Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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A gênese do campo esportivo em Santa Catarina: uma análise da 1ª edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina (1960)
A realização dos primeiros Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), em 1960, na cidade de Brusque, estabelece um marco para a instituição do campo esportivo do estado. A competição possui destaque no cenário esportivo até os dias atuais, sendo a segunda maior competição poliesportiva do Brasil, e o ápice do calendário esportivo das Fundações Municipais de Esporte (FME) de Santa Catarina, mobilizando uma rede de agentes que permeiam o campo esportivo (MATTEDI e NUNES, 2015). Brusque cidade de forte desenvolvimento industrial, buscava consolidar-se como grande centro do estado e do país, passou por um período de ouro nas décadas de 50 e 60, quando florescem junto as preparações das comemorações do centenário da cidade, iniciativas esportivas pioneiras, pautadas sobretudo no associativismo, que resultam no 1º JASC. É a partir de uma influente indústria têxtil, a Indústria Schlösser, que emerge o principal agente dos JASC: Arthur Schlösser. Nascido em 26 de maio de 1916, integrou-se a diretoria da empresa da família em 1941. Entusiasta do esporte, destacou-se como atleta de futebol, bola ao cesto e ginástica. Sua atuação extrapolou as quadras, assumindo papel proeminente na organização esportiva do estado e ao presidir a Sociedade Esportiva Bandeirantes (SEB), coordenar a delegação do clube nos Jogos Abertos do Interior de São Paulo (JAI) (1957, 1958 e 1959) e liderar a Comissão Central Organizadora (CCO) da primeira edição dos JASC, realizada em 1960. O presente trabalho tem como objetivo “Analisar o processo de constituição do Campo Esportivo Catarinense a partir da realização do 1° Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) na cidade de Brusque em 1960”, a partir das seguintes perguntas orientadoras: De que forma e em quais condições ocorrem o 1° JASC? Quais os agentes e as redes de sociabilidade que possibilitaram os jogos?”. Trata-se de um trabalho de caráter histórico, sobretudo no que permeia a ambiência da cidade, as ações cotidianas, expressão e interpretação dos costumes (BLOCH, 2002). Para isso utilizou-se de três conjuntos de fontes de pesquisa: 1. Documentos Oficiais: Relatório da CCO, Regulamento do JASC 1960 e os Boletins Esportivos; 2. Fontes Jornalísticas: O Município e O Rebate (1956-1960); 3. Referências Iconográficas: Coletados no Museu Histórico do Vale do Itajaí Mirim e no Site Brusque em Memória. Compreende-se como recorte temporal do presente estudo, o período entre 1956 e 1960, que se justifica a partir da primeira ida do precursor dos JASC, Arthur Schlösser aos JAI (1956), na busca de uma competição modelo, à realização e conclusão da primeira edição dos JASC (1960). Os resultados obtidos com as análises dos documentos oficiais da competição, e dos periódicos o REBATE e O MUNICÍPIO apontam para um processo de estruturação dos JASC pode ser definido em 4 etapas: 1. Participações de competições Modelo; 2. Criação da CCO das Festividades do Centenário, e da CCO dos JASC (19 nov. 1958); 3. Publicidade, Convites e preparação dos jogos; 4. Realização dos jogos. Os jogos ocorreram de 7 a 12 de agosto de 1960, na Sociedade Esportiva Bandeirantes, participaram 444 atletas, nas modalidades de Bola ao Cesto; Voleibol; Atletismo; Natação; Tênis; no masculino e feminino e Xadrez e Boccia somente no masculino. As delegações chegaram na cidade a partir de 5 de agosto, com um grande desfile de abertura no dia 7 de agosto, no mesmo dia, realizou-se o congresso de abertura, tendo sido acertado o convite às possíveis sedes do 2º JASC, definição das comissões técnicas, e a convocação de todos os presentes para incentivarem a criação de Conselhos Municipais de Esportes e Departamento Estadual de Desportes, nos respectivos municípios, marcos legais para o estabelecimento do campo esportivo catarinense
Transtorno do Espectro Autista no Brasil nos últimos seis anos: relação entre fatores socioeconômicos, demográficos e a política pública de concessão de Benefício de Prestação Continuada (BPC)
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação, interação social e por comportamentos repetitivos. Sua manifestação é ampla e heterogênea, o que reforça a importância do diagnóstico e da intervenção precoce. Estimativas internacionais indicam que cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo está dentro do espectro, enquanto nos Estados Unidos a taxa chega a 1 em 36. No Brasil, até recentemente não havia dados nacionais consolidados sobre o tema. O Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, representou um marco ao iniciar a coleta de informações sobre autismo, fundamental para subsidiar políticas públicas e ampliar o acesso a direitos e serviços especializados, embora desde 2012 exista o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas com o transtorno. Tendo isso em vista, o trabalho visa correlacionar os dados do TEA com os fatores socioeconômicos, demográficos e o BPC, a fim de identificar as regiões de maior vulnerabilidade para diagnóstico e concessão de benefício. Essa lacuna é significativa se considerarmos que, desde 2012, a legislação brasileira reconhece o direito ao BPC para pessoas com TEA que preencham os critérios de renda e incapacidade para a vida independente e para o trabalho. No entanto, a ausência de informações oficiais dificultava tanto a formulação de políticas públicas específicas quanto o acompanhamento da efetividade dessas ações em nível nacional. Para isso, foi realizado um estudo ecológico, descritivo, temporal abrangendo as vinte e seis (26) Unidades Federativas e o Distrito Federal de 2018 à 2023. Posta a relevância dessa condição, o objetivo do estudo é analisar a prevalência do TEA no Brasil nos últimos anos e as correlações com os fatores socioeconômicos, demográficos e política pública de concessão de BPC. Este estudo diagnosticará o TEA quantitativa por região, usando dados do IBGE, para identificar áreas vulneráveis e a necessidade de políticas públicas. O objetivo é promover bases unificadas para informatizar a avaliação e o monitoramento da gestão do cuidado ao TEA, auxiliando decisões políticas. Foi realizado revisão das bases Biblioteca Virtual de Saúde, Scielo, PubMed e o Censo do IBGE de 2022, divulgado apenas em maio de 2025. Para estimar os casos até 2021, adotou-se a projeção do CDC dos EUA, baseada em crianças de 8 anos, que foi incorporada pelo IBGE até a divulgação do censo. Em relação ao BPC, os dados de 2018 a 2023 foram obtidos no Portal da Transparência por meio de pedido de acesso à informação, com recortes de idade, raça e região/UF. Por fim, informações socioeconômicas e demográficas foram levantadas nas plataformas SIDRA (IBGE) e Atlas Brasil (IPEA). A análise descritiva preliminar dos resultados aponta a prevalência do CDC de 1,85% para 2016-17, 2,27% para 2018-19 e de 2,77% para 2020-21. A partir de 2022, o IBGE realizou uma apuração real e constatou-se que as taxas de prevalência brasileiras divergem das americanas, sendo as regiões Sul e Nordeste as maiores, de 2,48% e 2,41%, respectivamente. Em 2018, a razão entre BPC e população estimada com TEA mostrou maior concessão no Nordeste. Em 2023, o padrão se manteve, com Pernambuco (2,9%), Ceará (2,86%) e Paraíba (2,7%) liderando as taxas de concessão. Nos indicadores sociais de 2023, estados com maior concessão, como Piauí, Paraíba e Ceará, apresentaram altas taxas de analfabetismo, enquanto os menores PIB’s concentraram-se no Norte, e as maiores taxas de desocupação ocorreram em Pernambuco, Bahia e Sergipe. Esses dados preliminares permitem identificar a distribuição do diagnóstico de TEA e reconhecer os contextos socioeconômicos, demográficos e de benefícios por região e estado, atendendo aos objetivos do trabalho
Jogos analógicos educativos para ensino de sustentabilidade: um mapeamento sistemático
Sustentabilidade é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer o futuro e existe um crescente interesse em promovê-la de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A falta de conscientização e o baixo engajamento da sociedade são um dos maiores obstáculos para a promoção da sustentabilidade. Jogos educativos podem ser também uma solução eficaz. Neste contexto, realizamos um mapeamento sistemático da qualidade de jogos para ensinar sustentabilidade. O estudo concentrou-se em jogos não digitais que possuíam avaliações reportadas. Foram encontrados 10 jogos que mostram uma grande diversidade em mecânica, temática, além de número de jogadores, duração e objetivos. A maioria dos jogos foi avaliada por meio de estudos de caso ou designs quase-experimentais. Porém, alguns estudos demonstraram uma carência de rigor científico. Portanto, avaliações mais rigorosas e um suporte metodológico robusto são necessários para ajudar os criadores a entender quais fatores podem melhorar a capacidade desses jogos em ensinar sustentabilidade. Para ser capaz de alcançar um desenvolvimento sustentável de longo prazo é necessário aplicar ações educativas por meio das quais as pessoas devem aprender sobre os princípios e a necessidade da sustentabilidade a fim de conscientizar e engajar a sociedade (Griswold, 2017). Jogos educativos é um método defendido por vários pesquisadores, argumentando que oferece melhorias notáveis na aprendizagem e na educação quando aplicado. Jogos não digitais permitem aos jogadores ter uma maior possibilidade de criar interações sociais, além de proporcionar uma experiência motivacional, envolvente, com maior retenção para o jogador (Pratiwi et al., 2023), além de tenderem a ser mais econômicos e aplicáveis (Naik, 2014). Porém, existem poucas revisões de literatura sobre jogos educativos para o ensino relacionadas à sustentabilidade que já foram realizadas. O mapeamento sistemático foi realizado seguindo Petersen et al. (2008). De acordo com o objetivo foram desenvolvidas as perguntas de análise, critérios de inclusão e exclusão, critérios de qualidade, a fonte de dados e o search string. Foram encontrados 10 jogos. A temática mais abordada foi mudança climática, porém os jogos também focaram em uma variedade de temáticas. Observou-se uma diversidade significativa em como os jogos foram desenvolvidos e suas características. Esses fatores demonstram que a sustentabilidade pode ser ensinada usando de diferentes tipos de jogos através de diferentes meios. Foram também observados fatores comuns. Mesmo com os diferentes métodos de desenvolvimento utilizados, as causas e soluções para questões de sustentabilidade estão intrinsecamente ligadas a esses temas. Consequentemente, os jogos incorporam elementos similares. O ensino dos jogos foi abordado de duas formas principais: alguns focaram na transmissão de fatos e informações, e outros buscavam desenvolver uma compreensão geral ou estimular o interesse sobre o tema. A maioria dos jogos foi avaliada por meio de estudos de caso ou designs quase-experimentais. Enquanto a coleta de dados foi feita por meio de métodos diversos. Alguns estudos demonstraram uma carência de rigor científico. Dessa forma os resultados obtidos nestes estudos podem ser questionáveis em relação aos fatores cruciais. Foi encontrada uma diversidade de características que foram analisadas nos estudos e uma falta de consistência entre elas. Isso demonstra que não há um conjunto de métricas ou valores padronizados para avaliar o desenvolvimento de jogos não-digitais sobre sustentabilidade. Embora se possa observar alguns padrões em relação ao design dos jogos, a análise demonstrou que a qualidade desses jogos não parece depender de um único fator para o cumprimento de seus objetivos. Isso evidencia a necessidade de aprofundar as pesquisas nesta área, empregando modelos de avaliação mais bem definidos e validados, bem como de desenvolver mais jogos voltados para o ensino da sustentabilidade, visando a ampliar a conscientização em uma parcela mais abrangente da população
Do potencial à proteção da inovação universitária: os primeiros registros de propriedade intelectual do Sistema Notorius
O presente trabalho tem como objeto o desenvolvimento e a aplicação do Sistema Notorius, concebido na Universidade do Vale do Itajaí, com a finalidade de identificar, proteger e facilitar a comercialização de inovações oriundas da produção acadêmica. A motivação da pesquisa encontra fundamento no desafio recorrente do contexto brasileiro, caracterizado por uma expressiva produção de trabalhos científicos, mas com reduzida taxa de conversão em registros de propriedade intelectual e em soluções efetivamente aplicadas no mercado. Nesse cenário, surgiu a necessidade de um instrumento capaz de avaliar de forma criteriosa o potencial inovador de produções universitárias, articulando a teoria acadêmica à prática tecnológica e mercadológica. O problema central consistiu em verificar se a adoção de um sistema digital, parametrizado com base em inteligência artificial e integrado a bases internacionais de propriedade intelectual, poderia oferecer respostas precisas quanto ao grau de inovação dos trabalhos e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade da universidade de gerir ativos de propriedade intelectual. Para alcançar esse propósito, a metodologia adotada incluiu a identificação de bases de dados especializadas, como Orbit e Derwent Innovation Index, a realização de testes de acurácia e a aplicação de técnicas de programação que possibilitaram a integração entre o Sistema Notorius e fontes externas, com vistas a elevar a eficiência da análise. O estudo contemplou a avaliação de 1.530 trabalhos acadêmicos, abrangendo graduação e pós-graduação, dos quais 153 demonstraram potencial inovador relevante. Estes foram classificados em quatro categorias: 13 relacionados a marcas, 18 a patentes, 49 a softwares e 73 a potenciais novos negócios. Os resultados confirmaram a eficácia do sistema em ampliar significativamente o portfólio de propriedade intelectual da instituição, que passou de dois para dezoito potenciais registros de patentes, sendo sete já formalmente registrados no período da pesquisa, além da conquista inédita de registros de marcas diretamente vinculadas a trabalhos acadêmicos. Constatou-se, ainda, que a aplicação de testes de acurácia incrementou a assertividade dos resultados e que a integração a bases internacionais de dados proporcionou análises mais robustas sobre originalidade e inovação das produções avaliadas. Como produtos complementares, o projeto resultou na elaboração de um manual detalhado e de uma série de vídeos educativos, destinados a auxiliar a replicação do método em outras instituições, promovendo a disseminação das boas práticas de gestão da inovação. Além disso, estão previstas três publicações científicas em periódicos indexados, com a participação de pesquisadores nacionais e internacionais, o que demonstra o compromisso com a difusão do conhecimento gerado. A relevância do projeto também foi reconhecida em âmbito externo, por meio da obtenção de distinções em premiações regionais, nacionais e internacionais, entre elas o terceiro lugar na categoria “Inovação de Transformação” no Prêmio AEVO de Intraempreendedorismo, o segundo lugar na categoria Inovação do FIEPE 2024 e menção honrosa no 3º Prêmio Internacional Revista MetaRed em 2023. As conclusões evidenciam que a experiência fortalece a capacidade institucional de identificar e proteger a inovação, amplia a visibilidade da produção acadêmica e contribui para a inserção da universidade em um cenário competitivo de desenvolvimento tecnológico. O Sistema Notorius demonstrou, assim, ser uma ferramenta de relevância estratégica para a gestão universitária, ao aproximar a pesquisa de soluções aplicáveis, gerar impacto social e econômico e confirmar seu potencial de replicação em outras instituições de ensino superior, consolidando-se como modelo de incentivo à inovação acadêmica no Brasil
Desenvolvimento de uma órtese de mão controlada via interface cérebro-computador
A reabilitação motora historicamente tem dependido de tecnologias de alto custo e, em muitos casos, invasivas. As limitações financeiras e técnicas restringem o acesso de muitos pacientes a tratamentos eficazes, criando uma barreira significativa para a recuperação. Diante desse desafio, o desenvolvimento de órteses não invasivas e de baixo custo surge como uma alternativa promissora. Ao viabilizar o acesso à reabilitação, essas soluções não apenas aceleram a recuperação motora, mas também promovem a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes. É nesse cenário que a pesquisa se insere, propondo uma solução inovadora para tornar a reabilitação motora mais acessível. Neste trabalho foi projetada uma solução de baixo custo e não invasiva, formada por uma órtese de mão controlada via Interface Cérebro-Computador (BCI). A solução foi baseada em imagética motora (IM), considerando as limitações de movimento de possíveis usuários. O sistema aborda a aquisição de sinais de Eletroencefalografia (EEG) multicanal, pré-processamento, extração de características e classificação. A arquitetura proposta converte a intenção neural (flexão e extensão da mão) em comandos digitais que acionam a órtese. O sistema é composto por hardware (headset EEG, computador, ESP32 e atuador mecânico) e software (treinamento e classificação). A metodologia incluiu: (i) análise de bases de dados públicas (MILimbEEG e PhysioNet) e/ou leitura em tempo real; (ii) pré-processamento com filtragem Butterworth (8–30 Hz), referência média comum (CAR) e normalização z-score; (iii) janelamento; e (iv) classificação com uma rede neural convolucional (CNN 2D), utilizando validação cruzada. Para validação, foi empregado o dataset padronizado MILimbEEG e um headset OpenBCI, demonstrando o fluxo de operação em tempo real. O sistema adquire janelas de sinais, aplica o pipeline de limpeza e transformação, infere a classe e transmite comandos seriais para acionar o servomotor da órtese, executando a preensão/extensão conforme a intenção detectada. Os resultados foram avaliados em dois conjuntos de dados: o MILimbEEG resultou em acurácias baixas; em contrapartida, no PhysioNet (64 canais no sistema 10–10) foi obtida 93% de acurácia no treinamento e 75% na validação cruzada. Os resultados indicam a viabilidade da arquitetura proposta, mas ressaltam a necessidade de aprimorar a generalização entre sujeitos e a robustez entre sessões. Adicionalmente, uma órtese impressa em 3D, inspirada no modelo Neurobots, foi integrada ao sistema, validando a prova de conceito de uma solução BCI-órtese acessível. O estudo, portanto, confirma a arquitetura proposta como uma alternativa aberta e escalável para o controle de dispositivos assistivos. Nos próximos passos o foco estará na calibração específica para cada usuário, no aumento do conjunto de dados de treinamento e a integração com feedback haptico para melhores resultados clínicos
Causas de desequilíbrio mental e emocional na percepção de coordenadores de cursos de graduação
O presente estudo teve como objetivo identificar as causas de desequilíbrio mental e emocional na percepção de coordenadores de cursos de graduação de uma universidade comunitária localizada em Santa Catarina. A investigação adotou abordagem quantitativa, com delineamento descritivo e transversal, valendo-se do método survey. A amostra foi composta por 86 coordenadores, selecionados entre 104 docentes em cargos de liderança acadêmica. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado em três seções, contendo informações sociodemográficas e itens baseados no modelo de Alvarenga e Bagatini (2024). A análise descritiva foi realizada a partir de médias, frequências relativas e medidas de dispersão. Os resultados apontaram a sobrecarga de papéis e responsabilidades como principal causa do sofrimento psíquico, seguida do clima organizacional conflituoso e das condições problemáticas de trabalho. Em contrapartida, as menores médias foram observadas em itens relacionados a mudanças recentes na carreira e ambiguidade de funções. Os achados ampliam a compreensão teórica sobre riscos psicossociais e contribuem para a formulação de políticas institucionais que promovam ambientes mais saudáveis, em consonância com diretrizes legais nacionais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e o ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico)
Contaminação por contato no êmbolo durante o preparo de soluções parenterais: estudo caso-controle
Trata-se de uma pesquisa experimental realizada no laboratório de microbiologia da Univali que buscou identificar a ocorrencia de contaminação do embolo durante o preparo de soluções parenterais. O desenho metodológico foi concebido em duas fases: um estudo piloto, cujos resultados são apresentados neste artigo, e um estudo principal a ser desenvolvido em sequência, com maior número de amostras e variáveis controladas. O estudo piloto foi realizado no ambiente controlado do Laboratório de Microbiologia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o que garantiu condições padronizadas de higiene, temperatura e luminosidade, minimizando a interferência de fatores externos. Dois grupos experimentais foram definidos: no Grupo Controle o pesquisador, após realizar a higienização das mãos e utilizar luvas estéreis, conduziu os procedimentos de diluição e reconstituição de medicamentos seguindo rigorosamente a técnica asséptica, sem qualquer contato com o êmbolo da seringa. No Grupo Caso o pesquisador realizou os mesmos procedimentos, mas tocando deliberadamente o êmbolo da seringa durante a preparação, simulando uma prática incorreta que, em tese, poderia favorecer a contaminação
Relações entre fatores sociodemográficos, estilos de liderança e segurança psicológica em organizações contábeis
Este estudo analisou a relação entre fatores sociodemográficos, estilos de liderança e segurança psicológica a partir da percepção de 158 funcionários que atuam em organizações contábeis no estado de Santa Catarina. Para isso, foi realizada uma pesquisa survey com uma amostra não probabilística, utilizando um questionário com perguntas fechadas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva, frequências e testes inferenciais, incluindo Kolmogorov-Smirnov, t de Student e U de Mann-Whitney. Os resultados indicaram que variáveis como sexo, grau de escolaridade e formato de trabalho não influenciam significativamente as percepções sobre liderança e segurança psicológica. No entanto, constatou-se que a idade dos funcionários exerce influência nesses aspectos, sendo que profissionais mais experientes tenderam a avaliá-los de forma mais positiva. Além disso, os que trabalham em empresas de menor porte apresentaram percepções mais favoráveis sobre a liderança e a segurança psicológica em comparação com os de empresas de médio e grande porte. Da mesma forma, funcionários com maiores rendimentos relataram percepções mais positivas nesses quesitos. Teoricamente, este estudo contribui para o avanço do conhecimento na gestão de recursos humanos e em estudos organizacionais. Na prática, poderá fornecer informações concretas para gestores contábeis aprimorarem suas estratégias de liderança, promovendo ambientes organizacionais mais seguros e alinhados às expectativas dos funcionários conforme seu perfil demográfico
Práticas corporais como campo de disputa: análise discursiva da trajetória do conceito na legislação educacional e na literatura da Educação Física
Esta pesquisa analisa a trajetória do conceito de práticas corporais na legislação educacional brasileira e na produção acadêmica da Educação Física, entre 1994 e 2024. Partindo do reconhecimento de que o termo ocupava posição secundária nas concepções críticas dos anos 1980-1990, o estudo investiga como sua apropriação pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa um esvaziamento de seu potencial crítico e político, reduzindo-o a competências técnicas alinhadas a perspectivas neoliberais. Por meio de uma análise da literatura e análise documental, identificam-se as transformações semânticas e os embates teórico-políticos que marcam a história do conceito. Os resultados preliminares indicam que a noção de práticas corporais foi inicialmente subsumida a constructos como "cultura corporal" e "cultura de movimento", ganhando densidade conceitual apenas tardiamente, em meio a disputas entre projetos pedagógicos antagônicos. Conclui-se que a trajetória do conceito reflete tensões mais amplas no campo da Educação Física, entre perspectivas emancipatórias e tendências tecnicistas em consonância com o uso instrumental pela BNCC, com diretas implicações para a prática pedagógica
Avaliação de toxicidade de filtros solares sobre zoantídeos do gênero Palythoa
É crescente uso de cosméticos que contêm compostos orgânicos e inorgânicos como filtros ultravioleta (UV). Com a intensificação da radiação solar nos últimos anos, há uma tendência de que esses filtros estejam presentes em uma fração cada vez maior de produtos, a fim de prevenir efeitos nocivos causados pelos raios UV, como doenças de pele e o fotoenvelhecimento. Como resposta ao crescente consumo, houve também um incremento dos resíduos no ambiente natural, principalmente nas regiões litorâneas, onde o uso desses produtos é ainda maior. A contaminação dos filtros UV no ambiente aquático pode ser dada indiretamente, quando estes são incorporados aos efluentes domésticos, ou diretamente, no contato do usuário com a água, normalmente em atividades recreativas, como o banho de mar. Assim sendo, entende-se que as comunidades costeiras estão mais sensíveis à poluição, expostas aos contaminantes provenientes dos rios e do próprio litoral, o que motiva maior empenho das pesquisas científicas sobre impactos nessas regiões. Diante desse cenário, torna-se essencial avaliar a persistência desses compostos no ambiente e suas interações com a biota. Pesquisas apontam que filtros solares podem contribuir significativamente para a degradação de corais, comprometendo diversas espécies desde o estágio larval até a fase adulta, com alterações morfológicas, perda das zooxantelas e maior suscetibilidade a infecções virais. A poluição química, associada ao aquecimento e à acidificação dos oceanos, agrava a degradação dos recifes, reforçando a necessidade de medidas de proteção para a conservação da biodiversidade aquática Grande parte dos estudos toxicológicos voltados à avaliação dos impactos dos filtros solares tem utilizado os corais escleractíneos, formadores de recife, como organismos modelo, devido à sua relevância ecológica e à sensibilidade que apresentam diante de variações ambientais. No entanto, zoantídeos, importantes integrantes dos ambientes recifais também sujeitos ao branqueamento, são raramente investigados. Diante dessa lacuna de conhecimento, este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos de filtros solares sobre indivíduos do gênero Palythoa, abundantes componentes nas comunidades bentônicas no litoral sul brasileiro, a fim de investigar sua relação com eventos de branqueamento que ocorrem na região