Portal de Periódicos da Univali (Universidade do Vale do Itajaí)
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O potencial de substituição de vidros de controle solar por painéis fotovoltáicos semitransparentes: aspectos luminosos e energéticos
O adensamento urbano, caracterizado pela concentração de edificações em áreas limitadas, fomenta a verticalização e, consequentemente, eleva de forma significativa a demanda energética nas cidades. Dentro desse cenário de crescente consumo, surge a necessidade de alternativas sustentáveis e renováveis capazes de suprir essa demanda sem agravar os impactos ambientais. Uma das soluções mais promissoras é a geração fotovoltaica integrada às edificações (BIPV), tecnologia que combina produção de energia limpa com elementos arquitetônicos. Esse contexto motivou o desenvolvimento da presente pesquisa. O objetivo central do estudo foi avaliar a potencialidade da substituição de vidros de controle solar tradicionais por painéis fotovoltaicos semitransparentes (STPV), sob o ponto de vista da qualidade da iluminação interna. A investigação levou em consideração tanto a suficiência da luz natural quanto o conforto visual dos usuários, parâmetros avaliados a partir das recomendações técnicas estabelecidas pela IES-LM 83-12. Paralelamente, buscou-se analisar os efeitos dessa substituição no balanço energético da edificação, evidenciando o papel dos painéis como elementos multifuncionais. Para alcançar tais objetivos, desenvolveu-se um estudo de caso aplicado a uma edificação hipotética, projetada para ser representativa do estoque construído no contexto local. As propriedades espectrais dos painéis foram medidas experimentalmente, e posteriormente o desempenho luminoso anual, bem como o potencial de geração de energia elétrica, foram simulados digitalmente no software Climate Studio, ferramenta de referência em análises de desempenho ambiental. Os resultados da pesquisa demonstraram a eficácia do vidro fotovoltaico semitransparente como componente de fachada capaz de desempenhar múltiplas funções. Observou-se que a tecnologia contribuiu para reduzir o ofuscamento excessivo e também a exposição solar direta elevada (ASE), ao mesmo tempo em que preservou níveis satisfatórios de autonomia da luz natural útil (sDA). Tais melhorias implicam em condições mais favoráveis de conforto visual, além de reduzirem a necessidade de sistemas adicionais de sombreamento artificial. No que se refere ao desempenho energético, a integração das fachadas fotovoltaicas mostrou-se expressiva: a geração supriu uma parcela significativa da demanda, cobrindo entre 31,7% e 57,3% do consumo mensal de referência da edificação. Esses dados evidenciam que o uso de painéis STPV não apenas promove ganhos ambientais e econômicos, mas também se apresenta como alternativa concreta e viável aos vidros de controle solar convencionais. Assim, a tecnologia associa a produção de energia renovável à melhoria da qualidade ambiental interna, reforçando sua relevância no contexto da construção sustentável
Relação entre o público e o privado na urbanização do litoral catarinense
O artigo tem como finalidade a análise do desenvolvimento urbano das cidades litorâneas de Santa Catarina, utilizando como base o estudo de caso da cidade de Balneário Piçarras, que fica na região do Vale do Itajaí, que teve sua ocupação iniciada em 1963, de maneira tardia em comparação a outras cidades do litoral catarinense. A pesquisa inicia-se com o contexto histórico das ocupações feitas pelos primeiros seres humanos, como tribos, povoados e cidades, afim de compreender o surgimento e como as suas relações com o espaço foram transformadas ao decorrer do tempo, além do papel do Estado na regulamentação da ocupação urbana, especialmente na criação de infraestrutura adequada e na busca por melhores condições sociais e ambientais. O objetivo geral é compreender como se dá o desenvolvimento urbano em Balneário Piçarras e propor modelos mais eficientes de urbanização que possam ser replicados ou adaptados para outras cidades litorâneas da região e para a cidade de Piçarras. Os objetivos específicos incluem entender a evolução das ocupações humanas, analisar as responsabilidades e as decisões do poder público no planejamento urbano, o grau de gentrificação e a forma de expansão urbana da cidade, além de desenvolver um modelo de urbanização com base em dados analisados na pesquisa. Para atingir este objetivo, a metodologia adotada inclui uma abordagem qualitativa, abordando um fator social, com estudo de caso, entrevistas estruturadas e semiestruturadas, além de pesquisa de campo realizada com base em uma entrevista feita com o secretário de planejamento urbano de Piçarras. Um diferencial do estudo é a utilização de uma ferramenta de Inteligência Artificial treinada para interpretar dados de desenvolvimento urbano, e construir, com base nas informações coletadas, um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, considerando tanto a verticalização quanto a horizontalização das construções, além da relação entre investimento público e incentivo ao setor privado. Os resultados obtidos até o momento apontam que Balneário Piçarras, mesmo com seu processo recente de urbanização, tende a enfrentar desafios comuns a cidades costeiras, como expansão desordenada, pressão sobre os serviços públicos e impactos socioambientais, vale ressaltar no entanto que a pesquisa ainda está em desenvolvimento então ainda são necessárias mais análises e estudos para demonstrar análises mais aprofundadas e específicas, entretanto até o momento se tem certeza que a cidade de Balneário Piçarras demonstra que é possível desenvolver estratégias que conciliam crescimento urbano, qualidade de vida e sustentabilidade, por meio de políticas públicas eficientes e de incentivos a práticas urbanísticas conscientes. O estudo conclui que a experiência de Piçarras pode servir de como molde para outras cidades do litoral catarinense, especialmente quando junto ao uso de tecnologias inteligentes no planejamento urbano
A subordinação feminina em sociedades pré-capitalistas: uma leitura a partir da obra “Calibã e a bruxa”, de Silvia Federici
O presente trabalho tem como objetivo analisar os impactos da transição do sistema feudal para o capitalismo sobre a vida das mulheres, a partir da leitura do primeiro capítulo da obra Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici, em diálogo com autoras clássicas e contemporâneas dos estudos de gênero e trabalho. No feudalismo, os servos dispunham de certos acordos consuetudinários e de acesso a terras comunais, o que assegurava formas de subsistência e autonomia relativa em meio às obrigações impostas pelo senhor feudal. As mulheres, nesse contexto, desempenharam papéis fundamentais na vida coletiva, pois além do trabalho doméstico e da criação dos filhos, participaram do cultivo da terra, da produção e da reprodução social, de modo que sua atuação era reconhecida como central para a manutenção da comunidade servil. Contudo, a transição para o capitalismo desarticulou essas formas de solidariedade, restringiu a autonomia das mulheres e instituiu novos mecanismos de subordinação, sobretudo pelo controle da sexualidade e pela repressão de seus saberes, como o conhecimento das ervas e práticas ligadas à saúde e à reprodução. A igreja e o Estado tiveram papel decisivo nesse processo, transformando a sexualidade em questão estatal e moral, reprimindo práticas não reprodutivas e impondo normas rígidas à vida íntima das mulheres. Nesse contexto, o problema que orienta esta pesquisa consiste em compreender de que maneira a reorganização do trabalho e da vida comunitária durante a transição ao capitalismo implicou a construção de estruturas de dominação de gênero. Parte-se da hipótese de que a imposição de uma nova ordem econômica e social promoveu a desvalorização e o isolamento das mulheres, transformando sua participação coletiva em uma experiência de subordinação individualizada e legitimada pelo discurso religioso e estatal. O objetivo geral é examinar como a transição do feudalismo para o capitalismo redefiniu a divisão sexual do trabalho, transformando-a em um mecanismo estruturante da subordinação feminina, enquanto os objetivos específicos consistem em: (i) descrever as condições de vida e trabalho de servos e mulheres no sistema feudal; (ii) identificar as mudanças ocorridas na organização social e no controle da sexualidade feminina na transição ao capitalismo; e (iii) discutir a relevância do pensamento de Federici em diálogo com autoras como Simone de Beauvoir, que problematiza a naturalização da condição feminina e evidencia a divisão sexual do trabalho como ferramenta de subordinação das mulheres; Joan Scott, que estabelece o gênero como categoria de análise histórica; Judith Butler, que tensiona a normatividade das identidades sexuais; Kimberlé Crenshaw, Angela Davis e bell hooks, que ampliam a discussão ao evidenciar as interseccionalidades de gênero, raça e classe; e Claire Pearce, que contribui com a noção de feminização da pobreza como desdobramento das desigualdades estruturais. Trata-se de uma pesquisa de caráter dedutivo,fundamentada em revisão bibliográfica, com ênfase em obras clássicas e críticas que analisam a constituição histórica da desigualdade de gênero e suas implicações na estrutura social. Espera-se como resultado a identificação das continuidades e rupturas no papel social das mulheres entre o feudalismo e o capitalismo, bem como a problematização do modo como a modernidade capitalista instituiu mecanismos de controle sobre a reprodução social e a sexualidade feminina. A reflexão final aponta que a opressão de gênero não é um dado natural, mas uma construção histórica intrinsecamente vinculada à formação do capitalismo, cujo entendimento crítico contribui para pensar os desafios contemporâneos da luta por igualdade e justiça social
Um contra-ataque do jogar e do brincar: para onde vão os jogos e brincadeiras de bola jogados com os pés?
Na contemporaneidade passamos por um processo de desapropriações de espaços que outrora, serviram como espaços do jogar e do brincar, notadamente os jogos e brincadeiras de bola jogados com os pés. A especulação imobiliária, falta de segurança, institucionalização das crianças e aumento do uso de novas tecnologias por crianças podem ser considerados fatores para a não experimentação de jogos e brincadeiras da cultura popular brasileira, e pelos quais, o futebol se popularizou no país. O presente ensaio tem como “Discutir as ameaças e as alternativas para a prática de jogos e brincadeiras de bola jogados com os pés na contemporaneidade”. Assim utilizou-se de um ensaio teórico, que emerge a partir da disciplina de futebol e futebol e da aula magna do curso de Educação Física realizada no primeiro semestre de 2025. “O povo brasileiro” em sua gênese, caracteriza-se pela mistura de negros advindos do continente africano e escravizados no Brasil colônia; Indígenas, povos originários da terra Pindorama; e descendentes de Europeus. Sendo reconhecido, por ser um povo do jogo, da brincadeira, e que por consequência é alegre, ainda que enfrente muitos problemas sociais oriundos do próprio processo de formação do país. A capoeira, o carnaval e o futebol fazem parte de uma tradição inventada, que apesar de não ser representada de forma homogênea em todo o Brasil, levam os brasileiros a pensarem, agir e se reconhecerem como brasileiros, de uma mesma tribo, mesmo terreiro ou mesmo país. Assim como os jogos e brincadeiras de bola jogados com os pés, a capoeira e o carnaval colocam os brasileiros para se relacionarem e figuram como espaços de sociabilidade do povo brasileiro. Outra característica a ser destacada presente tanto nos jogos e brincadeiras de bola jogados com os pés, quanto no carnaval e na capoeira é o potencial subversivo destes fenômenos. O futebol, esporte que chega ao Brasil como Footbal na virada do Séc. XIX para o Séc. XX e se abrasileira, caindo nas graças da periferia do Brasil que se destaca no esporte devido ao molejo, balanço, gingado presente também no samba e na capoeira, que são grandes fatores para que aqueles que na vida cotidiana, no tempo comum fossem apenas pobres, no tempo do jogo passassem a ter um lugar de destaque. Na contemporaneidade está identidade brasileira está ameaçada, por ataques aos espaços onde esses fenômenos acontecem, a rua enquanto espaços onde formamos pequenas sociedades lúdicas, comungando da cultura do jogo e do brincar sem o compromisso de viver dentro do tempo contado. A rua volta a ser um perigo, de não relacionamento com o outro, com o estranho, em contextos completamente diferentes, lembra a hostilidade da rua que os imigrantes europeus enfrentaram a disputa de território com povos indígenas, onde a casa era vista como um espaço de sociabilidade, restrito ao círculo familiar mais próximo. O celular e as novas tecnologias em geral se apresentam como alternativa ilusória de espaços “seguros”, embora sejam potencialmente mais perigosos que a própria rua, e sejam mais atrativas as crianças que os ambientes institucionalizados e disciplinadores. Para que os jogos e brincadeiras da cultura popular brasileira não se percam, se faz necessário repensar novas roupagens da casa, novas roupagens destes espaços de sociabilidade, como escolas, clubes, escolas de idiomas, escolas de culinária infantil, escolinhas esportivas, aulas de canto, aulas de teatro vivenciem o jogo, a brincadeira, possam ter momentos que fomentem a socialização de um modo que eles tenham que construí-la, não a partir de uma lógica racionalizada onde ela já está posta, deixamos as crianças jogarem e brincarem para que estes serem adultos que por consequência, também joguem e brinquem
Mapeamento geoespacial como ferramenta de planejamento: vivência acadêmica em Itajaí
A territorialização representa um dos eixos centrais da Atenção Primária à Saúde (APS), pois possibilita a aproximação entre gestão, equipes e comunidade, fortalecendo o planejamento das ações e a equidade na organização dos serviços. No entanto, a constante expansão urbana e as transformações demográficas impõem o desafio de manter os territórios atualizados, assegurando que a Estratégia Saúde da Família (ESF) atue de forma eficaz e orientada pelas necessidades da população. No município de Itajaí (SC), esse contexto motivou a execução de um projeto de intervenção no âmbito do estágio supervisionado em saúde coletiva, direcionado à revisão e atualização da representação geoespacial de duas regionais da Rede ESF. Relatar os impactos do estágio supervisionado no processo de atualização geoespacial das regionais 01 e 03 da ESF de Itajaí, destacando contribuições para a gestão em saúde e para o processo formativo dos estudantes. Trata-se de um relato de experiência descritivo e qualitativo, desenvolvido entre agosto e setembro de 2025, no âmbito do estágio supervisionado em saúde coletiva. O trabalho foi realizado em parceria com a Diretoria de Saúde e coordenação da ESF do município, envolvendo consultas bibliográficas, análise de dados fornecidos pela gestão municipal e utilização do software Google Earth para revisão das áreas de abrangência. O processo metodológico incluiu: verificação de limites territoriais previamente estabelecidos, identificação de inconsistências nos mapas, rodas de conversa com equipes da ESF e validação das atualizações com o apoio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). O estágio supervisionado possibilitou a construção de uma representação cartográfica mais precisa das microáreas das regionais estudadas, tornando-as mais adequadas à realidade populacional. A participação dos ACS revelou-se estratégica, pois seu conhecimento empírico sobre famílias e comunidades contribuiu para corrigir inconsistências e ajustar fronteiras. Entre os impactos observados, destacam-se: maior clareza na definição das áreas de abrangência, fortalecimento da integração entre universidade e serviço de saúde, além do reconhecimento da territorialização como ferramenta fundamental de gestão. Para os estudantes, a experiência proporcionou aprendizado prático no uso de ferramentas tecnológicas aplicadas à saúde coletiva, ampliou a compreensão sobre o papel da APS na organização do sistema e desenvolveu competências voltadas à análise crítica, planejamento e gestão. A atualização geoespacial realizada no contexto do estágio supervisionado demonstrou impactos significativos tanto para a rede de serviços quanto para a formação acadêmica. Do ponto de vista assistencial, os mapas atualizados contribuem para o aprimoramento do planejamento territorial, a equidade na distribuição de recursos e o fortalecimento do processo de trabalho das equipes da ESF. No âmbito formativo, a vivência possibilitou a integração teoria-prática, a valorização da participação social e o uso crítico de tecnologias digitais no cuidado em saúde. Assim, o relato reforça que a territorialização, quando conduzida de forma colaborativa, constitui um instrumento potente de gestão e uma experiência pedagógica transformadora, alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde
O tempo esportivo: a institucionalização do futebol em Brusque (1913-1931)
Nas primeiras décadas do Séc. XX inicia-se um novo movimento na Cultura Física em diversas partes do Brasil, a emergência das práticas esportivas. Neste movimento, Brusque uma cidade localizada na região do Vale do Itajaí, colonizada eminentemente por alemães e conhecida pela sua força industrial no ramo têxtil tem suas primeiras instituições esportivas fundadas nos anos de 1913 e 1918. No entanto, antes da fundação do Sport Club Brusquense e do Sport Club Paysandu, outras instituições já racionalizavam e disputavam a construção da cultura física na cidade, dentre estas destaca-se a Schützen-Verein Brusque, fundada no ano de 1866 e a Turnverein Brusque, fundada no ano de 1900, instituições que dedicavam suas atividades aos outros dois elementos que compõem a Cultura Física, os divertimentos e as práticas ginásticas. Neste contexto o presente trabalho busca lançar o olhar para o um dos elementos constitutivos da cultura física, o esporte a partir da análise de duas sociedades em específico, o Sport Club Brusquense e o Sport Club Paysandu. O trabalho teve como objetivo analisar a emergência das primeiras práticas esportivas, notadamente o futebol na cidade de Brusque – Santa Catarina. Norteado pela questão problema: “Como se deu o processo de emergência das práticas esportivas, sobretudo do futebol em Brusque? Para isso realizou-se uma pesquisa de cunho histórica, onde foram analisadas imagens disponibilizadas no Portal Brusque Memória além dos Jornais Diário de Itajahy, Gazeta Brusquense, O Progresso e O Espiã, encontradas no acervo do Museu Histórico do Vale do Itajaí-Mirim. Com relação a temporalidade escolhida para a pesquisa, justifica-se a partir da fundação do Sport Club Brusquense no ano de 1913, sendo está a primeira instituição esportiva da cidade e inauguração do estádio Augusto Bauer em 1931, onde se inaugura um espaço de prestígio destinado exclusivamente para as práticas esportivas. Como resultados, destaca-se o envolvimento das duas principais instituições esportivas, o Sport club Brusquense e o Sport Club Paysandu com as instituições associativas ligas aos divertimentos e a ginástica, uma vez que a Schützen-Verein Brusque e a Turnverein Brusque foram palcos frequentes de partidas de futebol disputadas e das festividades realizadas após as partidas. Ponto relevante na institucionalização das práticas esportivas, se refere a rivalidade entre o Sport Club Brusquense e o Sport Club Paysandu como importante fator na disseminação das práticas esportivas, nesse caso do futebol, na cidade de Brusque. Sobretudo, considerando as dificuldades enfrentadas pelo Sport Club Brusquense para a realização de partidas com clubes esportivos de outras cidades da região antes da fundação do Sport Club Paysandu. Rivalidade está que atinge seu pico em 1929, quando um amistoso marcado entre as duas equipes em comemoração ao centenário da imigração alemã foi interrompido pela invasão de campo dos torcedores, seguida de uma confusão generalizada. Ressalta-se ainda, o prestígio das duas associações esportivas da cidade frente a população de Brusque, embora, inicialmente o Sport Club Brusquense tenha tido uma má recepção do público em geral devida a publicação de seu estatuto em língua Portuguesa, ao invés do uso da língua Alemã como era tradicionalmente feita, fato contornado através de um extenso calendário de jogos e festividades. Por fim, considera-se que embora esse “tempo esportivo” tenha se relacionado com a Schützen-Verein Brusque e com a Turnverein Brusque, se afasta de um discurso étnico alemão, produzindo novas gestualidades, novas sociabilidades, emergindo novos projetos de educação do corpo
Estudo da influência do glúten nos parâmetros oxidativos intestinais de camundongos
O presente estudo investigou a influência do glúten sobre parâmetros oxidativos intestinais em camundongos C57BL/6J fêmeas, submetidos a dietas rica, normal e isenta de glúten. Observou-se que a dieta rica em glúten promoveu aumento dos níveis de malondialdeído (MDA) e da atividade da enzima GST, indicando maior estresse oxidativo e tentativa de compensação enzimática, enquanto a dieta isenta de glúten elevou os níveis de glutationa reduzida (GSH), reforçando a defesa antioxidante e preservação da mucosa intestinal. Além disso, verificou-se aumento da atividade de mieloperoxidase (MPO) no grupo isento de glúten, sugerindo maior migração de neutrófilos e possível influência do glúten na modulação da resposta imune inata. Os achados indicam que tanto o excesso quanto a ausência total de glúten podem alterar o equilíbrio oxidativo intestinal, reforçando a importância do consumo equilibrado, exceto em casos de doença celíaca, nos quais a exclusão do glúten é essencial
Estratégias pedagógicas na sala de aula: percepções docentes sobre o manejo de sinais de TEA e TDAH na ausência de um diagnóstico formal
A literatura descreve o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) como condições do neurodesenvolvimento que costumam impactar o funcionamento acadêmico, exigindo uma resposta sensível no contexto escolar. Na escola, a ausência de reconhecimento e de manejo adequado associa-se a riscos clínicos e psicossociais, reforçando a necessidade de estratégias pedagógicas específicas. Embora a adoção de estratégias de apoio deva ser tempestiva, o diagnóstico precoce nem sempre é factível, tanto por barreiras de acesso a avaliações e terapias especializadas, quanto pela complexidade do itinerário até o cuidado. Além disso, a sobreposição de manifestações entre TEA e TDAH e a presença de comorbidades geram incertezas na idade escolar, exigindo avaliações abrangentes e multidimensionais. Em particular, sinais como agitação psicomotora, inquietação e lapsos atencionais podem refletir aspectos de imaturidade do neurodesenvolvimento e são pouco específicos quando descontextualizados, o que recomenda cautela na interpretação isolada desses indicadores. Nessa conjuntura, a escola é convocada a implementar apoios pedagógicos desde já, em paralelo ao percurso clínico, para mitigar prejuízos sem recorrer a classificações precipitadas. A escola, como ambiente natural de aprendizagem e socialização, é um território estratégico para intervenções que integrem evidências e práticas inclusivas, reconhecendo a influência do meio sobre trajetórias de desenvolvimento e plasticidade. Diretrizes de educação inclusiva orientam o acolhimento da diversidade e a adaptação do ensino às necessidades dos estudantes, valorizando a participação e a pertença. Além disso, abordagens informadas pela neurodiversidade recomendam cuidado ético contra a normalização forçada, favorecendo estratégias que respeitem perfis cognitivos e sensoriais e sustentem o trabalho docente. Diante desse quadro, este estudo tem por objetivo analisar, nas respostas docentes a uma vinheta clínica-pedagógica (caso “João”), as estratégias pedagógicas consideradas eficazes para favorecer participação e aprendizagem, na ausência de um diagnóstico formal
Hipóxia na região costeira Centro-Norte de Santa Catarina: processos oceanográficos e biogeoquímicos associados
Diversos são os estressores que podem causar uma alteração no ambiente costeiro, dependendo o seu grau de interferência, os impactos podem ser temporários ou duradouros. Um dos impactos mais marcantes ocasionados pela ação antrópica é o aporte de nutrientes e matéria orgânica ao ambiente natural, que ao favorecer mais um nível trófico que os demais, ocasiona a eutrofização e dependendo da intensidade, pode contribuir para a criação de zonas de hipoxia (RABOTYAGOV et al., 2014; RABOUILLE et al. 2008). A hipoxia em ambientes aquáticos é caracterizada por concentrações de oxigênio dissolvido (OD) abaixo de 2 mg/L de O2 (DIAZ, 2001). A relação entre a eutrofização e o desenvolvimento da hipoxia vem sendo estudada em vários ambientes costeiros em países como Estados Unidos, Japão, Itália, Dinamarca, Suécia, Austrália (DIAZ, 2001; ISHIKAWA et al. 2004; ROWE, 2001; TURNER et al. 2005). Estes estudos mostram que os dois principais fatores que levam ao desenvolvimento da hipoxia, e em alguns casos da anoxia, é a ocorrência conjunta da estratificação da coluna d’água, que isola a camada de fundo da camada superficial mais rica em oxigênio e a decomposição da matéria orgânica na camada de fundo, reduzindo os níveis de oxigênio (Diaz, 2001). O incremento da matéria orgânica na superfície está ligado ao grande aumento da produção primária em superfície, como resultado da eutrofização. Na região centro norte do litoral de Santa Catarina, encontram-se alguns dos maiores balneários do país, destino de um grande número de pessoas, especialmente nos meses de verão. Ela também recebe o aporte da principal bacia hidrográfica do estado, através do rio Itajaí-Açú, drenando aproximadamente 15% do seu território. Esse cenário se mostra com grande potencial para a formação de uma zona hipóxica, a qual já foi constatada em monitoramentos ambientais, com registros de OD menores que 2mg/L. Com o objetivo de identificar a extensão do fenômeno de hipoxia, no tempo e no espaço, foi adotada uma estratégia amostral intensiva no período de maior probabilidade de ocorrência de tal fenômeno, entre os meses de novembro de 2024 e abril de 2025
Ferramenta para Ensino da Técnica de Raciocínio Baseado em Casos
O Raciocínio Baseado em Casos (RBC) estabeleceu-se nos últimos anos como uma das tecnologias mais populares para o desenvolvimento de Sistemas Baseados em Conhecimento. Para o desenvolvimento deste tipo de sistema existem ferramentas que fornecem funções para elaboração e testes, porém obrigam os usuários a terem pleno domínio da técnica de RBC. O presente apresenta uma ferramenta para o desenvolvimento de sistemas RBC com foco no ensino da técnica, que possibilite o uso em turmas de graduação da disciplina de Inteligência Artificial, utilizando a abordagem da Aprendizagem Baseada em Problemas