Periódicos UFT (Universidade Federal do Tocantins)
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    GRAMATIZAÇÃO E O RACISMO CAMUFLADO

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    This article examines racism within the process of grammatization, understood as the intellectual technology that systematizes certain languages into grammars and dictionaries while excluding others, thereby reinforcing linguistic and social inequalities. Drawing on Rodrigues Alcalá and Aquino (2024), it shows that grammatization operates through selection, legitimizing specific linguistic forms and marginalizing those not chosen, as seen in Brazil’s colonial past with the standardization of Tupi and the suppression of numerous Indigenous languages. This linguistic exclusion aligns with broader ideological mechanisms of racial and class-based discrimination, as discussed by Sousa (2022) and Queiroz (2022), who highlight how institutional discourses continue to associate poverty, criminalization, and illiteracy with racialized groups. The text also emphasizes that the rise of European nation-states, mercantile capitalism, and urbanization strengthened grammatization as a political tool of unification. Thus, the article analyzes how this historical process still shapes contemporary forms of racism and linguistic inequality, drawing on authors such as Silvio Almeida and Tucci Carneiro.    O artigo discute o racismo presente no processo de gramatização, compreendido como a tecnologia intelectual que sistematiza determinadas línguas em gramáticas e dicionários, excluindo outras e contribuindo para desigualdades linguísticas e sociais. A partir das reflexões de Rodrigues Alcalá e Aquino (2024), evidencia-se que a gramatização opera por seleção, legitimando certas formas linguísticas enquanto marginaliza variedades não eleitas, como ocorreu com as línguas indígenas no Brasil após a uniformização do tupi no período colonial. Essa exclusão se articula a mecanismos ideológicos mais amplos de discriminação racial e de classe, conforme discutido por Sousa (2022) e Queiroz (2022), que revelam como discursos sociais e institucionais continuam a associar pobreza, criminalização e analfabetismo a grupos racializados. Além disso, o texto destaca que a formação dos Estados nacionais europeus, o capitalismo mercantil e a urbanização fortaleceram a gramatização como instrumento político de unificação. Assim, o artigo analisa como esse processo histórico mantém, na atualidade, formas persistentes de racismo e desigualdade linguística, dialogando com autores como Silvio Almeida e Tucci Carneir

    Políticas Públicas e Linguísticas Para os Povos Tradicionais Quilombolas

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    Este texto visa dar visibilidade às comunidades quilombolas e suas demandas, reconhecendo que suas memórias, línguas e modo de existir foram por muito tempo negligenciados. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica com análise crítica da literatura existente. O estudo das políticas linguísticas para os povos quilombolas reforça a importância da valorização das línguas tradicionais, um elemento essencial na construção da identidade e da preservação cultural dessas comunidades. No entanto, o reconhecimento formal das políticas linguísticas para as diversidades não se traduz em ações concretas que garantam sua efetivação e transmissão, conforme previto na legislação brasileira, que embora reconheçam direitos culturais e educacionais, políticas públicas específicas para a preservação linguística ainda são escassas.  Nesse sentido, conforme defende Adichie (2019), ao enfatizar sobre a pluralidade linguística e cultural na construção de sociedade mais inclusiva, é essencial considerar a forma como o poder influencia esse processo, determinando quais histórias são contadas e quais vozes são silenciadas. Documentos internacionais e pesquisadores como Alcalá (2010), Rodrigues (2024) e Modesto (2024) argumentam que a língua perpassa por relações de poder e a maneira como o português do Brasil ainda reflete uma visão eurocêntrica que minimiza a contribuição da cultura africana e indígena. Deste modo, o estudo enfatiza a necessidade de promover a diversidade linguística e fortalecer práticas que preservem a identidade cultural.   Palavras-chave: Diversidade linguística; Quilombos; Políticas linguísticas

    Problemas de Agendamento: Contribuições Pedagógicas para o Aprendizado no Escopo da Teoria da Computação

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    Scheduling problems constitute a fundamental class of challenges in optimization and computing, particularly in operating systems, parallel processing, and real-time applications. Despite their wide practical use, many variants remain computationally intractable, even under strong structural restrictions. This article investigates the NP-completeness of two specific versions of the scheduling problem: scheduling with unit processing time and scheduling on two processors with tasks of duration one or two time units. The theoretical foundation relies on classical polynomial-time reductions, especially from the 3-SAT problem, which allows logical assignments to be encoded directly into precedence constraints and processor-capacity limitations. Furthermore, additional transformations between restricted versions of the problem are employed to preserve the structural equivalence of solutions. The contributions include a didactic reconstruction of the original proofs, an analysis of the mechanisms that give rise to computational hardness, and a discussion of the practical implications of these results in real scheduling systems. The results presented in the literature reinforce that even seemingly simple scenarios exhibit NP-complete behavior.Os problemas de agendamento constituem uma classe essencial de desafios em otimização e computação, especialmente em sistemas operacionais, processamento paralelo e aplicações em tempo real. Apesar de sua ampla utilização prática, diversas variantes permanecem computacionalmente intratáveis, mesmo sob fortes restrições estruturais. Este artigo investiga a NP-completude de duas versões específicas do problema de escalonamento: o agendamento com tempo de execução unitário e o agendamento com dois processadores em tarefas de duração igual a uma ou duas unidades. A fundamentação teórica baseia-se em reduções polinomiais clássicas, em particular a partir do problema 3-SAT, que permite codificar atribuições lógicas diretamente nas restrições de precedência e capacidade dos processadores. Além disso, transformações adicionais entre versões restritas do problema são utilizadas para preservar a equivalência estrutural das soluções. As contribuições incluem uma reconstrução didática das provas originais, a análise dos mecanismos que geram dureza computacional e uma discussão sobre as implicações práticas desses resultados em sistemas reais de escalonamento. Os resultados apresentados na literatura reforçam que mesmo cenários aparentemente simples apresentam comportamento NP-completo

    “I was the world in which I walked, and what I heard came not but from myself”: The ‘Soundscape’ for the construction of Jan Morris and her Trieste in Trieste and the Meaning of Nowhere (2001)

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    Jan Morris’s book Trieste and the Meaning of Nowhere (2001) is a travel book whose content spans several decades of traveling in a place which was particularly important for the author. Because Jan Morris’s life is one marked with numerous changes, Trieste for her represents a mirror of her kaleidoscopic identity as this city she describes is one where past and present collide, and multiculturalism thrives. In Travel Writing, the sensorial experience of a traveller is integral to their perception of the place they are writing about, as well as to the integration of the reader in that journey. In a travel book that follows the genre in such an unconventional way, it is interesting to see how the sensorial experience conveys the confrontation between both Jan Morris’s internal and external worlds. This essay argues that through this sensorial experience, the author creates a middle ground between reality and memory that marks the singularity and autobiographical essence of this book. To examine this, there will be a focus on the ‘soundscape’ in particular, as the second most prevalent sense in the work.O livro Trieste and the Meaning of Nowhere (2001) de Jan Morris é um livro de viagens cujo conteúdo abrange várias décadas de viagem num lugar que foi particularmente importante para a autora. Uma vez que a vida de Jan Morris foi uma marcada por várias mudanças, Trieste representa para a mesma um espelho da sua identidade caleidoscópica, sendo que esta cidade que descreve é uma onde o passado e presente colidem e onde o multiculturalismo prospera. Na Escrita de Viagens a experiência sensorial de um viajante é integral para a sua perceção do sítio sobre o qual escreve, assim como para a integração do leitor nessa mesma viagem. Num livro de viagens que não segue o género de forma convencional, é interessante perceber de que forma é que a experiência sensorial transmite o confronto entre os mundos externo e interno de Jan Morris. Este ensaio defende que através desta experiência sensorial a autora cria um espaço intermédio entre a realidade e a memória, que marca a singularidade e a essência autobiográfica deste livro. De modo a analisar estas questões, haverá um foco em particular na paisagem sonora, o segundo sentido mais prevalente nesta obra

    Brecht, Saramago e Buzetto - espacialidades políticas do medo e do mal

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    While materialist criticism tends to resist acknowledging the Gothic and relegates it to the status of sub-literature, many Marxist writers have utilized terror and horror to fictionalize the cultural fear stemming from various forms of oppression. In the 20th century, characterized by the rise, institutionalization, and spread of Nazism and fascism throughout the West, several authors sought a reconciliation between the material and transcendent/supernatural dimensions of life to aesthetically establish their investigations into the collective imagination. In this article, we will seek to highlight the ways in which three works utilized the locus horribilis, the monstrous character, and the returning past – formal structures of Gothic literature – to denounce social oppression dramatically, lyrically, and narratively: Terror e miséria do Terceiro Reich, by Bertolt Brecht; O ano de 1993, by José Saramago; and Conturbado, by Marco Buzetto. It will be demonstrated how the spatialization of terror and horror adapted to different cultures and genres to preserve their effects and enhance them as a pervasive structure of unresolved feelings in historical dimensions.Conquanto a crítica de orientação materialista relute em reconhecer o gótico e o relegue à condição de subliteratura, muitos escritores marxistas valeram-se do terror e do horror para ficcionalizar o medo cultural advindo das distintas formas de opressão. No século XX, marcado pela ascensão, institucionalização e espraiamento do nazifascismo pelo Ocidente, diversos autores buscaram uma conciliação entre as dimensões material e transcendente/sobrenatural da vida para estabelecer esteticamente suas investigações acerca do imaginário coletivo. Neste artigo, buscaremos evidenciar os modos pelos quais três obras valeram-se do locus horribilis, da personagem monstruosa e do passado que regressa – estruturas formais da literatura gótica – para denunciar a opressão social dramática, lírica e narrativamente: Terror e miséria do Terceiro Reich, de Bertolt Brecht; O ano de 1993, de José Saramago; e Conturbado, de Marco Buzetto. Demonstrar-se-á como a espacialização do terror e do horror adaptou-se a diferentes culturas e gêneros para preservar seus efeitos e potencializá-los enquanto uma estrutura de sentimentos onipresente porque irresolvida na dimensão histórica

    O SUBLIME E O GROTESCO NA POESIA INDIANISTA BRASILEIRA

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    Due to the proximity between Brazil’s formal independence and the rise of romanticism in the country, this aesthetic is symptomatic of how literature acted in the invention of a national identity in which heterogeneous groups would be unified in monolithic fictional representations. Considering this backdrop, this article examines literary representations of Brazilian indigenous people in the light of the concepts of the sublime and the grotesque, comparing the Indianist poetics of Gonçalves Dias, in line with ufanist nationalism, and the counterpoint poetics of Bernado Guimarães. In a hermeneutic informed by literary comparatism, we observed in these representations that the schism between ethereal idealization, linked to the sublime, and scatological ridicule, relatated to the grotesque, implied a parodic reworking of Gonçalves Dias’ patriotic discourse by a counter-discourse shaped by Rabelaisian humour, in which the deconstruction promoted by pantagruelic comicality points out, through laughter, the incongruity of official narratives.Devido à proximidade conjuntural entre a independência formal do Brasil e a ascensão do romantismo no país, essa estética é sintomática de como a literatura atuou na invenção de uma identidade nacional em que grupos heterogêneos seriam unificados em representações ficcionais monolíticas. Em face desse panorama, este artigo examina figurações literárias do indígena brasileiro à luz dos conceitos de sublime e grotesco, em cotejamento entre a poética indianista de Gonçalves Dias, coadunada com o nacionalismo ufanista, e a poética contrapontística empreendida por Bernado Guimarães. Em hermenêutica informada pelo comparatismo literário, observamos nessas representações que a cizânia entre a idealização etérea, vinculada ao sublime, e a ridicularização escatológica, atrelada ao grotesco, implicou arremedo paródico do discurso pátrio de Gonçalves Dias pelo contradiscurso amoldado ao humor rabelaisiano, no qual a desconstrução promovida pela comicidade pantagruélica assinala, por meio do riso, a incongruência de narrativas oficiais

    RASTROS DE VIOLÊNCIA, LAMPEJOS DE MEMÓRIA: O TEOR TESTEMUNHAL NO CONTO DE CÉSAR FIGUEIREDO “NUM OLHAR, UM TALVEZ...”

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    This article proposes a theoretical-analytical reflection on the concept of testimonial tenor as a hermeneutic category applied to the reading of literary narratives that rework experiences of violence, trauma, and political repression in the context of the Brazilian civil-military dictatorship. It departs from a restrictive conception of testimony as a biographical or documentary account, understanding it instead as a textual and cultural operation inscribed in strategies of enunciation, aesthetic procedures, and the ethical-political choices of the literary work. The study draws on the contributions of Walter Benjamin (1987), particularly his notion of reading history “against the grain,” as well as Pollak’s (1989) studies on memory, trauma as discussed by Seligmann-Silva (2022), and representational insufficiency from Goldmann’s (1970) perspective. Methodologically, the article adopts a qualitative and interpretive approach based on textual and discursive analysis. It concludes that testimonial tenor constitutes a critical instrument for reading literature as a space of memory, resistance, and symbolic dispute in the face of official narratives.Este artigo propõe uma reflexão teórico-analítica sobre o conceito de teor testemunhal como categoria hermenêutica aplicada à leitura de narrativas literárias que reelaboram experiências de violência, trauma e repressão política no contexto da ditadura civil-militar brasileira. Afasta-se de uma concepção restrita do testemunho como relato biográfico ou documental, compreendendo-o como uma operação textual e cultural inscrita nas estratégias de enunciação, nos procedimentos estéticos e nas escolhas ético-políticas da obra literária. O estudo fundamenta-se nas contribuições de Walter Benjamin (1987), especialmente na leitura da história “a contrapelo”, bem como nos estudos de Pollak (1989) sobre memória, trauma a partir de Selligmann-Silva (2022) e insuficiência representacional no ponto de vista de Goldmann (1970). Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, baseada na análise textual e discursiva. Conclui-se que o teor testemunhal constitui um instrumento crítico para a leitura da literatura como espaço de memória, resistência e disputa simbólica frente às narrativas oficiais

    A AGENDA 2030 NAS AÇÕES DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

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    O objetivo deste artigo é analisar a relação existente entre as ações extensionistas de uma unidade acadêmica universitária com os ODS. O estudo caracterizou-se por uma abordagem qualitativa de caráter exploratório. Para a classificação do banco de dados, aplicou-se o método de análise de conteúdo. Foi verificado se cada ação de extensão tinha ou não relação com os ODS, e caso tivesse, qual dos 17 ODS poderia ser associado a essa ação. De 175 ações analisadas, 121 (69,14%) possuíam alguma relação com os ODS, contemplando treze de seus dezessete objetivos, com grande destaque para o ODS 4 e o 15. Ficaram de fora apenas o ODS 1,7, 9 e14. Foi possível verificar que, mesmo de forma implícita, a maioria das ações de extensão analisadas se relacionam com algum dos ODS. Além disso, constatamos que uma única unidade acadêmica pode abarcar uma grande diversidade de ODS com suas ações de extensão, proporcionando às universidades um grande poder de contribuição com a Agenda 2030 e, consequentemente, com a promoção do desenvolvimento sustentável.

    CAPOEIRA ANGOLA E EXTENSÃO: HISTÓRIA, DANÇA, DEFESA E ATAQUE

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    A partir do projeto de Extensão Jogando Capoeira Angola: Quebrando Preconceitos, desenvolvemos a experiência formativa da Capoeira Angola como uma expressão afro-brasileira, trabalhando as dimensões históricas, pedagógicas, musicalidade e movimentação nas dependências da UFT (Campus de Miracema do Tocantins) articulando o tripé acadêmico de ensino, pesquisa e extensão. Metodologicamente as atividades eram realizadas em rodas de conversa, pesquisa de letras de capoeira, debates de filmes sobre antigos Mestres e Mestras, alongamentos e práticas corporais. O projeto refletiu sobre a identidade negra, o preconceito étnico-racial e a sociedade multicultural, tendo em vista que tal atividade é um importante símbolo da identidade africana e afro-brasileira

    CONTRIBUIÇÃO DAS LICENCIATURAS NO PROCESSO DE INSERÇÃO DO CAMPUS DA UFT NA CIDADE DE ARRAIAS

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    Esse artigo é resultado de Tese de Doutoramento no âmbito do PPGE da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), intitulada “Universidade Federal  do Tocantins/Campus de Arraias na consolidação do desenvolvimento socioeducacional, os indicadores sociais e as percepções dos sujeitos da região sudeste do Estado do Tocantins” e analisa a contribuição das licenciaturas no processo de inserção do Campus da Universidade Federal do Tocantins (UFT) em Arraias, destacando seu impacto educacional, social e econômico na região Sudeste do Tocantins e áreas adjacentes. O campus se destaca por atender principalmente alunos do Tocantins e regiões vizinhas, valorizando aspectos sociais, culturais e econômicos locais. Os cursos dialogam com essas especificidades, sendo a Licenciatura em Educação do Campo um exemplo de integração entre teoria e prática comunitária. Os cursos de Pedagogia e Matemática focando na gestão educacional, soluções para os desafios regionais e a qualificação docente. A expansão planejada, com inclusão de cursos tecnólogos e bacharelados, busca diversificar a formação e atender às demandas locais, consolidando a UFT como um agente essencial no desenvolvimento sustentável, na melhoria da educação básica e na transformação social no Sudeste do Tocantins

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