Entropia (E-Journal)
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REFLEXÕES SOBRE O MOVIMENTO ESCOLA SEM PARTIDO E SEU AVANÇO NO CAMPO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Sem Partido – ESP, o qual vemos emergir a partir de 2014 como protagonista e aglutinador de forças de setores, ou frações de classe, contrárias a pautas historicamente defendidas por movimentos sociais de trabalhadoras e trabalhadores da educação, como o direito a educação laica, plural e democrática, o direito a participação e organização política dos estudantes e profissionais da educação, dentre outros. Para compreender os objetivos do ESP para além do que este declara e refletir sobre os impactos que suas propostas podem causar nas políticas educacionais brasileiras, o estudo tem o objetivo de analisar o avanço do movimento no campo das políticas públicas, identificando suas redes de apoio já consolidadas, sua forma de atuação, premissas, práticas e discursos. Os procedimentos de pesquisa incluem levantamento bibliográfico em livros, páginas na internet, artigos em jornais e revistas – tanto documentos produzidos pelo próprio movimento amplamente divulgados em seu site e redes sociais quanto por pesquisadores da Educação que tem debatido de maneira crítica sobre o tema – seguido de análise de conteúdo e organização e sistematização das informações obtidas. Neste sentido, é possível identificar através dos dados já levantados e analisados, o movimento como um típico “aparelho privado de hegemonia”, nos termos gramscianos, uma vez que: no âmbito da sociedade civil, apresenta-se como um canal de elaboração e difusão de uma determinada concepção sobre a dimensão educativa do Estado, ou seja, na conformação de consenso sobre a sua concepção de educação; e no âmbito da sociedade política ele busca atuar por meio do desenvolvimento de legislações e do fortalecimento de uma rede ou “bancada” de políticos eleitos que vêm defendendo o seu projeto educacional, ou seja, por meio do fortalecimento do aspecto coercitivo que garantirá a manutenção de privilégios historicamente construídos por estes grupamentos políticos. Neste estudo, o arcabouço teórico gramsciano é compreendido como ferramenta teórico-metodológica, nos apontando importantes possibilidades de interpretação sobre a representação do movimento ESP, portanto, a partir dos conceitos de “Estado ampliado”, considerando as noções interdependentes de “sociedade civil” e “sociedade política”, para a compreensão da dimensão da organização das classes sociais, relacionando-as no âmbito das superestruturas do Estado
MARACANÃ: SÍMBOLO DAS DISPUTAS E DA COMPLEXIDADE DAS MODERNAS CONTRADIÇÕES BRASILEIRAS
O intuito deste artigo é apresentar um olhar diferente para a construção do estádio do Maracanã, erguido especialmente para a Copa de 1950, a primeira realizada após a Segunda Guerra. Num Brasil ansioso para se apresentar como uma nação pronta a receber a competição, os dilemas políticos e sociais do país foram expostos através do futebol, que, à medida que se popularizou, passou a receber uma atenção especial do Estado, sem que isso se revelasse como um processo de inclusão social de fato
QUEM QUER A SUA MTV? CAMINHOS DE UMA NOVA EMISSORA NO BRASIL (1984-1990)
O presente trabalho analisa as tentativas de entrada da MTV no Brasil durante a década de 1980, no contexto de transição democrática e a promulgação da Constituição Federal de 1988. A MTV Brasil inicia suas operações em 1990, através do acordo entre Grupo Abril e Viacom, sendo a primeira emissora segmentada no país, direcionada ao público jovem e transmitida em UHF. Sua particularidade repousa na transmissão em rede aberta e inserida no contexto de renovação e liberdade da sociedade brasileira, que estruturaram narrativas de abertura política, social e cultural, tendo como marco a promulgação da Constituição Federal de 1988. Assim, este artigo procura aproximar os motivos pelo qual as propostas de entrada da MTV não se efetivaram, nos acordos com TV Gazeta em 1985, e Rede Manchete em 1986, e o processo pós-ditatorial envolto por rupturas e permanências na construção da democracia. O acordo entre MTV e Grupo Abril foi possível por conta da efetivação da Carta Constitucional, que garantia o fim do aparato censório estatal, e a nova regulação das concessões de televisão. Utilizo como fonte os jornais Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, com matérias que versaram essas questões. Para isso, diálogo com Renato Ortiz e Marcos Napolitano, na compreensão do processo de modernização cultural brasileira e os caminhos políticos nos anos 1980, e Reinhart Koselleck na análise dos futuros-passados que envolveram a MTV. 
APRESENTAÇÃO
O número 5 da revista Entropia mantém sua política de valorização do intercâmbio com pesquisadores e pesquisadoras latinas americanas.
Nesse número 5, teremos uma vasta gama de artigos focados nas relações entre movimentos sociais, na análise da das tensas relações entre mídia e os movimentos sociais, e nas experiências alternativas construídas pelos movimentos sociais para superação de seus problemas cotidianos
ENCRUZILHADAS DO CHAVISMO: A GUINADA AUTORITÁRIA NA VENEZUELA
O artigo tece reflexões sobre a atual crise na Venezuela mais especificamente sobre a permanência, até o momento, do chavismo neste país mesmo diante do esgotamento do modelo petroleiro-rentista, destacando a escalada da violência e autoritarismo neste país e a derrocada das conquistas da fase inicial da “Revolução Bolivariana”,inserindo estas questões no processo maior do fim do ciclo de governos progressistas da América Latina e inauguração de uma nova onda conservadora na região.
 
RELAÇÕES RACIAIS EXPRESSAS NO TELEJORNALISMO: UMA ANÁLISE DO CIDADE ALERTA
As reportagens que divulgam casos de violência já se tornaram comuns no telejornalismo brasileiro. Cotidianamente, nos colocamos diante da televisão e observamos a divulgação desses casos, sem observar a discriminação racial apresentada pelos discursos midiáticos. Com o objetivo de analisar esses discursos, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental, com análises e categorização das vítimas e agressores em termos de cor/raça no telejornal Cidade Alerta da Rede Record de Televisão. Os resultados possibilitam observar que negros e negras recebem um tratamento preconceituoso, além de serem culpabilizados pela violência
APRESENTAÇÃO
O número 3 da revista Entropia consolida sua atuação junto a jovens pesquisadores brasileiros, além de se abrir aos pesquisadores latino americanos participantes do XXXI Congresso da ALAS (Associação Latino Americana de Sociologia).
Nesse número 3, teremos uma vasta gama de artigos focados nas relações entre movimentos sociais, no contato mídia e movimentos sociais e no próprio papel da mídia e das redes no cotidiano contemporâneo
RESENHA DO LIVRO “A ELITE DO ATRASO: DA ESCRAVIDÃO À LAVA-JATO”, OU DE COMO DEIXAMOS DE CRIAR ESCRAVOS PARA CRIAR TOLOS.
Jessé Souza expõe em “A Elite” uma continuação dos trabalhos publicados anteriormente, “A ralé brasileira” (2009) e “A tolice da inteligência brasileira” (2015), fechando, assim, uma espécie de trilogia. Em tese, o sociólogo que já foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), descortina a tentativa, quase bem sucedida, de um pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel forjada na escravidão na crença de se construir um país ideal
FEMINISMO NEGRO E CIBERATIVISMO NO BRASIL
Ao longo da década de 1990 os feminismos latino-americanos expandiram seu campo de ação abarcando novas arenas culturais, sociais e políticas. Os movimentos se transversalizaram e se estenderam em direção a diferentes esferas, atingindo uma ampla diversidade de classes e movimentos sociais. Organizações de mulheres negras, indígenas e rurais cresceram consideravelmente ampliando os parâmetros da agenda do movimento. Essa disseminação das concepções feministas tem produzido resultados positivos em políticas públicas e aos poucos tem se inserido no imaginário e cultura popular diluindo, por um lado, as resistências ideológicas em relação ao feminismo, mas por outro lado, ampliando sua visibilidade para grupos de ódio que por vezes investem contra os coletivos. Nesse contexto as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) se tornaram ferramentas estratégicas e fundamentais para atuação dos "novos feminismos” marcados pela horizontalidade dos discursos, práticas plurais e heterogêneas, articulação com setores diversos da sociedade civil e o uso das TICs. Os feminismos em atuação na web buscam não apenas um espaço de compartilhamento e troca, mas principalmente formas de participação e intervenção nas agendas políticas da sociedade. Espaço de participação e visibilidade que grupos minoritários nem sempre conseguem por vias tradicionais como a grande mídia
OFENSIVA IMPERIALISTA E POLÍTICAS PÚBLICAS ANTICORRUPÇÃO NO BRASIL
A atual crise brasileira, aberta em 2013, tendo como desfecho provisório a ascensão de uma nova coalização de direita ao poder, fez emergir inúmeros debates acadêmicos e políticos que perpassam pela questão do “combate à corrupção”. A Operação Lava Jato, o desmantelamento da Petrobrás e das transnacionais brasileiras, em especial no ramo da construção civil, o impeachment da presidente eleita Dilma Roussef, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e o seu impedimento para concorrer às eleições presidenciais, o governo Temer e os novos rearranjos institucionais e econômicos promovidos pelo governo Bolsonaro colocam a chamada “agenda anticorrupção” como uma das principais pautas do país. O presente artigo tem como objetivo apresentar o resultado inicial da pesquisa e reflexões sobre o tema, em especial sobre a relação das políticas públicas anticorrupção e os interesses dos EUA no Brasil