Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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Tchoukball um esporte inclusivo
O presente relato de experiência discute a implementação pedagógica do Tchoukball modalidade reconhecida internacionalmente como o “esporte da paz” no Colégio de Aplicação da UNIVALI (CAU), em Itajaí (SC), com estudantes de 14 a 17 anos, problematizando sua contribuição para a promoção da inclusão social e educacional no âmbito da Educação Física escolar. Partindo do desafio de superar práticas tradicionalmente marcadas pela ênfase no rendimento e pela exclusão de estudantes com menor habilidade motora, a investigação buscou compreender em que medida o Tchoukball favorece a internalização de valores como cooperação, respeito e coletividade. A experiência foi estruturada em duas etapas complementares: nas aulas regulares, priorizou-se a vivência das regras, fundamentos e dinâmicas do jogo; em seguida, formou-se espontaneamente um grupo de treinos semanais, no contraturno escolar, voltado ao aprofundamento técnico e tático. O estudo adotou abordagem qualitativa, por meio de observação participante, permitindo registrar tanto o envolvimento dos estudantes quanto suas percepções sobre a prática. Os resultados revelaram elevada adesão e entusiasmo, caracterizados pela participação ativa, pela valorização da coletividade e pela redução de conflitos em virtude da ausência de contato físico. Depoimentos dos próprios jovens reforçaram a dimensão inclusiva da modalidade, evidenciando aprendizagens relacionadas à convivência, ao sentimento de pertencimento e à compreensão do esporte como espaço de cidadania. Conclui-se que o Tchoukball se configura como alternativa pedagógica consistente para a Educação Física contemporânea, alinhando-se às diretrizes da BNCC ao favorecer a diversidade, a cooperação e a cultura de paz. Além de ampliar o repertório metodológico docente, a experiência sugere o potencial de expansão da modalidade para diferentes contextos escolares, instigando novas reflexões sobre o papel do esporte na construção de práticas mais inclusivas e socialmente transformadoras
Cultura de segurança do paciente em centro cirúrgico na perspectiva da equipe multiprofissional
A segurança do paciente é um componente fundamental da qualidade de cuidados de saúde. Para o alcance de uma cultura de segurança faz-se necessário um entendimento acerca dos valores, crenças e normas sobre o que é importante em uma organização e quais atitudes e comportamentos relacionados à segurança do paciente são esperados. O presente estudo teve por objetivo avaliar a cultura de segurança sob a perspectiva da equipe multiprofissional atuante em centro cirúrgico de um hospital de alta complexidade localizado na Macrorregião de Saúde da Foz do Rio Itajaí. Trata-se de um estudo descritivo exploratório do tipo transversal com abordagem quantitativa que foi desenvolvido nas unidades de Centro Cirúrgico de um hospital de referência localizado na Macrorregião de Saúde da Foz do Rio Itajaí. O estudo teve como participantes a equipe multiprofissional que atua nestas unidades. A coleta de dados foi realizada entre os meses de fevereiro e abril de 2025. Para a coleta de dados foi utilizado um instrumento do questionário Hospital Survey on Patient Safety Culture. Adotou-se a amostragem de conveniência, e como critério de inclusão foi considerado o tempo de atuação dos profissionais de no mínimo três meses nas unidades de centro cirúrgico onde o estudo foi realizado. A amostra foi composta por 90 profissionais, sendo a maioria do sexo feminino (74,4%). A média de idade foi de 36,8 anos, com predominância para a escolaridade ensino médio completo (57,8%). A maior parte dos profissionais que participaram do estudo eram técnicos de enfermagem (57,8%), seguidos por enfermeiros e residentes de medicina (14,4% cada categoria). Em relação a carga horária de trabalho semanal destaque para os profissionais que trabalham entre 41 e 60h semanais (73,3%). Quanto ao tempo de trabalho na especialidade / área de atuação atual percebemos uma predominância no período que corresponde de 1 a 5 anos, com um percentual de 46,7% entre os respondentes do estudo. Em relação a avaliação da segurança do paciente, os profissionais consideraram a segurança regular 46,7%, e apenas 8,9% como excelente. Quando avaliado o número de eventos adversos relatados nos últimos 12 meses, houve o predomínio de nenhuma notificação entre os participantes (72,3%). Na concepção da equipe multiprofissional foi possível identificar que nenhuma das dimensões foi apontada como uma área forte para a Cultura de Segurança do Paciente. As dimensões com maior potencial para a segurança do paciente foram “Expectativas e ações do supervisor/chefia para a promoção da segurança do paciente”; Aprendizado organizacional – melhoria contínua e “Frequência de eventos relatados” com 57,8%, 51,5% e 53,7% de respostas positivas em relação a essas dimensões. As dimensões com menor percentual e que se configuram como áreas que necessitam avançar na segurança do paciente foram: “Respostas não punitivas ao erro” e “Transferências internas e passagem de plantão” que obtiveram apenas 27,1% e 27,5% respectivamente de respostas positivas. Os resultados obtidos demonstraram a necessidade da realização de momentos de discussão e aprendizagem incluindo os gestores e os profissionais envolvidos com o processo assistencial, a fim de garantir momentos de reflexão acerca da segurança do paciente em suas unidades e na instituição como um todo. Há a necessidade de ampliar a pesquisa para outras unidades da instituição, de modo que os resultados possam ser confrontados, ampliando a discussão, no âmbito do ensino, da assistência, da gestão e da pesquisa, viabilizando a sensibilização dos profissionais da saúde acerca da temática
Adesão ao protocolo de cirurgia segura em um centro cirúrgico ambulatorial universitário
A segurança do paciente é um dos pilares da qualidade assistencial e, no contexto cirúrgico, o uso de checklists constitui estratégia central para padronização de processos e redução de riscos. A efetividade desses instrumentos depende diretamente da correta adesão da equipe multiprofissional ao seu preenchimento. Integrado a um macroprojeto direcionado à gestão de riscos em cirurgia ambulatorial, este estudo teve como objetivo avaliar a adesão ao checklist de cirurgia segura em um centro cirúrgico ambulatorial universitário, buscando identificar fragilidades no seu preenchimento.Trata-se de um estudo quantitativo, de natureza aplicada, realizado por meio da análise documental retrospectiva de 158 checklists de cirurgia segura preenchidos no período de novembro de 2024 a abril de 2025. Os documentos foram avaliados quanto à completude das informações em quatro momentos do protocolo: admissão do paciente, antes do início do procedimento, antes da saída da sala operatória e antes da liberação do paciente. Cada item foi classificado como preenchido completo, preenchido parcial ou não preenchido. Os resultados revelaram que apenas 53 checklists (33,5%) apresentaram preenchimento completo, enquanto 105 (66,5%) continham omissões em uma ou mais etapas. A análise mensal evidenciou que, ao longo do período estudado, houve predominância de formulários incompletos, embora se tenha observado leve melhora nos dois últimos meses, novembro (20,6% completos), dezembro (18,2%), fevereiro (8,7%), março (52,6%) e abril (48,8%). A análise por etapa do protocolo mostrou que a fase mais vulnerável foi a admissão do paciente, com índice médio de incompletude de 88,86%. Esse momento, que envolve conferências essenciais como identificação, verificação de alergias, confirmação do procedimento, demarcação do local cirúrgico e presença de lesão de continuidade, apresentou as maiores taxas de omissão. As demais etapas registraram percentuais inferiores, mas ainda relevantes: antes do início do procedimento (6,7%), antes da saída da sala operatória (3,7%) e antes da liberação do paciente (4,5%). Os resultados da análise também evidenciaram concentração das falhas na fase inicial do atendimento, sugerindo que a equipe tende a subvalorizar esse momento ou enfrentou sobrecarga de atividades que comprometem a execução adequada do protocolo. Entre os itens com mais fragilidade destacam-se a verificação e registro de alergias, a demarcação precisa do local cirúrgico e a anotação sobre lesões cutâneas pré-existentes. Tais lacunas representam riscos concretos à segurança do paciente, pois comprometem barreiras de prevenção contra eventos adversos. A recorrência desses erros ao longo de todo o período analisado indica fragilidade estrutural e comportamental, possivelmente associada a rotinas aceleradas, percepção burocrática do checklist e ausência de monitoramento sistemático com feedback para a equipe. A partir desses achados, conclui-se que, embora o checklist esteja implantado e reconhecido como ferramenta institucional, sua adesão efetiva ainda é insatisfatória. A elevada incompletude na etapa de admissão do paciente demanda intervenções específicas, como capacitação periódica, reforço da importância clínica do protocolo e implantação de mecanismos de monitoramento contínuo, com indicadores de desempenho e devolutivas regulares aos profissionais. Os resultados obtidos fornecem subsídios para ajustes no instrumento e para o desenvolvimento de estratégias educativas que favoreçam sua integração à prática assistencial, fortalecendo a cultura de segurança do paciente no contexto ambulatorial
Avaliação do potencial mutagênico do extrato metanólico das folhas de Trema micranta (L.) Blume
Plantas medicinais e seus metabólitos secundários representam uma fonte importante de compostos bioativos com potencial terapêutico, sendo amplamente estudadas pela farmacologia moderna. Entre esses compostos, destacam-se os fitocanabinoides da Cannabis sativa, que vêm demonstrando efeitos promissores no tratamento de desordens neuropsiquiátricas. O canabidiol (CBD), principal composto não psicoativo da espécie, apresenta propriedades farmacológicas relevantes, incluindo atividades ansiolítica, anticonvulsivante, anti-inflamatória e neuroprotetora, mas seu uso ainda é limitado por barreiras legais, estigmas sociais e restrições regulatórias. Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram a presença de canabinoides, principalmente na forma ácida como o ácido canabidiolítico (CBDA) e ácido tetrahidrocanabinólico (THCA) no extrato das folhas de Trema micrantha (L.) Blume, espécie nativa brasileira da família Cannabaceae, o que pode viabilizar aplicações terapêuticas semelhantes sem os entraves socioculturais e jurídicos associados à Cannabis. A espécie já possui uso etnobotânico consolidado na medicina popular, sendo empregada para o tratamento doenças de pele, reumatismo e como hipoglicemiante. Entretanto, apesar do seu potencial, os estudos toxicológicos disponíveis são limitados, sendo a maioria deles relatos de intoxicações em diferentes espécies animais (bovinos, equinos e caprinos), ressaltando a necessidade de estudos toxicológicos para viabilizar seu uso terapêutico seguro. A avaliação da mutagenicidade de plantas medicinais é essencial para garantir sua segurança, prevenindo riscos genotóxicos. O teste de micronúcleo é amplamente utilizado por detectar danos cromossômicos e mutações, fornecendo evidências sobre o potencial tóxico, podendo embasar o uso seguro desses compostos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o potencial mutagênico do extrato metanólico das folhas de Trema micrantha por meio do teste do micronúcleo em camundongos (OECD 474). Para isso, foram utilizados 30 animais, sendo 15 machos e 15 fêmeas, distribuídos igualmente em três grupos experimentais. O grupo controle negativo recebeu solução salina, enquanto o grupo controle positivo foi tratado com metanossulfonato de metila (MMS, 50 mg/kg i.p.), reconhecido agente mutagênico. O grupo de tratamento recebeu uma dose de 2000 mg/kg do extrato metanólico de T. micranta via oral. A genotoxicidade foi avaliada a partir da frequência de ocorrência de micronúcleos em 1000 eritrócitos, obtidos do lavado da medula óssea dos animais, preparados em lâminas e corados com Giemsa, sendo a análise realizada em microscópio óptico com aumento de 1000x. Os resultados obtidos demonstraram que o extrato metanólico das folhas de T. micrantha não promoveu aumento significativo na frequência de micronúcleos, com valores Média ± DP de 5,0 ± 1,0 SD em machos e 5,66 ± 0,57 em fêmeas, semelhantes ao controle negativo (4,3 ± 0,57 e 4,4 ± 1,14 respectivamente). Já o controle positivo (MMS) elevou significativamente os micronúcleos (10,20 ± 1,78 em machos e 10,6 ± 2,08 em fêmeas), confirmando a validade do ensaio segundo a OECD 474. Esses achados contribuem para a construção de evidências científicas mais consistentes sobre a toxicidade da espécie, reforçando a importância de estudos toxicológicos atualizados que possam subsidiar sua validação farmacológica
Atenção à pessoa com feridas crônicas: a teleconsulta como ferramenta de apoio em serviços especializados
As feridas crônicas constituem um problema relevante de saúde pública, frequentemente associadas a doenças crônicas como diabetes mellitus, hipertensão arterial e insuficiência venosa. A complexidade clínica dessas lesões demanda acompanhamento especializado e multiprofissional, porém o acesso a centros de referência nem sempre é viável para todos os pacientes. Nesse contexto, a teleconsulta se apresenta como uma estratégia inovadora de integração entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e serviços especializados, permitindo suporte clínico remoto, redução de deslocamentos e maior resolutividade no cuidado. Entretanto, observa-se a necessidade de padronizar instrumentos que auxiliem os profissionais da APS na identificação e descrição das características das lesões, a fim de subsidiar decisões terapêuticas adequadas pelo serviço especializado. Relatar a experiência do uso da teleconsulta como ferramenta de apoio à APS no manejo de pessoas com feridas crônicas, ressaltando a importância da padronização de instrumentos para qualificar a comunicação entre os níveis de atenção.Trata-se de um relato de experiência desenvolvido em um serviço especializado em feridas, no qual a teleconsulta foi utilizada para apoiar equipes da APS no acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e lesões de difícil cicatrização. As informações foram sistematizadas a partir do acompanhamento das demandas encaminhadas, da análise das descrições de lesões enviadas pela APS e da devolutiva fornecida pelos especialistas quanto às condutas terapêuticas recomendadas. Verificou-se que a teleconsulta contribuiu significativamente para a resolutividade da APS, permitindo maior agilidade na definição de condutas e no manejo clínico das feridas. Contudo, identificou-se uma limitação recorrente na forma como as lesões eram descritas pelos profissionais da APS, dificultando a avaliação precisa pelos especialistas. A ausência de padronização nos registros resultava em inconsistências quanto ao tipo de ferida, extensão, profundidade, presença de exsudato e sinais de infecção. Essa lacuna reforçou a necessidade de elaborar um instrumento padronizado para caracterização das lesões, que possibilite maior objetividade e facilite a tomada de decisão clínica. A experiência evidencia que a teleconsulta é uma ferramenta de apoio eficaz à APS no cuidado de pacientes com feridas crônicas, promovendo integração entre os serviços e ampliando o acesso a condutas especializadas. No entanto, para otimizar sua aplicabilidade, é imprescindível a construção e implementação de instrumentos padronizados de avaliação das lesões, aliados à capacitação dos profissionais da APS. Essa medida favorece a comunicação entre os níveis de atenção, aprimora a segurança clínica e contribui para a qualificação do cuidado prestado à pessoa com doenças crônicas e feridas complexas
Atividade diária de Tetragonisca angustula (Apidae, meliponini) no espaço escolar do Colégio de Aplicação Univali – CAU, Tijucas - SC
As abelhas nativas sem ferrão são importantes polinizadores em ambientes naturais e agrícolas, contribuindo para a manutenção dos ecossistemas. No cenário contemporâneo, a ação do homem sobre o meio ambiente tem acarretado a destruição de habitats e a fragmentação dos sistemas naturais, além disso, o desconhecimento sobre a biologia das abelhas e sua importância para a sociedade também contribuem para o desaparecimento de muitas espécies nativas. Nesse viés, é possível concluir que a presença de abelhas nativas no ambiente escolar se torna uma oportunidade única para que exista a conscientização sobre a importância desses polinizadores no cotidiano. O presente estudo tem como objetivo registrar a atividade diária de forrageamento de abelhas conhecidas comumente por jataí (Tetragonisca angustula) oriundas de uma caixa de criação (colmeia 1) e de uma colônia localizada em uma goiabeira (colmeia 2) nas dependências do Colégio de Aplicação Univali, Tijucas, SC. Torna-se importante destacar que esse projeto está vinculado ao trabalho intitulado “Criação de abelhas nativas (Apidae, Meliponini) no espaço escolar como ferramenta para a conscientização ecológica da manutenção dos ecossistemas”, desenvolvido em 2021 e 2022 no Colégio de Aplicação Univali, Tijucas, SC. Contudo, o presente trabalho buscou realizar observações, feitas semanalmente, de fevereiro a junho de 2025 em ambas as colmeias. Foram efetuados registros de 15 minutos, com intervalos de cinco ao longo de uma hora em cada colmeia, iniciando-se a partir das 13:30 h. Durante as observações, foram registrados o número de abelhas que entravam na colmeia (com e sem pólen suas corbículas) e as que saiam, por meio de gravações de voz em um smartphone. Nos dias de observações, dados climáticos (temperatura, umidade relativa e condições do tempo) também foram anotados. Os resultados evidenciaram que, em geral, ambas as colmeias apresentaram maior fluxo de entradas e saídas nos meses de temperaturas mais amenas e períodos mais secos, o que confirma que condições climáticas favoráveis potencializam a atividade diária de coleta e polinização. A colmeia 1 apresentou maior movimentação na entrada de polén nos meses de março e abril, enquanto a colmeia 2 teve seu maior pico de atividade em fevereiro e março. Em ambas as colmeias não foram verificadas movimentações sob temperatura abaixo de 19ºC. Infere-se, portanto que o presente trabalho não apenas contribui para o conhecimento científico sobre o comportamento da espécie T. angustula em diferentes condições, mas que também torna uma oportunidade única, para que exista a conscientização sobre a importância desses polinizadores no cotidiano, fortalecendo práticas pedagógicas voltadas a sustentabilidade. Assim, o presente trabalho contribuiu para o entendimento do comportamento das abelhas, otimizando o processo da implantação de outras espécies de abelhas nativas na escola vinculado a uma série de trabalhos de Educação Ambiental
Jogos Olímpicos de Paris 2024: os corpos e os uniformes na modalidade de vôlei de praia
O vôlei de praia nasce como uma pratica de lazer restrita as camadas da elite na década de 1920 na Califórnia, Estados Unidos. Ao passar dos anos com o seu desenvolvimento e expansão a modalidade ganha popularidade em outros países, inclusive no Brasil, país no qual a modalidade teve a oportunidade de se fortalecer e ganhar espaço no cenário Olímpico. O vôlei de praia é uma das modalidades que mais chama atenção pela sua relação direta com a exposição corporal dos atletas. Sendo seus uniformes, historicamente padronizados com o intuito de reforçar uma estética visual que coloca em foco a exibição do corpo, especialmente o feminino. Constatando que a produção científica a cerca da modalidade não acompanha a crescente expansão da pratica, o reconhecimento do país no cenário Olímpico e muito menos reflete sobre as representações e escolhas de uniformes das mulheres na modalidade, o objetivo deste trabalho foi analisar as representações dos corpos e das escolhas de uniformes na modalidade de vôlei de praia nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. O presente trabalho se trata de uma pesquisa de natureza qualitativa com enfoque exploratório, cujo objetivo é investigar aspectos estruturais, simbólicos da modalidade de vôlei de praia, a partir da análise de imagens e documentos oficiais disponibilizados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). A coleta de dados foi realizada através de fontes documentais com ênfase em materiais oficiais, como regulamentos e manuais técnicos, em paralelo foram analisadas 03 imagens de jogos disputados nas Olimpíadas de Paris 2024, sendo a analise dos dados conduzida por uma abordagem interpretativa. Dos resultados encontrados, o regulamento dos uniformes da modalidade é definido pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), este regulamento veio sofrendo alterações durante os anos sobretudo em relação ao uniforme feminino. Levando em consideração que historicamente as jogadoras eram obrigadas a utilizar biquínis de corte reduzidos enquanto os homens jogavam com camisetas e bermudas largas, sinalizando uma grande diferença na exposição corporal entre homens e mulheres. Essas exigências geraram debates intensos sobre a sexualização do corpo feminino, liberdade de escolha e respeito à diversidade cultural e religiosa. Para responder as criticas a FIVB atualiza seu regulamento em 2012, flexibilizando e dando outras poucas possibilidades de escolhas. Atualmente o regulamento permite que cada dupla escolha o tipo de uniforme, desde que esteja dentro das normas estabelecidas no regulamento, ampliando o acesso e a representatividade de mulheres de diferentes origens na modalidade, desafiando a ideia de que existe um único corpo ideal para o esporte. Por mais que haja a flexibilização no regulamento muitas atletas relatam que mesmo com alternativas se sentem pressionadas de forma implícita pelos patrocinadores, pela mídia e da tradição da modalidade em relação ao uso de uniformes. Revelando que existe uma disputa entre as normas institucionais, performance esportiva e expressão individual. Tratando da participação feminina no esporte é comum que aparecem discursos que associam a presença da mulher à busca por um corpo considerado belo, moldado por padrões estéticos hegemônico. A mídia nesse contexto ao reforçar esses discursos, prioriza a aparência da atelta em detrimento ao seu desempenho esportivo. Essa valorização da estética contribuí para uma objetificação e hipersexualização do corpo feminino no esporte. Concluindo, os resultados evidenciam que os Jogos Olímpicos de Paris 2024 se configuram como um espaço de disputas simbólicas em torno da aparência, do corpo e da autonomia dos sujeitos atletas, revelando contradições e avanços em relação à liberdade de escolha e à diversidade corporal no cenário esportivo internacional. O estudo parte da compreensão de que os corpos no esporte não são apenas objetos de desempenho físico, mas também de construção simbólica, política e cultural
Educação sob controle: a proibição do uso de celulares em sala de aula e os descompassos entre política pública e prática pedagógica
O presente trabalho analisa a proibição do uso de celulares em sala de aula como expressão de controle no campo educacional e discute os descompassos entre políticas públicas e práticas pedagógicas. Partindo do pressuposto de que a educação contemporânea é atravessada por tensões entre inovação tecnológica e práticas de regulação, a pesquisa busca compreender em que medida medidas proibitivas correspondem ou se distanciam das realidades escolares. O estudo é um recorte de uma dissertação de mestrado em andamento, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica e análise documental de legislações, diretrizes e normativas sobre o uso de tecnologias digitais no contexto escolar, além de uma pesquisa de campo com alunos e docentes. Os resultados ainda preliminares, pretendem contribuir para a reflexão crítica acerca da função social da escola, dos desafios da inserção das tecnologias digitais e da pertinência das políticas que regulam o cotidiano pedagógico
Estudo da aplicação do acolhimento com classificação de risco frente às condições sensíveis à atenção primária em Unidade Básica de Saúde piloto de Navegantes-SC
A organização da atenção à saúde no Brasil tem como base a Atenção Primária à Saúde (APS), consolidada por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), responsável por garantir acesso inicial, integral e contínuo aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os dispositivos que fortalecem o acesso e a qualidade do cuidado na APS, destaca-se o acolhimento como uma diretriz essencial. A atuação do profissional enfermeiro na UBS é fundamental nesse processo, especialmente na ESF, onde este é responsável por operacionalizar o ACCR por meio da escuta ativa, da avaliação clínica inicial e do estabelecimento de prioridades na assistência (Lachtim et al., 2022; Souza et al., 2015). Apesar de sua centralidade na coordenação do cuidado, a ausência de instrumentos padronizados para o acolhimento e a priorização dos atendimentos compromete a resolutividade da APS. Tal lacuna favorece a procura desnecessária por serviços de maior complexidade, ocasionando aumento nos custos assistenciais e sobrecarga da rede hospitalar, além de dificultar a efetiva longitudinalidade do cuidado. Diante disso, isto é mensurado quando observadas as Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP), de modo que estas representam um importante indicador de desempenho dos sistemas de saúde e são amplamente utilizadas para mensurar a efetividade da APS (Alfradique et al., 2009). Objetivo: Este estudo tem como finalidade avaliar a efetividade de um Protocolo de Acolhimento com Classificação de Risco adotado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no município de Navegantes, estado de Santa Catarina
Avaliação do risco suicida em adultos com TEA: uma revisão de escopo
O suicídio em adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta incidência elevada e configura uma das principais causas de morte precoce nessa população, justificando a necessidade de investigações específicas sobre a temática. Este estudo tem como objetivo mapear a produção científica acerca da avaliação do risco suicida em adultos com TEA, identificando fatores preditores, processos avaliativos e instrumentos disponíveis. Para isso, foi realizada uma revisão de escopo em seis bases de dados de relevância internacional, utilizando descritores em português, inglês e espanhol, com inclusão de estudos empíricos publicados nos últimos dez anos. A busca resultou em 2.437 artigos, dos quais, após processo de triagem e remoção de duplicatas, 26 foram selecionados para análise qualitativa. Os achados indicam que os principais fatores de risco para o comportamento suicida em adultos com TEA envolvem comorbidades psiquiátricas, ruminação, autolesão, prejuízos cognitivos, impulsividade, estressores e aspectos relacionados à sexualidade. Foram identificados instrumentos específicos para essa população (SBQ-ASC, SIDAS-M, SAK-MI, ASQ e SITBI-R), embora ainda não existam adaptações transculturais para o Brasil. Conclui-se que a avaliação do risco suicida nessa população deve ser multidimensional, considerando fatores individuais, sociais e culturais, além da capacitação profissional. A revisão evidencia a necessidade de novos estudos nacionais e adaptações de instrumentos, visando práticas avaliativas mais assertivas e estratégias eficazes de prevenção do suicídio em adultos com TEA