O que nos faz pensar (E-Journal - Cadernos do Departamento de Filosofia da PUC-Rio)
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A perda da imagem do mundo: cidade e modernidade em Octavio Paz
Leitura/interpretação do poema “Hablo de la cuidad”, do livro Árbol Adentro (1987), de Octavio Paz, considerando formulações teórico-críticas do próprio poeta, tais como a historicidade do poema e da leitura; o tempo moderno e seu caráter paradoxal; a tradição moderna da poesia; analogia e ironia; a perda da imagem do mundo, da imagem analógica do mundo. A abordagem destaca o poema enquanto lugar teórico que opera simultaneamente o ritmo, a imagem e o sentido, ao tematizar a legibilidade e a percepção da cidade moderna, o papel da imaginação e da memória na representação da experiência urbana no discurso do sujeito que fala, a mudança e a fragmentação como condições da consciência histórica, forte atributo da modernidade. A paixão crítica condiciona a linguagem que aponta para a resistência do poema à perda da imagem do mundo
Os Privilégios da Vista – a crítica de arte de Octavio Paz
O livro Los Privilegios de la Vista de Octavio Paz corresponde grosso modo ao segundo volume das Obras Completas dedicado às artes plásticas, o volume 7, que aqui será examinado para esclarecer alguns aspectos do empreendimento crítico de Paz: por via das palavras, tornar visíveis e reconhecíveis aqueles elementos que uma crítica amarrada conceitualmente à disciplina da história da arte não consegue definir. O ensaio postula uma reflexão historiográfica que oscila entre a construção de continuidades e a identificação de rupturas entre arte pré-columbina, arte moderna e arte contemporânea num empreendimento que simultaneamente moderniza a tradição pre-columbina e evidencia na arte mexicana a permanecia de um extrato histórico que não se deixa interpretar numa visão historicista da arte mexicana. Paz desconstrói este eixo temporal assim como abre a conceituação da arte nacional para uma compreensão da contribuição dos artistas contemporâneos para a arte latino americana
O reverso da medalha
Proposta de releitura de O labirinto da solidão (1950), de Octavio Paz, no contexto do novo milênio. Sobressaem três tópicos. No estudo da figura do “pachuco”, o pionerismo na análise da diáspora latino-americana. A relação entre o intelectual e o Estado, com ênfase no trágico episódio de Tlatelolco. A inclusão da mulher na compreensão das interpretações mexicanas e latino-americanas da nossa história
Ceticismo e transcendência em Cícero, no De re publica e nas Tusculanas: uma continuidade paradoxal
Neste artigo, primeiramente recapitulo brevemente o status quaestionis no campo de pesquisa da posição filosófica de Cícero, durante os últimos vinte anos, usando como ponto de partica o momentoso Cicero Academicus escrito por Carlos Lévy em 1992. Depois disso, lido com dois problemas particulares nessa área: l. As exatas relações no pensamento de Cícero entre seu próprio relativismo acadêmico e a necessidade moral e política de valores de verdade de acordo com a tradição romana. 2. A posição política de Cícero durante a composição dos Academici libri e as Tusculanae (primavera-verão de 45 AC): os esforços contemporâneos em escrever mensagens políticas para César (sobretudo o assim chamado Symbouleutikón) prova em minha opinião que Cícero nem estava atuando nesse período como um adversário velado do novo regime, nem mostrando-se como um fraco oportunista; ao contrário, seu princípio foi sempre servir seu ideal de República romana, ajustando suas ações às diferentes circunstâncias (temporibus adsentiendum)
Octavio Paz, o Surrealismo e Luis Buñuel
O artigo examina o contato de Octavio Paz com o Surrealismo. Dois aspectos são sublinhados: a relação do poeta com André Breton, tanto pessoal, quanto por meio de seus escritos, e com Luis Buñuel. Recupera a polêmica do lançamento de Los olvidados, em que Paz teve um papel decisivo