Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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    Considerações sobre os deveres jurídicos: a ideia de direito de Gustav Radbruch (1878-1949) como terceira via diante da tensão filosófica ocidental entre ser (sein) e dever-ser (sollen)

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    Esta pesquisa, resultado do Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido no primeiro semestre de 2025, examina a estrutura filosófica (proveniente do dualismo metodológico e do relativismo) pela qual Gustav Radbruch (1878-1949) desestabiliza os paradigmas dominantes da teoria jurídica ocidental. Partindo da crise epistemológica gerada pelos totalitarismos do século XX, demonstra-se que a Rechtsidee (Ideia de Direito) radbruchiana estabelece uma síntese dialética entre a facticidade (enquanto realidade) e sua dimensão axiológica (enquanto valor). Para Radbruch, o direito é uma realidade (fato cultural) referido a valores (Ideia de Direito). Através de método dedutivo, o estudo revela como a tríade justiça-finalidade-segurança jurídica (componentes da Ideia de Direito) constitui uma estrutura de valores que exigem contínua harmonização. Como destacaria posteriormente Arthur Kaufmann –seu mais destacado intérprete e continuador teórico–, esta abordagem representa uma terceira via metodológica que evita tanto um decisionismo valorativo quanto um formalismo normativista, mantendo o direito como fenômeno (realidade) dotado de intencionalidade axiológica (valoração). A investigação confirma que a superação da dicotomia Sein (ser) e Sollen (dever-ser) fundamenta-se na redefinição do Direito como fenômeno cultural — realidade empírica intrinsecamente vinculada a valores. Neste quadro, a justiça (Gerechtigkeit) transcende o formalismo: concretiza-se como igualdade proporcional, demandando distinções substantivas baseadas em critérios racionais. Contudo, sua realização plena é impossibilitada pela tensão permanente com a finalidade (Zweckmäßigkeit), que ancora o ordenamento a objetivos (conteúdos), e com a segurança jurídica (Rechtssicherheit), garantia de estabilidade institucional. A pesquisa evidencia que esta tríade encontra um paradoxo: cada elemento, quando elevado absolutamente, degenera em distorções: a justiça sem segurança gera arbitrariedade; a segurança desligada de valores consagra a opressão; a finalidade desregrada degenera em instrumentalismo. Assim se fundamenta a célebre Fórmula de Radbruch, marco do pós-positivismo: normas positivas perdem validade quando sua injustiça atinge "um grau intolerável" (unerträgliches Maß), rompendo o vínculo mínimo com a equidade. Aqui, o positivismo jurídico é transcendido não por um retorno ao jusnaturalismo, mas pela afirmação de que a validade do Direito pressupõe sua pretensão de correção material. Tal princípio implica que sistemas normativos que negam radicalmente a dignidade humana —como verificado em ordenamentos totalitários— produzem meras simulações coercitivas, destituídas de legitimidade ética: ou seja, na concepção de Radbruch, um não-direito. O dever jurídico, nesta perspectiva, origina-se não da mera coação (positivismo jurídico normativista, segundo a matriz epistemológica estabelecida por Kelsen), mas da relação necessária entre obrigatoriedade normativa e mínimo ético estabelecido na razão prática (em sua influencia claramente kantiana). Conclui-se que o legado radbruchiano reside em forjar uma alternativa às antinomias tradicionais da Ideia de Direito. Sua teoria não apenas respondeu aos desafios históricos do século XX, mas oferece um modelo dinâmico para sociedades pluralistas, onde o Direito se (re)constrói permanentemente na fronteira entre estabilidade e transformação. A atualidade da Ideia de Direito em Gustav Radbruch manifesta-se precisamente em sua capacidade de fundamentar, sem dogmatismos, uma concepção de Direito que seja resistente contra a barbárie normativa: uma fórmula contra a arbitrariedade legal

    Construção de tarefas psicoeducativas baseadas na terapia cognitivo-comportamental: um aplicativo para dependência tecnológica

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    O constante crescimento das tecnologias digitais tem causado preocupação para os profissionais da área da saúde, devido aos impactos negativos do uso excessivo dessas tecnologias, o que tem impulsionado pesquisas voltadas à compreensão e ao tratamento da dependência tecnológica, especialmente entre adolescentes. Ao encarar esse cenário emergente, se faz necessário o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que possam auxiliar na psicoeducação e reestruturação cognitiva de indivíduos afetados por esse fenômeno. Mediante a escassez de programas estruturados a dependência digital relacionado a Terapia Cognitivo-Comportamental, o presente trabalho se propõe a desenvolver um programa de tarefas psicoeducativas baseadas na TCC, para a intervenção em dependência tecnológica, tendo como questão problema: “Como desenvolver um programa de tarefas psicoeducativas sobre Dependência Tecnológica com base na Terapia Cognitivo-Comportamental para intervenção em adolescentes e adultos jovens?”. O objetivo geral foi: “Desenvolver um programa de tarefas psicoeducativas sobre Dependência Tecnológica com base na Terapia Cognitivo-Comportamental”, e os objetivos específicos que nortearam a pesquisa foram: realizar a revisão de escopo sobre o tema de Dependência Tecnológica e a Terapia Cognitivo-Comportamental; descrever os elementos teóricos encontrados na revisão de escopo para a construção de um programa de tarefas; definir metas de uso de tecnologias, regras, técnicas, layout, cores e mecânica (funcionamento) a serem utilizadas no programa de tarefas; formular um programa de tarefas para smartphone por meio de aplicativo embasados nas atividades da Terapia Cognitivo Comportamental e nos estudos sobre dependência de Tecnologia. Porém, nesta pesquisa, a meta era somente o primeiro objetivo.  A metodologia da pesquisa foi uma revisão de escopo, nas bases de dados SCOPUS, PSYCINFO, PUBMED, EMBASE, BVS, WEB OF SCIENCE e SCIENCE DIRECT, com o intuito de mapear as evidências sobre a dependência tecnológica e intervenções em TCC. Foram incluídos estudos experimentais, quase-experimentais, ensaios clínicos randomizados, ensaios clínicos não-randomizados, que abordaram os termos dependência de Tecnologia, transtorno de adição à internet e/ou dependência tecnológica no título e no resumo, estudos com população alvo adolescente entre 12 e 19 anos, que contiveram intervenção com Terapia Cognitivo-Comportamental e que tinham o texto completo. Foram excluídos estudos de revisão de literatura, artigos preprint, monografias, dissertações e teses, textos duplicados, literatura cinzenta, estudos com foco em comparar intervenções baseadas em Terapia Cognitivo-Comportamental com outras abordagens, artigos com populações mistas, e outras abordagens psicoterapêuticas que não fossem a TCC. Com base nessas informações, definiu-se a estrutura geral do programa de tarefas, incluindo metas de uso saudável da tecnologia e técnicas cognitivo-comportamentais adequadas ao público-alvo. Os artigos selecionados servirão como base teórica para a formulação do programa de tarefas psicoeducativas que compõe o aplicativo, que será a segunda parte desse estudo. Conclui-se que o desenvolvimento de intervenções digitais com o devido referencial teórico acrescenta oportunidades promissoras no campo do desenvolvimento de saúde mental

    Comportamento vocacional e saúde mental em universitários: uma revisão de escopo

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    Os anos universitários são marcados tanto por momentos de alegria, pela conquista de ingressar em uma universidade, quanto por desafios relacionados às diversas transições vivenciadas, como a do ensino médio ao superior e a inserção profissional. Essas transições podem desencadear sintomas de adoecimento mental, como ansiedade, estresse e depressão, frequentemente agravados pela insegurança em relação à atuação acadêmica e à escolha profissional. Tais sintomas podem estar relacionados ao desenvolvimento insuficiente de competências que envolvem o comportamento vocacional. Este estudo objetivou mapear o conhecimento científico sobre a relação entre variáveis de comportamento vocacional e saúde mental em estudantes universitários, entre os anos de 2019 e 2024. Trata-se de um estudo exploratório, de cunho qualitativo, por meio de revisão de escopo da literatura, seguindo o protocolo PRISMA-ScR e as recomendações metodológicas para revisões de escopo do instituto Joanna Briggs (Joanna Briggs Institute - JBI). Fazem parte desta pesquisa publicações nos idiomas português, inglês e espanhol, que envolvam variáveis de comportamento vocacional e de saúde mental no público universitário. As bases de dados investigadas foram Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Scopus, juntamente com os portais da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). As combinações de descritores utilizadas foram: “career/carreira” AND “mental health/saúde mental” AND college students/universitários; AND “vocational behavior/comportamento vocacional”. As combinações apontadas foram unidas com cada uma das variáveis de comportamento vocacional elencadas a seguir: adaptabilidade/adaptability; adaptabilidade de carreira/career adaptability; comportamento exploratório/exploratory behavior; exploração de carreira/career exploration; decisão de carreira/career choice; barreiras de carreira/career barriers; autoeficácia/Self efficacy; autoeficácia de carreira/career self efficacy. Os dados foram analisados agrupando os resultados nas categorias de objetivos dos estudos, principais resultados e sugestões e recomendações dos autores de cada estudo. Os objetivos dos estudos analisados revelam a investigação de construtos mais amplos em saúde mental, como coping e bem-estar, relacionados com variáveis de comportamento vocacional, onde destaca-se a adaptabilidade de carreira. Os resultados indicam correlações positivas entre as variáveis de comportamento vocacional e as dimensões de saúde mental. As sugestões e recomendações dos autores englobam a oferta de serviços de carreira para os universitários, proporcionando mais experiências e treinamentos voltados aos comportamentos vocacionais, mais projetos de extensão e estágios, a fim de levar a experiência de trabalho ao universitário e, por fim, mais pesquisas no âmbito universitário, especialmente contemplando delineamentos longitudinais. Conclui-se que o desenvolvimento de competências relacionadas ao comportamento vocacional pode contribuir para o bem-estar e para a saúde mental do estudante universitário, durante o período universitário

    Percursos-sentidos na leitura do literário: o método de leitura pela sociopoética literária

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    Esta pesquisa tem como tema a mediação de leitura do literário de obras aprovadas pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) para o Ensino Médio e seu objetivo é explorar - pela proposição estética Percursos-sentidos - como se pode operar a leitura e mediação de obras literárias respeitando a função estética e artística da literatura. Partimos da hipótese de que quando o texto literário é potente, se centra na exploração dos recursos de linguagem que desacomodam e desafiam o leitor a receber a obra de forma provocativa, e quando o mediador de leitura lança mão de elementos propositores que provocam a interação pelo equilíbrio entre o sensível e o inteligível, ocorre o envolvimento com a narrativa, levando o leitor a jogar com o texto, criando múltiplas relações de sentidos, que podem estender sua percepção e repercutir em si. A obra explorada é Pena de Ganso, de autoria de Nilma Lacerda, aprovada no edital de 2021 (objeto 5). Nesta pesquisa, estamos investigando como o livro de literatura pode ser mediado adequadamente na sala de aula, respeitando sua função estética e artística. Esta pesquisa é qualitativa e bibliográfica e fez uso do método da Sociopoética literária (Ozorio, 2025) para análise da obra. Segundo este método, a análise da obra se dá por meio da proposição estética Percursos-sentidos, produzida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa AFEE (Arte, Formação e Experimentações Estéticas), da Universidade Federal do Rio Grande. Adaptamos este método para a leitura do literário. Este, parte do pressuposto de que para que o leitor seja produtivo, com uma atitude investigativa de leitura, ele precisa reconhecer o texto como um organismo vivo, pululante e por isto, a partir de lexias, o leitor vai estrelando o texto com associações diversas. O aporte teórico básico que deu sustentação à pesquisa é Barthes (1992; 2012; 2013; 2007), Neitzel; Ramos (2022); Fagundes (2024); Ozorio (2024), Gauthier (2012), entre outros. Como resultados, sinalizamos: a) a Sociopoética literária exige um movimento de escrileitura do leitor, levando-o à reflexão sobre o texto; é uma metodologia que impulsiona o leitor a relacionar o texto lido com outros, um exercício que o leva a perceber o texto como um hipertexto; b) tendo em vista o caráter intertextual do método e a mobilização do sensível e do inteligível na leitura da obra, a experiência de leitura pode contribuir para educar esteticamente o leitor, quando o mediador considera o texto literário como objeto estético e artístico a ser apreciado como arte; c) este método de leitura exige um mediador emancipador, no sentido atribuído por Rancière (2002), uma mediação que envolve a escuta do leitor, a oportunidade de diálogo e pesquisa sobre a obra, a ruminar sobre o texto entrelaçando teoria e prática, propondo desafios e estesia; d) a formação de leitores do literário na escola depende de vários fatores, entre eles está a potência estética do texto literário escolhido, a mediação do professor e o método de análise da obra. Para estrelar o texto, segundo o método que propomos nesta pesquisa, é necessário que o mediador o compreenda como material dinâmico, plurissignificativo que se dobra nas mãos do escritor e se desdobra nas mãos do leitor, em processo de coautoria

    Legitimidade democrática e decisões automatizadas no sistema de justiça: os limites constitucionais para o uso de inteligência artificial no poder judiciário

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    Inserida no movimento de transformação digital do setor público, a incorporação de sistemas de inteligência artificial (IA) ao sistema de justiça tem sido apresentada como resposta à sobrecarga de processos e à busca por maior eficiência. Contudo, quando tais sistemas ultrapassam o papel de apoio e passam a produzir decisões com mínima ou nenhuma intervenção humana, emergem questões constitucionais centrais acerca da legitimidade democrática e do exercício jurisdicional. Este estudo parte da seguinte pergunta: "a automatização decisória é compatível com o núcleo essencial da jurisdição e com os fundamentos constitucionais que legitimam a autoridade do Poder Judiciário?". O objetivo geral é examinar, sob a ótica do Direito Constitucional brasileiro, os limites constitucionais para o uso de IA no julgamento, distinguindo-se o emprego da tecnologia como ferramenta de apoio (triagem, agrupamento de precedentes, sugestões de minutas) da sua eventual substituição da autoridade judicial (produção autônoma de decisões), com foco nos princípios do juiz natural, do devido processo legal, da publicidade e da motivação racional. Metodologicamente, adota-se abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com pesquisa bibliográfica e documental e análise comparada de experiências estrangeiras em cotejo com iniciativas brasileiras, privilegiando-se o método dedutivo para derivar critérios normativos a partir dos princípios constitucionais. A análise se estrutura em dois eixos principiológicos; a jurisdição, como função indelegável do Poder Judiciário, o que exige controle humano significativo sobre qualquer uso de IA, dever de motivação compreensível, respeito ao juiz natural e vedação de automatização em matérias sensíveis; e legitimidade democrática, assentada em publicidade, prestação de contas e contraditório, o que impõe transparência, explicabilidade e contestabilidade das saídas algorítmicas, bem como governança pública (participação, auditoria independente, avaliação de impacto), proteção de dados e prevenção de erros gerados pelo uso de IA. Como resultados esperados, pretende-se: (a) delimitar com precisão a fronteira entre apoio tecnológico e substituição da decisão humana; (b) estabelecer critérios constitucionais mínimos para o uso legítimo de IA; controle humano significativo, explicabilidade acessível às partes, possibilidade de impugnação técnica e vedação de automatização em matérias sensíveis (liberdade, direitos fundamentais e alta discricionariedade); (c) propor um modelo de governança com matriz de riscos, checklist de conformidade e auditoria independente; e (d) recomendar diretrizes legais específicas que complementem as normas administrativas, reforçando a segurança jurídica e a confiança pública. Como conclusões prospectivas, antecipa-se que a IA se mostra constitucionalmente compatível quando configurada como suporte à atividade judicante, com decisão final humana motivada; e incompatível quando promove a substituição autônoma do juiz, por vulnerar o núcleo da jurisdição e corroer a legitimidade democrática que sustenta a autoridade judicial

    A aplicação da AED no direito trabalhista brasileiro

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    Examina-se, à luz da Análise Econômica do Direito (AED), como o arranjo normativo trabalhista brasileiro produz incentivos e efeitos sobre emprego, produtividade, bem-estar e conformidade regulatória, em um contexto de transformações tecnológicas, difusão do trabalho por plataformas, pressões competitivas e reabertura do debate sobre reorganização do tempo de trabalho. Parte-se da motivação de oferecer critérios objetivos para avaliar políticas públicas e reformas legais, superando controvérsias pautadas apenas por disputas retóricas, bem como do aumento da litigiosidade trabalhista e dos impasses regulatórios em torno da produtividade, da saúde do trabalhador e da previsibilidade de custos empresariais. Define-se como problema de pesquisa a seguinte questão: em que medida, e por quais mecanismos, a Análise Econômica do Direito pode contribuir para o avanço do Direito do Trabalho brasileiro, orientando escolhas regulatórias que maximizem eficiência e bem-estar, reduzam custos de transação e preservem a proteção constitucional ao trabalho? Para responder a essa questão, realiza-se revisão bibliográfica dirigida em AED e em Direito do Trabalho, análise normativa de dispositivos constitucionais e infraconstitucionais sobre jornada e descanso e contraste com experiências internacionais de reorganização do tempo de trabalho. No contexto do Direito do Trabalho brasileiro, as fontes indicam que a AED foi utilizada para analisar a redução considerável no ajuizamento de novas ações na Justiça do Trabalho após a entrada em vigor da Lei nº 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista. O objetivo do legislador com a Reforma, ao prever o pagamento de honorários advocatícios, era inibir a propositura de demandas baseadas em direitos ou fatos inexistentes, o que levaria à redução do abuso do direito de litigar e à maior celeridade processual. Dados do Tribunal Superior do Trabalho apontaram uma redução de 36% no número de novas ações no primeiro ano de vigência da lei. Essa diminuição é atribuída às alterações nos institutos do benefício da justiça gratuita e dos honorários de sucumbência. Antes da Reforma, o ônus financeiro era majoritariamente do empregador, mas as novas regras estabeleceram critérios mais rígidos para a concessão da justiça gratuita e a possibilidade de condenação do trabalhador em custas e honorários advocatícios. Isso resultou em um maior risco financeiro para o reclamante em caso de insucesso, levando trabalhadores e advogados a agir com maior cautela antes de propor novas ações, fenômeno estudado a partir do Efeito Peltzman e da teoria da compensação do risco. Conclui-se que a AED pode contribuir para o avanço do Direito do Trabalho brasileiro, orientando escolhas regulatórias que maximizem eficiência e bem-estar, reduzam custos de transação e preservem a proteção constitucional ao trabalho, por meio de mecanismos como análise de consequências, foco na eficiência, redução de custos de transação e incentivos comportamentais

    Lítigio estratégico em direitos humanos: a transformação do estado a partir de um caso concreto

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    Este trabalho tem como objetivo analisar a eficácia do Litígio Estratégico, conceito amplamente utilizado no Sistema Interamericano de Direitos Humanos (SIDH). O SIDH é adotado pela maioria dos países americanos e tem como objetivo proteger e garantir especificamente os direitos humanos dos indivíduos dessas nações. Ele foi criado com base na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Sistema Interamericano de Direitos Humanos (SIDH) é composto pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH), sendo esta última estabelecida pela Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH). A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) “tem como principal função promover o respeito e a defesa dos direitos humanos”, aplicando-se a todos os 35 Estados membros da OEA. Enquanto isso, a CorteIDH consiste em um “tribunal especializado em direitos humanos” voltado para os países que ratificaram a CADH. Dentro do Sistema Interamericano dos Direitos Humanos (SIDH), que se apresenta como um importante exemplo de soft law, ao atuar na supervisão da incorporação dos direitos humanos pelos Estados membros, observa-se uma “crise de observância”, caracterizada pela frequente negligência pelos países membros em relação as decisões. Essa situação ocorre devido à ausência de mecanismos eficazes de responsabilização dos Estados que devem implementar as decisões. Entende-se, portanto, que a observância das decisões não é eficaz por completo, necessitando da adoção de políticas e estratégias específicas. Em consequência disso, um conceito essencial surge como solução para o desenvolvimento e a efetividade das questões: o “litígio estratégico”. O litígio estratégico está diretamente relacionado ao ajuizamento de uma questão com a consciência de que, na maioria dos casos, pode não modificar o caso concreto, mas influenciará o Estado em seu agir, em sua fiscalização ou em outros meios de transformação. Ao analisarmos não apenas os casos brasileiros julgados pela CorteIDH, mas também os de muitos outros países, percebe-se que o conceito de litígio estratégico está presente na maioria deles, com o objetivo de interromper, a longo prazo, situações de violações contínuas em diversos contextos. Portanto, o litígio estratégico busca prevenir e reparar violações, evitando a omissão do Estado e sendo um processo com impacto mais amplo do que simplesmente fornecer um remédio para um demandante em certo caso específico. A pesquisa será desenvolvida com base na metodologia indutiva, fundamentada em revisão bibliográfica do tipo narrativa. Além disso, a pesquisa envolverá estudo de casos julgados na CorteIDH, verificando se, após as decisões, houve mudanças na dimensão política e jurídica no plano interno dos países condenados. De modo geral, como considerações preliminares, ressalta-se que o litígio estratégico tem o potencial de contribuir para a resolução da crise de observância dos países que integram o Sistema Interamericano de Direitos Humanos

    Aspectos clínicos e funcionais de pessoas com doenças pulmonares restritivas

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    Doenças pulmonares restritivas são um grupo de distúrbios que apresentam um prognóstico de morbidade e mortalidade ruim. Em contraste com a doença pulmonar obstrutiva, mais conhecida e estudada, o padrão de espirometria restritiva apenas recentemente recebeu mais atenção, com necessidade de maior entendimento sobre o manejo desta condição. Apesar de uma prevalência baixa, estimada entre 5 a 12% da população, essas doenças são caracterizadas por uma distensibilidade reduzida dos pulmões, comprometendo a expansão pulmonar e, por sua vez, reduzindo os volumes pulmonares, com consequente redução da capacidade pulmonar total. Neste sentido, o exame de espirometria é uma ferramenta extremamente útil e amplamente utilizada na prática clínica, desempenhando um papel central na avaliação desses padrões pulmonares e que necessitam de visão abrangente quanto a sua história clínica, limitações funcionais e de qualidade de vida. O objetivo desta pesquisa foi analisar os aspectos clínicos e funcionais de indivíduos diagnosticados com doença pulmonar restritiva pelo exame espirométrico. Foi um estudo descritivo, transversal de análise quantitativa realizado no período de um ano, em um ambulatório de reabilitação pulmonar em uma universidade no litoral norte Catarinense. Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa da universidade em questão, com dados coletados por meio de um questionário e provas de função pulmonar e armazenados em banco de dados no software Excel TM para análise estatística. As variáveis categóricas foram apresentadas em frequência e porcentagem e as variáveis contínuas segundo a média e desvio padrão, quando de distribuição paramétrica, ou mediana (mínimo-máximo) quando de distribuição não paramétrica. Como resultado da pesquisa, 24 (26,97%) de 89 indivíduos avaliados tiveram distúrbio ventilatório restritivo. Houve predomínio do sexo feminino (72%). A média de idade observada da amostra total foi de 62,45 ±11,14 anos, caracterizando uma amostra de indivíduos mais idosos. A maioria se encontrava acima do peso ou obesos (83,33%). A carga tabágica média foi de 13 anos-maço. A maioria dos indivíduos incluídos (83,33%), possuíam comorbidades associadas, como: hipertensão arterial sistêmica (37,5%) e diabete mellitus (20,83%). Os indivíduos apresentaram mediana de 95% (87%-98%) de SpO2. Todos os indivíduos do estudo apresentaram dispneia, em sua maioria grau 2 e 4 (58% e 37%), assim como, todos tinham sintomas respiratórios, como tosse persistente (92%). A capacidade vital forçada (CVF) média foi de 56,75±15,59, o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) foi de 60,50±16,59 e o índice de Tiffeneau (VEF1/CVF) foi de 84,28±7,04. Na divisão dos graus do distúrbio ventilatório restritivo, 46% dos casos foi classificado como leve, 25% como moderado e 33% como grave. Conclui-se, portanto, que conhecer de forma aprofundada os aspectos clínicos e funcionais de indivíduos com doença pulmonar restritiva contribui significativamente para o processo de tomada de decisão terapêutica. Além disso, tal conhecimento favorece a implementação de estratégias mais eficazes de intervenção na reabilitação pulmonar, amplia a discussão baseada em evidências científicas e pode servir como base para a formulação de medidas preventivas direcionadas a esta população

    Avaliação da atividade antimicrobiana de micro-organismos isolados a partir da Aloe barbadensis

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    A Aloe vera, popularmente conhecida como babosa, é uma planta medicinal amplamente comercializada em produtos cosméticos e farmacêuticos devido as suas propriedades farmacológicas. Estudos demonstram que a babosa produz substâncias com teor antifúngico, antibacteriano e antiviral, além disso possui ação hepatoprotetora e outros benefícios para a saúde do ser humano. A biotecnologia é um conjunto de técnicas que visa a busca de processos mais limpos, fornecendo diferentes produtos essenciais para a nossa sociedade, como: medicamentos e vacinas, cosméticos, insumos da agroindústria e pecuária, indústria alimentícia e de bebidas, entre outros. Neste contexto, o objetivo do estudo foi testar a atividade antimicrobiana de isolados de babosa (Aloe barbadensis). No projeto anterior foram isolados alguns bacilos e leveduras de amostras de Aloe barbadensis provenientes do horto medicinal da Univali, no entanto os microrganismos não se mantiveram viáveis para a realização dos testes almejados para o projeto. Desta forma, o processo de isolamento de microrganismos a partir da superfície de folhas de Aloe barbadensis foi realizado novamente. Dois novos isolados (1L e 2B) foram obtidos para a realização de testes para atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus) e gram-negativas (Escherichia coli) de referência. No teste utilizado para avaliação da atividade antimicrobiana, os microrganismos de referência foram cultivados em meio líquido e inoculados em meios liquefeitos para em seguida serem dispensados em placas de Petri. Após a solidificação do meio de cultura com os organismos referências, os isolados 1L e 2B foram inoculados com a técnica de estrias de esgotamento (os testes foram realizados em triplicata) e incubados em estufa 30°C por 24h. A análise do teste de atividade antimicrobiana não apresentou atividade positiva para os isolados testados, indicando que não sejam as bactérias associadas à sua folha externa determinantes para a atividade microbiana já encontrada em outras pesquisas. Dentre estudos já publicados, alguns indicam a atividade antimicrobiana da babosa, como a presença de antraquinonas, que agem inibindo a síntese de proteínas bacterianas. Outros demonstram a atividade antibacteriana contra cepas Helicobacter pylori suscetíveis e resistentes. Neste sentido, sugere-se o isolamento de microrganismos de outras regiões da planta ou a avaliação de extratos para a busca de novas substâncias antimicrobianas

    Análise do consumo alimentar de atletas de handebol profissional de uma universidade comunitária do Vale do Itajaí

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    O handebol é um esporte coletivo de alta intensidade que demanda elevado aporte energético e nutricional para sustentar o desempenho e prevenir lesões. A nutrição adequada constitui fator determinante para a performance, destacando-se o papel dos macronutrientes e micronutrientes na recuperação muscular, resistência física e saúde óssea. O presente estudo teve como objetivo avaliar o consumo alimentar de atletas de handebol profissional vinculados a uma universidade comunitária do Vale do Itajaí – SC. A amostra foi composta por 22 atletas, todos maiores de 18 anos, dos quais 19 completaram corretamente o recordatório alimentar aplicado entre fevereiro e julho de 2024, antes de sessões de treinamento. Foram registradas informações referentes a alimentos consumidos, quantidades, frequência e horários de ingestão. A análise seguiu as recomendações das Dietary Reference Intakes (IOM, 2019) e utilizou as equações de Henry e Rees (1991) para estimativa da necessidade energética.Os resultados apontaram ingestão calórica média de 2204 kcal/dia, substancialvelmente inferior à necessidade estimada de 3367 kcal/día, caracterizando déficit de 1163 kcal/dia, o que representa apenas 65,5% da necessidade energética total e configura risco de Deficiência Relativa de Energia no Esporte (RED-S). Em relação aos macronutrientes, 21,05% dos atletas consumiram menos de 45% do valor energético total (VET) proveniente de carboidratos, enquanto 68,42% situaram-se na faixa recomendada de 45–65% e 10,53% ultrapassaram esse limite. Quando analisada a ingestão relativa, observou-se média de 2,9 g/kg/dia, abaixo da recomendação de 6–10 g/kg/dia, indicando insuficiência na principal fonte energética para esforços de alta intensidade. Quanto às proteínas, nenhum atleta apresentou consumo inferior a 10% do VET, 78,95% encontraram-se dentro da faixa adequada de 10–35% e 21,05% excederam esse valor; em termos relativos, a média foi de 1,74 g/kg/dia, dentro da recomendação de 1,2–1,7 g/kg/dia. Para os lipídios, 36,84% dos atletas apresentaram ingestão inferior a 20% do VET, enquanto 63,16% situaram-se na faixa recomendada de 20–35%; a média de 0,55 g/kg/dia confirma adequação relativa, apesar da baixa ingestão percentual observada em parte da amostra. O consumo médio de fibras foi de 33 g/dia, ligeiramente abaixo da recomendação de 38 g/dia.A avaliação de micronutrientes revelou deficiências marcantes de cálcio (42,45% da adequação), vitamina A (31,71%), vitamina C (31,73%), vitamina D (36%) e vitamina E (30%), todos nutrientes relevantes para imunidade, saúde óssea e capacidade antioxidante. Em contrapartida, minerais como ferro, zinco, fósforo, cobre e selênio, além das vitaminas B9 e B12, apresentaram ingestão adequada ou superior às recomendações, mas dentro do limite máximo tolerável. Observou-se também consumo elevado de niacina (444,17% da EAR), possivelmente relacionado à alta ingestão de carnes.Os achados demonstram desequilíbrios importantes entre ingestão e necessidade nutricional, sobretudo déficit energético e insuficiência de carboidratos, associados a inadequações de micronutrientes essenciais. Essas condições podem comprometer o desempenho esportivo, a recuperação e aumentar o risco de fadiga precoce e lesões, especialmente pela baixa ingestão de cálcio e vitamina D. Apesar da adequação proteica e de alguns minerais, tais pontos positivos não compensam os déficits identificados. Conclui-se que os atletas necessitam de acompanhamento nutricional individualizado, com foco na ampliação do aporte energético, no aumento do consumo de carboidratos complexos e na inclusão de alimentos fontes de cálcio e vitaminas antioxidantes. Tais ajustes são fundamentais para otimizar a performance, preservar a saúde e prevenir complicações decorrentes da baixa disponibilidade energética. O estudo evidencia a importância da intervenção nutricional especializada no contexto do esporte de alto rendimento

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