O que nos faz pensar (E-Journal - Cadernos do Departamento de Filosofia da PUC-Rio)
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A questão do realismo na teoria estética de Theodor Adorno
Some discussions in contemporary aesthetics, as, for instance, the one by Arthur Danto, focusing the thematic of realism in the visual arts brought to light the question of a possible relevance of this topic not only for other artistic métiers but also for the philosophy of art in general. Taking this debate into account, it seems interesting to highlight the theme of realism in Theodor Adorno’s Aesthetic theory, which in its more than five hundred pages in the German original, approaches the notion of realism under several viewpoints. This article focuses on realism under the following viewpoints: the loss of import of art, the relationship between art and society, the relationship between expression and construction and the character of appearance and enigma of artworks.Discussões na estética contemporânea, como, por exemplo, a de Arthur Danto, que enfocam o tema do realismo nas artes plásticas trouxeram à tona a questão sobre uma possível atualidade desse tema também em outros métiers artísticos, assim como na filosofia da arte em geral. A partir desse debate, parece interessante pôr em relevo o tema do realismo na Teoria estética, de Theodor Adorno, que, ao longo de suas mais de quinhentas páginas no original alemão aborda o conceito de realismo sob variados aspectos. No presente artigo, enfocam-se, acerca do realismo, os seguintes pontos de vista: a perda de evidência da arte, a relação entre arte e sociedade, a relação entre expressão e construção e o caráter de aparência e de enigma nas obras de arte
Computadores nas práticas matemáticas: um exercício de micro história
The use of computers in mathematical practices is a theme for philosophical, historical and sociological reflections. Samples of the myriad of questions that arise when mathematics definitively incorporates computers in its domain can be drawn from the analysis of the peculiar case of the proof of the Four Colour Theorem. Invariably the usual accounts of the philosophical relevance of this celebrated mathematical result are rooted in the questions raised from Thomas Tymoczko's introduction to experimentation in mathematics. The purpose of this paper is to present an alternative detailed narrative, a kind of microhistory exercise, as a background for the mapping of some philosophically relevant questions that can still be instigated by the case of the Four Colour Theorem. We intend to maintain that the relevance of this case is not reduced to that of serving as an illustration of a historical or sociological curiosity in mathematics or computer science, but may still be a source of interesting conceptual problems for the philosophy of mathematical practice, in the interface with the philosophy of computer science.O uso de computadores em práticas matemáticas é tema para reflexões de teor filosófico, histórico e sociológico. Amostras da miríade de questões que surgem quando a matemática incorpora definitivamente os computadores em seu domínio podem ser extraídas da análise do peculiar caso da prova do Teorema das Quatro Cores. Invariavelmente as narrativas habituais acerca da instauração da relevância filosófica deste célebre resultado matemáticopautam-se pelas questões levantadas a partir do argumento da introdução da experimentação na matemática, de Thomas Tymoczko. O objetivo deste texto é apresentar uma narrativa alternativamente circunstanciada, uma espécie de exercício de micro história, como pano de fundo parao mapeamento de algumas questões filosoficamente relevantes que ainda podem ser instigadas pelo caso do Teorema das Quatro Cores. Pretende-se sustentar que a relevância deste caso não se reduz à de servir como ilustração de uma curiosidade histórica ou sociológica da matemática ou da ciência da computação, mas pode ainda ser fonte de problemas conceituais interessantes para a filosofia da prática matemática, na interface com a filosofia da ciência da computação
Informatics: Science or 'Téchne'?
Informatics is generally understood as a “new technology” and is therewith discussed according to technological aspects such as speed, data retrieval, information control and so on. Its widespread use from home appliances to enterprises and universities is not the result of a clear-cut analysis of its inner possibilities but is rather dependent on all sorts of ideological promises of unlimited progress. We will discuss the theoretical definition of informatics proposed in 1936 by Alan Turing in order to show that it should be taken as final and complete. This definition has no relation to the technology because Turing defines computers as doing the work of solving problems with numbers. This formal definition implies nonetheless a relation to the non-formalized elements around informatics, which we shall discuss through the Greek notion of téchne.Informática: Ciência ou Téchne?
A informática é geralmente entendida como uma "nova tecnologia" e é discutida de acordo com aspectos tecnológicos tais como velocidade, recuperação de dados, controle de informações e assim por diante. Seu uso generalizado, de eletrodomésticos a empresas e universidades não é o resultado de uma análise clara e precisa de suas possibilidades internas, mas é bastante dependente de todos os tipos de promessas ideológicas de progresso ilimitado. Discutiremos a definição teórica de informática proposta em 1936 por Alan Turing para mostrar que ela deve ser considerada como final e completa. Essa definição não tem nenhuma relação com a tecnologia, porque Turing define computadores como fazendo o trabalho de resolver problemas com números. Esta definição formal implica, no entanto, uma relação como elementos não formalizados em torno da informática, que discutiremos através da noção grega de téchne.---Artigo em inglês
Uma abordagem sobre o contextualismo epistêmico
Epistemic Contextualism is known by his allegation to possess the best answer to some of the major epistemological problems, among them, the problem created by the skeptical paradoxes and therefore the claim that we can know many things we ordinarily claim to know, and also maintains the validity of the closure principle. This paper seeks to examine Contextualism, as presented by Stewart Cohen, showing how Contextualism solves these problems. In the first section of the text I will present some problems (and some historic features) that originated Contextualism. In the second section I will present the Cohen`s Contextualism. Then, we consider some objections raised against the contextualista theory. Finally, we conclude that although these objections are not able to completely refute contextualism its proponents have to give better explanations in order to maintain its plausibility.O Contextualismo Epistêmico é conhecido por alegar oferecer a melhor resposta para alguns dos principais problemas epistemológicos, dentre eles o problema gerado pelos paradoxos céticos e, por conseguinte, por deter o conhecimento sobre muitas coisas que ordinariamente julgávamos já conhecidas. Da mesma forma, seria uma via capaz de manter a validade do princípio de fechamento dedutivo. O presente texto pretende analisar a teoria contextualista, conforme apresentada por Stewart Cohen, mostrando como o contextualismo resolve essas questões. Na primeira parte do texto apresentaremos alguns problemas (e algumas características históricas) que culminaram no surgimento do contextualismo. Na segunda parte explanaremos a teoria contextualista de Cohen. Em seguida levantamos algumas objeções comumente endereçadas ao contextualismo. Por fim, concluímos que, embora não seja completamente refutada, a teoria contextualista deve dirimir dúvidas e explicar algumas dificuldades para manter a sua plausibilidade
Sur la décidabilité de la logique du premier ordre monadique en Calcul des séquents
In this article, a syntactical proof of decidability ofmonadic first-order logic (and of its completeness for finite models) is given. Theproof is obtained by adapting to the case of monadic logic, the proof given byKetonen/Schütte for first-order logic completeness (method of “construction of therefutation tree”, which actually describes, for the propositional fragment, adecision algorithm). In the general case (i.e. not restricted to monadic logic), the treatment of existential quantifiers imposes an enumeration of all the terms ofthe language, treatment that prevents the algorithm’s termination, and thus the decision. In the monadic case, however, any formula can be put in a specificcanonical form, a result due to H. Behmann (1922), canonical form which implies thatonly a bounded set of terms have to be taken in consideration. The treatment of existential quantifiers can thus be done with a finite number of terms.Decidability (and completeness for finite models) of the monadic case follows.
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Original in French.Cet article présente une démonstration syntaxique de la décidabilité de la logique du premier ordre monadique (et corollairement de sa complétude pour les modèles finis). Cette démonstration est obtenue en modifiant, pour l'adapter au cas de la logique monadique, la démonstration du théorème de complétude pour la logique du premier ordre classique due à Ketonen/Schütte (dont la méthode, parfois appelée, construction d'un arbre de réfutation, décrit en fait, pour le fragment propositionnel, un algorithme de décision). Alors que dans le cas général, le traitement du quantificateur existentiel, implique la prise en considération d’une infinité de termes, dans le cas monadique, les formules peuvent être mise dans une forme canonique spécifique (H. Behmann, 1922) permettant de borner, pour la réfutation des quantificateurs existentiels, le nombre des termes devant être pris en considération. Décidabilité du cas monadique et complétude de celui-ci pour les modèles finis s'ensuivent.---Sobre a decidibilidade da lógica de primeira ordem monádica no cálculo dos sequentes
Neste artigo apresentamos uma prova sintática de decidibilidade para a lógica monádica de primeira ordem (e de sua completude para modelos finitos). A prova é obtida a partir de uma adaptação ao caso da lógica monádica da prova obtida por Ketonen/Schütte para a completude da lógica de primeira ordem (método de "construção da árvore de refutação", que realmente descreve, para o fragmento proposicional, um algoritmo de decisão). No caso geral (isto é, não restrito à lógica monádica), o tratamento dos quantificadores existenciais impõe uma enumeração de todos os termos da linguagem, tratamento que impede a terminação do algoritmo e, portanto, a decisão. No caso monádico, no entanto, qualquer fórmula pode ser colocada em uma forma canônica específica, um resultado devido a H. Behmann (1922), forma canônica que implica que apenas um conjunto limitado de termos deve ser levado em consideração. O tratamento dos quantificadores existenciais pode assim ser feito com um número finito de termos. A decidibilidade (e completude para modelos finitos) do caso monádico pode assim ser obtida.---Artigo em francês
Peut on guérir Dieu? La colère divine dans l’oeuvre d’Ambroise Paré
O presente artigo estuda como o médico Ambroise Paré (c.1510 – 1590) concebe a cólera de Deus e seu apaziguamento. Partindo da experiência da Peste como de um evento global, que engaja em profundeza a relação entre a criatura humana e seu Criador, ele mostra que Ambroise Paré concebe um Deus profundamente afetado de cólera, e uma ação médica que, ao intervir nas causas segundas do trabalho na natureza, permite tratar ao mesmo tempo o homem e aquele do qual ele é imagem. Tira-se então conclusões sobre a inscrição da medicina em um movimento espiritual muito ambicioso, cujo ponto de partida privilegiado é o corpo humano
Nosso amigo Montaigne
The authority and dependency relationship that modern readers often have with Montaigne is the basis of the considerations which I develop below. Be aware of these negotiations is important to establish a reading of the Essays methodology that dispenses the purely biographical relationship with the work .A relação de autoridade e dependência que os leitores atuais frequentemente estabelecem com Montaigne está na base das considerações que faço abaixo. Estar atento a essas negociações é importante para estabelecer uma metodologia de leitura dos Ensaios que prescinda das relações puramente biográficas com a obra
Tempo da poesia e tempo do ensaio: Romantismo alemão e Modernismo brasileiro a partir de Octavio Paz
O ensaio examina a relação de Octavio Paz com a Modernidade através da sua concepção de poesia e de tempo. Demonstra, assim, seu ambíguo pertencimento à época moderna e à tradição romântica. E aproveita para pensar, a partir dessas coordenadas, o Modernismo brasileiro. Por último, chama atenção para o estilo ensaístico de Paz
Platão e a alma
Nos diferentes diálogos, Platão parece ter distintas concepções da alma, nem sempre compatíveis entre si. O propósito do presente trabalho é examinar se, a partir das diversas referências à alma no corpus platônico, seria possível extrair uma teoria consistente sobre o tema ou se, ao contrário, deve-se concluir que suas ideias a respeito da natureza da alma permaneceram inconclusas