Entropia (E-Journal)
Not a member yet
222 research outputs found
Sort by
RESENHA :TRILHAS DE UMA ANTROPÓLOGA FEMINISTA DECOLONIAL
Obra resenhada: Segato, Rita. Crítica da colonialidade em oito ensaios: e uma antropologia por demanda. Bazar do tempo, 2021.
“Crítica da colonialidade em oito ensaios e uma antropologia por demanda" (2021) é o primeiro título da coleção "Rita Segato", anunciada pela editora Bazar do Tempo, que rompe duas décadas de desinteresse das editoras brasileiras sobre a produção da autora. Como obra de entrada, ainda que tardia, permite um panorama sobre as principais reflexões da antropóloga, entre as quais destacam-se as contribuições substanciais a respeito dos efeitos perversos de colonialidade que incidem sobre as relações raciais, de gênero e de produção de saber acadêmico. Em grande parte, esses textos foram tecidos sob a paisagem sócio-histórica dos territórios que convencionamos chamar América Latina, em especial o Brasil, onde a autora de origem argentina lecionou e desenvolveu pesquisas por mais de três décadas. A escolha desta coletânea de ensaios mais recentes como título de abertura da coleção revela-se profícua, pois permite um sobrevoo instigante sobre a produção intelectual-militante desta pensadora feminista decolonial
TEJIENDO REDES Y SABERES: DIMENSIONES DE UN PROCESO SOCIO-POLÍTICO ORGANIZATIVO
El presente artículo recupera elementos de la investigación realizada en el marco del trabajo final de la Licenciatura en Trabajo Social de la Universidad Nacional de Río Cuarto (UNRC), y tiene como objetivo compartir la construcción y análisis de las dimensiones del proceso socio-político organizativo del “Colectivo de Trabajadorxs Sexuales AMMAR Río Cuarto”. Se exploran las articulaciones y redes que teje con otres actores, sus demandas sociales y su visibilidad pública, desde su conformación en 2015 hasta el año 2022, con especial énfasis en momentos clave como su creación, la pandemia de COVID-19 y su incorporación a la Asociación de Mujeres Meretrices de la Argentina (AMMAR).
El abordaje de estas dimensiones se realizó a través de una metodología cualitativa basada en los principios de la Investigación Acción Participativa (IAP), orientada hacia la transformación social, con un enfoque crítico, dialógico y participativo. Esta metodología permitió no sólo investigar sino también acompañar y co-construir conocimientos junto a les trabajadores sexuales. La investigación procuró desarrollar de manera dialéctica los saberes populares y científicos, con el fin de contribuir a la praxis cotidiana del Colectivo, como así también, promover una transformación tanto en el ámbito académico como en el social
LA MEDIACIÓN (IM)POSIBLE EN LA CONFLICTIVIDAD SOCIOAMBIENTAL. ANÁLISIS DEL CASO MONSANTO EN MALVINAS ARGENTINAS
¿Es posible la mediación en la conflictividad socioambiental? El interrogante adquiere una relevancia singular en una región, América Latina, en la que en el periodo contemporáneo se registra una multiplicación creciente de las disputas por los modos de uso y apropiación de los territorios. El presente artículo, valiéndose de los aportes teóricos de la ecología política y la sociología de los problemas públicos procura sistematizar, en primera instancia, las diversas dimensiones que atraviesan los litigios socioambientales. A partir de ello, reflexionamos acerca de la complejidad de la mediación en un espacio-tiempo signado por: a) lógicas de acumulación que se desenvuelven a partir de usos intensivos de los recursos naturales y; b) por la conformación de un movimiento de justicia ambiental que antepone un lenguaje de valoración de la naturaleza antagónico e inconmensurable al discurso hegemónico.
Asimismo, recuperando un caso emblemático de conflicto socioambiental, con epicentro en la instalación de Monsanto en la localidad de Malvinas Argentinas (Córdoba/Argentina), analizamos la intervención de la Comisión Veedora por los Derechos Humanos como posible acción mediadora
A MORTE EM MEMÓRIAS NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19
A morte na atualidade é dessocializada, tecnificada e interdita, na medida em que ela é jogada, na perspectiva elisiana, para os bastidores da vida cotidiana e pouco se comenta sobre ela. Com a pandemia de COVID-19, contudo, há novas transformações no universo da morte, devido à ameaça constante e ao número crescente de mortes ocasionadas pelo coronavírus. Por causa das medidas sanitárias, os rituais do luto foram suprimidos ou acelerados, não sendo possível velar e enterrar as pessoas adequadamente; em algumas regiões do país foi necessário, inclusive, enterrar os mortos em valas comuns, o que interferiu no processo de luto. Neste cenário, este trabalho tem como objetivos: compreender a morte, os rituais fúnebres e o luto como construção social; resgatar e analisar memórias de morte; e identificar as principais mudanças em torno da morte e dos ritos funerários no contexto pandêmico. Para isso, num primeiro momento, foi feita uma revisão de literatura sobre morte e sobre memória e, num segundo momento, por meio da metodologia da história oral, buscou-se resgatar memórias e experiências da pandemia, especialmente relacionadas à morte e ao luto. Por fim, analisou-se essas memórias, sublinhando as principais mudanças e permanências em torno do universo da morte
A LINHA DO TEMPO DA MORAL: CONFLITOS SOBRE FAMÍLIA E GÊNERO NO LEGISLATIVO
Este estudo busca analisar como concepções, práticas e discursos conservadores se estruturam em torno da ideia de família, com foco nas manifestações ocorridas na Câmara dos Deputados entre 2013 e 2022. Especialmente no artigo em questão, a investigação concentra-se na análise do Projeto de Lei nº 6583/2013, que propõe o Estatuto da Família, observando a mobilização parlamentar e sua articulação política como expressões de uma gramática conservadora com ênfase na conjuntura e uma cronologia dos eventos circunscritos. A metodologia baseia-se na análise de documentos oficiais e notas taquigráficas, em um contexto marcado por crises políticas, sociais e econômicas que favoreceram o fortalecimento do discurso conservador. O estudo também considera a emergência da Nova Direita a partir de 2013, sua crescente presença no debate público e no Parlamento, bem como o uso estratégico da visibilidade midiática. Por fim, relaciona esse cenário nacional com transformações globais, conforme interpretadas por Nancy Fraser, que identifica um momento de transição política impulsionado pela crise do neoliberalismo progressista e pela ascensão de forças reacionárias
JOHN HOLLOWAY - SUBJETIVISMO E CONTRARREVOLUÇÃO SOCIAL
Esse trabalho tem o propósito teórico de debater a produção intelectual de John Holloway, especificamente três de suas obras sobre a transformação social na contemporaneidade (HOLOWAY, 2003; 2011; 2012), perceber seus vínculos com a episteme burguesa e seus paradigmas contemporâneos e, por conseguinte, apreender os limites concretos do significado da transformação social em suas análises. Para isso, recorreremos à teoria marxista das classes sociais e suas lutas, bem como à teoria dos regimes de acumulação e suas renovações culturais hegemônicas, com o intuito de realizar uma análise teórica focal dessas obras, percebendo a influência dessa força hegemônica no modo de pensar do seu autor
DOSSIÊ: APRESENTAÇÃO
O presente dossiê temático da revista Entropia constitui um convite para debater e renovar questões sobre a complexa trama de relações entre a ação coletiva e as práticas articulatórias que diversos atores da nossa região (mulheres, trabalhadores organizados, grupos de desempregados, trabalhadores/as sexuais, indígenas, grupos ambientalistas, juventudes, entre muitos outros e outras) vão tecendo ao longo de seus processos de mobilização social.
O conjunto de artigos que compõem o dossiê situa suas reflexões em torno destes tópicos durante a história argentina recente, especificamente, entre os anos 90 do século passado e o presente século. Da mesma maneira, a maioria dos trabalhos que vamos ler circunscreve suas pesquisas a territórios do interior do país (principalmente, às províncias de Córdoba e La Pampa)
MÃES, TEARES E SEREIAS NAS FAVELAS DO RIO DE JANEIRO: CHACINAS E MOVIMENTOS SOCIAIS
O estudo busca apreender a relação entre a violência policial e as chacinas ocorridas no Rio de Janeiro para a criação identitária de movimentos sociais organizados e representados pelas mães das vítimas. Dessa forma, compreende-se a formação identitária através dos atos de protestos e a criação de movimentos sociais, correspondendo a alguma chacina ocorrida anteriormente. A pesquisa indica para o sentido de formação de redes de solidariedade entre as mães da favela através das tecituras que elas realizam na ausência de uma proteção estatal, pois as violências ocorridas contra seus familiares são, justamente, perpetradas por agentes estatais. Utiliza-se, majoritariamente, revisão bibliográfica da literatura especializada em movimentos sociais contemporâneos; dados do Radar Saúde Favela (Fiocruz), revista especializada na divulgação da realidade das favelas no Rio de Janeiro; e dados do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos (GENI/UFF) alocado na Universidade Federal Fluminense. Através de leitura e interpretação dos dados, realiza-se de pesquisa descritiva e correlacional entre os objetos estudados. Conclui-se que a rede de afetos e cuidados das mães da favela compõe a busca por justiça social e memória, antagonizando frente ao poder estatal legitimado estrutural e sócio-historicamente violento e letal. A pesquisa inova ao apresentar a correlação na constituição de identidade do movimento social em eventos recentes, associando a criação de movimentos sociais a tecitura de relações de solidariedade social
IDENTIDADE CABOCLA E A IMPORTÂNCIA SOCIAL NAS TOADAS DO BOI-BUMBÁ DE PARINTINS/AM, AMAZÔNIA BRASILEIRA
Foi meta desenvolver análise relacionada à toada de boi-bumbá e seus aspectos relativos à comunicação e identidade cabocla. Toadas escolhidas foram avaliadas por levantamento de UCEs (Unidades de Contexto Elementar) catalogadas a priori pela categoria “sociocultural”. O enfoque foi centralizado na figura do caboclo compositor de toadas. O período foi de 1990 até 2006 ― em que o discurso da Amazônia indígena foi frequente e serviu de base de canções. Resultados apontam quer a figura do caboclo se mostrou mais próxima do nosso objeto de interpretação enquanto identidade cultural porque comunica sobre a população parintinense e suas raízes. A imagem do caboclo reflete o cotidiano regional, uma vez que é marca de resistência dos povos da Amazônia
SINDICALISMO DE PROFESSORES E PRODUÇÃO ACADÊMICA: REFLEXÕES TEÓRICAS E SENSO COMUM SINDICAL
Sob um contexto de acentuada precarização do trabalho docente que, embora constitua traço estruturalmente marcante do campo educacional do Brasil enquanto nação ocupante da periferia do sistema capitalista mundial, intensifica-se sob o contexto histórico de hegemonia das políticas neoliberais, o sindicalismo de professores da educação básica pública resiste representando uma das poucas categorias profissionais que, a partir de seus sindicatos, ainda guardam algum poder de mobilização após a contraofensiva neoliberal que solapou as bases sindicais de amplos contingentes de trabalhadores brasileiros. Entretanto, essa mesma luta sindical docente, embora tenha, de certa forma, resistido à “avalanche neoliberal”, nem por isso escapou incólume a tal processo histórico, encontrando, até hoje, grandes dificuldades em suas lutas e capacidade de mobilização. É em meio a este quadro histórico brevissimamente relatado que tem lugar a pesquisa intitulada “Professor, sindicalista, acadêmico: por uma crítica da crítica do sindicalismo docente”. Com base no referencial teórico construído pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a referida pesquisa possui enquanto objeto o conjunto de militantes e ex-militantes sindicais do magistério que posteriormente irão se dedicar a estudos e pesquisas acerca do mesmo sindicalismo docente, em programas de pós-graduação e seus cursos de mestrado e doutorado. Ao contrário do que à primeira vista possa aparentar, a pesquisa supracitada, através de pesquisas bibliográficas e documentais, revela-nos, a princípio, que o grande número de sindicalistas e ex sindicalistas estudando e pesquisando sobre o tema sindicalismo docente não garantiria, a priori, a existência de uma “produção militante”, no sentido da constituição de uma massa crítica de estudos e pesquisas intimamente ligados às lutas coletivas do magistério e, portanto, capaz de orientar tais lutas. Estas, no entanto, seguem sendo travadas de maneira um tanto quanto “intuitiva”, orientadas por um conhecimento prático político-sindical, destituídas de um importante processo de estudo e reflexão crítica capaz de desaguar em uma renovação das práticas sindicais que em muito poderia dotar a ação coletiva dos professores de novos instrumentais capazes de reavivar o movimento docente e, assim, fortalece-lo em suas lutas contra as políticas neoliberais