Revista Hypnos
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An introductoy reflexion on polemos in Heraclitus’ DK 53
O pensamento de Heráclito de Éfeso segue instigante apesar dos milênios que nos separam dele. O objetivo desta comunicação é levantar algumas questões interpretativas sobre alguns termos do fragmento 53 DK, um dos três fragmentos em que Heráclito utiliza o termo pólemos, isto é, guerra.The thought of Heraclitus from Ephesus continues to interest us in spite of the millennia that apart us from it. The aim of this paper is to articulate some interpretative questions on terms of the fragment 53 DK, in which Heraclitus use the concept polemos, that is, war
Sócrates e a inexistência de sabedoria humana, por Lúcio Cecílio Firmiano Lactâncio: tradução do capítulo I da obra De ira Dei
Esta é a primeira tradução integral para a língua portuguesa do capítulo I da obra De ira Dei, atribuída ao escritor tardo-antigo e norte-africano Lactâncio. Essa composição apresenta um conteúdo apologético de cunho cristão, tendo adquirido significativa reverberação na Antiguidade Tardia. Nesse escrito, Lactâncio dialoga com a tradição filosófica clássica, buscando justificar sua perspectiva doutrinária religiosa, em oposição ao paganismo. Note-se, por fim, que o texto de chegada proposto parte da edição crítica estabelecida pela Sources Chrétiennes (1982). This is the first full translation into Portuguese of chapter I of the work De ira Dei, attributed to the late and North African writer Lactantius. This composition has an apologetic content of a Christian nature, having acquired significant reverberation in Late Antiquity. In this writing, Lactâncio dialogues with the classical philosophical tradition, seeking to justify his religious doctrinal perspective, in opposition to paganism. Finally, it should be noted that the proposed arrival text is part of the critical edition established by Sources Chrétiennes (1982)
Distinction between Memory (Mneme) and Reminiscence (Anamnese) in Plato’s Philebus
Maurizio Migliori (2013) sugere que se encontra no Filebo uma base para se pensar a distinção entre memória (mnéme) e recordação (anámnese). A hipótese é que se trata, diferentemente do que acontece no Mênon, de uma distinção meramente “imanente”, no sentido de que não há referência ou indicação à famosa “teoria da reminiscência” evocada nesse último diálogo, ou seja, à ideia de que conhecer é apenas se recordar de algo que se conheceu ou vislumbrou em outra vida. Efetuaremos, portanto, para verificar essa hipótese, uma comparação entre os dois diálogos, sem prejuízo de referência a outros textos relevantes de Platão a esse respeito.Maurizio Migliori (2013) suggests that we can find in Philebus elements to think about the distinction between memory (mneme) and reminiscence (anamnese). Here we will study this dialogue, trying to explore that distinction. The hypothesis is that, differently of what occurs in Menon, in the Philebus the distinction is a mere « immanent » one, in the sense that there are no reference or mention to the notorious « theory of reminiscence » evoked in the Menon, that is, to the idea that knowing consists only in the act of remembering something that was known or viewed in another life. To the end of checking that hypothesis, we will contrast the two dialogues
O que está implicado na ação? Algumas considerações a propósito da leitura foucaultiana do De ira III, 36
A análise foucaultiana do exame de consciência presente em De ira III, 36 é orientada pela tentativa de distinguir o exame estoico daquele encontrado posteriormente no cristianismo. Seu argumento principal é que o exame senequiano tem um caráter eminentemente administrativo. Pretendo mostrar que a análise foucaultiana não dá conta devidamente da natureza da ação, dos fins desta e dos princípios de conduta, na filosofia estoica. A distinção entre skopos e telos permitirá um entendimento mais adequado da natureza dos fins da ação, no estoicismo. Por fim, procurarei mostrar por que os princípios ou regras de conduta não podem ser entendidos apenas como instrumentos utilizados ao agir, pois concernem à natureza da alma daquele que age
Além da Techné Retórica: os ornamentos e o “ver com os olhos incorpóreos”
Os ornamentos não aparecem entre as partes nas quais a retórica greco-romana antiga costumava dividir o discurso: invenção, disposição, elocução, memória e ação. No entanto, por muito tempo a retórica foi associada a discursos ornamentados e vazios de conteúdo. Neste artigo, a partir das reflexões de alguns retores latinos, se tentará mostrar a importância de um tipo particular de ornamento retórico, a enárgeia, e como por meio dela é possível atingir o público do discurso, seja ele oral ou escrito, de uma maneira que vai além das partes canônicas da técnica retórica e além do contexto de sua elaboração
Sobre Os Benefícios, livro segundo
Esta tradução do latim para o português traz as trinta e cinco seções do Livro II da obra Sobre os Benefícios (De beneficiis) de Lúcio Aneu Sêneca, escrita por volta de 59 e 62 d.C. Sêneca dedica a primeira parte do livro para finalizar os assuntos tratados no livro primeiro (o modo como devemos conceder os benefícios) e introduz um tema complementar (o modo como devemos receber os benefícios), adentrando assim no assunto da gratidão e da ingratidão
Feser, E. Aristotle’s Revenge: The Metaphysical Foundations of Physical and Biological Science. Neunkirchen-Seelscheid: Editiones Escolasticae, 2019. 515p.
This critical review intends to divulge the work of Edward Feser. The thesis that he defends in this work is that the method and the results of science have implicit purely Aristothelic principles. The book is a brilliant link between Aristotelian metaphysical tendencies and more recent natural science
O Epicuro de Clemente de Alexandria e o conceito de Filosofia
O artigo tem a função de mostrar o emprego dos textos de Epicuro nos escritos de Clemente de Alexandria, discutindo três possíveis teses acerca disso. O uso de Epicuro denota uma filosofia pensada de maneira particular por parte do Alexandrino, e corrobora a hipótese de que é essa visão da filosofia que o faz um grande doxógrafo da antiguidade. Indiretamente, Clemente confirma a filosofia de Epicuro diante da carência de fontes de sua filosofia
Gianfrancesco d’Asola, el “creador” de la tercera vía parmenídea
La filosofía de Parménides se basa en un esquema dicotómico: "o...o...". La disyunción, en cambio, "...y..." es propia de "los mortales, que nada saben". Tanto los caminos de Proemio (Dia/Noche) como los requisitos para llegar a ser alguien que sabe" (Verdad/Opiniones), los "únicos" caminos "para pensar" de B 2.2, y, finalmente, el único camino válido retenido una vez suprimido el inválido, sin testigos de ducho esquema. No obstante, una conjetura propuesta por un editor veneciano para completar el verso B 6.3 sugiere que hay tres caminos posibles: dos erróneos y uno a retener. En este trabajo exponemos las insospechadas consecuencias que derivan de la desafortunada conjetura. Parmenides' philosophy is based on a dichotomic scheme: "or... o...". Disjunction, on the other hand, "... and..." it's typical of "mortals, who know nothing." Both the paths of Proemium (Day/Night), the requirements to become "someone who knows" (Truth/Opinions), the "unique" way "to think" of B 2.2, and finally the only valid way retained once the invalid is suppressed, are witnesses of this scheme. However, a conjecture proposed by a Venetian publisher to complete the verse B 6.3 suggests that there are three possibleways: two erroneous and one to beretained. In this work we expose the unsuspected consequences that come from the unfortunate Venetian conjecture.We can identify the invention of a conjecture that was to define XIXth century scholarship on the Poem of Parmenides in the Renascentist edition of Simplicius’ Commentary on Aristotle’s Physics. Because of his choice for filling the gap on verse B6.3 with a verb expressing refusal or withdrawal, editor Gianfrancesco d’Asola is indeed at the origins of the interpretation that supposes the existence of three ways of investigation in the Poem. As argued in this paper, though, all textual evidence, as well as the transmitted notices since Antiquity, point to an Alêtheia-Doxa dualism, with the consequence that any trichotomic scheme forcibly depends on a fabrication dating from the XVIth century.Identificamos, na edição renascentista do Comentário de Simplício à Física de Aristóteles, a invenção de uma conjectura que determinaria os rumos da interpretação do Poema de Parmênides desde o século XIX. Com a escolha de preencher a lacuna do verso B6,3 com um verbo que exprime a ideia de recusa ou afastamento, o editor Gianfrancesco d’Asola está efetivamente na origem da interpretação que supõe a existência de três caminhos de investigação no Poema. Ora, como vai se argumentar, todos os indícios textuais, bem como as notícias transmitidas desde a Antiguidade, apontam para um dualismo entre Alêtheia e Doxa, de maneira que qualquer esquema tricotômico depende forçosamente de uma criação datada do século XVI