moral. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A REFORMULAÇÃO LEIBNIZIANA DO ARGUMENTO ONTOLÓGICO. DA CERTEZA A PROBABILIDADE Este trabalho examina a reformulação leibniziana da versão cartesiana da prova ontológica da existência de Deus, assim como as diferentes atitudes de Leibniz em relação a suas próprias tentativas de reformulação. Como é bem conhecido, Leibniz objeta que Descartes não provu a consistência do conceito de Deus, o que torna incompleta sua prova. A partir do período de Paris, ele se esforça em mostrar a possibilidade do conceito de Deus por meio de diferentes vias argumentativas. Suas tentativas passam, pois, por três etapas. Na primeira, a reformulação da prova gira em torno do conceito de ente perfeitíssimo. A segunda fase é de cunho apologético e se centra no conceito de ente necessário. A terceira revela a cautela de Leibniz quanto à possibilidade de poder aperfeiçoar o argumento de modo completo, embora lhe conceda uma certeza moral. Aqui exporemos, sobretudo, as linhas gerais da primeira etapa e proporemos uma hipótese acerca das razões pelas quais se inclinou por uma certeza meramente moral. --- Artigo em espanhol

    Ensino de filosofia na era da pós-verdade

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    In this text, we try to situate the teaching of philosophy in the midst of the panorama of the post-truth politics, as a new horizon of hegemonic communication of our time. We present some central and harmful characteristics of post-truth politics, such as the communicative polarization of digital bubbles and the viral nature of fakenews, as mainly the result of the expansion of data control over the Internet. Throughout this presentation, we ask ourselves about the relations that these phenomena keep with philosophy: the relation that the post-truth politics holds with truth; how to situate the problem in a broader philosophical understanding of contemporaneity; and how to think the potentiality of the philosophical constructed truth regimes as an immune pedagogical strategy in the chaos of the “post-truth politics era”.Neste texto, procuramos situar o ensino de filosofia em meio ao panorama da pós-verdade, enquanto novo horizonte de comunicação hegemônico de nossa época. Apresentamos algumas características centrais e nefastas da pós-verdade, como a polarização comunicativa das bolhas digitais e a natureza viral das fakenews, como decorrentes, sobretudo, da ampliação do controle de dados na internet. Ao longo desta apresentação, nos perguntamos sobre as relações que esses fenômenos guardam com a filosofia: a relação que a pós-verdade guarda com a verdade; como situar o problema numa compreensão filosófica mais ampla acerca da contemporaneidade; e como pensar a potência dos regimes de verdade construídos pela filosofia enquanto uma estratégia pedagógica imunitária frente ao caos da “era da pós-verdade”

    A Eutanásia e Suas Razões

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    Este trabalho se propõe a analisar as principais razões contrárias à prática da eutanásia. Argumentaremos que estas podem ser resumidas em três ordens principais de considerações: proteger a pessoa de si mesma; o respeito a valores impessoais, como a sacralidade da vida e a dignidade do agente; o risco de abusos. Em cada um destes casos, procuraremos analisar em que medida tais considerações têm realmente força o suficiente para justificar uma proibição estrita à eutanásia

    O que nos faz pensar… Paulo Freire?

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    The present text seeks to consider Paulo Freire's contributions to think about the teaching of philosophy in Brazil. After a brief reflection on the title of the periodical that receives the dossier, it situates the position in which Paulo Freire was placed in the present Brazilian political context as well as some academic criticism to the Pedagogy of the Oppressed. Then, it offers possible contributions of Paulo Freire to think the teaching of philosophy in three topics: a. The role of the teacher; b) the relationship with life; c) the position of childhood and some final considerations.O presente texto procura considerar as contribuições de Paulo Freire para pensar o ensino de filosofia no Brasil. Após uma breve reflexão sobre o título do periódico que acolhe o dossiê, ele situa a posição em que foi colocado Paulo Freire no presente contexto político brasileiro bem como algumas críticas académica à Pedagogia do Oprimido. A seguir oferece possíveis contribuições de Paulo Freire para pensar o ensino de filosofia em três tópicos: a) o papel do professor (ou professora); b) a relação com a vida; c) a posição da infância e algumas considerações finais

    Enseignement de la philosophie. Montaigne et la culture de l’alternance

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    There are many ways to look at the question of teaching philosophy. I will do this here from the point of view of teaching practice, i. e. from a didactic and / or educational point of view. And that, not by leaving - which would be quite legitimate - of the practice of philosophy teacher who was and is mine, but rather by searching in some philosophers to instruct my reflection on these questions. There are indeed, among philosophers, and of course, among those who have cared, about education, about very many analyzes that can help us on this point. Some, like that of Montaigne, seemed to me particularly important, and I would like here to expose them while gradually accounting for the reasons why I consider them important.On peut s’intéresser de plusieurs façons à la question de l’enseignement de la philosophie.  Je le ferai ici du point de vue de la pratique d’enseignement, c.-à-d. d’un point de vue didactique et/ ou pédagogique. Et cela, non pas en partant - ce qui serait tout à fait légitime -  de la pratique d’enseignant de philosophie qui fut et est la mienne, mais plutôt en allant chercher chez certains philosophes de quoi instruire ma réflexion sur ces questions. Il y a en effet, chez les philosophes, et bien sûr, chez ceux qui se sont souciés, d’éducation, de très nombreuses analyses qui peuvent nous aider sur ce point. Certaines, comme celle de Montaigne, m’ont semblé particulièrement importantes, et je voudrais ici les exposer tout en rendant compte peu à peu des raisons pour lesquelles je les tiens pour importantes. ENSINO DE FILOSOFIA. MONTAIGNE E A CULTURA DA ALTERNANCIA É possível nos interessarmos de diversas maneiras pela questão do ensino de filosofia. Eu o farei aqui do ponto de vista da prática desse ensino, isto é, de um ponto de vista didático e/ou pedagógico. E farei isso não partindo – o que seria inteiramente legítimo – da prática de ensino de filosofia que foi e é a minha, mas, preferencialmente, buscando em certos filósofos como instruir minha reflexão sobre essas questões. Há nos filósofos - e com certeza naqueles que se ocuparam da educação - inúmeras análises capazes de nos ajudar nesse ponto. Alguns, como Montaigne, me pareceram particularmente importantes e gostaria de expô-los dando especial e detalhada conta das razões pelas quais eu os tenho por importantes. --- Original em francês

    A filosofia alemã de 1840 a 1900

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    Review of the book:BEISER, Frederick. Depois de Hegel: a filosofia alemã de 1840 a 1900. Trad. Gabriel Ferreira. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2017.Resenha do livro:BEISER, Frederick. Depois de Hegel: a filosofia alemã de 1840 a 1900. Trad. Gabriel Ferreira. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2017

    Ensino da Filosofia: uma tarefa impossível?

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    Teaching philosophy always meant having to face many challenges, sometimes even considered an impossible task. We shall envision some ways of making this task possible, showing that surprisingly skepticism can give good results.O ensino da filosofia sempre trouxe inúmeros desafios, podendo até mesmo ser considerado a rigor impossível. Exploraremos algumas das várias direções para viabilizar essa tarefa, mostrando que surpreendentemente o ceticismo nos traz algumas saídas que podem dar resultado

    Sentido qualitativo de diferença, autorreferência e o caráter diáfano da consciência em Sérgio L. de C. Fernandes

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    The present paper is a tribute to Professor Sérgio Luiz de Castilho Fernandes. It is divided into three parts. The first one presents the author's view on the concepts of "quality" and "quantity". It contrasts the numerical sense with the qualitative sense of difference by examining the concept of "duration". He then examines the idea that there is an "I" that remains identical to itself over time. Finally, the article exposes Sérgio Fernandes' theory of the "diaphanous character" of consciousness through what the author calls "Myth of the Game of Light".O presente artigo é uma homenagem ao professor Sérgio Luiz de Castilho Fernandes. Encontra-se dividido em três partes. A primeira delas apresenta a visão do autor sobre os conceitos de “qualidade” e “quantidade”. Contrapõe o sentido numérico ao sentido qualitativo de diferença, através do exame do conceito de “duração”. Examina, em seguida, a ideia de que haja um “eu” que permaneça idêntico a si mesmo ao longo do tempo. Por fim, o artigo expõe a teoria de Sérgio Fernandes sobre o “caráter diáfano” da consciência através do que o autor denomina de “Mito do Jogo de Luz”

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