O que nos faz pensar (E-Journal - Cadernos do Departamento de Filosofia da PUC-Rio)
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Chorar nossos mortos
Two global events took place in the transition from 2019 to 2020: the pandemic of COVID-19 and a profusion of texts about it. This article is part of the current effort to understand the pandemic, but it enquires likewise how one may address its unique event among us. In Brazil, more than in any other country, the pandemic was subordinated to politics. This text follows another path that can be summarized in two questions addressed to its possible readers: does the possibility of mourning our dead depend on something as unexpected as written texts? Could it be that in order to honor them, the distance yielded by poetry would be more meaningful than the immediacy of politics?Dois eventos de dimensão mundial se produziram na passagem de 2019 para 2020: a pandemia da COVID-19 e uma profusão de textos a seu respeito. Este artigo se inscreve no esforço atualmente em curso de compreensão da pandemia, mas interroga igualmente como se pode falar de seu acontecimento singular entre nós. No Brasil, mais que em qualquer outro país, a pandemia ficou subordinada à política. Este texto segue outra via de interpretação, que pode ser resumida em duas perguntas dirigidas a seus possíveis leitores: a possibilidade de chorar nossos mortos dependerá de algo tão inesperado quanto de textos escritos? Para que possamos homenageá-los, a distância da poesia será mais portadora de sentido que a imediaticidade da política
Por uma filosofia política do luto
This paper proposes a bibliographical review of the theme of grief in the work of Judith Butler, taking as its central argument the idea that grief is the concept around which she organizes her philosophy. By the claim of the right to public mourning, criticism of state violence, dispossession and interdependence, Butler draws an ethical proposition from the condition of grief, given since the beginning of life. The condition of grief in lives is unequally framed and, in this sense, Butler seeks to reveal the pictures that sustain the condition of possibility of maintaining certain lives as precarious. In the course of the text, I articulate the theme of grief in Butler with the notions of biopolitics (Foucault), necropolitics (Mbembe) and state of exception (Agamben) in order to reflect how the covid-19 pandemic exposes us to a condition of global vulnerability and, at the same time, accentuates inequalities between precarious lives.Este artigo se propõe a uma revisão bibliográfica do tema do luto na obra de Judith Butler tomando como argumento central a ideia de que o luto é o conceito em torno do qual a autora organiza sua filosofia. Ao entrelaçar reivindicação de direito ao luto público, crítica à violência de Estado, despossessão de si e interdependência, Butler desenha uma proposição ética a partir da condição de enlutável, dada desde o início da vida. A condição de enlutável nas vidas é desigualmente enquadrada e, nesse sentido, Butler procurar revelar os quadros que sustentam a condição de possibilidade de manter certas vidas como precárias. No percurso do texto, articulo ao tema do luto em Butler com as noções de biopolítica (Foucault), necropolítica (Mbembe) e estado de exceção (Agamben) a fim para refletir como a pandemia de covid-19 nos expõe a uma condição de vulnerabilidade global e, ao mesmo tempo, acentua desigualdades entre as vidas precárias
Drummond : événement et apparition d'un nouveau sujet – entretien avec Alain Badiou
In an interview, the French philosopher Alain Badiou (1937 -) comments some poems of Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) in the light of his theory of the event (événement) and the production of subjectivity. The conceptual role of the poem is debated both in the period called "age of the poets" and its functioning as necessary and uncertain appointment break, once the system of subjective expectations has been suspended.Drummond: acontecimento e surgimento de um novo sujeito – entrevista com Alain Badiou
Em entrevista, o filósofo francês Alain Badiou (1937 - ) comenta alguns poemas de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), à luz de sua teoria do acontecimento (événement) e da produção de subjetividade. Debate-se o papel conceitual do poema tanto no período chamado de "era dos poetas" quanto seu funcionamento enquanto necessária e incerta nomeação da ruptura, uma vez o sistema de expectativas tendo sido suspenso. 
Colapso climático e a destruição do futuro
We will try to explore some of the effect of climate collapse on our experience of time. Our hypothesis is that human caused changes to earth’s stability affects how we experience the future since the very idea of ‘future’ would be compromised. We will start from Koselleck’s notion of “time strata” to try and understand how this crisis affects our experience of time. Before this crisis it was possible to think our experience of time and history as constructions on top of repetitions that served as background to events. Climate collapse puts that idea of background in question since repetitions that were assumed to be natural are actually changin their rythms. At the end of this article we will propose an alternative time disposition enabled by certain elements of amerindian thought approached through the reading of Danowski and Viveiros de Castro.Pretende-se explorar aqui alguns efeitos do colapso climático sobre nossa experiência do tempo. A hipótese aqui levantada é que as alterações antrópicas da estabilidade da Terra afetam a maneira como nos relacionamos com o futuro, pois a própria ideia de futuro se encontraria comprometida. Partiremos da noção de “estratos do tempo,” elaborada por Koselleck, para pensar em que medida essa crise afeta a nossa experiência do tempo. Antes disso era possível pensar a nossa experiência do tempo e da história como sendo construída a partir de certas repetições que serviam como fundo para acontecimentos. O colapso climático põe em questão essa imagem de um fundo, já que as repetições tomadas como naturais passam a ter seus ritmos alterados. Ao final do artigo, esboçaremos a proposta de uma espécie de disposição temporal alternativa, possibilitada por alguns elementos do pensamento ameríndio a partir de Danowski e Viveiros de Castro
Álvaro Vieira Pinto on the concept of technology: an introductory discussion
This paper aims to discuss the concept of technology as provided by the Brazilian philosopher Álvaro Vieira Pinto. First, the philosopher’s life and work are presented, his book “O conceito de tecnologia” [The concept of technology] and his methodological foundations are briefly examined and, finally, we discuss his conceptualization of technology. From the four meanings of the term unravelled by the author, we highlight technology as the “logos of technique”, as the philosopher proposes it as a unitary field of study on this matter. We conclude pointing the richness of his reflections to the liberation of underdeveloped countries.Álvaro Vieira Pinto sobre o conceito de tecnologia: uma discussão introdutória
Esse artigo tem o objetivo de discutir o conceito de tecnologia provido pelo filósofo brasileiro Álvaro Vieira Pinto. Primeiramente, vida e obra do filósofo são apresentadas, seu livro “O conceito de tecnologia” e seus fundamentos metodológicos são brevemente examinados e, finalmente, discute-se sua conceituação de tecnologia. Dos quatros significados do termo desvelados pelo autor, destaca-se tecnologia como sendo o “logos da técnica”, já que é ela proposta como um campo unitário de estudo do tema em questão. Na conclusão, aponta-se a riqueza de suas reflexões para a libertação dos países subdesenvolvidos.
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Artigo em inglês.
 
Crônicas sobre a covid-19
This text is meant to contribute to the understanding of the difficult moments of the pandemic, either by thinking about the disease as a risk of interrupting the course of life, or proposing a review of our relationship with time in the face of the virus.Este texto pretende contribuir para a compreensão dos tempos difíceis da pandemia, seja pensando na doença como um risco de interrupção do curso da vida, ou propondo uma revisão da relação com o tempo diante do vírus
Nietzsche, da história dos sentimentos morais à genealogia da moral
This article aims to analyze the articulation between the historical philosophy practiced by Nietzsche from 1876 and the genealogy of morality. For this, it is desired to emphasize how the philosopher passes from the task of analyzing the history of moral feelings, characteristic of Human, all too human, to that which leads to place the value of values (i.e., moral itself) in check, in Genealogy of morality. Finally, this requires analyzing the importance of the relationship between life and work in order to identify its results: a valuation of individual experiences and the affirmation of innocence.Objetiva-se, nesse artigo, analisar a articulação entre a filosofia histórica praticada por Nietzsche a partir de 1876 e a genealogia da moral. Para isso, almeja-se destacar como o filósofo passa da tarefa de analisar a história dos sentimentos morais, própria de Humano, demasiado humano, para aquela que leva a colocar o valor dos valores (ou seja, a própria moral) em xeque, em Para a genealogia da moral. Trata-se, afinal, de analisar a importância da relação entre vida e obra em vista de identificar os seus resultados: uma valorização das experiências individuais e a afirmação da inocência
Discurso filosófico e existência em Ricoeur: filosofar após Kierkegaard
This text is a translation of an original Italian article: JERVOLINO, Domenico. DISCORSO FILOSOFICO ED ESISTENZA IN RICOEUR: FILOSOFARE DOPO KIERKEGAARD. In. LEONHARDT, Ruth Rieth; CORÁ, Elsio José. O legado de Ricoeur, Guarapuava: Unicentro, 2011, p. 57-69.
Tranlated by Thiago Luiz de Sousa and Luciano Vicente.Este texto é uma tradução de um artigo original italiano: JERVOLINO, Domenico. DISCORSO FILOSOFICO ED ESISTENZA IN RICOEUR: FILOSOFARE DOPO KIERKEGAARD. In. LEONHARDT, Ruth Rieth; CORÁ, Elsio José. O legado de Ricoeur, Guarapuava: Unicentro, 2011, p. 57-69.
Traduzido por Thiago Luiz de Sousa e Luciano Vicente
A Recepção da Carta sobre a Tolerância de Locke
Published in April 1689, the Epistola de Tolerantia never failed to call attention. Right after its publication, the work generated a remarkable reception that covers (i) three projects of translation to vernacular languages, (ii) reviews in learned journals attributed to Jean Le Clerc and Henri Basnage de Beauval, and (iii) critiques by the Anglican clergymen Thomas Long and Jonas Proast. This article intends to analyse this immediate reception in order to assess whether the central thesis of the work and its grounds were identified and understood.Desde que foi publicada em abril de 1689, a Carta sobre a Tolerância nunca deixou de despertar atenção. Já nos primeiros meses depois de vir a lume, ela obteve uma recepção considerável: (i) três projetos tradutórios para línguas vernáculas, (ii) duas resenhas em periódicos eruditos, atribuídas a Jean Le Clerc e Henri Basnage de Beauval, e (iii) duas críticas de clérigos ingleses, os anglicanos Thomas Long e Jonas Proast. O presente artigo se propõe a analisar essa recepção imediata e tem como finalidade avaliar em que medida a tese central da obra e as justificativas para sustentá-la foram identificadas e compreendidas