Periódicos UFT (Universidade Federal do Tocantins)
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SOCIABILIDADE EM REDES SOCIOTÉCNICAS: apropriações e reconfigurações
O presente trabalho tem como objetivo promover reflexões sobre o conceito de sociabilidade, atentando, especialmente, para as suas apropriações e reconfigurações no que diz respeito a sua emergência no contexto das redes sociotécnicas, isto é, compreender as suas manifestações e nuances diante do cenário da sociedade da informação e em rede. Para tanto, são realizadas discussões sobre este fenômeno, articulando os debates desenvolvidos por Simmel (1983; 2000; 2006) e alguns de seus comentadores, bem como de outros autores que debatem sobre este conceito diante dos processos tecnológicos e informacionais que redimensionam as relações sociais, tais como Castells (1999; 2003), Santos e Cipryano (2014), Recuero (2008; 2009), entre outros. Com efeito, observam-se que as alterações em torno das sociabilidades engendradas em redes socioténicas trazem em si, apesar das reconfigurações, elementos-base de seus processos, os quais são reapropriados e favorecem a sua maior circulação e consolidação
LEITURA LITERÁRIA EM PRISÕES NA AMAZÔNIA LEGAL:: UM PROJETO DE EXTENSÃO NA CASA DE PRISÃO PROVISÓRIA DE ARAGUAÍNA/TO
Este trabalho busca pensar sobre o ensino de jovens privados de liberdade a partir da nossa experiência na Casa de Prisão Provisória de Araguaína (CPPA), norte do Estado do Tocantins. Tal casa de prisão tem uma alta rotatividade de homens que, por diversos motivos, encontram-se encarcerados. Este trabalho tem cunho qualitativo e baseia-se em uma pesquisa bibliográfica a partir de nossas experiências na referida unidade prisional. Tivemos o objetivo de refletir sobre o que vem sendo desenvolvido sobre leitura literária na prisão, tomando essa instituição como um ambiente de possível escolarização. Temos a CPPA como nosso foco, localizada em um estado novo e que faz parte da Amazônia Legal, porém com problemas antigos. Pensar a educação neste contexto é investir na (re)construção do sujeito privado de liberdade e que busca novas perspectivas na sociedade. Vemos que as prisões podem, também, dotar os encarcerados de novos conhecimentos. Para Foucault (1987), a educação do preso é dever do Estado. Sendo uma preocupação para a sociedade e ainda uma possibilidade de aprender para o detento. Portanto, a educação é uma liberdade substantiva (SEN, 1990) e pode auxiliar na integração social (FREIRE, 1988), pois amplia as possibilidades dos indivíduos quando saírem da prisão. Sendo assim, a leitura literatura tem o poder de auxiliar e fazer a diferença na vida dos encarcerados. A leitura neste espaço pode produzir novas perspectivas para além do presente, sempre em busca de um futuro com mais possibilidades
O LETRAMENTO CIENTÍFICO NA PERSPECTIVA QUÍMICA E BIOLÓGICA
Este trabalho descreve as ações de um projeto de extensão realizado com alunos em etapas iniciais de sua trajetória escolar, visando a realização de um letramento científico, com a introdução de conceitos básicos como hipótese, método científico e o papel do cientista na sociedade. Ações como estas se tornam importantes em um cenário de grande carência de ações pedagógicas integradoras e contínuas, que introduzam, gradativamente, conceitos científicos de maneira lúdica e interdisciplinar, preparando os alunos para um entendimento mais profundo das ciências. Neste contexto o projeto desenvolvido despertou o interesse científico das crianças e a reflexão dos acadêmicos do curso de Licenciatura em Química sobre o papel do professor na construção do conhecimento. Para tal, foram realizadas várias atividades lúdicas e interdisciplinares, atuando como um despertar científico dos alunos, além de fomentar uma visão crítica e reflexiva nos acadêmicos extensionistas. O projeto reforça a importância de iniciativas extensionistas no fomento ao letramento científico e na formação docente pautada em práticas que promovam aprendizagens mais significativas e transformadoras
O TRABALHO ANÁLOGO A ESCRAVIDÃO EM TELA:: A PRODUÇÃO AUDIOVISUAL COMO METODOLOGIA PARA ENSINAR A FILOSOFAR
O artigo apresenta um estudo sobre questões raciais históricas e sua relação com o trabalho análogo à escravidão, que afeta a vida de milhares de pessoas no Brasil. O projeto desenvolvido durante o Programa Residência Pedagógica manteve o foco na produção audiovisual como metodologia alternativa para ensinar a filosofar, de forma que os professores em formação atuaram com vistas no projeto “Escravo nem pensar”, uma iniciativa da ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Tocantins (SEDUC-TO), a Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo no Tocantins (COENTRAE-TO) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para abordar o problema do trabalho análogo à escravidão nos dias atuais. Os estudantes do Ensino Médio, por sua vez, foram estimulados a pesquisar e produzir roteiros de vídeos com a temática do trabalho escravo contemporâneo, considerando a categoria trabalho e os principais conceitos a ele relacionados, bem como as formas de exploração e expropriação a que a classe trabalhadora é submetida. A Pesquisa Participante mediou a construção do conhecimento em sala de aula. O trabalho resultou em dois documentários curta-metragem em que se constatou que a utilização de uma metodologia alternativa mediada pelas TDICs, associada a uma metodologia ativa, além de fundamental na formação de professores, pode potencializar o processo de ensino e aprendizagem ao valorizar a autonomia e a consciência crítica dos estudantes. O artigo apresenta uma análise dialética e expõe as contradições do modo de produção capitalista
PERSPECTIVAS AO PIBID NO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS
A Universidade Federal do Tocantins integra o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência desde o ano de 2007, sendo um desafio que as pesquisas produzidas em âmbito stricto sensu se transversalizem e contribuam em dimensão teórica e conceitual com as práticas propostas ao aperfeiçoamento da formação docente em nível superior nas licenciaturas. O artigo se apresenta como fonte de consulta e apropriação acadêmica, em retomada à dissertação apresentada ao Mestrado em Ensino em Ciências e Saúde, UFT, em 2021, e continuada, na atualidade, no Doutorado em Educação pela Rede Educanorte, 2025. O percurso metodológico teve como perspectivas disparadoras a pesquisa documental e bibliográfica, no ordenamento de informações oficiais da Plataforma Freire (2025), associando-se aos dados decorrentes da triagulação de entrevistas semiestruturadas em profundidade, com doutores que atuam no curso de pedagogia da UFT
INICIAÇÃO À DOCÊNCIA EM MANAUS:: EXPERIÊNCIAS E REFLEXÕES A PARTIR DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFAM
O artigo trata do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e seu papel na formação de licenciandos do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a partir das experiências em duas edições do Programa, 2020-2022 e 2022-2024. O trabalho destaca as transitoriedades, idas e vindas do Pibid no campo da política educacional como cenário no qual as experiências aqui narradas e analisadas foram desenvolvidas. As especificidades dos períodos pandêmico e pós-pandêmico foram tomadas à análise e demonstraram o potencial do trabalho coletivo nos processos de formação de professores no interior do Pibid, bem como as funções política e pedagógica de tal formação no contexto manauara
A POESIA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO
O presente relato apresentar a experiência vivenciada no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID, que promoveu Atividades Pedagógicas baseadas no uso de poemas para uma turma do segundo ano, em uma Escola Municipal de Miracema do Tocantins no ano de 2024. O intuito da Oficina de Poesias foi utilizar esse gênero textual como ferramenta pedagógica para desenvolver habilidades de leitura e escrita de forma prazerosa, tornando o processo de alfabetização mais envolvente e significativo para as crianças. O desenvolvimento do trabalho pautou-se em uma abordagem lúdica e interacionista a partir da oficina pedagógica que priorizando o fazer coletivo. Os principais autores que orientaram o desenvolvimento da proposta foram Sônia Maria Coelho (2011), Ana Luiza Smolka (1987) e Lev Vygotski (2009). Suas contribuições teóricas apontam para a importância das interações sociais, da linguagem como mediadora do desenvolvimento cognitivo e da valorização das práticas culturais e subjetivas das crianças. Os resultados obtidos foram positivos, observou-se o interesse dos alunos pela prática de leitura, escrita, e pelos conhecimentos de Ciências Naturais, ampliando o vocabulário científico e desenvolvendo a oral nas atividades, além disso possibiltou a compreensão que a poesia é uma estratégia metodológica que estimula a linguagem escrita,oralidade e a imaginação no processo de alfabetização
THE PRAGMATICS OF MEANING: REVISITING WITTGENSTEIN’S USE THEORY OF LANGUAGE
This article examines Wittgenstein’s critique of Saint Augustine’s referential theory of language in Philosophical Investigations, analyzing its limitations and exploring Wittgenstein’s alternative framework centered on use, language-games, and forms of life. Augustine’s model – where words name objects, meaning is reference, and learning occurs via ostension – serves as Wittgenstein’s primary target to dismantle essentialist and representational theories of language. The research has two key objectives: 1) to demonstrate how Wittgenstein’s rejection of Augustine’s “naming-describing” dichotomy reveals the diversity of linguistic functions (e.g., psychological statements like “I have toothache”); and 2) to argue that Wittgenstein’s shift from meaning as reference in the Tractatus Logico-Philosophicus to meaning as use in the Philosophical Investigations resolves philosophical problems surrounding private experience, solipsism, and public language. The methodology combines conceptual analysis of Wittgenstein’s texts with critical engagement with secondary literature to trace the evolution of his thought. Key findings include: a) ostensive definitions fail for immaterial concepts (e.g., pain); b) the “beetle in the box” analogy critiques Cartesian privacy, showing sensations gain meaning through public language-games; and c) grammar, not ontology, governs word-use, as seen in contrasts like “I have toothache” (expression) versus “He has a book” (description). The article concludes that Wittgenstein’s later work replaces Augustine’s “physical language” model with a pluralistic view of language as a toolkit embedded in social practices, challenging nominalism and reshaping debates on intentionality and linguistic diversity.This article examines Wittgenstein’s critique of Saint Augustine’s referential theory of language in Philosophical Investigations, analyzing its limitations and exploring Wittgenstein’s alternative framework centered on use, language-games, and forms of life. Augustine’s model – where words name objects, meaning is reference, and learning occurs via ostension – serves as Wittgenstein’s primary target to dismantle essentialist and representational theories of language. The research has two key objectives: 1) to demonstrate how Wittgenstein’s rejection of Augustine’s “naming-describing” dichotomy reveals the diversity of linguistic functions (e.g., psychological statements like “I have toothache”); and 2) to argue that Wittgenstein’s shift from meaning as reference in the Tractatus Logico-Philosophicus to meaning as use in the Philosophical Investigations resolves philosophical problems surrounding private experience, solipsism, and public language. The methodology combines conceptual analysis of Wittgenstein’s texts with critical engagement with secondary literature to trace the evolution of his thought. Key findings include: a) ostensive definitions fail for immaterial concepts (e.g., pain); b) the “beetle in the box” analogy critiques Cartesian privacy, showing sensations gain meaning through public language-games; and c) grammar, not ontology, governs word-use, as seen in contrasts like “I have toothache” (expression) versus “He has a book” (description). The article concludes that Wittgenstein’s later work replaces Augustine’s “physical language” model with a pluralistic view of language as a toolkit embedded in social practices, challenging nominalism and reshaping debates on intentionality and linguistic diversity
PESSOA COM AUTISMO, PESSOA AUTISTA OU AUTISTA: OBJETIVAÇÃO E SUBJETIVAÇÃO EM UM ARQUIVO CIENTÍFICO
Com base em postulações foucaultianas sobre arquivo, sujeito e poder, este artigo busca analisar a objetivação da pessoa autista em artigos científicos de uma plataforma de trabalhos sobre Ciências da Saúde. A perspectiva adotada para análise é essencialmente arqueológica (Foucault, 2008), tendo por alvo descrever as regras que regem as práticas discursivas de uma sociedade. Partindo da observação de enunciados utilizados para se referir à pessoa autista, muitas vezes considerados inadequados por essas próprias pessoas, a pergunta que norteia este estudo é: como a pessoa autista é objetivada/subjetivada no discurso de médicos e outros profissionais da saúde? A metodologia é de base qualitativa e, como procedimento metodológico, analisamos resumos de trabalhos científicos da plataforma LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde). Os resultados evidenciam que a objetivação das pessoas autistas retrata relações de saber-poder entre instituições, técnicas de disciplinarização e regulamentação. Essas práticas discursivas fazem do sujeito autista um efeito, uma construção que vai além dos traços biológicos desse corpo
BRASIL EM CHAMAS: RELAÇÕES DIALÓGICAS EM UMA CHARGE DE RENATO AROEIRA NO INSTAGRAM
A circulação de textos humorísticos, como a charge, nas redes sociais tem sido cada vez mais comum. Trata-se de um gênero altamente difundido no ciberespaço, podendo conter (ou não) traços de humor, pois a sua função principal é estabelecer uma crítica social. Partindo disso, este estudo busca analisar o funcionamento das relações dialógicas em uma charge de Renato Aroeira, postada em 2024 no perfil do Instagram do chargista (@arocartum) e no perfil de notícias e mídia Brasil 247 (@brasil_247), bem como em quatro comentários publicados nessa postagem. Como arcabouço teórico, essas discussões fundamentam-se, principalmente, em Bakhtin (2009, 2010, 2011, 2016a, 2016b, 2016c), Volóchinov (2017), como também em Brait (2003, 2010). Quanto à metodologia, tem-se uma pesquisa qualitativa de natureza analítico-interpretativa, visto que a charge escolhida permeia discursos de natureza social, crítica, realidade passível do Brasil (excesso de incêndios, descaso ambiental). A análise da charge, em correlação com os comentários postados no Instagram, permite observar o funcionamento de relações dialógicas que geram posicionamentos axiológicos de crítica à problemática das queimadas no país