Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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Caracterização físico-química em preamar e baixa-mar em Balneário Barra do Sul e o reflexo no índice de qualidade de água local
Balneário Barra do Sul, localizado no litoral norte de Santa Catarina, constitui um ambiente de elevada importância ecológica e socioeconômica, abrigando ecossistemas sensíveis e atividades que dependem diretamente da qualidade da água. O município é marcado pelo canal do Linguado, antigo acesso ao canal do Babitonga, fechado em 1935, o que alterou significativamente a circulação hídrica local. Nesse contexto, a variação das marés, especialmente entre os períodos de preamar (maré alta) e baixa-mar (maré baixa), exerce influência direta sobre a circulação da água, a concentração de nutrientes e a distribuição de organismos. A caracterização físico-química e de nutrientes nesses dois momentos permite compreender como a dinâmica costeira modula a qualidade da água, fornecendo subsídios para estratégias de monitoramento e gestão ambiental. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar parâmetros físico-químicos (pH, temperatura, oxigênio dissolvido, DBO5 e MPS) e nutrientes (PT, NID, clorofila-a e coliformes fecais) durante a preamar e baixa-mar em maré de quadratura, em 11 pontos de Balneário Barra do Sul, e correlacioná-los com a qualidade da água local. As coletas foram realizadas na superfície e no fundo, com exceção do ponto #3, de baixa profundidade, utilizando garrafa de Niskin. Em cada ponto, o perfil vertical foi medido com auxílio de um CTD Rinko, obtendo-se registros contínuos de salinidade, oxigênio dissolvido, temperatura e turbidez. O pH foi medido em campo com pHmetro, evitando alterações decorrentes do armazenamento. No laboratório, alíquotas foram filtradas em membranas de éster de celulose (0,45 µm) e congeladas para posterior determinação de nutrientes (NH4+, NO2-, NO3- e PO43-) por colorimetria. O mesmo filtro foi usado para determinação do MPS. A clorofila-a foi obtida pela filtração de volumes conhecidos em filtros GF/F, extraída com acetona 90% e quantificada por espectrofotometria. A presença de coliformes fecais (Escherichia coli) foi determinada com o sistema Colilert. Para o cálculo da DBO5, amostras foram incubadas a 20°C no escuro por cinco dias, com leitura de oxigênio dissolvido em oxímetro YSI 5000. A qualidade da água foi avaliada pelo Índice de Qualidade da Água (IQA), baseado no modelo desenvolvido pela NSF e adaptado pela CETESB. Os resultados indicaram que Balneário Barra do Sul apresentou melhor IQA durante a preamar (75,57% ± 4,29) em comparação à baixa-mar (67,53% ± 6,84). Esse padrão sugere que a intrusão de água marinha promove diluição de nutrientes e melhora nas condições da água. Ambos os resultados foram classificados como bons pelo IQA. Ao comparar o IQA com a salinidade, observou-se que áreas costeiras apresentaram menores índices, possivelmente devido à influência da urbanização, enquanto os pontos mais a montante mostraram melhores condições, sobretudo em preamar. Em baixa-mar, o IQA apresentou uma tendência de aumento conforme a salinidade aumentava, exceto nos pontos mais a jusante, caracterizados por menor circulação da água, reforçando que a influência da presença da urbanização próxima a desembocadura do estuário, influência diretamente nos parâmetros apresentados. A DBO mostrou-se mais alta em locais com menor salinidade e menor teor de oxigênio dissolvido, especialmente em áreas mais a jusante na baixa-mar, possivelmente devido à forte carga de matéria orgânica vinda do mangue. A intrusão salina durante a preamar parece atuar como fator de diluição e renovação, enquanto a baixa-mar evidencia maior influência continental e antrópica. No entanto, a complexidade do sistema demanda mais estudos para elucidar os processos de transporte e retenção de nutrientes, especialmente considerando o histórico de alterações hidrodinâmicas da região. Portanto, este trabalho destaca a relevância de monitoramentos integrados que considerem os ciclos de maré para a gestão ambiental de Balneário Barra do Sul, contribuindo para a conservação dos ecossistemas costeiros e o uso sustentável de seus recursos
Incorporação de agente hidratante em formulação de álcool gel
A manutenção da barreira cutânea depende de hidratação adequada, mas o uso repetido de géis alcoólicos para controle de infecções tem ampliado queixas de ressecamento das mãos. Para conciliar eficácia antisséptica e cuidado dermatológico, este trabalho tem por objetivo o desenvolvimento de gel hidroalcoólico (70o GL) com incorporação de agentes emolientes e oclusivos (óleo de silicone/dimeticona, óleo mineral e extrato de Aloe vera) em diferentes proporções. Nove formulações foram preparadas variando-se os agentes hidratantes (glicerina 2,5%; óleo mineral USP 2,0–2,5%; dimeticona 193 2,0–3,0%; Aloe vera 2,0–4,0%). Os produtos foram avaliados mediante propriedades organolépticas (cor, odor, aspecto físico), pH (diluição em água na proporção 1:10) e estabilidade mecânica (centrifugação a 3.000 rpm por trinta minutos), com estudo de estabilidade à temperatura ambiente (25 °C) e sob estresse térmico (40 °C). As amostras apresentaram homogeneidade, aspecto entre límpido, translúcido e opalescente conforme a composição, odor característico de álcool e pH (5,2 a 6,2) estatisticamente semelhante entre si. Todos os sistemas permaneceram estáveis por 4 semanas, sem alterações relevantes. Duas formulações, F2 (2 % óleo mineral) e F3 (% dimeticona 193) destacaram-se, sendo que a F2 demonstrou que a simples inclusão de óleo mineral proporciona toque aveludado, mas impõe desafios ópticos, exigindo implementação de novas tecnologias. Já a F3 comprovou que a dimeticona pode ser incorporada sem comprometer a transparência, conferindo elasticidade superior, e, consequentemente, redução de pegajosidade. Uma análise econômica preliminar indicou viabilidade de produção em escala, com acréscimos de custo de 18,6% (óleo mineral) e 22,3% (dimeticona) quando comparadas à formulação padrão sem hidratantes. Por fim, este estudo não apenas validou as formulações F2 e F3 como protótipos viáveis de álcool-gel hidratante, mas também ofereceu diretrizes práticas para futuras otimizações, como a incorporação de emulsificantes de alto HLB ou microencapsulação de fases oleosas, visando ampliar ainda mais a estabilidade óptica e a aceitação do consumidor
Simulador de carregamento para carros elétricos com painéis fotovoltaicos em diferentes cenários
A crescente busca por soluções mais sustentáveis no setor de mobilidade elétrica, junto com a expansão do uso de fontes renováveis, gerou a necessidade de ferramentas que possam simular, calcular e apresentar de forma visual diferentes cenários de geração e consumo de energia no contexto educacional. Com esse objetivo foi desenvolvido o “SolarSim”, um simulador de carregamento para carros elétricos com uso de painéis fotovoltaicos, que permite testar diferentes condições de clima e ocupação de estacionamentos. A proposta é oferecer uma interface educacional, limpa e intuitiva, adequada tanto para quem está desenvolvendo pesquisas técnicas quanto para o uso em ambientes educacionais, onde a visualização e o entendimento de dados fazem diferença. O sistema é construído com blocos modulares, que permitem que o usuário controle separadamente cada elemento envolvido na simulação, incluindo parâmetros dos modelos de carregadores, painéis solares, rede elétrica, além das condições climáticas. Cada módulo possui seus próprios parâmetros ajustáveis, definidos com base em cálculos técnicos e estudos sobre os valores mais utilizados em simulações desse tipo. Um dos destaques do simulador é a possibilidade de trabalhar com dados climáticos reais, através da integração com uma API meteorológica que coleta dados com base na cidade escolhida, considerando latitude, longitude, data e horário, permitindo assim simulações que representem de forma mais fiel a geração de energia solar ao longo do dia. Os gráficos se adaptam automaticamente, mostrando quanto foi gerado em cada hora, de acordo com os dados recebidos. O sistema também considera o uso da rede elétrica como uma forma de suporte em momentos de baixa geração solar, sendo possível configurar o sistema para alternar ou complementar a energia com a rede tradicional, aumentando a eficiência do sistema. Em simulações de maior escala, como estacionamentos com vários pontos de recarga, o SolarSim realiza cálculos com base na média de carros presentes no local, o percentual que normalmente utiliza os carregadores, e gera projeções de quanta energia seria necessário produzir e quanto provavelmente precisaria ser consumido da rede elétrica. A geração de relatórios também é um ponto importante do sistema, já que o simulador permite exportar um relatório completo em PDF com os principais dados da simulação, os gráficos gerados, cálculos detalhados, sugestões de onde há desperdício ou baixa eficiência e outros dados técnicos relevantes. O desenvolvimento do sistema foi feito com a linguagem Python, utilizando bibliotecas como Tkinter para construção da interface gráfica, Matplotlib para a geração dos gráficos dinâmicos, ReportLab para os relatórios em PDF e Requests para integrar com APIs externas. Os cálculos usados como base vêm de estudos voltados à eficiência energética, energia solar e mobilidade elétrica. Dessa forma, o SolarSim se destaca por ser uma ferramenta versátil, que une tecnologia, facilidade de uso e alta precisão em um único ambiente, sendo capaz de auxiliar tanto no planejamento e análise de infraestrutura energética quanto no ensino e compreensão de como funcionam sistemas de carregamento elétrico integrados a fontes renováveis
Características da orientação empreendedora em projetos sociais na educação
O empreendedorismo social refere-se a ações empreendedoras realizadas por indivíduos ou grupos que, de forma colaborativa, buscam gerar impacto social positivo por meio da identificação e exploração de oportunidades. Este estudo teve como objetivo identificar as características da orientação empreendedora (OE) presentes em organizações não governamentais (ONGs) que desenvolvem projetos sociais voltados à área da educação. Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa, baseada em análise documental de projetos de três ONGs brasileiras premiadas em 2024: ABC Aprendiz, Cepfs – Transformando o Sertão e Soul Bilíngue. A análise foi conduzida à luz do modelo conceitual de Carmona et al. (2018), que considera as dimensões da OE: inovatividade, proatividade, assunção de riscos, autonomia e agressividade competitiva. Os resultados revelaram que as cinco dimensões da OE se manifestam de maneira consistente nas três organizações investigadas. Na inovatividade, o ABC Aprendiz destacou-se pela integração de formação técnica, cultural e profissional; o Cepfs pela implementação de tecnologias sociais de captação de água adaptadas ao semiárido; e a Soul Bilíngue pela democratização do ensino de inglês e intercâmbio via plataforma gamificada. Na proatividade, todas antecipam tendências e atuam de forma pioneira, fortalecendo redes e captando recursos de maneira estratégica. A assunção de riscos foi evidenciada na disposição de investir em projetos de alto impacto, mesmo diante de incertezas financeiras e sociais. Quanto à autonomia, as três ONGs demonstraram liberdade decisória para criar e implementar soluções inovadoras alinhadas à missão social. Por fim, a agressividade competitiva mostrou-se presente na capacidade de posicionamento institucional, fortalecimento da marca e manutenção de vantagem estratégica para assegurar impacto contínuo. A análise evidenciou que a aplicação da OE no contexto do empreendedorismo social educacional potencializa a geração de valor social e amplia a inclusão, a cidadania e a transformação comunitária. Essas organizações não apenas respondem a demandas já existentes, mas moldam ativamente o ambiente em que atuam, garantindo relevância e sustentabilidade a longo prazo. Do ponto de vista teórico, o estudo contribui para a compreensão de como a OE se manifesta em organizações do Terceiro Setor, especialmente naquelas que operam na área educacional, preenchendo lacunas sobre processos empreendedores sociais e sua relação com a criação de valor. No âmbito prático, oferece subsídios para gestores, formuladores de políticas e investidores sociais estruturarem estratégias que estimulem inovação, resiliência organizacional e colaboração interinstitucional. Em termos de contribuição social, a pesquisa evidencia que fortalecer a OE nas ONGs educacionais favorece a inclusão de públicos vulneráveis, promove soluções adaptadas às realidades locais e amplia a capacidade de gerar mudanças sociais sustentáveis. Tais práticas podem inspirar outras organizações e contribuir para o desenvolvimento de ecossistemas sociais mais inovadores, inclusivos e financeiramente viáveis
Resgate e valorização do patrimônio arquitetônico de Tijucas: um estudo das construções históricas
A cidade de Tijucas, município do estado de Santa Catarina, tem um patrimônio histórico muito significativo, evidenciados pelas diversas construções antigas presentes em seu cotidiano. Por esse motivo, realizou-se este trabalho, assim, possibilitando uma valorização e contribuição cultural, além do reconhecimento dessas construções, frequentemente negligenciadas pela sociedade. Com esse propósito, o artigo buscou responder a seguinte problemática: “Como a influência cultural e estética dos imigrantes moldou as características das construções históricas, a escolha de materiais com suas técnicas, e de que maneira se adaptou ao clima e geografia da região de Tijucas?”. Com isso em mente, reuniu-se inicialmente o levantamento de materiais bibliográficos e documentais e, em seguida, foi realizado um mapeamento em Tijucas, sendo possível a seleção das construções históricas a serem estudadas. A partir dessa seleção, foi possível iniciar a pesquisa de campo, que teve como intuito a coleta de dados, sendo esses: fotos e personalidades responsáveis pela construção e manutenção dos imóveis. Dessa forma, sendo possível a análise comparativa entre os dados de campo e os materiais bibliográficos consultados, planificados e estrategicamente organizados. Concluiu-se que, entre as construções analisadas, houve muita influência europeia, destacando-se especialmente a italiana e a alemã, em que quatro das cinco construções estudadas têm essas características. Enquanto a que não se encaixa nesse padrão, apresentou influência portuguesa. Também se constatou a importação de materiais europeus, como nos casos do Casarão Gallotti e o Casarão Bayer, que os empregaram em sua construção. Paralelamente, foi utilizado materiais locais, sendo o uso de cedro rosa, madeira abundante na região de Tijucas. Além das adaptações de materiais, deve-se pontuar o emprego dos beirais, presentes na maioria das construções estudadas, constatando em quatro das cinco estudadas, característica não típica europeia, mas sim uma adaptação arquitetônica para o clima tropical brasileiro. Observou-se ainda a presença marcante do estilo neoclássico, presente em três das cinco construções analisadas, apresentando em frontões triangulares e geométricos. Já entre as que não seguiram esse padrão, uma apresentou traços possivelmente vindos do estilo barroco, por causa das suas colunas, enquanto na outra não foi identificado um estilo definido, somente a possível influência do povo que a construiu. O estudo apresenta grande importância por contribuir para a valorização cultural e para a preservação da memória coletiva local. As construções históricas analisadas, revelam muito mais do que técnicas arquitetônicas: elas traduzem processos de imigração, adaptação ao meio ambiente e integração cultural que moldaram a identidade da região. Ao investigar as influências europeias, especialmente italiana, alemã e portuguesa, bem como a utilização de materiais locais e importados, o trabalho evidencia como a arquitetura se tornou uma expressão viva da convivência entre culturas distintas e das necessidades impostas pelo clima e pela geografia. Além disso, a pesquisa tem relevância por oferecer subsídios para políticas de preservação do patrimônio histórico, frequentemente ameaçado pelo abandono ou pela modernização desordenada. Ao documentar, comparar e analisar estilos, técnicas e adaptações arquitetônicas, o estudo fortalece o reconhecimento da riqueza histórica de Tijucas e mostra como a cultura é dinâmica, fruto de trocas e influências constantes. Dessa forma, a pesquisa não apenas contribui para o campo acadêmico, mas também desempenha um papel fundamental no fortalecimento da identidade local e na conscientização da sociedade quanto ao valor do patrimônio histórico
Imunidade parlamentar e o discurso de ódio: estudo de casos analisado pelo STF entre 2016 e 2024
A imunidade parlamentar, prevista no artigo 53 da Constituição Federal de 1988, configura-se como uma garantia institucional voltada à proteção do livre exercício da atividade legislativa, assegurando aos parlamentares a liberdade de opinião, palavra e voto no âmbito do mandato. No entanto, diante do aumento de discursos de ódio, manifestações antidemocráticas e uso abusivo das redes sociais por agentes políticos, tem-se observado um tensionamento crescente entre essa prerrogativa constitucional e os princípios fundamentais que regem o Estado Democrático de Direito. O presente estudo tem como objetivo analisar as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre os anos de 2016 e 2024 que envolvem parlamentares acusados de promover discursos ofensivos, discriminatórios ou que atentam contra instituições democráticas, buscando compreender os limites jurídicos e institucionais da imunidade parlamentar frente à necessidade de proteção dos direitos fundamentais e da ordem constitucional. A pesquisa foi motivada pela emergência de casos de repercussão elevada que colocaram em xeque o alcance da imunidade, revelando a complexidade da relação entre liberdade de expressão e responsabilidade pública. O problema central investigado consiste em delimitar até que ponto a imunidade parlamentar pode ser invocada para justificar manifestações que extrapolam o debate político legítimo e adentram o campo da incitação ao ódio, à violência ou à desinformação. Para responder a essa questão, foi realizada uma análise qualitativa de decisões judiciais, com levantamento e interpretação de ações penais, petições e julgamentos que envolvem parlamentares em situações de conflito entre imunidade e discurso de ódio. O corpus da pesquisa inclui casos de ampla repercussão jurídica e política, nos quais o STF se posicionou sobre a aplicabilidade da imunidade, considerando o conteúdo, o contexto e o vínculo funcional das manifestações analisadas. A metodologia empregada consistiu na leitura sistemática dos acórdãos e votos dos ministros, com identificação de padrões argumentativos, evolução jurisprudencial e critérios utilizados para definir o que se enquadra como manifestação protegida. Os resultados obtidos indicam que o STF tem consolidado o entendimento de que a imunidade parlamentar não é absoluta, sendo restrita às manifestações diretamente relacionadas ao exercício do mandato. Discursos que incitam violência, promovem desinformação, atacam minorias ou deslegitimam instituições democráticas têm sido excluídos da proteção constitucional, com base na interpretação de que a imunidade não pode servir como escudo para práticas abusivas ou ilícitas. Observa-se uma tendência e também dinâmica de maior rigor na análise do nexo funcional entre a fala e o mandato, especialmente em casos que envolvem redes sociais e pronunciamentos fora do ambiente legislativo. As decisões mais recentes demonstram preocupação com a preservação da integridade das instituições democráticas e com a proteção dos direitos fundamentais, reforçando a ideia de que o exercício da função parlamentar deve estar vinculado à responsabilidade pública e ao respeito aos limites constitucionais. Conclui-se que há uma reinterpretação do instituto da imunidade parlamentar, orientada por princípios como a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a vedação ao discurso de ódio, o que contribui para o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. O estudo busca oferecer subsídios para o aprofundamento do debate sobre os limites da liberdade de expressão no exercício da atividade política e aponta para a necessidade de regulamentação mais clara sobre condutas parlamentares em ambientes digitais, bem como mecanismos de responsabilização por manifestações que atentem contra os valores democráticos e os direitos fundamentais
Os cenários conceituais à educação contemporânea: liberdade direitos e deveres
A colonialidade, essencialmente edificante dos aspectos culturais fundamentais aquilo que se entende por Brasil, esta cravejada na identidade brasileira. Os símbolos assumidos, as cores, essências, sons e tudo que se possa imaginar, fazem parte da invenção estética deste país. Os sistemas de poder por aqui instalados e praticados ao longo do tempo, devem ser estudados amplamente pela Nova História crítica para que possamos avançar na direção compreensiva daquilo que nos tornamos enquanto nação. A contemporaneidade enquanto conceito em suas múltiplas possibilidades analíticas deve ser cuidadosamente analisada para que possamos compreender as complexas relações histórico filosóficas que permeiam nossas realidades sociopolíticas econômicas e culturais. A conceitualização do processo educacional faz-se fundamental nesta perspectiva, é elementar estruturar historicamente os modelos educacionais predominantes no Brasil contextualizando transitoriamente os conceitos educacionais nos devidos aspectos sociopolíticos econômicos e culturais que consequentemente os definem. Os conceitos histórico-filosóficos eurocêntricos que fundamentam a república brasileira em suas múltiplas representações estéticas e linguísticas revelam amplas possibilidades documentais para estudos historiográficos que em análise nos permitem dar continuidade aos aprofundamentos acadêmicos acerca das influências ideológicas no contexto da formação identitária e educacional brasileira. Metodologicamente a análise bibliográfica foi determinante para as definições conceituais que conduziram à situação problema proposta nesta pesquisa. No Brasil as influências acadêmicas ideológicas apropriadas pelas elites socioeconômicas locais são evidências notórias a serviço da continuidade dos processos estruturais seculares que permearam o colonialismo latino ibérico americano, assim princípios positivistas e militaristas difundem-se sob o lema da ordem e do progresso, as ciências jusnaturalistas serviram como artefato intelectual para perpetuar a continuidade da ordenação hierárquica até então predominante. Analisar os processos educacionais que acompanharam ideologicamente as diferentes fases históricas do país, caracterizando a predominância das ideias positivistas que a partir do século XIX alicerçaram ideologicamente a manutenção dos ideais colonialistas, em contraponto, as ideologias críticas, sobretudo após a Declaração dos Direitos Humanos é intenção investigativa do estudo realizado. Realizamos pesquisas analíticas de caráter revisional bibliográfico que permitiram evidenciar e conceitualizar os termos: Educação contemporânea – Estruturas ideológicas – Liberdades, direitos e deveres - em suas múltiplas possibilidades de interpretação no contexto de nossas sociedades contemporâneas, evidenciando modelos educacionais disruptivos. Dos legados indígenas espiritualistas e comunitários aos rituais antropofágicos tem-se a dimensão da diversidade cultural que compõe os primeiros modelos educacionais antes da chegada dos europeus à América. A chegada dos Jesuítas, da catequização aos ideais iluministas, as primeiras universidades, a educação positivista no contexto da primeira república, a introdução das literaturas críticas, até os dias atuais, faz-se volumosa na representação estrutural europeia no Brasil. O controle e manutenção do poder sob a influência dos sistemas econômicos predominantes ao longo da história brasileira influenciam diretamente as pretensões de estado e governo a respeito daquilo que se pratica e entende-se por educação. A história da educação brasileira é marcada por permanências e rupturas, fortemente influenciada por interesses políticos e econômicos. Desde suas origens, observa-se uma descontinuidade nas políticas educacionais, em que cada governo busca imprimir sua marca, muitas vezes desconsiderando o que foi anteriormente construído. Para compreender de forma aprofundada a atual conjuntura educacional, é imprescindível analisar sua constituição histórica. Apesar dos avanços legais e institucionais, o ensino brasileiro ainda é excludente e elitista, e o país chegou ao final do século XX sem resolver problemas já superados por outras nações. A marca da descontinuidade permanece, e a meta da universalização do direito à educação continua sendo adiada. Conclui-se que, a partir do resgate e da compreensão do passado, torna-se possível não apenas entender melhor a realidade educacional atual, mas também contribuir para que a história da educação brasileira seja reescrita de forma mais justa, democrática e transformadora
ODS 3 e ODS 17: a cooperação internacional em saúde como instrumento de fortalecimento dos sistemas universais
Constitui-se saúde como um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável, conforme preconizado pela Agenda 2030 das Nações Unidas. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 3) busca assegurar uma vida saldável e promoção do bem-estar para indivíduos de todas idades, enquanto o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 17) enfatiza a importância e a relevância da colaboração internacional com a finalidade de alcançar os demais objetivos da agenda 30. Nesta linha, a cooperação internacional em saúde é caracterizada como instrumento estratégico ao fortalecimento dos sistemas universais, em razão da articulação contínua de troca de saberes e conhecimentos, inovações e tecnologias a níveis globais. Este estudo tem por objetivo analisar de que forma a cooperação internacional em saúde tem contribuído para a consolidação de sistemas universais mais sustentáveis, com foco na integração entre países de diferentes níveis socioeconômicos. Trata-se de um estudo baseado em revisão narrativa da literatura, a partir de documentos oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS), Nações Unidas (UN) e publicações científicas indexadas nas bases SciELO e PubMed, abrangendo o período de 2015 a 2024. Em análise preliminar, identifica-se que a cooperação internacional vem possibilitado avanços significativos na prevenção de doenças e agravantes à saúde populacional, promoção de saúde a populações com alto índice de vulnerabilidade e a equidade em saúde para grupos minoritários. Segundo Sweileh (2020), organizou-se uma rede sistemática para visualização de países que contribuíram através de publicações científicas e estudos analíticos entre 2015 e 2019. Em síntese, países com maior contribuição científica e desenvolvidos, mantinham maior contribuição científica e colaboração com países em desenvolvimento. Os resultados identificam que a cooperação internacional tem possibilitado avanços significativos em três dimensões principais: prevenção de doenças, promoção da saúde em populações vulneráveis e equidade para grupos minoritários. Evidencia-se que países de alta renda lideraram a produção científica entre 2015 e 2019, com maior número de colaborações estabelecidas com nações em desenvolvimento, contribuindo para a disseminação de tecnologias em saúde e para a formulação de estratégias conjuntas de enfrentamento a emergências sanitárias. Os achados e as experiencias também apontam que, em sistemas universais consolidados, como os países nórdicos, a cooperação internacional contribui para a manutenção de altos padrões de qualidade assistencial e para a inovação tecnológica em saúde digital. Já no Brasil, a articulação internacional tem reforçado o SUS em áreas como imunização, vigilância epidemiológica e combate a doenças negligenciadas. Conclui-se que a cooperação internacional em saúde, quando pautada pela solidariedade, horizontalidade e articulação entre saúde e bem-estar, constitui elemento essencial para o fortalecimento dos sistemas universais. A integração entre diferentes contextos socioeconômicos amplia a capacidade de resposta a crises, promove equidade no acesso e viabiliza a construção conjunta de soluções sustentáveis. O alcance efetivo do ODS 3 está intrinsecamente relacionado à operacionalização do ODS 17, uma vez que somente por meio de alianças globais será possível reduzir desigualdades, consolidar a justiça social e avançar em direção a sistemas de saúde resilientes e inclusivos
O desafio de ser gestora esportiva no Brasil
A presença feminina no esporte tem sido objeto de crescente interesse acadêmico, destacando-se tanto pelas conquistas atléticas quanto pelos desafios persistentes em espaços de poder e decisão. Historicamente, as mulheres enfrentaram resistência à sua inserção no esporte, visto como território masculino. No Brasil, essa participação remonta ao século XIX, mas ganhou maior visibilidade a partir do século XX, com marcos como a participação de Maria Lenk nos Jogos Olímpicos de 1932. Desde então, inúmeras atletas brasileiras vêm desafiando estereótipos e obtendo conquistas expressivas, como o ouro olímpico de Jacqueline Silva e Sandra Pires no vôlei de praia (1996) e a histórica participação majoritária e vitoriosa das mulheres na delegação brasileira em Paris 2024, quando conquistaram 60% das medalhas do país. Apesar desses avanços no âmbito competitivo, a presença feminina em cargos de liderança e gestão no esporte permanece limitada. Estudos evidenciam barreiras relacionadas à desigualdade de oportunidades, preconceito, invisibilidade midiática e dificuldades de conciliar vida pessoal e profissional. Essas barreiras tornam-se ainda mais evidentes na profissão de treinadora, tradicionalmente dominada por homens, como apontam pesquisas em modalidades como futebol, handebol, esportes de raquete e coletivos em geral. O presente trabalho teve como objetivo analisar a presença de mulheres em cargos de gestão esportiva, especificamente nos postos de presidência e vice-presidência das 34 Confederações Esportivas Olímpicas Brasileiras vinculadas ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A pesquisa foi de caráter quantitativo, exploratório e descritivo, baseada em documentos e informações disponibilizadas nos sites oficiais das confederações. A coleta de dados ocorreu entre março e abril de 2025, sendo posteriormente organizada em planilha para análise. Os resultados revelaram um cenário de baixa representatividade: apenas uma confederação possui atualmente uma mulher na presidência, enquanto três contam com mulheres na vice-presidência. Esses números confirmam a predominância masculina nos cargos de maior poder decisório, inclusive em modalidades tradicionalmente associadas ao protagonismo feminino nos pódios, como a ginástica. Tal panorama reforça o fenômeno descrito pela literatura como “teto de vidro”, uma barreira invisível que impede mulheres de ascenderem a posições de liderança, mesmo quando qualificadas. As justificativas para a baixa inserção feminina em cargos de gestão incluem fatores estruturais, culturais e institucionais: falta de reconhecimento, preconceito quanto à competência, desequilíbrio entre demandas pessoais e profissionais e ausência de políticas de equidade. Por outro lado, evidências internacionais e nacionais demonstram que a inclusão de mulheres em cargos de decisão traz benefícios, como maior visibilidade para o esporte feminino, ampliação da participação de atletas, torcedoras e profissionais, além do fortalecimento de políticas públicas voltadas para igualdade de gênero. Um exemplo recente é a eleição de Kirsty Coventry, ex-nadadora olímpica, como presidente do Comitê Olímpico Internacional em 2025, sendo a primeira mulher e a primeira africana a ocupar esse posto na história da instituição. Os dados obtidos reafirmam que, embora a participação feminina no esporte brasileiro tenha avançado significativamente no campo competitivo, a presença em cargos de gestão ainda é mínima. A ausência de mulheres em posições de liderança revela um espaço historicamente marcado pela dominação masculina, que persiste tanto no âmbito político-administrativo quanto técnico. Essa realidade reproduz desigualdades e limita o potencial transformador do esporte como espaço de inclusão e justiça social. Conclui-se que o processo de inserção das mulheres no esporte, especialmente na gestão, é longo, permeado por adversidades e pela necessidade constante de resistência. A superação dessas barreiras exige não apenas a resiliência individual das gestoras que hoje ocupam tais funções, mas também mudanças estruturais sustentadas por políticas públicas e iniciativas institucionais que promovam a equidade de gênero. É fundamental que a discussão sobre a participação feminina no esporte transcenda o campo competitivo e alcance os espaços de poder e decisão, contribuindo para a desconstrução de estereótipos, a promoção de igualdade e a construção de um ambiente esportivo mais justo e inclusivo
A presença feminina brasileira nas olimpíadas em Paris 2024
Este trabalho teve como objetivo analisar a presença feminina brasileira nos Jogos Olímpicos de 2024. A pesquisa caracteriza-se como um estudo de revisão da literatura, aliado à coleta de dados em sites governamentais e na plataforma do Comitê Olímpico do Brasil (COB), contemplando informações sobre atletas, modalidades, registros fotográficos e resultados. Além disso, buscou-se investigar os projetos desenvolvidos pelo COB voltados à equidade de gênero, em especial aqueles que abordam as mulheres no esporte e os programas de incentivo ao desenvolvimento do esporte feminino, com a finalidade de ampliar o acesso e a participação das mulheres nesse contexto. O estudo também resgatou a trajetória histórica da participação feminina nos Jogos Olímpicos, evidenciando sua evolução e as barreiras enfrentadas ao longo do tempo. Entre elas, destacam-se a visão masculinizada das mulheres atletas, o preconceito relacionado às transformações físicas decorrentes da prática esportiva e o temor quanto a supostas dificuldades de procriação, em um período em que as mulheres eram predominantemente vistas sob a ótica da reprodução. Nesse sentido, o trabalho apresenta as primeiras atletas que integraram os Jogos Olímpicos, destacando os desafios enfrentados, e descreve a evolução da presença feminina desde 1900, ano marcado pela estreia das mulheres na competição, até a participação brasileira em edições subsequentes, trazendo dados concretos que permitem compreender as diferentes nuances dessa trajetória no cenário olímpico. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, a participação feminina brasileira alcançou um marco histórico. Pela primeira vez, as mulheres foram maioria na delegação do Time Brasil e, além disso, conquistaram mais medalhas do que os homens, consolidando-se como protagonistas do desempenho olímpico nacional. Das 20 medalhas conquistadas pelo Brasil, 12 foram alcançadas por mulheres, representando 60% do total, número que inclui a medalha de bronze da equipe mista de judô. Os resultados mais expressivos também vieram delas, como os ouros de Rebeca Andrade, na ginástica artística; de Beatriz Souza, no judô; e da dupla Ana Patrícia e Duda, no vôlei de praia. Outro destaque foi a mesatenista Bruna Alexandre, de 29 anos, que fez história ao participar, na mesma edição, tanto dos Jogos Olímpicos quanto dos Jogos Paralímpicos. No cenário internacional, a evolução da participação feminina nos Jogos Olímpicos também revela avanços significativos. Em 1900, ano em que as mulheres competiram pela primeira vez, representavam apenas 2,2% do total de atletas mulheres. Em Tóquio 2020, esse percentual já havia alcançado 48%, e em Paris 2024 o número chegou a 50%, atingindo pela primeira vez a paridade de gênero. Esse resultado foi viabilizado, em grande parte, pela implementação de uma mudança de regra que garantiu maior equidade, onde 91% dos Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) asseguraram a participação feminina em suas delegações. Dessa forma, Paris 2024 não apenas consolidou a força do esporte feminino brasileiro, mas também simbolizou um avanço mundial em termos de representatividade, equidade de gênero e protagonismo das mulheres